SP vendeu Neres para ter Pratto e Araújo. Após um ano, acabou sem nenhum

Há pouco menos de um ano, o São Paulo acertava a venda de David Neres por mais de R$ 50 milhões para o Ajax. A negociação prometia evitar um desmanche no elenco, como havia acontecido em 2015 e 2016. Dava força para ir ao mercado em busca de Lucas Pratto e para segurar outra promessa do clube, Luiz Araújo. Depois de 345 dias, o Tricolor não evitou nova reformulação na equipe, perdeu Araújo na metade do caminho e, por último, viu Pratto sair para o River Plate.

Do ponto de vista financeiro, nenhum problema. Somente essas três saídas podem totalizar R$ 125,2 milhões aos cofres são-paulinos, de acordo com metas alcançadas pelos jogadores em seus novos clubes. O ponto negativo de todas essas histórias conectadas está na dificuldade do Tricolor em manter seu elenco e seu planejamento diante dos obstáculos que aparecem.

Esse vaivém fez com que 48 atletas fossem utilizados pelo São Paulo ao longo do ano passado. O time que terminou 2016 já era totalmente diferente em março de 2017, ficou diferente oito meses depois e, agora, com a saída de Pratto, mais uma vez foi alterado. A inconstância se reflete na falta de entrosamento do time, que quase custou o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, e na falta de continuidade dos projetos no departamento de futebol.

Estavam na área, quando Neres foi vendido ao Ajax, José Jacobson Neto, diretor de futebol, e José Alexandre Médicis, vice da pasta – Marco Aurélio Cunha foi diretor-executivo até duas semanas antes do fim das negociações. Quando Araújo foi ao Lille, quem conduziu as negociações foi Vinicius Pinotti, que deixou a diretoria executiva no início do mês passado. Agora, na saída de Pratto, Raí esteve à frente das conversas.

No caso de Neres, o São Paulo justificava que era impossível recusar mais de R$ 50 milhões por um garoto de 19 anos, com somente oito jogos – e três gols – como profissional. Que mantê-lo diante de cifras tão altas era um risco. Hoje, o garoto brilha no Ajax e carrega a fama de melhor jogador da temporada no Campeonato Holandês, despertando o interesse de grandes clubes europeus. A ressalva tricolor na história é que 20% dos direitos econômicos do atacante foram mantidos e podem render muitos milhões em caso de nova transferência.

Com Araújo, os cofres já estavam cheios e o ponta estava mais estabelecido como profissional. O clube argumentou, na época da venda ao Lille, que o jogador queria sair e que o então técnico Rogério Ceni chegou a deixá-lo no banco semanas antes. A negociação foi consumada e irritou o treinador, que tinha a promessa da manutenção após Neres ser vendido.

Por fim, Lucas Pratto. Contratar um dos centroavantes mais badalados do Brasileirão nos últimos anos representava um golpe em rivais, como o Palmeiras, que sonhava com o reforço, e uma demonstração de força do São Paulo nos bastidores. O argentino foi tratado como estrela e exemplo, virou capitão e líder do elenco, mas em menos de um ano preferiu sair para ficar mais próximo da filha. Pela primeira vez, o Tricolor encarou argumentos sólidos, dialogou com quem queria sair e conseguiu se defender com uma venda melhor e já reposta com a chegada de Diego Souza.

O clube evita – e a reportagem também – fazer qualquer juízo de valor sobre as escolhas feitas no último ano, principalmente pela troca constante de poder no departamento de futebol. Cada gestão tinha uma visão, cada caso era uma oportunidade em um momento diferente. Com a reforma no estatuto e a implantação, teoricamente, de uma administração mais profissional, a cobrança dos torcedores é que uma filosofia de trabalho seja estabelecida logo, justamente para evitar que essa variação de ideias e decisões afetem tanto os resultados do futebol.

 

Fonte: Uol

4 comentários em “SP vendeu Neres para ter Pratto e Araújo. Após um ano, acabou sem nenhum

  1. Não concordo com essa matéria, para variar ela é sempre tendenciosa e oculta alguns fatos.

    O SPFC pode ser acusado de ter se excedido perigosamente como ficou comprovado na questão de venda de jogadores, ou seja, vendeu mais do que precisava.

    Mas no momento era imprescindível vender, pois o clube estava literalmente quebrado, pois a gestão Aidar tinha se aprofundado ainda mais nas dívidas. O montante da dívida com os bancos estava asfixiando o SPFC com os juros escandalosos e obscenos praticados nesses país. Era necessário a qualquer custo amortizar essa dívida com os bancos.

    E quanto a Pratto, assim como no caso de Luiz Araújo, Thiago Mendes…quando o jogador não quer ficar a melhor coisa é atender o seu desejo em vez de ficar pagando um atleta desmotivado e ás vezes muito caro.

    E cá entre nós, Pratto não foi esse jogador que conhecíamos, e hoje entendo porque o CAM não fez força para segurá-lo.

    • A notícia pode ser tendenciosa, mas é inegável a incompetência do Leco.

      Todos estamos esperançosos com Raí e Ricardo Rocha, apesar que na minha opinião, na primeira divergência entre comando do futebol e Presidência, o Leco frita os dois, como fez com Lucas Pratto e tantos outros dirigentes.

      • Nem todos estamos esperançosos. Pra mim não vai mudar nada. Daqui a pouco começam as contratações pra pagar comissão pra galerinha, ja teve aí contato com o Aloisio, tem conversa com o Marinho… daqui a pouco vai começar a encher o clube de lixo, E a vender as peças boas. É só esperar pra ver.

        O único setor que vai bem é a base, graças ao Jardine e a manutenção dele no cargo.

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