Filho de Júlio Casares é sócio de empresário de jogadores

Pasmem as notas oficiais de São Paulo e Kah para a matéria que virá a seguir!

 

Confira a nota oficial do São Paulo

No futebol, quem coordena as negociões é a diretoria do departamento. A empresa em questão é específica do mercado Pet, não tendo qualquer relação com o futebol. A firma foi constituída em 2020 — com a intenção de atuar como aplicativo e-Commerce —, antes mesmo de Julio Casares ser eleito presidente do SPFC. Hoje, a empresa está parada, aliás desde que Julio Casares assumiu a presidência. Além de Julio Casares Filho, há mais um sócio (a). Julio Casares Filho é reconhecido no mercado Pet, tem outras empresas e não tem qualquer tipo de relação com os negócios do São Paulo Futebol Clube. Sendo essa uma questão desconexa da realidade e discutida por conselheiros, em um momento político.

Confira a nota oficial da Kah Sports

A Kah Sports vem a público refutar a insinuação feita pelo Portal UOL, de que a empresa receberia algum benefício da atual gestão do São Paulo Futebol Clube.
A sociedade entre Aref Latif, sócio da Kah, e o filho do presidente do clube diz respeito a uma empresa de artigos para pets, que nada tem a ver com o futebol, e vem de longa data, antes mesmo de Casares assumir seu posto no São Paulo.

Nossos contratos com os atletas do clube são feitos de forma idônea, alguns em parceria com outros agentes, e estamos longe de sermos a empresa com mais jogadores no São Paulo, o que torna sem sentido a alegação de que recebemos benefícios da atual gestão.

Nosso time jurídico já está atuando para refutar essas alegações da forma correta: com base na lei.

Essa matéria tem o chamado “lead invertido”. Ou diria: começa pelo fim, com as notas oficiais dos envolvidos no caso.

Desde a última segunda-feira, 17 de julho, eu, Dario Campos (Agonia Tricolor) Alexandre Giesbrecht (Anotações Tricolores) e Ricci Jr. (São Paulo Digital), componentes do programa Somos Todos São-Paulinos,  estávamos trabalhando nesse assunto, juntando pontos para chegar ao maior número de evidências possível.

Nos causou surpresa que o Uol tenha soltado a matéria hoje (iríamos fazer na próxima quarta-feira, pós jogo Corinthians e São Paulo). Mais estranheza que ela já tenha vindo com nota oficial do clube.

Antes de colocar a nossa matéria que, repito, já estava pronta, rebato instantaneamente a afirmação do São Paulo, de que a empresa Dospets está parada, sem funcionamento. É mentira.  Mais uma da diretoria. A empresa está absolutamente ativa, na  Receita Federal, e o quadro social completamente apto.

Vejam, então, abaixo, a matéria uníssona do Tricolornaweb, Agonia  Tricolor, Anotações Tricolores e São Paulo Digital.

Nossa matéria

O filho do presidente do São Paulo, Júlio Cesar Casares Filho, é sócio de Aref Abdullatif, empresário de jogadores de futebol. Apesar da relação entre os dois ser de fora da empresa detentora de direitos de jogadores, a relação entre o filho do presidente e um empresário de jogadores pode se transformar em descumprimento de regra estatutária que prevê, entre outras coisas,  a cassação do mandato do presidente, assim como sua expulsão do Conselho Deliberativo.

Aref Abdullatif é sócio de Kamal Kamel Soueid na empresa Kah Esportes e Entretenimento. Com sede da rua Barão de Ladário, 897, bairro do Brás, em São Paulo, a empresa tem como objeto social o agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas. Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliário; outras atividades de serviços prestados principalmente entre as empresas não especificadas anteriormente, além de consultoria em publicidade.

A Kah é detentora dos direitos de alguns jogadores da base do São Paulo: Maioli –  que esta semana teve seu contrato renovado – , Gabriel Tchelin e Guilherme Lanza ( ambos do Sub-14), Davi Jesus (Sub-13) e Gahad Ayman (Sub-12) . Também é responsável pelo goleiro Felipe Alves. Lucas “Minhoca”, que esteve no  Sub-20 do São Paulo em 2022 por empréstimo, também é empresariado pela Kah.

O Balanço do São Paulo aponta uma dívida do clube com esta empresa na casa dos R$ 209 mil, mas não especifica referente a que comissão sobre a venda de qual jogador. Portanto fato absolutamente concreto.

Sócio do filho do presidente

Aref Abdullatif é sócio da Dospets – Comércio e Serviços para Animais Ltda., empresa do ramo Pet (teoricamente), mas que tem em seu contrato social  os seguintes objetos sociais: Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliário; portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet; representantes comerciais e agentes de comércio de mercadoria em geral não especializado; organização logística do transporte de carga; desenvolvimento e licenciamento de programas de computador e customizáveis. Percebam, então, que de PET, não tem nada. Além do mais, com tantos objetos sociais e distintos um do outro, aparece, coincidentemente, a de “atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral”. Algo quase idêntico ao principal objeto da Kah.

A Dospets fica localizada na Avenida Marcos Penteado de Ulhoa Rodrigues, 939 – 8º andar, no bairro Tamboré, em Barueri. Tem como sócios:  Aref Abdullatif, Rafaella Freire Pinheiro e JÚLIO CESAR CASARES FILHO.

O curioso em tudo isso é que uma empresa de PET, naturalmente, deve ter, ao menos uma loja para venda de ração ou acolhimento de animais. Mas por mais que pesquisássemos, não tem.  Existe apenas o endereço principal. Nada mais.

Por mais que não haja uma ligação explícita entre Júlio Cesar Casares  Filho com Aref Abdullatif na intermediação de negociação com jogadores,  parece pouco “republicano’ esse tipo de relação e por si só já deveria suscitar uma análise do responsável pelo setor de Compliance do São Paulo. Além, é claro, de uma investigação por parte do Conselho Deliberativo. Mas…

O Estatuto do São Paulo diz, em seu Artigo 12, Parágrafo 3º, que:

“Também poderá ser punido com perda de mandato e inelegibilidade, na forma do Estatuto Social, o Associado que integra algum dos Poderes do SPFC e que, no exercício de suas atividades no respectivo Poder, praticar infração disciplinar considerada grave ou realizar alguma conduta que possa resultar, de forma direta ou indireta, em vantagem pessoal ou patrimonial ao próprio Associado ou ao seu cônjuge ou membro da família, até o terceiro grau, inclusive, envolvendo empresa da qual o Associado ou membro da família sejam sócios, tudo em detrimento dos interesses patrimoniais ou com danos graves à  imagem do São Paulo.”

Mas  Júlio Casares certamente dirá que não sabe de nada. Aliás, isso remonta aos anos 2014 e 2015, quando Mariana Aidar, agente Fifa, filha de Carlos Miguel Aidar, agia por trás de Cinira Maturana, namorada do ex-presidente, na intermediação de jogadores. Assim foi que conseguiram “melar” a transferência de Rodrigo Caio para o futebol espanhol, pois Cinira chegou no quarto do zagueiro para pedir R$ 2 milhões para que o negócio fosse feito; ou o escândalo da transferência de Iago Maidana, um dos pivôs da renúncia de Aidar.

Fatos semelhantes?  Talvez. Basta ajustar o tempo e lembrar que essa diretoria que aí está também estava lá, inteirinha, com  Carlos Miguel Aidar, e que o ex-presidente, mesmo expulso do Conselho Deliberativo, continua dando seus pitacos no Conselho Consultivo, de onde nunca saiu.

Não saber também é prática comum de Júlio Casares, pois, como vice-presidente de Comunicação e Marketing de Aidar, afirma que assinou o contrato da Far East sem saber o que estava assinando, mesmo que fosse um documento que dava bondosos R$ 18 milhões de comissão a Jack Banashfeha pela intermediação da vinda da Under Armour para vestir o São Paulo.

Portanto, tudo indica que as coisas continuam acontecendo e Júlio Casares, o presidente do São Paulo, não sabe de absolutamente nada.

Paulo Pontes, com apoio de Alexandre  Giesbrecht, Dario Campos e Ricci Jr.

7 comentários em “Filho de Júlio Casares é sócio de empresário de jogadores

  1. Li a matéria do e ainda fiquei com dúvidas.

    A nota oficial do SPFC poderia trazer mais esclarecimentos, como, por exemplo, a que transação se refere a comissão de R$ 208 mil paga à empresa KAH, de propriedade de um sócio de Julio Filho em outro negócio?

    Eu perguntaria ainda, apenas por legítima curiosidade, qual a relação anterior entre Julio Filho e Aref Latif que os levou a firmarem uma sociedade – por exemplo se estudaram juntos, foram colegas de trabalho ou vizinhos, ou se atuavam ambos no mesmo segmento de mercado, entre infinitas possibilidades?

    A partir dos dados da matéria e fazendo uma consulta de CNPJ no portal gov.br vemos que a empresa Dospets, nesta data, está ativa na Receita Federal e sua atividade principal é:

    74.90-1-04 – Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários

    Não há na atividade principal da empresa uma referência específica a mercado pet (animais de estimação), mas sim a intermediação e agenciamento. Será que estou interpretando de forma equivocada?

    O filho do presidente ter relações próximas, ainda que indiretas, com uma empresa de agenciamento de atletas não é algo ilegal, mas, em respeito aos princípios de “Compliance” e “Governança” essa situação merece, na minha visão, ampla publicidade. Extrapola, a meu ver, o que pode ser tratado como de interesse pessoal (privado) dos participantes. Estou sendo excessivamente rigoroso na minha visão?

    A total transparência no caso é necessária para afastar definitivamente qualquer suspeita de eventual favorecimento. Será que os dirigentes informaram essa situação ao Conselho Deliberativo, ou ao Conselho de Administração, antes de efetivar a negociação que gerou a comissão referida na matéria?

    Repito que relação próxima, ainda que indireta, do filho do presidente do SPFC com um agente de jogadores de futebol não tem, em si, nada de ilegal, mas, dependendo das circunstâncias, poderia vir a configurar uma situação de conflito de interesses. Quais são as circunstâncias do caso em questão abordado pelo artigo do Tricolornaweb?

    As perguntas acima tem o objetivo de esclarecer as situações e eliminar qualquer dúvida ou suspeita infundada de possível favorecimento a qualquer empresa ou pessoa física citada na matéria, protegendo os envolvidos.

    Espero que os sócios ou torcedores tenham mais esclarecimentos por parte da diretoria, para dissipar qualquer dúvida.

  2. Pois é, agora eu me lembrei daquele velho adágio: “a mulher de Cesar não basta ser honesta, deve parecer ser honesta”. Aliás, lembro que Cesar é um dos nomes do Presidente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.