Seleção encara Alemanha no clima do Galo e ao som de “Eu Acredito”

Imagine a cena: A seleção brasileira chega ao hotel onde se hospedará em Belo Horizonte sob muito barulho e no embalo de “Eu acredito”, coro que marcou o título atleticano na Libertadores do ano passado. Só que não são só os alvinegros que puxam a musiquinha. Uma cruzeirense, com bandeira do Brasil estilizada e tudo, entra na onda.

“Cantei, cantei”, admite a torcedora azul. “Mas é que eu não preciso cantar para o Cruzeiro, ele não me faz sofrer. Essa seleção não”, completa Viviane Ferreira, acompanhada de três atleticanos.

A cena e a explicação dizem bastante sobre o clima que a seleção brasileira deve encontrar nesta terça, às 17h, no Mineirão, quando enfrentará a Alemanha por uma vaga na final da Copa do Mundo. Com uma campanha sofrida e cheia de percalços, o time comandado por Luiz Felipe Scolari foi adotado pelos atleticanos, que fazem força para que o Brasil supere todos os seus dramas como fez o Galo há um ano.

A comparação não pode ser levada a ferro e fogo, é claro. O Atlético-MG que venceu a Libertadores buscava um título inédito para uma torcida apaixonada e sedenta de títulos. O Brasil pentacampeão mundial, ainda busca seu melhor futebol para dar ao público que o acompanha o prazer de uma taça em casa.

“Eu acho que em campo tem coisas diferentes. O Atlético fez uma primeira fase encantadora, era a melhor campanha, tinha o maior número de gols. A seleção não foi bem assim. É até o contrário. O Atlético teve mais sofrimento no mata-mata e a seleção vai arrancando, ainda que aos poucos, na hora da decisão”, avalia o jornalista Mário Marra, da rádio CBN, que escreveu o livro “Eu Acredito”, sobre a campanha do Galo em 2013, ao lado dos colegas Leonardo Bertozzi, da ESPN, e Mauro Beting, do Fox Sports.

O que une as duas campanhas não são os números ou o contexto, mas sim o sofrimento. “Depois da saída de Neymar o que nos resta é acreditar”, explica Vinicius Almeida, um dos atleticanos que fazia companhia à cruzeirense do início do texto. “Nós acreditamos no ano passado e ganhamos de todo mundo. Vai ser assim agora também”, diz Ana Maria Nunes, alvinegra que engrossava o coro a plenos pulmões.

O “Eu acredito” foi ouvido pela primeira vez nesta Copa do Mundo há cerca de uma semana, quando o mesmo Mineirão recebeu Brasil e Chile pelas oitavas. Na prorrogação, quando o time rival mostrava força para vencer de vez, a música foi entoada no Mineirão e deu cara de Libertadores-2013 ao jogo emocionante que garantiu a seleção nas quartas.

“O grito do Atlético surgiu contra o Newell’s, depois que o time tinha perdido lá em Rosário por 2 a 0 e precisava de uma virada em Belo Horizonte. Era uma forma da torcida de demonstrar que estava com os caras. Eles tinham conquistado esse apoio, essa confiança, e a torcida queria mostrar tudo isso”, diz Mário Marra.

O paralelo com a seleção é natural. No primeiro semestre de 2013, o Brasil de Felipão foi vaiado no Mineirão diante do mesmo Chile, no auge da emoção pelo Atlético-MG na Libertadores. A conquista da Copa das Confederações, a consolidação do time e o fato de nomes como Neymar e David Luiz terem caído nas graças do público amaciaram os mineiros.

Hoje o torcedor age como se reconhecesse o esforço e as dificuldades. Além de Neymar, o Brasil jogará sem Thiago Silva, suspenso. Na partida contra o Chile no Mineirão, o sofrimento nos pênaltis lembrou as disputas do Atlético-MG na Libertadores, com Victor como Júlio César. Até a bola na trave de Pinilla, no último minuto da prorrogação, lembrou Ferreyra, do Olimpia, escorregando com o gol atleticano aberto a poucos instantes do apito final.

Ajuda tudo isso a presença de ídolos daquela campanha no elenco de Felipão. Na última segunda, por exemplo, ninguém foi mais festejado que Bernard, hoje no Shakhtar, mais um pilar importante do time de Cuca que conquistou a América. Victor e Jô, que seguem no Galo até hoje, completam a lista dos que vão arrancar um coro especial para a seleção nesta terça, em uma semi de Copa do Mundo que terá uma pitada de Libertadores de 2013.

 

Fonte: Uol

2 comentários em “Seleção encara Alemanha no clima do Galo e ao som de “Eu Acredito”

  1. Cara, me pergunto mas que merda é essa de “eu acredito”?

    Só pode vir de quem não assistiu aos jogos do Brasil e Alemanha nessa copa, de quem tem complexo de inferioridade e de quem acha que o Brasil é só Neymar.

    Botando as duas seleções nessa copa lado a lado, o Brasil no mínimo leva vantagem pela raça. No mínimo.

    Eu acho que dá Brasil 3×1 hoje.

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