Passados seis meses da atual gestão do São Paulo Futebol Clube o torcedor Tricolor testemunhou duas reviravoltas no desempenho da equipe. Como nas “montanhas russas” dos parques de diversão, o time apresentou altos e baixos extremos na temporada até aqui. Veja abaixo o aproveitamento do time considerando o critério de média móvel de cinco jogos, e conheça a “montanha Tricolor”.
Sob direção do presidente Julio Casares o São Paulo fez 44 jogos na temporada até aqui, desde o dia 06/01/2021 pelo Brasileiro 2020 até o jogo deste Domingo, 04 de Julho, pela edição 2021 do Brasileirão, coincidentemente os dois jogos contra o Red Bull Bragantino. Coincidentemente, ainda, sofremos duas derrotas contra a equipe de Bragança Paulista.
Chegamos à nona rodada do Campeonato Brasileiro sem ter alcançado uma única vitória – 5 empates e 4 derrotas (19% de aproveitamento). Faltam 29 jogos pelo Brasileiro e, para chegarmos aos 66 pontos que costumam assegurar uma vaga direta na Libertadores faltam 61, ou uma campanha por vir de 18 vitórias, 7 empates e apenas mais 4 derrotas (70% de aproveitamento nas rodadas a jogar).
Temos ainda duas competições disputadas em paralelo, a Copa do Brasil e a Libertadores. Na pior das hipóteses faremos mais 4 jogos (pelas oitavas de final das duas competições), além das rodadas que faltam do Brasileiro, completando 77 jogos no ano. Se vencermos as duas Copas e formos disputar o Mundial, serão mais 8 jogos pela Copa do Brasil, 7 jogos pela Libertadores e 2 partidas no Mundial, o que, somados aos jogos restantes do Brasileiro, resultará em 90 jogos no ano 2021. Essa é a verdadeira “maratona” que exigirá muito do elenco.
O torcedor não pode deixar de sonhar e apoiar sempre a equipe, mas olhando os resultados dos últimos seis meses temos muitos motivos a mais para nos preocuparmos com um eventual descenso do que realmente acreditar que podemos levantar o tetra mundial.
O mês de Abril “perfeito” foi construído com vitórias sobre equipes de série B, C e D do Brasileiro, times dos potes 3 e 4 da Libertadores e dois rivais Paulistas que usavam o Estadual como pré temporada. Na conquista do Paulista tivemos confronto de alto nível apenas na final contra o Palmeiras, e encaramos esse embate como uma “Copa do Mundo”. Em 26 partidas no ano contra times de série A, incluídas todas as competições, nosso aproveitamento é de 37%. Filtrados apenas o jogos pelo Campeonato Brasileiro da série A, temporadas 2020 e 2021, tivemos 2 vitórias em 20 jogos, 15 pontos conquistados em 60 disputados. A continuar com esse desempenho, em 2022 disputaremos a série B.
Contra equipes de divisões inferiores nosso ataque foi eficaz e nossa defesa muito segura, e tivemos excelentes 69% de aproveitamento. No Campeonato Paulista atingimos incríveis 77% de aproveitamento. A tabela abaixo resume o desempenho do Tricolor em diferentes condições de competição.
Enquanto o nosso adversário do último Domingo, o Red Bull Bragantino, lidera o campeonato com um time formado por jogadores sem “grife”, mas eficientes, o São Paulo optou por “reforçar” o elenco com veteranos que tem mais exposição midiática do que futebol para colaborar com o time. Aumentamos nossos custos e tomamos novos empréstimos para rolar dívidas, quando se esperava uma administração austera para equilibrar as finanças e assegurar a competitividade do clube a longo prazo. Estamos seguindo um caminho perigoso de aumentar o endividamento e buscar conquistas esportivas a qualquer preço. O melhor exemplo do desastre que pode vir é o Cruzeiro, insolvente e disputando sua segunda temporada de série B com pequena chance de subir.
Contratamos veteranos com histórico de carreira muito pobre, como é o caso de William, e renovamos o contrato de Rojas – jogador limitado – aumentando a folha de pagamento enquanto continuamos devendo parte dos salários e direitos de imagem referentes ao ano 2020 aos atletas que já estavam no Clube. Essas ações precisam ser repensadas.
Ainda há tempo para escapar do desastre, mas a mudança de conceito tem que ser imediata e as ações de curtíssimo prazo para recolocar o SPFC nos trilhos.
Complemento: relação dos jogos do SPFC no ano 2021, até o dia 4 de julho.



Boa Tarde Grande Amigo Flavio Marques.
Como sempre cirúrgico nas análises sobre nosso São Paulo Futebol Clube.
Vendo esse parâmetro apresentado, ficamos preocupados sim!
Se continuarmos descendo a ladeira, da forma que esta, nosso futuro será tenebroso.
Não podemos tapar o sol com a peneira.
Nosso elenco é limitado, comparo a um quebra cabeça: se faltar uma peça, não se encaixa mais. Precisamos de acões imediatas! Ou ficará tarde demais!
Olá Alex,
Eu penso que é essencial recuperarmos o desempenho de bons jogadores como Sara, Igor Gomes e Bruno Alves que caíram muito de produção recentemente.
Flávio, pelas minhas contas, precisaremos de doze vitórias para escapar do rebaixamento. Rarissimamente uma equipe caiu com esse número. E para nosso temor, a cada jogo que passa essa meta está cada vez mais complicada de se atingir.
O São Paulo necessita urgentemente de reforços. Em todas as posições. Mas a única coisa que dá pra fazer, diante da dívida, é correr atrás de um volante de qualidade e um zagueiro de ofício. Sem dinheiro, a saída é envolver nosso inventário de perebas em trocas. Fomos muito bem sucedidos quando trocamos o Éverton pelo Luciano. Acredito que este é o único caminho possível no momento.
E até quando ficaremos sem patrocínio master? Sem novas receitas, não há santo que ajude.
Sobre o rebaixamento, desde 2006, quando o campeonato passou a ter 20 times, a maior pontuação de um 17o colocado foi 46 pontos.
Sendo pessimista, se chegarmos aos 47 pontos escapamos. Faltam 39 pontos e 28 rodadas a jogar. 10 vitórias e 9 empates bastam, mesmo com 9 derrotas.
Eu penso que ainda é possível focar em uma vaga no G6.
Análise do Flávio é perfeita e dessa forma assustadora. O texto sinaliza que a perspectiva e encontrarmos um abismo está logo aí. O fato é que estamos trilhando o mesmo caminho percorrido pelo Cruzeiro. Já se foram seis meses da nova gestão e os resultados estão cada vez mais pífios. Como bem acentuou o Flávio, no Paulista superamos times que integram as series B, C e D do Brasileiro e os da serie A que utilizaram o torneio como mero laboratório. As contratações que foram realizadas para reforçar o elenco foram consideradas pelos próprios gestores, como sendo de “oportunidade”, ou seja. não envolveram altas somas. A exceção foi a que envolveu o “craque” colombiano Orijuella, avalizado e aprovado pelos integrantes da diretoria de futebol. Com essas contratações aumentamos muito a média de idade do elenco e como isso a probabilidade de ocorrerem contusões. Uma eventual recuperação para atingir a meta de estar na Libertadores em 2022 passa por um campanha de time “campeão” que, convenhamos, nem aqueles torcedores mais fervorosos ainda acreditam. Enfim, o balanço dos seis meses da “nova” gestão, campeã de marketing, sinaliza que tempos piores estão por vir. Nada mais a acrescentar. Que Santo Paulo olhe e rogue por nós!
Obrigado Waldir.
A situação é preocupante e não vemos a diretoria tomar qualquer medida para reduzir os custos do futebol. Só aumentamos a folha trazendo veteranos que tem dificuldade para atuar no futebol Brasileiro, que exige muito do físico.
Vc tem razão Flavio, se continuar nesse caminho 2022 estaremos fazendo companhia a Vasco, Botafogo e Cruzeiro, pq nessa caminhada nem eles vão retornar a Serie A.