Um grupo de associados do São Paulo FC iniciou um movimento para mudar o modelo de votação nas eleições de 100 novos conselheiros do clube, previstas para novembro deste ano. A proposta é tornar o voto eletrônico o padrão, substituindo o atual sistema baseado em cédulas de papel. A mobilização foi iniciada pelo grupo Nova Era Tricolor, que reúne cerca de 90 sócios e se define como independente e apartidário.
Entre os integrantes do movimento, sete são conselheiros do clube: Flávio Marques, Daurio Speranzini, Kauê Lombardi, Fábio Machado, Daniel Dinis, Jonathan Rodrigues e Caio Forjaz.
Segundo os organizadores, o objetivo é promover mais transparência, autonomia e justiça no processo eleitoral do clube. “O São Paulo é gigante, mas a forma como votamos hoje ainda é pequena”, afirma a cartilha divulgada pelo movimento.
Atualmente, o sistema de votação em papel é alvo de críticas por parte dos associados. De acordo com o material do grupo, há práticas como a distribuição de cédulas já preenchidas e a influência direta de grupos políticos no momento do voto. Esse fenômeno é conhecido como “voto de cola”, em que o sócio apenas deposita um voto previamente definido por sua chapa política, sem exercer plenamente sua escolha individual.
O movimento destaca ainda que o voto eletrônico já é permitido dentro do clube, mas não é adotado como padrão. A proposta, portanto, é ampliar seu uso nas eleições do Conselho Deliberativo e da presidência.
Pelo modelo sugerido, o processo seria realizado em cabines individuais, nas quais o sócio escolheria diretamente seus candidatos, com visualização de nome e foto antes da confirmação. O sistema também permitiria auditoria e acompanhamento por todas as chapas.
O voto em papel não seria completamente eliminado, mas passaria a ser utilizado apenas em situações excepcionais, como falhas técnicas ou falta de energia. Mesmo nesses casos, haveria regras mais rígidas, como o acesso à cédula apenas dentro da cabine de votação.
Para o grupo, a mudança representa uma transformação estrutural no clube. “Isso muda tudo. Fortalece a democracia, dá voz real ao sócio e reduz o poder de grupos políticos”, diz o documento.
A cartilha também aponta que o modelo atual favorece a manutenção de grupos no poder ao longo dos anos, nem sempre por representatividade, mas pelo controle do sistema eleitoral. Na visão do movimento, o voto eletrônico “quebra esse ciclo” e permite que o resultado reflita efetivamente a vontade dos associados.
Para que a proposta avance, o Nova Era Tricolor está coletando assinaturas entre os sócios. A iniciativa precisa de ao menos 120 assinaturas de associados titulares para que o tema seja levado ao Conselho Deliberativo, responsável por votar e decidir sobre a mudança.
“Agora é a hora”, diz o grupo na campanha. “Se você acredita em um São Paulo mais justo, moderno e com menos influência política, assine e seja parte da mudança.”
Com essa medida, eu acredito, fugiremos da chamada “influência circunstancial” que tem sido desenvolvida pela Diretoria Social e suas carteirinhas mágicas.