Com pior início do século, Ney Franco quer virar o jogo no São Paulo

Em sua primeira entrevista, cinco dias após ser contratado pelo São Paulo, Ney Franco afirmou que poderia ser cobrado por resultados imediatos. Inclusive, que estrear em um clássico (Palmeiras – 1 a 1), era bom. O aproveitamento do treinador, em dez partidas, é de 43%. Neste século, o pior desempenho levando-se em conta o mesmo número de confrontos dos outros 13 (Emerson Leão duas vezes) que passaram pelo Morumbi. Isso em mais de um mês de comando.

Neste sábado, contra a Ponte Preta, às 21h, Ney Franco aposta no Morumbi para dar a volta por cima. Depois de embalar três vitórias seguidas, vem de uma sequência de três tropeços. Apesar de confiar no fator casa, ganhou duas e perdeu outras duas quando mandante.

– Nossa equipe falhou muito. Depois, observando a fala dos atletas, tanto em coletiva como individualmente, vimos que precisamos dividir essas responsabilidades. Se os erros forem cometidos da parte técnica, cabe ao treinador. Se a gente perceber falta de envolvimento, o que não é o caso, temos de atacar esse foco e é o que tentamos fazer no momento. Há cinco rodadas, com duas vitórias seguidas, a fala era de constância. Agora, com três derrotas, tem de ter mudanças. Mudança de postura, com envolvimento no jogo – explicou o treinador, ontem.

– Você tem de achar uma cobrança e ao mesmo tempo não jogar esse grupo para baixo. A cobrança tem de ser feita mostrando como pode ou não atuar, coletiva ou individualmente. É dessa forma que trabalhamos, e mostrando perspectiva, porque nosso elenco tem qualidade. Cobrando, mas mostrando a qualidade que essa equipe tem – completou.

Desde 9 de julho, quando começou a tentar arrumar o São Paulo, Ney busca a melhor formação para o time e sofre com desfalques. Internamente, é muito elogiado e conquistou a comissão técnica, que tem liberdade para trabalhar, o que não acontecia anteriormente. Mas como ele mesmo já disse, só as vitórias vão coroar o que tem sido feito ou mascarar os erros. Neste sábado, contra a Ponte Preta, hora de virar o jogo.

Desempenho dos técnicos

Levir Culpi (2000) – 60% de aproveitamento
Vitória: 6
Empate: 0
Derrota: 4

Vadão (2001) – 56% de aproveitamento
Vitória: 5
Empate: 2
Derrota: 3

Nelsinho Baptista (2001 e 2002) – 70% de aproveitamento
Vitória: 6
Empates: 3
Derrota: 1

Oswaldo de Oliveira (2002 e 2003) – 80% de aproveitamento
Vitória: 7
Empate: 3
Derrota: 1

Roberto Rojas (2003) – 80% de aproveitamento
Vitória: 6
Empate: 4
Derrota: 0

Cuca (2004) – 60% de aproveitamento
Vitória: 8
Empate: 1
Derrota: 1

Emerson Leão (2004 e 2005) – 53% de aproveitamento
Vitória: 4
Empate: 4
Derrota: 2

Paulo Autuori (2005) – 66% de aproveitamento
Vitória: 6
Empate: 2
Derrota: 2

Muricy Ramalho (2004 a 2006) – 66% de aproveitamento
Vitória: 6
Empate: 2
Derrota: 2

Ricardo Gomes (2009 e 2010) – 66% de aproveitamento
Vitória: 6
Empate: 2
Derrota: 2

Sérgio Baresi (2010) – 55% de aproveitamento
Vitória: 4
Empate: 3
Derrota: 3

Paulo Cesar Carpegiani (2010 e 2011) – 56% de aproveitamento
Vitória: 5
Empate: 2
Derrota: 3

Adilson Batista (2011) – 53% de aproveitamento
Vitória: 4
Empate: 4
Derrota: 2

Emerson Leão (2011 e 2012) – 53% de aproveitamento
Vitória: 5
Empate: 1
Derrota: 4

Ney Franco (2012) – 43% de aproveitamento
Vitória: 4
Empate: 1
Derrota: 5


Pontos positivos

Comissão técnica
Diferentemente de Leão, que centralizava as funções, Ney Franco dá total liberdade para a sua comissão técnica trabalhar e delega funções. Com ele, chegaram o auxiliar Éder Bastos e Alexandre Lopes. O restante, permaneceu da antiga gestão.

Reforços
Pouco depois da estreia, Ney Franco passou a contar com Rogério Ceni como seu aliado dentro de campo. Rafael Toloi chegou e Lucas volta ao time amanhã. Falta Luis Fabiano embalar uma sequência.

Respaldo dos chefes
Depois de constantes trocas de comando, a diretoria tem dado total apoio ao novo treinador e não faz críticas ao seu trabalho. A torcida já começa a se manifestar contra, principalmente em redes sociais.

Jogadores
Em entrevistas ou fora dos microfones, os atletas têm elogiado o trabalho de Ney Franco. Gostam do estilo de treinamento e da maneira como ele conversa no dia a dia e explica o que quer dentro de campo.

Pontos negativos

Esquema
Ney começou com o 4-4-2, mas se rendeu ao 3-5-2. Apesar de dizer que não gosta de mudar o estilo de jogo, diante do Náutico fez uma troca aos dez minutos. Casemiro entrou no meio no lugar do zagueiro João Filipe, que estava no trio de defesa.

Desfalques
Desde que chegou, Ney Franco tem sofrido para escalar o time. Seja por cartão ou lesão, sempre tem alguém fora.

Substituições
Até agora, as trocas de Ney Franco não têm surtido efeito. Algumas vezes, por mudar muito cedo. Em outras, por trocar o jogador errado ou colocar alguém fora da posição que pode render mais. Ele já fez algumas improvisações por opção.

Pressão
Ney chegou em meio ao Brasileirão e sabe que precisa, ainda este ano, conquistar um título ou ao menos levar o Tricolor para a Libertadores do ano que vem. No Nacional, está a seis pontos de entrar no G4.

Fonte:Lance

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