Futuro, boa fase, grupo e Libertadores: o que pode fazer Rogério Ceni renovar

O futuro de Rogério Ceni é um mistério até mesmo para Rogério Ceni. A convicção sobre encerrar sua carreira de goleiro no fim deste ano já não existe mais. Vários fatores pesam na decisão que deverá ser tomada nas próximas semanas. Pelo segundo ano consecutivo, o ídolo do São Paulo pode voltar atrás e estender sua trajetória na equipe.

Em 2013, Rogério estava decidido a parar. Disse com todas as letras, depois de vitória sobre o Atlético-MG, pela Libertadores, que seria seu último ano. Não foi. O primeiro semestre foi penoso para o jogador, que tinha divergências com o técnico Ney Franco e o diretor Adalberto Baptista. Ambos saíram, mas o Tricolor ainda sofreu por alguns meses com resultados terríveis e a forte ameaça de rebaixamento.

Naquele período, Ceni perdeu quatro pênaltis consecutivos, raridade em sua carreira. A recuperação do time, suficiente para afastar o risco de queda, suas boas atuações e uma campanha iniciada pelo técnico Muricy Ramalho fizeram com que o goleiro desistisse de se aposentar.

A decisão se mostrou acertada. Os resultados deste ano foram bem melhores. O time já assegurou participação na Libertadores de 2015 e, nesta quarta-feira, decide sua vaga na final da Copa Sul-Americana (enfrenta o Atlético Nacional, da Colômbia, no Morumbi, às 22h). Rogério também vive fase excelente. Errou só um dos 10 pênaltis que cobrou e, debaixo das traves, foi fundamental para que o São Paulo brigasse pelos títulos.

Rogério Ceni são paulo (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)Líder: Rogério Ceni durante preleção no estádio do Morumbi (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Tudo tão bom que fez Rogério repensar. Ele se sente bem no dia-a-dia de trabalho como há tempos não acontecia. Mérito da montagem do grupo. Alguns dos reforços contratados em 2014 estão entre seus companheiros mais próximos, casos de Alan Kardec, Souza e Kaká, a quem o goleiro enche de elogios pela influência positiva que exerce no CT da Barra Funda.

O capitão também não tem totalmente definido em sua cabeça o que vai fazer depois que não estiver mais atuando. A ideia de investir na formação de técnico foi a mais consistente até agora. Viajar para os Estados Unidos e a Europa, acompanhar de perto o trabalho de profissionais como Pep Guardiola, José Mourinho e Jürgen Klinsmann, fazer um monitoramento de centros periféricos do Brasil atrás de jogadores… Mas, por enquanto, apenas planos.

Apaixonado como todo são-paulino pela Taça Libertadores, a certeza de poder disputar mais uma é outro fator que leva Rogério a pesar o fim da carreira. Há, no clube, uma perspectiva de boa temporada, e a conclusão de que são precisos poucos ajustes para formar um time ainda mais competitivo. Por outro lado, o Tricolor terá de sobreviver, dentro e fora de campo, à saída de Kaká, que terá de se apresentar ao Orlando City.

Aposentar-se com um título, ainda mais sobre um rival poderoso como Boca Juniors ou River Plate, que disputam a outra semifinal da Sul-Americana, sem dúvida se apresenta como um desfecho de ouro para sua trajetória cheia de recordes. Ceni, é claro, pensa nisso. Pensa em dezenas, centenas de coisas.

Quem convive com ele evita dar palpites. Só se manifestam quando o próprio Rogério pede opinião, o que ele faz a bem poucos amigos íntimos. Perante a diretoria, por mais que haja ponderações, o goleiro sabe que terá o contrato renovado se quiser. Depende dele. Os próximos capítulos, a começar pela semifinal desta quarta, serão decisivos.

 

Fonte: Globo Esporte

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