No São Paulo, Paulo André surgiu e viu amigos ‘ficarem pelo caminho’

No livro “O Jogo da Minha vida”, lançado em março, Paulo André conta como superou as dificuldades do início da carreira, virou profissional e explica a trajetória até o título brasileiro.

Um dos líderes do Timão, o camisa 13 percorreu um longo caminho desde a base do São Paulo, onde iniciou sua formação como atleta em 1998, até a chegada ao Corinthians, em 2009. Um sonho realizado, mas que muitos jovens que ele conheceu ficaram no caminho.

Citados na publicação como amigos de infância do zagueiro, Gustavo Santos e Valter César Adolfo foram levados praticamente ao mesmo tempo que o hoje corintiano para testes no Tricolor, após se destacarem em torneios amadores em Campinas.

A história deles no São Paulo, porém, não durou mais do que 30 dias. Reprovados nos testes – Valter, inclusive, por Milton Cruz –, viram o amigo ganhar uma chance  e passaram a rodar o interior até desistirem da bola. Hoje aos 30 anos, o ex-volante Gustavo cursa um doutorado em Educação Física e trabalha com tenistas em Campinas. Já Valter, que atuava como meia, é gerente de uma oficina mecânica e, aos 32 anos, está prestes a ser pai.

– Tínhamos o sonho de ser jogadores de times grandes, de fazer sucesso, as conversas eram essas na infância. Sempre brincávamos de dar entrevistas, fazíamos vídeos. Acho que não dei certo como jogador porque cometi alguns erros de comportamento quando era jovem, mas também por falta de sorte. Tive de operar duas vezes o joelho e isso atrapalhou – lembra.

Com seus amigos dispensados, o zagueiro fez outros na base, como Vinicio Alcântara, que morou com ele no CFA de Cotia por três anos. Pernambucano, o goleiro tinha o apelido de Espiga pela altura e forma física. Hoje taxista em São Paulo, tem saudade da luta pelo sonho.

– A vida de jogador é difícil, só 10% se dão bem. Você começa a rodar no interior, faz contratos de três ou seis meses, vê o salário atrasar. Aos 21 anos, desisti. Decidi não arriscar mais – conta ele, aos 29.

Neste domingo, eles não entrarão em campo. Culpa do jogo da vida…

PAULO ANDRÉ NO SÃO PAULO

 

O zagueiro começou no infantil do São Paulo em 1998, e ficou até 2001. Ganhou dois títulos paulistas na base (2000 e 2001). Dali, ficou três meses no CSA (AL), passou pelo Águas de Lindóia (2002/2003) antes do Guarani, onde profissionalizou-se em 2004. No ano seguinte, foi vendido ao Atlético-PR. Em 2006, foi para o Le Mans (FRA) e ficou até 2009, quando veio para o Corinthians.

Bate-Bola com Espiga
Foi goleiro na base do São Paulo por seis anos, hoje é taxista

Como conheceu o Paulo André?
Fiz testes em 1997 e passei. Eu o conheci no ano seguinte. Morávamos juntos em Cotia. Nossa convivência sempre foi ótima no São Paulo. Jogamos juntos até 2001.

Por que acha que ele deu certo?
Você sempre imagina que o outro vai virar alguma coisa, mas ele era diferenciado mesmo. Sempre treinou mais do que os outros. E futebol não é só técnica, é físico também. Ele se aperfeiçoou, melhorou o que tinha de melhorar e corrigiu o que tinha de corrigir. E levava vantagem pela altura, ia bem no alto.

Já você, acabou não virando profissional no clube. O que fez?
Saí do São Paulo e passei pela Inter e pelo Independente, ambos de Limeira, pelo Rio Branco de Americana e pelo Central de Caruaru. Mas diante das dificuldades optei por não dar mais continuidade.

Não ter dado certo lhe frustra?
Não. Eu encaro de uma forma legal. Acho que tenho mais saudade.

Tem alguma história que você sempre lembra ao ver o Paulo?
Tem uma que ele não se lembra. O Paulo usava aqueles aparelhos móveis de dente e, um dia, tinha o deixado no bolso do shorts. Aí, sem saber, dei um chute na coxa dele em uma brincadeira e quebrei o negócio. Tínhamos acabado de receber nosso salário, algo em torno de R$ 150. Tive que dar para ele comprar outro. Fiquei sem bolacha, pizza e refrigerante naquele mês (risos).

Fonte: Lance

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