Raça, carisma e bom futebol: como Souza conquistou a torcida do Tricolor

Durante a temporada, pouca gente seria capaz de apostar que um dos grandes destaques do São Paulo em 2014 não estaria entre os principais craques do elenco. Mas as ótimas atuações dentro de campo, o estilo aguerrido e carismático e a vontade de defender o Tricolor a qualquer custo fizeram o volante Souza cair nas graças da torcida e se tornar referência do time em 2014.

Carioca, o camisa 5 encontrou na cidade de São Paulo – e no São Paulo – o lugar ideal para viver feliz, crescer profissionalmente e, como ele mesmo define, subir de patamar. A convocação para a Seleção e a presença no time ideal do Brasileirão, segundo a CBF, coroaram o ano que ele considera o melhor da carreira. A chegada do filho Nicolas, em junho, foi a felicidade que faltava.

– Foi o melhor ano da minha carreira. Criei mais maturidade. Vim para o São Paulo, pintou esse desafio e vim nessa incerteza. Mas confiei em mim, sabendo que poderia dar certo, como deu. Tudo que aconteceu de melhor na minha vida foi aqui, tanto no pessoal como profissional. Desde que saí do Rio sempre tive vontade de jogar em São Paulo. Tanto pela estrutura, como pela questão do salário. Tudo gira em torno de São Paulo. Quando pintou a chance, apesar de eu estar bem no Grêmio, não pensei duas vezes. Era a chance que eu tinha de chegar à Seleção. A visibilidade aqui é outra. Dá um outro patamar, posso dizer que subi meu patamar. E isso aconteceu graças ao São Paulo – disse ele.

Souza São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)Souza exibe orgulhoso o escudo do São Paulo, clube no qual brilhou em 2014 (Foto: Marcos Ribolli)

Souza leva vida bastante pacata em São Paulo. Fica a maior parte do tempo em casa com a família. Quando sai, costuma ir ao shopping ou à igreja. Até se arrisca no futevôlei, o que ajuda a matar a saudade do Rio, como no dia em que atendeu à reportagem. Mas toda essa tranquilidade vai embora quando ele veste a camisa do Tricolor. Aí entra em cena um jogador aguerrido, raçudo e que faz o que for preciso para defender o clube. O que, na visão dele, ajudou a conquistar o torcedor.

– Por mais carismático que eu seja, se eu não jogasse bem eles não me apoiariam. Primeiro é pelo futebol, pela garra. Muitas vezes na técnica não ia, mas eu estava correndo, dando carrinho, tentando… Mas fora isso tem a minha imagem, sempre atendi a todos. Sou ativo na rede social, dou atenção aos torcedores, sempre defendi o São Paulo, em entrevistas, na internet. É o acúmulo de tudo, mas principalmente o que faço em campo – analisou.

– O pessoal da assessoria do São Paulo me falou que eu sou o cara que se perde, tem de tirar o microfone da frente. No vestiário também, eu grito, xingo meus companheiros, porque sou movido por isso. Quando a gente perde, vejo que faltou alguma coisa, que não demos nosso melhor, eu já xingo, vou para cima. É o lado bom. Mas tem o lado ruim que também falo o que não deveria. Mas estou aprendendo com isso. É um lado da minha personalidade. Tenho de aprender a lidar com os microfones, para não ter problema como já tive recentemente – ressaltou.

Souza São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)Souza está feliz com a repercussão do seu bom futebol pelo São Paulo nesta temporada (Foto: Marcos Ribolli)

O maior exemplo disso foi após a derrota por 3 a 2 no clássico contra o Corinthians, durante o Brasileirão, quando ele respondeu publicamente ao zagueiro Gil, que havia provocado o atacante Alexandre Pato em uma rede social. Os dois já conversaram sobre o assunto, que rendeu brincadeiras na Seleção e muitos seguidores na internet.

– Quando eu falei defender as causas do São Paulo isso também está incluso, porque eu não conhecia o Gil, não sabia que ele tinha alguma amizade com o Pato. Depois de uma derrota, saí com a cabeça louca por conta dos pênaltis que achei injustos, aí eu chego no ônibus o Kardec me mostra o que o Gil escreveu para o Pato, eu já fiquei irado. Eu não sabia, o Pato disse que nem são amigos. Eu respondi, falei para deixar o cara quieto e dei aquela cutucada falando dos pontos à frente deles – lembrou.

– Aquilo repercutiu bastante. Escrevi sem pensar nas consequências, mas acabou sendo bom para mim também, a torcida viu que não foi de caso pensado. Aconteceu e em quatro horas eu tinha ganhado quase 10 mil seguidores (risos). Foi bom para a minha imagem, mas nada de caso pensado. Mas depois nos conhecemos na Seleção, conversamos, falamos que cada um ficou bem com a sua torcida, o pessoal da Seleção fez a gente se abraçar, mandaram ele falar na minha frente (risos). Foi divertido. Ele é uma excelente pessoa – brincou.

Depois de um ano tão bom, Souza acha que é possível ter um 2015 ainda melhor. Para isso, faz tratamento e treina durante as férias, no Rio de Janeiro. Quer estar inteiro quando começar a temporada. Além dos desafios do São Paulo, ele sabe que terá de fazer muito dentro de campo para superar o especial 2014.

– Ter um ano melhor é difícil, mas não é impossível. Eu indo bem na Libertadores, tem convocação em março. Tenho condições de ir para a Copa América. É muito difícil, mas é possível. Tem como ser melhor, mas se for da mesma forma que esse está bom, porque 2014 foi maravilhoso. Um ano para guardar para sempre. Espero ter melhores, com Copa do Mundo, por exemplo, mas esse ano tem de guardar pois foi muito bom – completou.

Confira o restante da entrevista com o volante do Tricolor:

Como foi para você ser o único jogador do São Paulo na seleção do Brasileirão?
– Sei que poderiam estar outros, como o Ganso, que fez um campeonato muito bom, totalmente diferente do de 2013. Outros também. Mas fiquei muito feliz por isso, por estar no meio de tantos jogadores de nome, com currículos enormes, e ser o único escolhido do time. Mas eu divido isso com eles, porque se não fosse por eles eu não conseguiria. É a mesma coisa que a Seleção, quando eu vi meu nome lá, ser chamado em meio a tantos jogadores de qualidade, foi muito importante.

Tudo o que aconteceu para você em 2014 provou que você fez o certo ao acertar com o São Paulo?
– Sim. Algumas pessoas que jogavam aqui me falavam que a torcida pegava no pé, no começo sempre dá aquele medo de não cair nas graças da torcida. Mas eu cheguei com muita humildade aqui, sempre dei meu máximo e as coisas foram acontecendo, a torcida foi pegando confiança. Se a torcida e o treinador não dão confiança para jogar, às vezes você não rende. Aqui eu tive o Muricy, a torcida e a diretoria, que me deram muita confiança. Foi uma decisão certa, tudo aconteceu bem. Foi muito certo, estou muito feliz aqui, a melhor fase da minha carreira é essa. Projeto um 2015 ainda melhor, tem a Copa América, posso ir para a Seleção. Sempre vou dar o meu melhor para ajudar o São Paulo e crescer.

O assédio sobre você aumentou por parte da torcida?
– Agora sim. Apesar de todos os craques que temos, o torcedor me vê com outros olhos. Depois da convocação falavam que eu estava em outro patamar. Eu não me acho estrela, mas sendo reconhecido pela CBF agora, na seleção do campeonato, acho que subi de nível. A torcida tem me reconhecido nas ruas, me dado parabéns. Não vejo nenhum motivo para eu mudar e em 2015 vou seguir dessa forma.

É possível ser ídolo do São Paulo?
– O que eu vivo hoje, pode ser que amanhã mude. Mas o que vivo aqui é um clube para jogar muitos e muitos anos. Tornar ídolo depende da sorte, do time que tiver, do momento… Foi muita falta de sorte sair da Sul-Americana. A bola não quis entrar. Conta muito isso também. É difícil ser ídolo do São Paulo. É legal passar aqui e te olharem com bons olhos, como as torcidas do Grêmio, do Vasco, do Porto fazem. Você sabe que fez um bom trabalho. Ser ídolo, eu quero sempre. Mas não depende apenas de mim.

A Seleção é algo que mexe com você?
– Vou ser sincero, não mexia tanto antes. Às vezes a gente não acredita em nós mesmos. As pessoas falavam, mas eu não acreditava muito, até pela concorrência na posição. Mas depois que eu fui convocado, que recebi elogios da comissão, vi com outros olhos. A gente quer sempre ser convocado para representar a nossa nação. Hoje passa muito pela minha cabeça isso.

O que você pede para 2015?
– Peço que Deus me ajude a manter esse nível, pois é muito difícil dois anos assim. Mas peço saúde e forças para jogar, porque o resto eu faço. Só peço que guarde a minha parte física, que nada ruim aconteça, para eu poder pensar em títulos e dar títulos para a torcida.

Quais são seus objetivos individuais?
– Ser campeão pelo São Paulo de algum torneio. Depois é disputar uma competição pela seleção brasileira.

 

Fonte: Globo Esporte

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