Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, a noite estava linda. Era noite de Libertadores. Quase 60 mil pessoas no Morumbi, recepção magnífica à delegação na chegada ao estádio, clima de festa e muita fé numa vitória e classificação para as quartas de final da Libertadores. Conseguimos, é fato, mas sofremos mais do que precisávamos.
O gol marcado logo aos três muitos parecia coroar a linda noite de terça-feira. Abria-se o caminho para uma vitória fácil, pois pegando o retrospecto do Atlético Nacional nesta Libertadores, o time não havia marcado um único gol fora de casa. Então era questão de ter os nervos no lugar, administrar a vantagem e se aproveitar dos espaços que os colombianos deixariam, por mais que em nenhum momento terem jogado na defensiva, com retrancas. Ao contrário, jogaram sempre marcando a saída de bola do São Paulo.
Com a vantagem, o São Paulo deveria tentar diminuir o ritmo do jogo, trocar passes no meio de campo e, sem pressa, tentar o segundo. O que o time tentou foi o oposto disso. O jogo ficou ruim para nós. O São Paulo até se defendeu bem, mas não conseguiu ficar com a bola. Contra-ataques não saíram, lentidão no meio de campo, a defesa errando saídas de bolas e o time vendo a situação piorar.
Crespo teve uma noite muito infeliz. Deveria ter mexido no time no intervalo, ter voltado com Lucas no lugar de Rodriguinho, que voltou a ser Rodriguinho. Mas não. Esperou algum tempo antes de fazer a alteração. A entrada de Lucas deu um pouco de lucidez ao setor de criação.
Para piorar ainda mais, o Atlético Nacional empatou num pênalti desnecessário cometido por Enzo Diaz. Morelos já estava marcado por Sabino, que vacilou e deu a oportunidade para o adversário girar. O lateral, então, abusou da vontade de desarmar o colombiano e cometeu a infração.
E mais um erro de Crespo, que não teve vontade de vencer por pavor de perder. No gol do Atlético houve a expulsão de Cardona. Crespo fez entrar Ferreira no lugar de André Silva enquanto jogo ainda estava parado. Errou. Sabedor do empate e da expulsão, poderia ter desfeito o sistema de três zagueiros e colocado Henrique pelo lado do campo. Tanto daria certo que quando ele fez isso, já no final do jogo, o São Paulo passou a pressionar muito e quase conseguiu o segundo gol.
Mas o jogo acabou com ares dramáticos, porque, mesmo com um a menos, o Atlético Nacional levou muito perito ao gol do São Paulo. Então vieram os pênaltis. O trauma da final da Copa do Brasil presente em nossas mentes. Rafael defende o primeiro e abrimos vantagem com Lucas. Porém não dura muito tempo, porque Marcos Antonio perde na sequência, e vamos no faz aqui, faz ali, até a última cobrança, quando o colombiano erra e Cedric marca. Estamos classificados.
Apesar desta sórdida diretoria que comanda o São Paulo, a emoção de ser torcedor deste time supera qualquer coisa. E cheguei à conclusão: eu ainda vou morrer transmitindo um jogo destes.