A temporada 2021 do futebol brasileiro iniciou-se no último final de semana de fevereiro, com os jogos de estreia dos campeonatos Estaduais. Os times não tiveram tempo para dar férias a seus jogadores, nem realizar pré-temporadas, emendando o final do campeonato brasileiro de 2020, na quinta-feira, 25/02, com o primeiro jogo do estadual já no final de semana.
O São Paulo, portanto, estreou nesta temporada no empate em zero a zero contra o Botafogo de Ribeirão Preto, partida realizada no Morumbi. Até aqui, computado o empate com o Palmeiras pelo Brasileiro, também no Morumbi, foram 41 partidas disputadas pelo SPFC na temporada, em um intervalo de 153 dias. O quadro abaixo detalha o desempenho do time:
Até o final de dezembro, encerramento da temporada, o São Paulo ainda jogará pelo menos 27 partidas (pior caso), podendo ter até 38 jogos adicionais, caso chegue às finais da Copa do Brasil e vença a Libertadores e vá ao Mundial. Será uma temporada portanto com um mínimo de 68 jogos e um máximo de 79 partidas, disputadas no intervalo entre 280 e 294 dias.
O que vemos na tabela acima é que a prioridade dada ao Campeonato Paulista – chamado de “Copa do Mundo” por Carlos Belmonte – e às Copas está bem clara.
O excelente aproveitamento de 77% dos pontos e a conquista do título do Paulista, onde na verdade só enfrentamos um adversário de alto nível e focado na final, foi um momento de reafirmação da confiança da torcida. Vencer o Paulista após 16 anos foi importante, mas a conquista já passou e precisamos olhar para outros objetivos.
Os sorteios foram favoráveis ao Tricolor tanto na Libertadores quanto na Copa do Brasil, e isso faz parte das regras dessas competições. Devemos passar pelo Vasco, pois abrimos boa vantagem no Morumbi, chegando às quartas de final da Copa do Brasil. O confronto contra o Palmeiras pelas quartas de final da Libertadores é absolutamente equilibrado, e temos 50% de chance de classificação para a semifinal.
O desempenho no campeonato brasileiro, porém, preocupa. Alcançamos apenas 2 vitórias em 14 jogos, com 29% de aproveitamento dos pontos, e continuamos na zona de rebaixamento. Voltaremos ao campeonato brasileiro mais à frente neste texto.
Considerando a questão de jogar em casa ou fora, observamos que o desempenho do São Paulo no Morumbi é muito bom, com 13 vitórias e 68% de aproveitamento dos pontos em 22 partidas disputadas. Já como visitante nosso desempenho é fraco – 6 vitórias e 44% de aproveitamento dos pontos em 19 jogos.
Um ponto essencial a se observar é como o time se comportou enfrentando adversários de diferentes níveis técnicos. Ao enfrentar times de divisões inferiores do futebol brasileiro, ou mesmo equipes de menor tradição na Libertadores da América, o São Paulo foi dominante – em 21 jogos marcou 54 gols, sofrendo apenas 17, e conquistando 70% dos pontos disputados. Como um “valentão da quinta série”, porém, ao enfrentar outros times da série A fizemos um mau papel – 6 vitórias e 43% de aproveitamento em 20 jogos, marcando apenas 19 gols, o mesmo número de gols sofridos.
O saldo geral até agora é positivo, somando 57% dos pontos disputados na temporada, médias de 1,78 gol marcado e 0,88 gol sofrido por jogo, o desempenho nas Copas parece consistente, mas a situação no campeonato brasileiro é muito preocupante.
Perspectivas para o Campeonato Brasileiro 2021
Após 14 rodadas estamos em 17º lugar na classificação, na zona de descenso, com apenas 12 pontos acumulados – 2 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, 29% de aproveitamento dos pontos disputados. Por mais que tenha sido dada prioridade às Copas, esse desempenho não é admissível para um elenco que está entre os mais caros do Brasil.
O histórico recente dos rebaixamentos de Internacional e Cruzeiro deve servir de lição para todos os “grandes” ameaçados. Ao longo de 37 rodadas a torcida e imprensa diziam que “havia outros times piores para cair”, “o elenco deles é para brigar na parte de cima da tabela”, “com três vitórias o time sobe cinco posições na classificação”, e outras nesse sentido. Na 38ª rodada todos caíram na realidade. O Palmeiras foi rebaixado em 2012, ano em que ganhou a Copa do Brasil.
Sobre o rebaixamento: o Ceará em 2019 foi o time que escapou com a pior pontuação – 39 pontos. Em 2013 o Fluminense teria sido rebaixado com 46 pontos, se não tivesse acontecido a punição à Portuguesa. Seremos conservadores e vamos projetar um objetivo de 47 pontos para garantir a permanência na série A.
Se o São Paulo tem hoje 12 pontos, para chegar aos 47 precisará conquistar mais 35 nas 24 rodadas por jogar. Isso significa um aproveitamento de 49% dos pontos disputados nas rodadas que faltam. Portanto, para termos tranquilidade nas rodadas finais, o Tricolor precisa começar a somar desde já 50% dos pontos que disputará no Campeonato Brasileiro, ou sofreremos risco real de rebaixamento.
Se não vencermos nenhuma das Copas, nosso único meio de voltar à Libertadores será pela classificação no Brasileiro. Em anos recentes a pontuação do 6º colocado, que garante vaga na segunda fase (preliminar) da Libertadores, ficou na casa de 60 pontos. Precisaríamos, portanto, de 48 pontos adicionais nos 24 jogos faltantes, aproveitamento de 67% nas partidas por jogar, desempenho digno de um campeão. Trata-se de um objetivo bastante desafiador.
Conclusão: o início desastroso no Campeonato Brasileiro nos coloca em uma situação em que, se não ganharmos a Copa do Brasil, ou a própria Libertadores, dificilmente voltaremos ao principal torneio do continente em 2022. O custo de priorizar as Copas em detrimento das rodadas iniciais do Brasileiro pode vir a ser muito alto. O bom desempenho do time no empate contra o Palmeiras no sábado, 31/07, foi uma amostra de que podemos almejar uma classificação melhor na temporada, mas é necessário acordar logo. Vamos acompanhar de perto nos próximos meses e torcer para que a aposta tenha sido acertada.


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É Flávio, se não cairmos esse ano será por muito pouco. Vamos tirar tinta.
Nas próximas rodadas, o São Paulo enfrentará adversários diretos na luta contra o rebaixamento, intercalando com os clássicos com o palmeiras pela Libertadores. Se não conseguirmos vitórias contra eles, temo pelo segundo turno, quando o campeonato é bem mais acirrado e com maior número de empates.
Nosso elenco não é dos melhores, mas também não é dos piores. Tudo dependerá do bom senso da comissão técnica. Se armar o time de acordo com os jogadores disponíveis, teremos chances de permanecer na série A. Do contrário, se Crespo impor um esquema sem considerar os atletas à mão, nos juntaremos ao cruzeiro e ao botafogo ano que vem.
A diretoria não pode cegar-se com as premiações das Copas. A tentação é grande. Mas é preciso saber a hora de tirar o time de campo para evitar um mal maior.
Bom dia André,
Eu tenho posição um pouco mais otimista. Penso que hoje, ainda, o risco de cair é pequeno, mas, se o clube e o comando não corrigirem logo o rumo teremos fortes emoções no final do ano.
Obrigado Danilo e Waldir pelos comentários.
Se os números não explicam totalmente o futebol, pelo menos nos ajudam a entender alguns efeitos.
Eu sempre busco dados que me ajudem a entender.
O futebol tem lógica sim… Uma lógica calcada na matemática, simples assim! Ou partimos desde já para os 46 pontos – linha de corte – ou teremos que amargar um sufoco sem o apoio da torcida, que anteriormente abraçou o time, salvando-o do rebaixamento.
Perfeito…
Se tiver que abrir mão das copas, que abra, não podemos se dar o risco de sofrer um rebaixamento.
Acredito que o Crespo espera contar com todos os jogadores em pouco tempo, por isso ele aposta nas copas. Mas eu não confio no DM e preparação física, pois os preparadores estão estourando os jogadores e o DM é um triângulo das bermudas…
Eu confesso que estou bem assustado com nossa condição no brasileiro.
Em tempo: bela coluna Flávio Marques.