Batalha nos bastidores esquenta clima para jogo São Paulo e Atlético-MG

Nos dias que antecederam a partida desta quinta-feira, pelas oitavas de final da Libertadores, Atlético-MG e São Paulo travaram acirrada disputa nos bastidores. O anunciado boicote do alvinegro mineiro, juntamente com outras grandes equipes do Brasil, por causa de um suposto aliciamento de atletas feitos pelo tricolor paulista na base, foi apenas um capítulo dessa história. A luta pela arbitragem do jogo criou novo confronto político.

A escalação de um trio paraguaio para o confronto foi uma das batalhas travadas fora das quatro linhas. O São Paulo, sem se manifestar oficialmente, desejava juiz brasileiro, como normalmente acontece em duelos envolvendo dois times brasileiros pela Libertadores. Já a diretoria atleticana, queria arbitragem de fora do país.

O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, esteve na Conmebol na terça-feira da semana passada, dia 23 de abril. Ele foi à entidade com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, e o seu vice Marco Polo Del Nero. Segundo oBlog do Perrone, a visita irritou a diretoria do São Paulo, que temia uma influência do rival na decisão do árbitro.

O dirigente atleticano enviou para a CBF uma carta, com data de 23 de abril, quando pediu para a Conmebol escalar um árbitro estrangeiro para o duelo da Libertadores. De acordo com o Blog do Perroneà caneta, José Maria Marin acrescentou: “respeitosamente ao presidente da Conmebol” e encaminhou a carta à Confederação.

A Conmebol atendeu o pedido do Atlético, escalando um trio paraguaio. Antonio Arias será o juiz do confronto desta quinta-feira, auxiliado por Carlos Cáceres e Darío Gaona. O fato mostrou força política por parte do time mineiro, que entendeu que um juiz de outro país sofreria menos pressão, além de conseguir enfraquecer a diretoria do São Paulo.

A decisão da Conmebol desagradou o técnico Ney Franco. “A gente sabe que quem escolheu a arbitragem estrangeira foi o Atlético-MG. Nosso pensamento é de quem for vai apitar independentemente da nacionalidade. Não podemos pensar se é equatoriano, colombiano, paraguaio, como vai ser neste caso. O que é certo é que temos nossa proposta de arbitragem brasileira, mas não cabe ficar lamentando. O atlético-MG definiu, mostrou força nos bastidores e escolheu a arbitragem”, comentou o treinador.

Outra batalha aconteceu na última semana, quando o Atlético anunciou que fazia parte do boicote feito por clubes brasileiros ao São Paulo, por acusar o time paulista de aliciar jogadores. O fato gerou troca de farpas entre o diretor são-paulino Adalberto Batista e o gerente da base atleticana André Figueiredo.

Adalberto Batista disse ao UOL Esporte, na última sexta-feira, que André Figueiredo tem ligação com empresários e afirmou que o dirigente atleticano foi até o time paulista pedir emprego para trabalhar na base do clube. “Importante informá-lo que conheço muito bem o que se passa em Cotia, inclusive, que este senhor lá esteve no ano passado para pedir emprego, e que não foi acolhido justamente pela estreita relação que mantém com empresários”, afirmou o dirigente são-paulino.

Por sua vez, André Figueiredo negou, à reportagem, que tenha procurado o tricolor paulista e rebateu as acusações de atender a favores de empresários. “Eu não tenho relação alguma com qualquer empresário de futebol. Isso seria contra os princípios do Atlético. Estou neste cargo há dez anos e você nunca irá ouvir que o André Figueiredo está ligado a um empresário. O presidente Alexandre Kalil é contra esta situação e combate isso na base”, garantiu.

A disputa de bastidores entre os dois rivais já havia registrado um capítulo inicial em 2012. Em julho, a diretoria atleticana acusou o São Paulo de ter tentado aliciar o zagueiro Réver. Segundo os dirigentes mineiros, pessoas ligadas ao clube paulista tentaram convencer o defensor a deixar o clube de Belo Horizonte. A diretoria do Atlético foi ao STJD e fez um protesto formal pela situação, mas nenhuma punição aconteceu e o assunto “morreu”.

Já no começo deste ano, o goleiro Renan Ribeiro, revelado na base do Atlético, cujo contrato se encerra em maio, assinou um pré-vínculo com o São Paulo, respaldado pela legislação. Após conversa com os dirigentes atleticanos, o jovem camisa 30 foi colocado para treinar em separado do restante do elenco, ainda na pré-temporada do time. Desde então, Renan não tem mais contato direto com os companheiros, sempre trabalhando em horário diferente do grupo.

Rivalidade também nas quatro linhas

Em campo, as declarações de jogadores dos dois lados não deixam a disputa menos pesada. Ronaldinho Gaúcho polemizou durante o jogo do dia 17, pela fase de grupos. O atleta afirmou que a partida era um treino para o Atlético, já classificado e com o primeiro lugar geral garantido. “É um grande treino para a próxima fase. Temos de pegar esse jogo para se divertir, jogar com alegria”, disse o astro atleticano, a caminho do vestiário.

Ao final do duelo, o camisa 10 provocou o São Paulo ao afirmar que nas oitavas de final a situação seria diferente, fato que não foi bem recebido pelo adversário. “Agora é outra história, eles sabem que é outra história”, afirmou Ronaldinho Gaúcho, depois daquela partida. Na terça-feira passada, durante entrevista coletiva na Cidade do Galo, o camisa 10 fez coro à mudança de postura do Atlético e afirmou que a partida das oitavas de final tem sido encarada como final para o clube mineiro.

Internamente, o Atlético reconhece que a partida desta quinta-feira ganhou um clima de pressão e de decisão pelos acontecimentos que cercam o jogo. A diretoria não comenta abertamente a situação, mas não esconde a importância da competição para o clube mineiro. O diretor de futebol, Eduardo Maluf, em conversa com a reportagem disse que não daria declarações para não criar polêmicas.

Os jogadores mostram entusiasmo para o duelo. “É um jogo importante, de uma competição importante, então é uma pressão grande, é uma decisão. O São Paulo está encarando o jogo assim e a gente também”, disse Bernard. O atacante Jô acredita em um duelo nervoso. “Faz parte do futebol, declarações daqui, de lá, torna um clássico um pouco mais nervoso, sei que o Ronaldo não falou para menosprezar o São Paulo, que merece respeito, assim como o Oswaldo, então, quem correr mais, tiver mais vontade vai vencer”, disse.

Fonte: Uol

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