Muricy mantém exigência a Pato: uma cobrança a cada elogio

Alexandre Pato deu uma assistência, fez um gol, foi o melhor em campo nesta quarta-feira, no 2 a 1 sobre o Bragantino, e salvou o São Paulo do placar negativo em uma noite de péssima exibição coletiva. Foi a primeira partida do atacante como titular desde a pausa para a Copa do Mundo, algo que só aconteceu devido os quatro desfalques ofensivos no time do técnico Muricy Ramalho. E, apesar de ter aproveitado a oportunidade, Pato não colheu só afagos do treinador. Após a partida, Muricy manteve a exigência em cada frase na análise da atuação do atleta, o que faz parte de uma estratégia.

Segundo a diretoria do São Paulo, Muricy Ramalho se incomodou com o fato de Pato não ter se adaptado taticamente a nenhuma das posições do ataque durante o período de um mês de treinos, sem jogos, na pausa para a Copa. A expectativa era de que o atacante, que tem dificuldades táticas conhecidas desde o Corinthians, aprendesse a atuar como ponta, pelas laterais do setor ofensivo. Não aconteceu, e Muricy voltou da pausa com Ademilson e Osvaldo como titulares. Por isso, mantém o nível de exigência. O objetivo é fazer Pato sentir que está sob pressão e não na zona de conforto após uma boa atuação.

É raro que Muricy cobre um jogador imediatamente após uma boa atuação, logo após o apito final. A postura habitual do técnico é elogiar a exibição e, se necessário, pontuar um ou outro erro. Mas Muricy adota com Pato a mesma atitude que tinha com Ademilson até o fim do Paulistão. Elogia o caráter, mas cobra mesmo após o sucesso. Nesta quarta-feira, em Ribeirão Preto, foi assim. Tomou muito cuidado ao falar dos elogios e se preocupou em deixar expostas as cobranças.

“Ele [Pato] teve alguns momentos bons, outros não. Claro que ele sente um pouco a falta de jogo. Está há muito tempo sem jogar, não é fácil. Tem que repetir mais vezes as boas jogadas que ele fez. Assim, em geral, por tempo sem jogar, ele foi bem”, disse Muricy, quando perguntado pela primeira vez sobre a atuação de Pato.

Depois, novamente questionado sobre o atacante, manteve o tom. Pediu repetição. E repetiu que pediu repetição. Na mesma frase, fez três vezes a mesma cobrança.

“Ele tem que repetir mais vezes os momentos bons. A gente é um pouco exigente e tem que ter o bom senso de saber que ele está há um bom tempo sem jogar. A gente fala para o bem dele, que ele tem que repetir mais vezes isso. A gente vai corrigindo o jogador. Ele fez gol, a gente fica contente por ele. A gente torce por caras do bem, e ele é um cara do bem. Mas ele tem que realmente repetir mais vezes o que ele fez hoje”, falou Muricy.

Depois, questionado sobre a diversidade de opções para o setor ofensivo – Kaká, Ganso, Boschilia, Osvaldo, Ademilson, Pato, Alan Kardec, Luis Fabiano e Ewandro –, o técnico afirmou que é possível montar um time com quatro desses jogadores, e fez questão de passar o recado do comprometimento tático mesmo quando a pergunta não foi exatamente sobre Pato.

“Com bons jogadores, sempre é possível. Desde que alguém entenda isso. E a gente, por obrigação, tem que fazer num esquema que na retomada a gente não seja surpreendido. Jogador que é bom e é inteligente, pro técnico é muito melhor”, disse.

 

Fonte: Uol

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