Parecer diz que Casares não justificou R$ 7 milhões em saques

Na reunião do Conselho Deliberativo realizada na noite desta quarta-feira (25), o São Paulo apresentou seu balanço financeiro de 2025, o último sob a gestão de Julio Casares. Entre os dados expostos, um ponto chamou atenção dos conselheiros: a falta de justificativa para parte relevante de saques realizados nas contas do clube.

De acordo com o que foi apresentado pelo departamento financeiro, houve saques destinados à antiga presidência que totalizam R$ 11 milhões. Deste valor, apenas R$ 4 milhões possuem justificativas detalhadas, relacionadas a despesas como pagamento em espécie de arbitragem e premiações a jogadores. Os outros R$ 7 milhões – ou mais precisamente, R$ 6,95 milhões, foram classificados genericamente como “fundo promocional da presidência”, sem explicação sobre o destino dos valores ou documentação comprobatória que detalhasse sua utilização.

Os saques de R$ 11 milhões são alvo de inquérito policial, conforme revelado com exclusividade pelo UOL em janeiro. A investigação também aponta recebimentos de cerca de R$ 1,5 milhão em dinheiro na conta do ex-presidente Julio Casares, mas não relaciona os saques aos recebimentos.

A ressalva foi apontada em auditoria realizada nas contas pela empresa RSM. “Conforme descrito na nota explicativa número 26, durante o exercício corrente e em exercícios anteriores foram efetuados saques em contas bancárias do SPFC cuja natureza e finalidade e documentação de suporte não estavam integralmente disponíveis para exame no curso de nossos trabalhos. Não nos foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente que corroborasse parte desses saques, em razão da ausência de documentos comprobatórios que permitissem validar a efetivação destinação dos recursos”, diz trecho do relatório.

Segundo os relatos, o diretor financeiro do clube, Sérgio Pimenta, afirmou que não sabe precisar para onde foram destinados os valores sacados. A reunião não teve transcrição oficial, o que limita a verificação documental das falas.

O UOL procurou o ex-presidente Julio Casares, que estava em trânsito e fora do Estado. Sua defesa disse que se manifestaria após avaliar o conteúdo discutido, mas ressaltou que Sérgio Pimenta é o contador geral e diretor financeiro do clube.

O São Paulo FC foi acionado, mas ainda não se manifestou oficialmente. O diretor financeiro Sérgio Pimenta também foi procurado. A matéria será atualizada em caso de resposta.

Parecer recomenda rejeição

Em documento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, e ao presidente do Conselho Fiscal, Pedro Sansão, o conselheiro e membro efetivo do Conselho Fiscal, Paulo Faria, recomendou a rejeição das contas de 2025.

No parecer, ele destaca que a auditoria independente apontou uma ressalva considerada grave, relacionada justamente à impossibilidade de comprovar a destinação de saques realizados nas contas do clube.

“A ressalva apresentada pela Auditoria na página 2 do seu parecer que atesta a impossibilidade de corroborar a devida contabilização de
saques ocorridos na conta bancária da instituição (em 2025 e em anos anteriores), em face da ausência de documentos comprobatórios que
permitissem validar a efetiva destinação dos recursos, é contundente e não deixa margem para opinar pela aprovação das contas de 2025”, diz o documento..

O conselheiro afirma que essa ressalva, presente logo no início do relatório da auditoria, contraria o entendimento do Conselho de Administração, que sustenta que as demonstrações financeiras refletem de forma adequada a situação do clube.

Grupos políticos se posicionam
Em meio à repercussão interna, grupos políticos do São Paulo começaram a se movimentar. Em documento encaminhado ao presidente do Conselho Deliberativo, o grupo Legião Tricolor solicitou que a aprovação do balanço de 2025, caso ocorra, seja feita com ressalvas formais registradas em ata.

No texto, o grupo afirma que a medida é necessária para resguardar o clube e os próprios conselheiros, citando a impossibilidade de comprovação documental de parte dos saques e a necessidade de preservar a responsabilidade futura dos gestores. Também pede que a Diretoria Executiva apresente, em até 30 dias, esclarecimentos detalhados sobre a destinação dos recursos.

O documento ainda ressalta que a aprovação sem ressalvas poderia gerar interpretação de quitação plena dos atos da gestão, o que, segundo o grupo, não seria adequado diante dos apontamentos da auditoria e do Conselho Fiscal.

A reportagem apurou que o grupo Participação também deve encaminhar um documento ao presidente do Conselho nas próximas horas, reforçando o movimento político em torno do tema.

Além disso, grupos políticos relevantes do clube agendaram reuniões para a noite desta quarta-feira, logo após o término do encontro do Conselho, para discutir os desdobramentos da apresentação do balanço e alinhar posicionamentos.

 

Fonte: Uol

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