Oscar é o brasileiro com mais passes decisivos nos últimos 12 meses

Nos últimos 12 meses, Oscar, do São Paulo, é o brasileiro com mais passes decisivos do mundo, entre os times que disputam a primeira divisão. O meia de 33 anos completou 207 em 50 jogos, pelo Tricolor e Shanghai Port, da China.

O levantamento feito pelo Sofascore leva em conta o período de 20 de março de 2024 até 20 de março de 2025. Oscar lidera no quesito à frente de Raphael Veiga (Palmeiras), com 154 passes decisivos em 61 jogos, e Alan Patrick (Internacional), com 141 em 43 jogos.

Raphinha (Barcelona), com 133 passes decisivos em 52 jogos, Matheus Sávio (Kashiwa Reysol e Urawa Red Diamonds), com 118 em 42 jogos, Matheus Pereira (Cruzeiro), com 114 em 56 jogos, Cauly (Bahia), com 113 em 64 jogos, Malcom (Al-Hilal), com 111 em 48 jogos, Yan Matheus (Yokohama Marinos), com 111 em 55 jogos, e Gustavo Scarpa (Atlético-MG), com 110 em 68 jogos, completam o top-10.

Contratado pelo São Paulo para a temporada de 2025, Oscar já disputou 12 jogos com a camisa do Tricolor, marcou dois gols e deu quatro assistências. No Campeonato Paulista, o meia criou quatro grandes chances e deu 2,1 passes decisivos por partida.

O Tricolor volta a campo no próximo sábado, às 18h30 (de Brasília), quando recebe o Sport, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, no Morumbis.

Sem Calleri, São Paulo faz testes e vence jogo-treino contra o São Bernardo

O São Paulo fez testes e venceu o jogo-treino deste sábado contra o São Bernardo, realizado no Morumbis. O técnico Luís Zubeldía promoveu duas formações diferentes e saiu vitorioso em ambas: 1 a 0 no primeiro tempo e 3 a 2 no segundo.

Durante a primeira parte, Zubeldía escalou Rafael; Igor Vinícius, Arboleda, Sabino e Enzo; Luiz Gustavo e Alisson; Oscar, Luciano e Ferreira; André Silva.

O gol da vitória nos primeiros 45 minutos saiu dos pés de André Silva, depois de assistência de Igor Vinícius.

Leia também
+ Em folga forçada, São Paulo se prepara para maratona e cinco jogos foraNa segunda parte da atividade, a comissão técnica apostou em uma formação alternativa, com a presença de atletas da base: Jandrei; Cédric, Ruan, Alan Franco e Wendell; Negrucci, Marcos Antonio e Alves; Erick, Lucas Ferreira e Ryan Francisco.

A vitória por 3 a 2 nos 45 minutos finais veio por intermédio dos gols de Lucas Ferreira, Alves e Ryan Francisco.

Quem não atuou no jogo-treino fez um trabalho com a preparação física, como o atacante Calleri. O argentino cumpriu um cronograma individual.

O São Paulo agora entra na reta final de preparação para a estreia no Campeonato Brasileiro, marcada para 29 de março, às 18h30 (de Brasília), no Morumbis, diante do Sport.

O primeiro compromisso pela Conmebol Libertadores ocorrerá em 2 de abril contra o Talleres, da Argentina, em Córdoba.

Em folga forçada, São Paulo se prepara para maratona e cinco jogos fora

Os últimos dias têm sido apenas de treinos no CT da Barra Funda. Eliminado na semifinal do Paulista, o São Paulo encara uma folga forçada. Mas o time terá uma maratona nas próximas semanas.

A equipe de Luís Zubeldía volta a campo no dia 29 de março, quando recebe o Sport no Morumbis na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Depois, serão mais nove jogos nos trinta dias seguintes – cinco deles, fora de casa.

Depois de enfrentar os pernambucanos, o São Paulo viaja a Córdoba, na Argentina, para estrear na Conmebol Libertadores na quarta-feira seguinte, 2 de abril, contra o Talleres.

As partidas da competição sul-americana ocuparão os meios de semana também em 10 (Alianza Lima, no Morumbis) e 23 de abril (Libertad, no Paraguai).

Pelo Brasileiro, o Tricolor ainda vai encarar Cruzeiro (casa), Botafogo (fora), Santos (casa) e Ceará (fora). Para a última semana de abril está o previsto o jogo de ida da terceira da Copa do Brasil, ainda sem rival definido.

Veja quais serão os jogos do São Paulo até o fim de abril:

29/03 – Sport, em casa
2/04 – Talleres, fora
5/04* – Atlético-MG, fora
10/04 – Alianza Lima, casa
12/04* – Cruzeiro, casa
16/04* – Botafogo, fora
19/04* – Santos, casa
23/04 – Libertad, fora
26/04* – Ceará, fora
30/04** – Ida da terceira fase da Copa do Brasil
*Data-base, as rodadas ainda não foram desmembradas
** Rival e mando serão conhecidos em sorteio

SP divulga informações da venda de ingressos para estreia no Brasileiro

O São Paulo divulgou nesta sexta-feira algumas informações a respeito da venda dos ingressos para a estreia no Campeonato Brasileiro. O Tricolor inicia a jornada no torneio no próximo dia 29, contra o Sport, no Morumbis. A bola rola a partir das 18h30 (de Brasília).

Os ingressos estarão disponíveis a partir das 10h deste sábado, primeiro para os sócios-torcedores com a maior prioridade de compra. A venda segue exclusiva para os sócios até às 10h da próxima quarta-feira, quando começará a liberação das entradas para o público geral.

A arquibancada norte e a cadeira superior norte não estarão disponíveis por conta da instalação do palco do show da banda Stray Kids. O restante dos setores terão ingressos disponíveis normalmente, com preços que variam de R$ 40,00 a R$ 200,00.

O jogo contra o Sport marcará o retorno do São Paulo ao seu estádio após quase um mês. O Tricolor jogou no Morumbis pela última vez no dia 3 de março, quando venceu o Novorizontino, por 1 a 0, e se classificou para a semifinal do Campeonato Paulista.

A equipe do técnico Luis Zubeldía não entra em campo justamente desde a semifinal. No último dia 10, o time são-paulino perdeu de 1 a 0 para o Palmeiras, no Allianz Parque, e foi eliminado do torneio estadual.

Veja as ondas de abertura da venda de ingressos para São Paulo x Novorizontino

Sócios com sete estrelas: 22/03 (sábado), às 10h;

Sócios com seis estrelas: 22/03 (sábado), às 22h;

Sócios com cinco estrelas: 23/03 (domingo), às 10h;

Sócios com quatro estrelas: 23/03 (domingo), às 22h;

Sócios com três estrelas: 24/03 (segunda-feira), às 10h;

Sócios com duas estrelas: 24/03 (segunda-feira), às 22h;

Sócios com uma estrela: 25/03 (terça-feira), às 10h;

Sócios sem estrelas: 25/03 (terça-feira), às 22h;

Público geral: 26/03 (quarta-feira), às 10h.

Confira os valores dos ingressos

Arquibancada Sul: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia)

Arquibancada Leste: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

Arquibancada Oeste: R$ 100,00 (inteira) / R$ 50,00 (meia)

Cadeira Superior Sul: R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia)

Cadeira Especial Leste: R$ 200,00 (inteira) / R$ 100,00 (meia)

Cadeira Especial Oeste: R$ 200,00 (inteira) / R$ 100,00 (meia)

Cadeira Térrea Leste: R$ 140,00 (inteira) / R$ 70,00 (meia)

Cadeira Térrea Oeste: R$ 140,00 (inteira) / R$ 70,00 (meia)

André Silva é o jogador do SP com melhor média de gols por minuto no ano

André Silva atravessa seu melhor momento com a camisa do São Paulo. Artilheiro do Tricolor no ano, o atacante, apesar de reserva, vem conseguindo se destacar entre os companheiros de elenco.

De acordo com dados do Sofascore, André Silva é o jogador com a melhor média de gols por minuto do São Paulo na atual temporada. O camisa 17 precisou de apenas 90 minutos para balançar as redes.

André marcou cinco gols em 2025. O atacante balançou as redes nas vitórias do São Paulo sobre Portuguesa, Mirassol e São Bernardo (2) e no empate com o Velo Clube.

O bom início de ano de André acirrou a disputa pela titularidade no ataque do Tricolor, muito por conta também da fase pouco inspirada de Calleri, dono da posição. O centroavante argentino tem mais minutos que seu companheiro, mas anotou apenas três gols em 2025.

André Silva chegou ao São Paulo em março do ano passado e tem contrato com o clube do Morumbis até o final de 2027. Ao todo, ele soma 13 gols e três assistências em 56 jogos com a camisa do Tricolor.

O artilheiro espera ampliar os bons números no próximo sábado, quando o São Paulo recebe o Sport, no Morumbis. O duelo, válido pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, está marcado para às 18h30 (de Brasília).

Lucas não vai a campo, e Zubeldía comanda novo coletivo de 11 contra 11

O São Paulo treinou na manhã desta sexta-feira, e o técnico Luis Zubeldía realizou a última atividade antes do jogo-treino com o São Bernardo, marcado para sábado, às 10h (de Brasília), no Morumbis, em duelo fechado para público e imprensa.

Luis Zubeldía, pelo terceiro dia seguido, comandou um trabalho tático de 11 contra 11. A comissão também aproveitou a sessão para aprimorar jogadas de bola parada ofensivas e defensivas.

Em recuperação de um trauma no joelho direito, o meia-atacante Lucas alternou atividades na academia e na piscina do CT, sob a supervisão dos fisioterapeutas.

Outros desfalques são Bobadilla e Ferraresi, que defendem Paraguai e Venezuela, respectivamente, nas Eliminatórias.

A equipe segue se preparando para a estreia no Campeonato Brasileiro, contra o Sport, no Morumbis – anteriormente marcado para o domingo, o duelo foi reagendado para sábado, às 18h30.

Casares cita “esforço coletivo” por reestruturação financeira e fala de SAF

O presidente do São Paulo, Julio Casares, falou sobre o Fidc (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios), que planeja reestruturar o financeiro do clube. O mandtário disse que o fundo será um esforço coletivo de todos os setores do Tricolor.

O fundo de investimentos foi realizado em parceira com as gestoras Galapagos Capital e Outfield. O São Paulo pretende captar R$ 240 milhões com a criação do fundo para pagar dívidas com instituições bancárias e resolver problemas com capital de giro. No entanto, o projeto limita alguns gastos do clube, como a contratação de jogadores.

“O plano de reestruturação financeira é um pilar de nossa gestão e foi abraçado por todos os setores do clube. Será um esforço coletivo que nos dará a oportunidade para reorganizar nosso fluxo e abrirá caminho para um futuro melhor no nosso Tricolor. Com a criação do Fidc em parceria com a Galápagos, o clube se comprometeu a cumprir os ‘covenants’ (acordos) estipulados. Esse é um compromisso do clube, que extrapola qualquer nome individual ou gestão, seja esta ou as próximas”, disse Casares, em entrevista à revista The Winner.

O presidente também não descartou a ideia da SAF no São Paulo. Ele afirmou que a mudança merece uma grande atenção do clube e que não será o “último” a adotar o modelo no Brasil.

“A mudança do modelo associativo para o modelo de SAF merece a atenção e o estudo minucioso do clube. Nenhum modelo de gestão é garantia de sucesso ou certeza de fracasso. Há exemplos de SAF’s bem sucedidas e de projetos que não deram certo. Do mesmo jeito acontece com os clubes de modelo associativo. Eu disse desde que assumi a presidência que o São Paulo iria olhar com atenção esse movimento e que não seria o primeiro a adotar o modelo, mas certamente também não seria o último”, pontuou.

Casares foi reeleito presidente do São Paulo no final de 2023. Após um primeiro mandato com dois títulos, ele destacou que o segundo triênio será focado na reestruturação financeira do Tricolor.

“Costumo dizer que a nossa gestão pode ser divida em duas partes, como num jogo de futebol. No primeiro triênio, o primeiro tempo do jogo, tínhamos como grande objetivo reconduzir o São Paulo de volta ao patamar de competitividade e resgatar a autoestima do torcedor. Tivemos êxito: entre 2021 e 2023 foram quatro finais e dois títulos. Vencemos inúmeros jogos importantes, e o torcedor passou a acreditar de novo e voltou com força ao estádio. Após a reeleição para um novo mandato, nossa prioridade no ‘segundo tempo’ da partida é reestruturar as finanças do clube e deixar um legado, um caminho melhor para ser trilhado pelos próximos anos. Tenho fé nisso, e mais que isso, temos trabalhado muito para que aconteça”, apontou.

São Paulo sugere à Fifa e Conmebol punição para racismo

Na manhã desta sexta-feira, Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o São Paulo enviou um documento à Fifa e à Conmebol com propostas de punições para casos de racismo no futebol. O clube sugeriu, ao todo, seis medidas.

A primeira das sanções sugeridas pelo Tricolor Paulista é a perda de pontos. Caso representantes, torcedores ou membros da comissão técnica cometam atos racistas, o clube deve perder três pontos na competição que disputa. A pena pode ser reduzida para um ponto se o responsável for identificado e punido criminalmente.

Na sequência, a equipe do Morumbis sugere uma multa de US$ 500 mil para times envolvidos em caso de racismo. Como na primeira medida, a pena será reduzida para US$ 100 mil em caso de identificação do responsável e punição criminal.

A terceira proposta consiste na eliminação de uma equipe envolvida em casos reincidentes de racismo. O clube teria que ser eliminado de todas as competições que disputa.

O São Paulo também entende que os árbitros devem seguir à risca o protocolo de racismo da Fifa. Caso contrário, o clube aponta que a equipe de arbitragem deverá ser sancionada, e a associação responsável multada.

A quinta e penúltima medida sugerida pelo time são-paulino é a criação de um cadastro de pessoas envolvidas em caso de racismo. Com o registro, medidas adicionais podem ser aplicadas contra os responsáveis.

Por fim, o São Paulo pontua que deve haver transparência nas punições. O Tricolor entende que os processos e as decisões precisam ser divulgados para o público.

Veja a nota do São Paulo na íntegra

Indignado e preocupado com os recorrentes episódios de racismo no futebol, o São Paulo Futebol Clube reforça sua posição favorável à existência de sanções esportivas como forma de punição para casos de discriminação racial.

Nesta sexta-feira (21), Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o Clube enviou à FIFA e à CONMEBOL um documento com algumas propostas de punições.

1) Perda de pontos

Clubes cujos representantes, torcedores ou membros da comissão técnica cometerem atos de racismo devem perder no mínimo três pontos no campeonato em disputa, reduzindo-se para um ponto apenas se houver identificação e punição criminal dos responsáveis. Racismo não pode ser tratado como infração administrativa, mas como um crime.

2) Sanções financeiras efetivas

O valor mínimo da multa para atos de discriminação racial deve ser de 500 mil dólares, reduzindo-se para 100 mil dólares apenas se houver identificação e punição criminal dos responsáveis.

3) Em casos de reincidência

Clubes reincidentes devem ser eliminados das competições em que estejam participando. A impunidade não pode mais ser um fator que encoraje novas ocorrências.

4) Responsabilização dos árbitros

Árbitros que não aplicarem corretamente o Protocolo de Racismo da FIFA devem ser sancionados, e a associação responsável pela arbitragem deve ser multada. Não podemos permitir que situações de racismo sejam ignoradas em campo.

5) Registro de infratores

Criação de um cadastro de torcedores, atletas, dirigentes e membros de comissão técnica envolvidos em atos racistas, para que medidas adicionais possam ser aplicadas contra reincidentes.

6) Transparência nas punições

Os processos disciplinares e suas decisões devem ser públicos e amplamente divulgados, garantindo que as punições tenham efeito pedagógico e preventivo. O futebol sul-americano, com sua rica história e paixão, não pode mais ser manchado por atos de racismo sem que haja punição severa e proporcional à gravidade da conduta.

Não podemos mais tolerar ações superficiais que não geram impacto real. Teve racismo? Menos 3 pontos! Chega de discursos vazios. Queremos medidas concretas e eficazes.

André Cury diz que Hernanes recusou o Barcelona por ser são-paulino

André Cury calcula receber centenas de ligações por dia durante a janela de transferências no futebol e até por isso desliga o celular para contar os bastidores da própria vida. Ele sempre teve aptidão para os negócios, mas trocou as vendas de automóveis e saltos de bungee jump pela conquista de poucos: tornar-se um dos mais renomados agentes de jogadores do mundo.

Em 30 anos no mercado, foram mais de três mil transferências e bilhões de reais movimentados entre grandes clubes do Brasil e da Europa. Três das cinco maiores vendas do país, aliás, passaram por ele.

Pioneiro no mercado, diz que poucas pessoas conseguem se manter no futebol e que acumulou poucas decepções na carreira. Apesar de não admitir, a principal delas talvez seja não ter conseguido evitar a saída de Neymar do Barcelona rumo ao Paris Saint Germain – em negócio que movimentou mais de R$ 813 milhões em 2018.

Cury acredita que Neymar sabotou a própria carreira ao deixar o Barcelona.

Acho que foi mais empolgação no momento errado. O cara era jovem, tinha 23, 24 anos, se empolgou e errou. Quando ele se deu conta que errou…
— diz André Cury.
– Não conheço nenhum jogador que porque mudou de clube deixou de ganhar a Bola de Ouro. O Neymar eu acho que deixou de ganhar três. O Neymar foi feito para jogar no Barcelona. Os quatro anos que passou lá, parecia que estava desde que nasceu. Esses comentaristas falando… É para dar risada. É outro patamar. Mas ele errou. Já foi agora. Tem que correr atrás de 2026 – completa.

Ficha Técnica
Nome: André Cury Marduy
Idade: 54 anos
Profissão: agente Fifa de jogadores
Jogadores agenciados: Yuri Alberto, Estêvão, Raphael Veiga, Dudu, Éderson, entre outros.
Principais transferências: Ronaldinho Gaúcho (PSG ao Barcelona); Neymar (Santos ao Barcelona e do Barcelona ao PSG); Philippe Coutinho (do Liverpool ao Barcelona), Ousmane Dembélé (Borussia Dortmund ao Barcelona), Antoine Griezmann (Atlético de Madri ao Barcelona); Estêvão (Palmeiras ao Chelsea); Vitor Roque (Athletico-PR ao Barcelona e do Barcelona ao Palmeiras), entre outras.

Aos 54 anos, Cury foi de olheiro oficial do Barcelona – período da vida que mais o emociona – a uma espécie de banco informal de grandes clubes brasileiros.

Entre empréstimos, intermediações por vendas de jogadores e muita influência no destino de gigantes do futebol nacional, o empresário é um dos maiores credores do Corinthians (cerca de R$ 30 milhões), São Paulo (R$ 46 milhões), Atlético-MG (mais de R$ 50 milhões) e de outros times no país, com valor a receber na casa dos R$ 200 milhões. Ele garante que não está preocupado.

É mais fácil perguntar quantos não me devem. Se arrependimento matasse… Para mim é horroroso ter que cobrar um clube. Só que a gente vive de prestar serviço para clube e um dia tenho que cobrar.
— diz o empresário.

Cury tem em seu currículo algumas das maiores transferências da história do futebol, participando da venda de Neymar e Dembélé ao PSG, e de Philippe Coutinho ao Barcelona. Adepto do “corpo a corpo” para conversar, estima fazer uma média de 15 voos por mês, passando mais tempo viajando do que dentro da própria casa. Uma exceção, contudo, tira ele do trabalho: o Carnaval.

– Quase que perdi esse ano por causa do Vitor Roque. Até sexta à noite eu fiquei trabalhando. Teve uma hora que falei: Vitor Roque, você me desculpa, porque vou ter que ir. Se não, não tem nada. Não tem Réveillon, não tem nada. O dia inteiro no telefone – conta, aos risos.

Nas últimas janelas de transferências, o empresário ajudou o Palmeiras a negociar Estêvão com o Chelsea, em negócio na casa dos R$ 358 milhões – o maior da história do clube alviverde -, e no retorno de Vitor Roque ao Brasil, que deixou o Barcelona pelo Alviverde por R$ 154 milhões.

Abre Aspas: André Cury
ge: Como você entrou no futebol?

André Cury: – Tenho 35 anos de carreira e sempre gostei do futebol, sempre fui ligado, assisti jogos, fui aos estádios de todas as equipes onde podia ter oportunidade de acompanhar, sempre me identifiquei muito. Comecei quando tinha 23 anos, nos campos pequenos, com jogadores desconhecidos. A cada ano de trabalho, fui me tornando realidade no mercado.

Trabalhou com alguma coisa antes? A partir de que momento entendeu que dava para sobreviver no futebol?

– O começo é muito difícil, né? Sempre exerci profissões paralelas para poder, inclusive, me sustentar, mas trabalhei com bungee jump, em uma concessionária de carro, em uma concessionária de motos. Tive um bar, uma discoteca, vários ramos que a gente ia fazendo complementos e, paralelamente, trabalhando no futebol, que era uma profissão nova.

– Há 35 anos não tinha esse papel do agente como é atuante hoje. Era um mercado totalmente diferente. Eu ajudava alguns jogadores no começo de carreira, como o Zinho, do Palmeiras. Tinha uns amigos que jogavam futebol profissional, acabei me envolvendo e comecei a desenvolver transferências. No começo, para os mercados mais modestos, para a Bulgária, para a Rússia, que o mercado ainda era fechado na época.

Como que você consegue ter contato com clubes, dirigentes, ganhar essa confiança e, aos poucos, colocar um jogador ali? Como funciona o trabalho para ganhar notoriedade e as pessoas, consequentemente, confiarem em você?

– É uma profissão muito difícil, você tem que se doar muito para ela, 365 dias por ano, praticamente as 24 horas do dia. Não pode ter horário para outras coisas, infelizmente, mas eu acredito que só com muito trabalho e eficiência também, você se doando, vai conseguir prosperar nessa carreira.

Qual foi a primeira negociação que te marcou?

– Várias que bateram na trave me marcaram. Uma vez tentamos vender o Vampeta, que era um jogador já conhecido, se não me engano, para o Paris Saint Germain. É muito difícil fazer uma operação no futebol, tem muita complicação, o clube comprador, o clube vendedor, o próprio agente, o agente da outra parte, o jogador em si, a família, então é complexo.

Depois da lei Pelé, da regulamentação da Fifa, mudou muito essa relação dos clubes com os empresários?

– O que mudou foi a dinâmica dos processos. Os clubes também evoluíram, o mercado evoluiu, entra muito mais dinheiro. Acho que os jogadores recebem menos do que merecem, mas agora estão recebendo uma remuneração melhor. Eles são os verdadeiros artistas. A gente tenta fazer um complemento e ajudar, mas em 35 anos muda muita coisa, muda o jeito, o dirigente, o estatuto do clube, a organização.

– Na Europa, a mudança é gigantesca. No Brasil infelizmente a gente ainda tem um pouco de amadorismo nos clubes e falta de responsabilidade. Às vezes a pessoa fala: o clube está contratando um jogador por X milhões, mas ele pode contratar aquele jogador? Porque às vezes é melhor contratar o que pode e honrar os compromissos do que tumultuar o mercado. O sistema sul-americano, brasileiro, que conheço mais, não tem como ter sucesso.

– Os presidentes passam nos clubes sem nenhuma responsabilidade, e daqui dois ou três anos já não estarão mais, e isso vai deixando um monte de dívidas para o próximo. Aqui a gente poderia ter um produto muito melhor para o futebol, de competição, conseguir segurar os jogadores. Infelizmente nós não conseguimos fazer nada disso.

Isso passa pelo amadorismo do dirigente ou também pela má intenção de muitos deles de talvez tentar ganhar uma grana em cima do clube que ele diz que torce?

– Ganhar grana não é lícito, não deveria ser o caso, mas acho que o sistema, quando não imputa nenhum tipo de responsabilidade para o dirigente, acaba acontecendo um mercado livre. Você pode ver que existem clubes associativos ainda na Europa, como é o caso do Barcelona ou do Real Madrid, mas eles têm estatutos muito rígidos, que o presidente, se fizer mais gastos do que tem de entrada, acaba envolvendo o próprio patrimônio. Isso acaba imputando muito mais responsabilidade para eles.

Na sua visão, o mercado inflacionou demais ou está se pagando o que realmente gera de receita para os clubes hoje em dia?

– Depende. Por exemplo, se a gente tornar o futebol um ambiente sadio, que se tem o dinheiro para poder gastar, eu acho que o jogador tem que ganhar mais, porque o mercado é movido pelos jogadores. O cliente, quando vai ao estádio, vai ver o Neymar, o Estevão, o Yuri Alberto no Corinthians. Hoje o torcedor do Barcelona vai ao estádio para ver o Rafinha, o Lamine, e isso que gera a economia do futebol.

– Os jogadores agora estão começando a ter um salário respeitável. Não pode ter exagero, mas acho que é justo para a categoria. O espelho é a seleção brasileira, que era a melhor do mundo. Dessa geração dos anos 80, 90, 2000, nenhum ficou rico de verdade. Eram os caras que hoje têm que continuar trabalhando, fazendo um complemento. Eles, quando estavam jogando, não tiveram a oportunidade de estudar e fazer uma profissão, então tem que acabar virando um comentarista, treinador.

Essa dificuldade passa mais pelos valores da remuneração do que por uma falta de orientação que eles tinham no período?

– Na época, na maioria dos casos, tinham muitos jogadores sem um representante, por exemplo. Então não tinha aquela pessoa que ia brigar por ele, fazer um contrato melhor prevendo o futuro. A carreira do jogador, em média, você vai falar que são 12 anos. Um com sorte vai ter 20, um sem sorte vai ter oito, e ele precisa maximizar esse tempo na parte financeira para depois ter uma tranquilidade e refazer a própria vida.

Como se acha um grande talento no futebol hoje?

– Eu sempre falo que no futebol vale mais ouvir do que ver. Ver um jogador demanda tempo, às vezes dias, e você tem um limite de jogadores para poder ver durante o ano. Escutar, não. Escutar, você pode ouvir de dois mil jogadores e com o tempo vai aprendendo que escutar é melhor do que ver. E, quando você escuta, segue esse som e vai poder chegar onde está o jogador bom.

O que seria escutar no futebol?

– É o eco do futebol. Ali tem um eco, tem alguma coisa boa, um som bom. Aí você vai checar. Se ficar indo de campo em campo, olhar, nunca vai chegar nesse momento. Então, eu sempre falo que escutar é melhor do que ver no futebol.

Como é a abordagem até você conseguir trazer esse cara para seu portfólio?

– É uma coisa que você está acreditando mesmo, porque a lei só permite agora com 16 anos assinar um contrato de agente. Já tive vários casos, o próprio Estêvão, o Vitor Roque, o Kauã Elias, que no começo a gente ficou sem contrato e trabalhando na base da confiança. Fazer o bem não vai te trazer nenhum prejuízo. Então, a gente sempre tenta ajudar.

– O trabalho com um garoto quando tem a idade muito nova é um dia após o outro. Ele tem que ir para a escola, estar feliz, se alimentar bem, dormir, jogar o joguinho dele, bater uma bola na rua. E esse caminho, às vezes, é longo, não tem nenhum segredo que você vai dar um passo maior e economizar 30 dias.

Existe mesmo uma guerra por procuração de jogador no mercado?

– Eu sofro menos, mas o resto deve sofrer muito, porque o assédio existe, com quantidades altíssimas, às vezes até desproporcionais, porque entra dinheiro de fora. Só que quem é o jogador, quem é o agente de verdade, quem é o dirigente de verdade, sabe a dificuldade. Quem vê de fora às vezes fala: aquele cara ali está ganhando tanto. Mas ninguém passou a dificuldade que tinha que passar para o cara poder chegar até ali.

– O futebol é duro com todos os participantes. Obviamente, quando a pessoa quer ganhar terreno com rapidez, se usa esse tipo… Tentar comprar a procuração, tentar dar um dinheiro muito alto para a família, para seduzir de alguma maneira. A gente tenta seduzir com o nosso know-how, experiência e com os trabalhos já feitos.

Você já perdeu alguma procuração?

– Ah, sim…

Por muito dinheiro?

– Também não perdi algumas, por muito dinheiro também. Porque você cria a relação, o jogador confia em você, e eu tenho jogador que recebeu quantias imensuráveis e preferiu continuar o caminho dele, porque o caminho, inclusive, estava andando super bem e continua andando bem.

Qual o valor?

– Pô, é muito valor. Chega uma hora que os caras perdem a compostura. Era muito. Não posso falar dinheiro, nem citar nomes, mas são valores astronômicos. O cara já não ganhava mal, mas você bota aí mil vezes o salário do cara. Mil vezes. Para ele só mudar o representante, é como se mudasse um advogado.

– Só que existe uma coisa muito mais complicada por trás disso do que só mudar de advogado. Porque, às vezes, o advogado bom vai fazer sua vida dar certo. O advogado ruim vai fazer dar errado. Ou menos certa, ou menos errada. Não é que vai dar tudo errado, mas tem muitos casos. E tem momentos que a gente se orgulha da profissão, porque são casos que você vê que o dinheiro não compra tudo.

O mercado chinês veio em uma época muito forte, a Arábia Saudita com muito dinheiro, a Rússia também. Isso mais ajuda ou atrapalha vocês?

– Qualquer dinheiro que entra no futebol é sempre bem-vindo. De forma desproporcional, descabível, é sempre ruim. Por exemplo, o chinês, que já não existe mais. O russo está com um problema por causa da guerra. O da Arábia começou muito forte, agora deu uma estagnada, já estão começando a mudar o tipo de jogador.

– Não adianta só o cara te dar o dinheiro, porque existem outras coisas que podem mudar. Sem regulamentação, eu acho ruim. Com regulamentação, é aquela história que a gente falou aqui dos clubes brasileiros: gasta o que tem. Eu acho que a Europa está em um caminho. Todas as federações e a própria UEFA controlam os gastos. Pode-se gastar o que tem de benefício.

– Acho que qualquer mercado emergente também deveria ser assim, até para equilibrar o mercado e não acontecer também de muitos jogadores que ficam sem receber. Teve um time que o Felipão foi treinador e ficou devendo para o Rivaldo, devendo para ele, e tantos outros jogadores. Devendo para o massagista, roupeiro, para o cara que fazia a limpeza.

– Não, no futebol tem que tomar cuidado também com a camada de pessoas que estão no setor. Num clube de futebol não trabalha só o jogador. Trabalha o roupeiro, o massagista, a cozinheira, o cara que faz a limpeza, o motorista, o segurança. Eu lembro que o Conca foi para a China, o Tevez também, ganhar 40 milhões de dólares por ano. Eu trabalhava no Barcelona, e o Messi, que jogava mais que os dois juntos, não ganhava nem um quarto disso. Então, são coisas que eu acho que tem que ter sempre a regulamentação e poder fazer com responsabilidade.

Como é a sua relação com os jogadores? Você dá bronca, fala que está na fase complicada, sai menos. É uma amizade, mas também uma cobrança?

– Tem que cobrar um pouco de tudo. Os jogadores melhoraram demais no Brasil. Por quê? Melhorou a estrutura, a parte médica, o estádio, melhorou tudo, o jogador também melhora. É um conjunto. Primeiro, o jogador tem que ter o tempo, que ele já quase não tem para sair. Depois, a mentalidade do jogador sul-americano mudou. Os argentinos, os uruguaios, nos ajudam no exemplo, porque eles são mais focados. Não estou dizendo que os brasileiros não são, mas hoje diminuiu muito esse negócio. E quando vai para a noite, você já sabe quem é, sabe o que está dando errado.

Já teve que fazer algum tipo de intervenção? Dizer “assim não dá”…

– Ah, sim, isso já teve (risos). Tem uns que a gente conserta, tem outros que não. Tinha um jogador nosso que é um espetáculo, e ele não gostava de jogar. Não adiantava. Ele não saía, não bebia, mas não gostava de jogar. E aí eu tinha que conversar com ele: “cara, você tem que gostar mais de jogar. Inclusive porque você é o melhor”. Mas ele não gostava.

– Eu chegava na casa dele na Europa, a mala ficava pronta na sala, e eu falava: “bota as roupas no armário”. Ele falava: “não, não, deixa a mala pronta aí”. Já estava pensando em ir embora, só que ele só ia embora na próxima janela, daqui a seis meses, para voltar para casa de férias, e ele deixava a mala pronta. Esse cara não atingiu esportivamente nem financeiramente, porque não estava concentrado naquilo que fazia. Mas hoje os jogadores brasileiros, que eu posso falar mais, são como europeus, são muito responsáveis e muito dedicados.

Como você chegou ao Barcelona?

– Em 2000, quando o Laporta, que é o atual presidente, ganha, o vice era o Sandro Rossell, que é muito amigo meu. Fiquei amigo dele na Nike, em 99. Fui convidado por ele, com a seleção brasileira, para fazer esse trabalho no Mundial de 2002. E ele logo depois volta para a Espanha para fazer esse projeto, que saiu campeão do mundo, né? Foi muito legal. Ele voltou para Barcelona, saiu da Nike, e virou vice-presidente do clube. Em 2003, ajudei na contratação do Ronaldinho, que estava comigo na Seleção, em julho de 2002, e foi um sucesso tremendo. Talvez seja a maior contratação da história do Barcelona, porque é um cara que revolucionou o clube, que fez a torcida voltar a sorrir.

– Em 2010, eu já estava trabalhando mais diretamente com o clube, e culminou na contratação do Neymar e muitos jogadores sul-americanos:, Suárez, Coutinho, Paulinho, Arthur, Mina… Era muito legal, porque eu fazia quase todas as viagens com o time, e aí você vai aprendendo muito. Como eu trabalhava a favor do clube, então também entendi o lado de cá do balcão, e isso foi um aprendizado muito grande para mim. Entendo o que o cara está pensando do outro lado, porque eu já estive lá.

Você falou que o Ronaldinho mudou a história do Barcelona, isso é notório. Quem fez essa indicação ao clube?

– Na verdade, o Ronaldinho foi contratado sem querer. Na época havia eleição no Barcelona, em 2003, e por acaso eu tinha tirado uma foto uma semana antes, num aeroporto de Paris, com o Ronaldinho e com o Sandro, porque a seleção brasileira jogaria o primeiro amistoso na África, e eu estava indo com a delegação. Acabei descendo em Paris, fiquei porque o Sandro falou que teria a eleição, e eu falei: “vou para o Barcelona com você”. Quem ia ser contratado era o Beckham, mas dois dias antes ele decidiu ir para o Real Madrid. As pesquisas estavam meio empatadas, o Laporta com o outro candidato, e o outro candidato começou a crescer porque o Beckham disse que ia para o Real Madrid.

– Na sexta-feira à noite, o Sandro me ligou e me pediu para falar com o Assis, que é meu amigo até hoje, que eu tinha que usar a foto do Ronaldinho com ele para botar no jornal no dia seguinte, para ver se mudava alguma coisa. Lembro que fiquei com o Assis duas horas no telefone. Sei que era final da madrugada, ele liberou a gente usar a foto, mas falou: “não quero que use meu irmão politicamente”. E acabou que saiu a manchete do jornal no dia seguinte, que o Sandro tinha o Ronaldinho na manga, se não viesse o Beckham… Não era verdade até então, porque a foto foi usada mais para esse outro intuito, e ganharam a eleição.

– Não era o Ronaldinho o cara. Tivemos a experiência com o Ronaldinho na Copa de 2002, e eu falava, o Sandro também pensava nisso, e outras pessoas também. Depois de muitos nomes que deram errado, emplacou o do Ronaldinho. Ele já estava quase indo para o Manchester United, e conseguimos fazer essa contratação que mudou a história do clube. Existe um Barcelona de antes de 2003, e um depois. Todo mundo tem que agradecer ao Roni, por ele ter vindo.

Você acha que o Ronaldinho largou a carreira muito antes do que deveria?

– Se fosse dia de hoje, ele não ia ter feito isso, porque os jogadores brasileiros mudaram. Ele ali viveu três anos de mágico, de empolgação mágica, gerou títulos, de Champions League, que o Barcelona só tinha um, da época do Cruyff. O cara era o dono da cidade, e ele acabou. Não só ele, o elenco inteiro ali se deixou levar nessa vibração da cidade, de sair muito, de fazer churrasco, e esquecer um pouco o futebol.

– Não foi por causa do Messi que ele saiu. Inclusive, ele ajudou a lançar o Messi. Na época, quando entrou o Guardiola, que vinha do time B, era um treinador desconhecido, não queria mais os caras. Nem ele, nem o Deco. O único que conseguiu ficar foi o Eto’o, porque também não conseguiu fazer um negócio. Fez um time novo, sustentado pelo Iniesta e pelo Xavi, que já estavam lá, mas não eram super titulares absolutos, mas com o Messi montou-se esse time novo. A gente nesse ano também contratou o Henrique, que depois jogou a Copa do Mundo aqui em 14, mas foi emprestado pro Bayern Leverkusen.

– Na verdade, a gente ia contratar o Hernanes. Na época o São Paulo mudou a multa dele. Ele era muito são-paulino e falou que não ia discutir. Eu acho que foi um erro dele, de carreira. A gente respeitou e ele continuou no São Paulo. Depois de dois anos ou três, foi para a Lazio, mas perdeu de jogar naquele super time. E o Hernanes era muito vistoso, jogava com as duas pernas, ia se dar muito bem naquele time.

Você esperava que dez anos depois faria uma negociação como a do Neymar?

– Em 2023 vendemos o Vitor Roque. Em 93 contrataram o Romário, então cada dez anos dão sorte. Com o Vitor Roque o plano não saiu tão bem, porque existe uma série de erros, do nosso lado e do deles, porque o jogador não deve chegar na Europa em janeiro. Ele vinha de uma lesão, o treinador, que era o Xavi, já não estava em uma relação muito boa. O futebol vai te apresentando algumas contas que não são suas. Mas acho que sempre aparece. Está aí o Estêvão. Se o Barcelona tivesse saúde financeira, eles podiam ter contratado. Ali tem um problema bem sério na Europa que foi a pandemia. O Barcelona trabalhava no limite e quando vem a pandemia esse limite da La Liga sobe. Mas o tempo do Barcelona foi espetacular.

Você acha que a saída do Neymar do Barcelona foi um dos maiores erros de trajetória de carreira que você já viu no seu período no futebol?

– Sem dúvida nenhuma. O Neymar hoje teria três Bolas de Ouro no mínimo. Eu não conheço nenhum jogador que porque mudou de clube deixou de ganhar alguma Bola de Ouro. O Neymar eu acho que deixou de ganhar três.

E a saída dele, o que você acha que mais motivou? O pai, a cabeça…

– Não, o pai não. O pai na época era favorável que ele permanecesse, porque tem experiência. O Neymar foi feito para jogar no Barcelona. Parecia que estava lá desde que nasceu. O Neymar jogava demais. O que ficam esses comentaristas falando do Neymar… é para dar risada. Quando o Casagrande fala do Neymar, você fica olhando… o fim do futebol. Ele é craque de bola, diferente. É outro patamar, mas ele errou. Já foi agora. Tem que correr atrás de 2026 (risos).

Falou isso para ele em algum momento?

– Já falei. Sou muito amigo dele. Já tentei contratá-lo de volta, a história é muito longa.

Acha que é possível uma volta dele olhando esse cenário atual?

– Acho que no momento não é bom nem para ele nem para o Barcelona, porque o melhor para ele é permanecer aqui e ganhar a Copa do Mundo, que é o que precisa. Até para falar: “consegui”. Se não, vai ficar esse zum zum zum mais 40 anos. Na minha opinião, é melhor ficar aqui, até a Copa do Mundo. Se ganhar a Copa, vai para o Barcelona (risos).

Muito se fala na possibilidade de ele ter saído para deixar a sombra do Messi e tentar ganhar a Bola de Ouro. Você acha que foi algo nesse sentido?

– Eu acho que ele tinha juventude, aquela empolgação: “eu vou ganhar”. Acho que foi mais empolgação no momento errado. Quando ele se deu conta que errou… É que nem pegar o voo na classe econômica. Nada contra a classe econômica, mas falei um dia brincando com o Ney pai. Pegou o voo na classe econômica, daqui 4 horas tem um bebê chorando, cachorro latindo, a cadeira não desce, aí o cara levanta e fala: “preciso mudar de classe, vou pagar”. A aeromoça fala: “agora não dá, estamos no meio do oceano, só quando chegar na Europa vai dar para mudar de classe de novo”.

– Ele tentou, depois quando se deu conta… O futebol é cruel. O Neymar é a contratação mais barata da história de um clube de futebol do mundo. O Paris Saint Germain tinha que agradecer todo dia. Em qualquer lugar do mundo que você vai hoje tem uma camisa do Paris Saint Germain. O cara sabe onde é o clube, sabe a escalação. Antes, vocês nem tinham assistido um jogo deles.

Qual você acha que foi o problema no PSG? O que não deu certo?

– Um time não é feito em um dia ou só com dinheiro. É aquele famoso Sávio, Romário e Edmundo, eram os melhores, mas tinha que ter o resto do time. O Barcelona que dá certo quando vem o Suárez e o Neymar. O time inteiro do Barcelona já estava lá, então chegaram duas peças diferentes do resto, não chegou um time todo. No Paris, queriam fazer um processo inteiro e para fazer um processo inteiro num time de futebol é complicado.

Acha que o Estêvão é o jogador que vai estourar e vai ser referência na seleção brasileira?

– Com certeza. Só precisam deixar jogar. Jogador precisa de minutos, jogador que não tem minutos… Ele precisa ter realmente a oportunidade na Seleção, que não deram ainda. Na minha opinião, no meu time, ele joga de 10. Eles gostam de botá-lo lá na ponta. Eu acho que estreita para um jogador dessa qualidade.

Sua relação com o Corinthians hoje é boa? Já que existe uma dívida…

– Eu sou corintiano, não tem como ter relação ruim (risos). A relação é boa. Eu que ajudei a trazer o Ramón. Ele ajudou demais o Corinthians para a pré-libertadores, está na final de um campeonato que fazia cinco anos que não ia, resgatou muitos jogadores, o próprio Yuri teve uma performance espetacular com o Emiliano e com o Ramón. Ajudamos a trazer outros jogadores também, o Charles. Mas a relação é boa.

– O que existe é uma falta de pagamento do Corinthians com os contratos que são dessa gestão e anteriores, e que chega um momento que você tem que cobrar, porque se não cobrar, aqui no Brasil caduca-se o crédito. Nós sempre tivemos abertos a fazer um acordo. O clube nunca quis fazer nenhum tipo de acordo. Não acho que é correto. Quando você contrata, tem que fazer o pagamento. E de resto é tudo normal.

Quantos clubes no Brasil hoje te devem dinheiro?

– É mais fácil perguntar quantos não devem (risos). Eu não sei dizer assim, mas o problema é que o futebol brasileiro precisa se reorganizar, até para poder ter a Seleção forte, segurar os jogadores aqui, ter um campeonato diferenciado, ter mais injeção de dinheiro. Para mim é horroroso ter que cobrar um clube. Só que a gente vive de prestar serviço para o clube e um dia eu tenho que cobrar. A gente segura muito, até a hora que dá, chega o momento que não tem mais como postergar a cobrança.

Você fala muito do dinheiro que os clubes te devem, mas o quanto você também gerou de receita para esses clubes…

– O Yuri Alberto veio jogar no Corinthians de graça, o clube gastou 0 real. Eu já trouxe proposta de 30 milhões de euros. Só com essa proposta ele já me pagava e ainda ganhava dinheiro.

– Acho que quando a pessoa assume o clube, tem que saber o que está assumindo. Ser presidente de clube é muito legal, muito bacana, dá entrevista, é convidado para um monte de lugar. Eu não aceitaria ser presidente de clube. Não vou me desgastar.

Já emprestou dinheiro para clube?

– Para o Corinthians… e para o São Paulo (risos). Se arrependimento matasse… E o meu caso é pior ainda. Eu emprestei dinheiro para contratar o jogador que é o melhor volante da Europa, o Ederson, que está jogando demais na Atalanta, um cara fenomenal. Emprestei dinheiro para o Corinthians contratar e vendi o Ederson depois por R$ 40 e poucos milhões. O clube pegou três empréstimos, nunca pagou nem os três, nem os 40, nem a comissão, nem nada. Então é isso que tem que dar uma mudada para o futebol ficar mais saudável.

Tem esperança de receber desses clubes ainda?

– Eu não penso, eu não vivo… Já estou acostumado com isso, faz muitos e muitos anos. Se eu ficar pensando nisso… Chefe, tem um departamento que cuida disso, normalmente não sou eu. Chega uma hora, tem que ir, vai e vamos ver. Espero que sim, porque a gente prestou o serviço, geralmente o serviço foi muito bom, e espero que receba um dia.

Qual a negociação que você mais teve prazer de fazer e a que mais tenha te decepcionado na carreira?

– A negociação vai ser a próxima, e decepção não tem no futebol, você já vai calejado. Você tem que entender o ser humano, cada hora o cara pensa de uma maneira, tem alguma desilusão ou outra, mais de amizade assim, mas tudo normal.

Hoje em dia teu faturamento é exclusivamente com relação a negociação de jogadores ou você investe em outras coisas, como imóvel, que não seja necessariamente de negociação.

– Eu não invisto em nada, tem um cara que faz isso para mim. Eu só cuido de jogador, eu só vivo jogador, não faço mais nada, e o telefone vai tocar para caramba a hora que ligar.

Quantas ligações por dia?

– Na época de janela é mais de mil.

Quantas atende?

– Todas. Eu atendo, depois anoto, ligo. Quem não gosta é minha esposa, ela quer me matar, não tem sábado, não tem domingo, não tem nada. A única coisa que tem, quase que eu perdi esse ano por causa do Vitor Roque, foi o Carnaval. Até sexta à noite eu fiquei trabalhando. Teve uma hora que eu falei: “Vitor Roque, você me desculpa, porque vou ter que ir”.

Já vi você falando que nesse processo de negociação é importante o contato direto com as pessoas, quantas vezes você viaja por mês? Quantos voos pega?

– Muitos. Por mês, 15 voos, 20. Quando você vai para a Europa, pega muito. Agora eu estou ficando mais (em casa), por exemplo esse mês eu falei que vou ficar. O mês passado eu fiquei fora, esse mês agora até abril vou ficar. Eu tinha que ir, mas não vou porque vai ter o jogo da Seleção aqui, mas vou acabar indo a Brasília, Buenos Aires, talvez Porto Alegre no fim de semana, mas acabo arrumando as viagens, aí não tem como, isso aí é escolha.

Você já vendeu carro, pulo de bungee jump. Vender jogador é mais fácil ou mais difícil?

– Mais difícil. Carro vendia 100 por dia. Carro… Está de brincadeira. Jogador, tá doido. Eu dou risada com os caras que dizem: “agora vou trabalhar com futebol”. Vem, fica aí, vamos ver se você dura uns três dias. A dificuldade é grande demais, esse negócio do Vitor Roque também deu trabalho demais. Quando você acerta tudo, aí vem a Liga, que não pode, que não sei o quê. Aí vem a Federação da Espanha. E se dependesse do Barcelona, que eu conheço o clube, os caras responderam na segunda-feira: “ó, a La Liga não deixou, a Federação não chegou, e encerraram as negociações”. Falei: “não, não, não”.

– Contratamos um advogado em Madrid. Os caras achando que eu era louco. Falei: “calma, que vai dar”. E o Barros estava quase morrendo, ia ter um infarto, um AVC (risos). Falei: “calma, só morre na sexta-feira, até sexta dá pra viver ainda. Você quer morrer terça? Morre sexta, no dia que já não vai poder vir o jogador mesmo”. E o pior é que no final deu certo.

Você que foi atrás então de resolver?

– Ah, usei os caras do Palmeiras junto, fui lá um dia. Mas é porque eu conheço o Barcelona, advogado não sabe o que está acontecendo. Quantas e quantas contratações eu fiz que passavam pelo mesmo. Falei: “não, não vamos desistir, porque se a gente não empurrar os caras lá”… Eles já tinham terminado, eles que vão receber o dinheiro (risos).

 

 

Fonte: Globo  Esporte