
Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa de Julio Casares, prestou depoimento nesta terça-feira por duas horas na investigação que apura possível exploração clandestina de camarotes do Morumbi.
Acompanhada de dois advogados, Mara Casares chegou à 3ª Delegacia do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) de São Paulo pouco antes das 11h.
A ex-esposa do ex-presidente Julio Casares foi ouvida pelo delegado Tiago Correia e pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, que comandam a força-tarefa da investigação.
– A senhora Mara respondeu absolutamente todas as perguntas dos dois promotores de Justiça que estavam presentes, a autoridade policial. E acredito que ela tenha elucidado todas as questões com extrema clareza. Agora, a gente aguarda a conclusão do inquérito policial para demonstrar absoluta lisura de toda a conduta dela no São Paulo – disse, ao ge, Rafael Estephan Maluf, advogado de Mara Casares, na saída da delegacia.
A Polícia Civil e o Ministério Público conduzem, desde o ano passado, um inquérito policial para investigar a possível exploração clandestina de um camarote do Morumbis, revelada pelo ge em dezembro.
A força-tarefa escuta investigados e testemunhas antes de concluir o inquérito. Rita de Cassia Adriana Prado, a intermediária do esquema que tinha a participação também de Douglas Schwartzmann, então diretor de base do São Paulo, foi chamada para depor, mas ficou em silêncio e desmaiou na saída da delegacia.
Enquanto isso, a Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do São Paulo finalizou nesta segunda-feira o relatório de investigação sobre o caso de exploração clandestina de camarote no Morumbi e pediu pena de eliminação a Mara Casares e Douglas Schwartzmann do clube. Ou seja, expulsão.
O relatório está assinado por cinco membros da comissão: Luiz Augusto Lia Braga, Antônio Maria Patiño Zorz, José Edgard Galvão Machado, Marcelo Felipe Nelli Soares e Milton Jose Neves Junior.
Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos horas depois de o ge revelar o esquema de comercialização clandestina de um camarote do Morumbi em dias de shows, com envolvimento dos dois.
Entenda o caso
Em áudios obtidos com exclusividade pelo ge, Douglas e Mara admitem que participaram de um esquema de exploração clandestina, pelo menos no show da Shakira, em fevereiro do ano passado. Na gravação, Schwartzmann diz que ele e outras pessoas ganharam dinheiro.
– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
O diretor da base afirma também, na conversa, que Mara Casares recebeu de Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo, o camarote e comercializou ingressos do show da Shakira, em fevereiro deste ano. Carlomagno é braço direito de Julio Casares e principal nome da situação para eleição de 2026.
O camarote que motivou a gravação e um processo judicial ao qual o ge teve acesso foi o 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório de Julio Casares e era utilizado para reuniões e até entrevistas.
O Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo prevê penalidades para sócios do clube que cometerem infrações. As punições possíveis são advertência, suspensão, indenização, perda de mandato, inelegibilidade temporária e eliminação. A gravidade da conduta é o que vai definir a punição.
O item Q do Artigo 10 do Regimento Interno do clube diz que “causar dano à imagem do SPFC, em qualquer condição ou no exercício de qualquer cargo pertencente aos poderes do SPFC” é passível de suspensão de 90 a 270 dias. A penalidade pode aumentar em um terço se o associado ocupar algum dos poderes do Tricolor.