Olten discute com Massis e pede reprovação das contas de 2025

Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, se posicionou de maneira contraria à aprovação do balanço financeiro de 2025, o último da gestão Julio Casares. A reunião da última quarta-feira (25) foi marcada por tensão nos bastidores e a tendência é de reprovação das contas.

A votação foi iniciada às 22h (de Brasília) e segue até 17h desta quinta-feira, com participação de 254 conselheiros. O quórum necessário é de maioria simples, e os votos são abertos.

Discussão com Massis
Fontes ouvidas pelo UOL presentes na reunião confirmaram que Olten Ayres teve uma pequena discussão com Harry Massis Júnior, presidente do São Paulo. Durante o episódio, Massis alertou sobre a necessidade de aprovação das contas para evitar riscos institucionais e financeiros ao São Paulo, pedindo apoio ao tema.

Pelos relatos colhidos pela reportagem, Olten Ayres, por sua vez, respondeu que enquanto Marcelo Pupo, considerado braço direito de Massis na gestão, estiver “no caminho”, não ajudará o presidente em nenhuma pauta. Marcelo Pupo não esteve presente na reunião.

Procurado pela reportagem do UOL, Olten esclarece que, de fato, se posicionou de forma contrária à aprovação do balanço na reunião, por entender que “o tema exige maior aprofundamento e análise criteriosa, em linha com as melhores práticas de governança”.

Sobre eventuais desentendimentos, Olten nega qualquer discussão ou divergência pessoal com o presidente Harry Massis durante o encontro, e afirma que “o ambiente da reunião transcorreu dentro da normalidade institucional, com debates próprios de um órgão colegiado”.

Por fim, o presidente do Conselho informa que, a pedido do presidente, “foi agendada para o dia 06/04 uma nova reunião para deliberação de contratos relevantes, desde que estes estejam acompanhados dos respectivos relatórios de compliance do clube, reforçando o compromisso com transparência e responsabilidade na tomada de decisões”.

Ainda segundo relatos, Massis reforçou aos conselheiros que uma eventual reprovação poderia trazer consequências graves, como o fechamento de linhas de crédito, a liquidação antecipada de financiamentos e até a perda de parcelamentos tributários. O cenário, no entanto, foi classificado como “exagerado” e “pra assustar” por conselheiros favoráveis à reprovação ouvidos pela reportagem.

Rejeição ganhou força
Diversos grupos políticos do São Paulo marcaram reunião emergencial após a reunião extraordinária do Conselho Deliberativo e mudaram seu posicionamento, recomendando a rejeição das contas.

Apesar do balanço apresentar um superávit de R$ 56,8 milhões, sendo impulsionado por arrecadação recorde próxima de R$ 1 bilhão, o principal ponto de divergência é a falta de explicações sobre saques realizados pela gestão anterior.

Durante a apresentação conduzida por Sérgio Pimenta, diretor financeiro do clube, foi informado que o departamento identificou R$ 11 milhões em saques ligados à antiga presidência de Julio Casares. Desse total, R$ 4 milhões possuem justificativas detalhadas, como despesas com arbitragem e premiações. Por outro lado, R$ 6,95 milhões foram classificados como “fundo promocional da presidência”, sem documentação ou explicação clara sobre o destino dos recursos, o que gerou forte incômodo entre conselheiros.

Na reunião, apenas os conselheiros Jaime Franco e Leandro Alvarenga defenderam a aprovação das contas no púlpito. Pivôs de polêmicas recentes no clube, o ex-presidente Julio Casares, o ex-diretor social Antônio Donizete Gonçalves, o Dedé, e o ex-diretor adjunto da base Douglas Schwartzmann não estiveram presentes.

Olten ganha força?
Fontes ouvidas pelo UOL afirmam que uma eventual rejeição das contas representaria um grande baque à gestão de Harry Massis, que cumpre mandato até o final do ano. Pensando na eleição presidencial que ocorre em novembro, a leitura interna é que a votação mistura discussões orçamentárias e que Olten Ayres “voltaria ao jogo” em uma eventual disputa à presidência do clube no próximo triênio.

Até o momento, nenhum conselheiro oficializou campanha para a presidência do São Paulo no próximo triênio. Nos bastidores, nomes como Vinícius Pinotti e Adilson Alves Martins ganham força para a disputa.

Fonte: Uol

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