Marco Aurélio diz: ”Não peço mudanças sozinho, a torcida também exige’

Marco Aurélio Cunha cristalizou-se como principal voz de oposição no São Paulo ao deixar o cargo de superintendente de futebol e criticar o isolamento de Juvenal Juvêncio. Pré-candidato à presidência do clube no ano que vem, ele elogia os avanços sociais conquistados pelo antigo aliado, mas critica a estagnação do departamento de futebol e vê o modelo de gestão superado.

Em entrevista ao Estado, ele revela que não acredita que Júlio Casares sairá como candidato da situação. “Os mais velhos conduzem esse processo com outras figuras.”

ESTADÃO – O São Paulo sairá fortalecido desta crise?
MARCO AURÉLIO CUNHA – Tenho certeza de que vai, principalmente se mudar de destino na próxima eleição. Esse modelo de gestão está esgotado, minhas críticas sempre foram em relação a isso, mas o Juvenal não percebeu, tanto que colocou alguém sem vivência para tocar o processo no futebol e agora percebeu que estava errado e precisa correr atrás do prejuízo. Mas não tenho dúvidas de que o São Paulo vai sair mais forte.

ESTADÃO – Os aliados de Juvenal o  acusam de antecipar o debate eleitoral…
MARCO AURÉLIO CUNHA – Não é que precisamos antecipar, mas o São Paulo precisa mudar e a crise atual forçou esse debate. Temos de debater o futuro do clube, quem vai suceder o Juvenal. É preciso parar de falar como se ele fosse eterno. O que não pode é do dia para a noite aparecerem duas chapas preestabelecidas de situação com candidatos que ninguém sabe quem são. Se tudo estivesse muito bem, ninguém estaria falando nada, mas as coisas não estão, os resultados mostram. Se não tivéssemos falado o que era preciso, as coisas estariam todas iguais, o Adalberto estaria aí, o Paulo (Autuori) talvez não tivesse chegado. E não fui só eu, a torcida é que pediu mudanças. O Juvenal parece ter acordado para isso, só espero que não tenha sido muito tarde.

ESTADÃO – O que achou da indicação do Gustavo Vieira, filho do Sócrates, para cuidar do futebol?
MARCO AURÉLIO CUNHA – Elogiei publicamente a contratação dele e continuo elogiando, é um cara sério e competente, pode fazer muito bem ao clube e arejar as coisas. Se ele tiver autonomia para tomar suas decisões, que é o que o departamento de futebol mais precisa, será ótimo.

ESTADÃO – Quais os méritos do Juvenal?
MARCO AURÉLIO CUNHA  – A questão patrimonial, o Morumbi, as reformas internas, disso ninguém pode tirar o mérito dele. Ele seria o melhor vice-presidente de patrimônio em que eu poderia pensar. Pena que as pessoas que ele põe ao seu lado não têm vocação para fazer uma gestão boa. Claro que todos gostam do clube, mas tecnicamente o clube falha demais. O sócio-torcedor passou por inúmeras crises e pouco se falou disso, o marketing ficou mal por um bom tempo, ficamos sem patrocínio master por meses. Um amigo meu corintiano me disse, e dou razão, que o Juvenal é tão apaixonado pelo São Paulo que ele não se permite que ninguém seja apaixonado no mesmo nível.

ESTADÃO – E como melhorar as coisas?
MARCO AURÉLIO CUNHA – Primeiro precisamos aproveitar as pessoas por competência, não por acordos políticos. Além disso, precisamos entender o que é Cotia (CT das categorias de base), se é centro de formação ou de término de formação, não adianta pôr um monte de meninos no banco sendo que eles precisam de um tempo de maturação maior. Também não percebo harmonia no ambiente do futebol, com demissões de funcionários importantes e de história no clube. O São Paulo se desumanizou, nunca mais fez festa para seus ex-jogadores. A festa ganha jogo? Sim, porque essas coisas fora do jogo dão harmonia, envolvimento e paixão para quem veste a camisa. Se você cria um futebol de nota fiscal, sem vida, você perde na hora da decisão porque falta alma.

 

Fonte: O Estado de São Paulo

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