
O técnico do São Paulo, Rogério Ceni, valorizou a classificação às quartas de final da Copa do Brasil após eliminar o Palmeiras nos pênaltis nesta quinta-feira, no Allianz Parque.
Depois do jogo, o comandante tricolor foi questionado sobre uma declaração de Abel Ferreira, comandante do rival, que citou a sorte como um fator presente no duelo desta quinta. “Tem o fator sorte, e hoje nosso adversário foi feliz”, disse o português, que depois completou afirmando que o adversário foi mais competente nos pênaltis.
– Segunda vez que tenho sorte contra ele, né? No Flamengo, fomos campeões da Recopa contra ele. Foi sorte também – disse Rogério.
O técnico do São Paulo também questionou a opinião, manifestada por Abel, de que o São Paulo esteve perdido nos primeiros 15 minutos.
– Importante reconhecer: o Palmeiras ficou perdido também. É normal. Mas é bom valorizar o trabalho dos outros, assim como a gente valoriza o Palmeiras.
Rogério Ceni colocou a vitória desta quinta-feira como uma das principais que seu elenco já vivenciou.
– Foi uma das grandes vitórias da carreira de muitos (dos meus jogadores). (Jogo) de Copa do Brasil, contra um adversário tradicional. Para alguns, tenho certeza de que foi a maior vitória da carreira deles. O torcedor valoriza muito jogos desse tamanho.
Ceni admitiu que o São Paulo jogou mal os primeiros 20 minutos da partida, quando permitiu que o Palmeiras abrisse 2 a 0, uma vantagem que eliminaria o time já no tempo normal. Mas valorizou a recuperação da equipe ainda dentro da partida.
– Não sei por que, mas acho que é tradicional no Brasil você esperar o adversário te bater. Temos que aprender a jogar igual dentro e fora de casa. Eles tiveram a chance de definir a partida. Futebol é isso, mas aqui é o São Paulo da Floresta, onde a moeda cai de pé. Hoje eliminamos o atual campeão da América, é um mérito.
Classificado para as quartas de final, o São Paulo só conhecerá seu próximo adversário na Copa do Brasil na próxima terça-feira, quando os confrontos serão definidos por sorteio.
Antes, no domingo, enfrenta o Fluminense, em casa, pelo Brasileiro.
Veja outras respostas de Ceni na entrevista:
Sorte ou competência
– Acho que no futebol quando se perde o pessoal fala que tem sorte, quando perde é incompetente. Eu vejo que meu time briga por cada palmo do campo. Naqueles primeiros 13 minutos, o Dudu veio pela esquerda, no aquecimento vi que viria diferente. Sabíamos que tinha mudança pela ausência do Rony. A gente tinha que jogar com sobra porque o Dudu no um contra um é muito bom. A gente deixou o Diego muito no mano a mano. A gente tentou uma sobra do lado do Dudu. Depois do gol a gente continuou jogando, isso foi legal. Os pênaltis eu coloco o emocional. Acho que de se destacar é o time não desistir do jogo. Talvez a maior virtude do dia de hoje. Aqui é sempre difícil. Além da bela equipe, o gramado rápido e é um grande time. Talvez o futebol mais envolvente do Brasil.
A entrada de Nikão
– O Miranda estava com dor na panturrilha, eu ia fazer a substituição antes do pênalti, para colocar uma linha de quatro e culmina com o pênalti. Mas o Miranda precisava sair. O Nikão retém bem a bola, treinou bem essa semana. Para jogos grandes ele consegue acalmar o jogo. É importante para ele ganhar a confiança. Esperamos o retorno dele, deve frieza, bateu bem o pênalti. Pensei nele na hora de colocá-lo por conta do pênalti também.
Renovação de contrato
– Eu fico feliz da continuidade, um clube que gosto de trabalhar, um clube que vivi a vida toda, sei de todas as dificuldades. Não chegaram todos os jogadores que a gente queria, mas fico feliz com o que estão dando para a gente. Gosto de trabalhar com a base. Um clube que tem muitos juros para pagar e cada venda da base paga os juros. Eu trabalhei minha vida toda aqui, gosto de desafios, agradeço o presidente a confiança. É bom para ele também. Eu penso no próximo jogo, estamos em três competições. Acho, sinceramente difícil a gente ter elenco para isso. Acho bem difícil levar o São Paulo a títulos. Mas brigar, pelo jogo de hoje, a gente vai tentar fazer o São Paulo competitivo e voltar a estar lá na frente.
Escolha por Patrick
– Tenho que fazer minha opção pela parte tática. Me parte o coração deixar um jogador fora de uma partida. Eu sei que o Luciano não fica feliz, mas perto da parte tática o Patrick era melhor. Mas o Luciano é um atacante que sobressai. O Palmeiras talvez seja a equipe que o Patrick mais se encaixa. Mas é bom quando partem o coração do treinador. A gente é pago para fazer escolhas. O Luciano foi melhor porque o Dudu jogou do outro lado.