Diretores pivôs do escândalo de camarote no São Paulo, Douglas Schwartzmann e Mara Casares participarão de audiências com a Comissão de Ética do clube e podem ser punidos.
Os dois serão ouvidos na próxima segunda-feira, no estádio Morumbi.
A audiência ocorre semanas depois de vários grupos no Conselho Deliberativo recomendarem a expulsão da dupla de conselheiros do clube. O pedido oficial, no entanto, foi feito pelo presidente da casa, Olten Ayres de Abreu.
A dupla, então, foi alvo de auditorias, interna e externa, para averiguação do caso. Ambas foram instauradas ainda durante o mandato do ex-presidente Julio Casares.
O processo, a partir de agora, segue: o comitê ouvirá Douglas e Mara antes de referendar uma posição. A comissão pode recomendar uma punição ou o arquivamento do caso.
No caso de uma recomendação por punição, a decisão ainda passaria pelo Deliberativo. Conselheiros votariam pela aprovação ou reprovação da medida sugerida.
O quórum pode variar de acordo com a consequência em discussão, indo de maioria simples a dois terços da casa.
A Comissão de Ética do São Paulo é formada por: Antônio Maria Patiño (presidente), José Edgard Galvão, Luiz Augusto Braga, Marcelo Felipe Neli e Milton José Neves Júnior.
Relembre o caso
Schwartzmann e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e diretora feminina, cultural e de eventos, protagonizaram um áudio, revelado pelo ge, no qual falam de uma suposta comercialização ilegal de ingressos de um camarote para o show da cantora Shakira, que ocorreu em fevereiro, no Morumbi. Ambos foram afastados de seus cargos.
O nome do Marcio Carlomagno, considerado internamente o ‘braço direito’ de Casares, indicado pelo mandatário como superintendente geral do clube no CT da Barra Funda e até então principal nome da situação política para a eleição presidencial do clube em 2026, também foi citado no áudio.
Douglas reconhece que a operação foi clandestina, afirma que Carlomagno tinha conhecimento dos fatos e demonstra preocupação com os reflexos internos no clube, incluindo o risco de punições e desgaste político para os envolvidos.
O camarote envolvido é o 3A, localizado no setor leste do estádio e registrado nos sistemas internos como “sala da presidência”.
Mara Casares teria recebido de Carlomagno o direito de uso do camarote 3A do estádio e repassado o espaço para exploração comercial no show de Shakira, em fevereiro. A venda dos ingressos ficou a cargo de Rita de Cássia Adriana Prado, que faturou cerca de R$ 132 mil com entradas de até R$ 2.100.
O caso avançou para a esfera judicial após Adriana acionar uma empresa parceira por suposta apropriação de ingressos sem pagamento. Com o boletim de ocorrência e o processo em andamento, Douglas Schwartzmann e Mara passaram a pressioná-la para retirar a ação.
O escândalo foi o que fomentou o afastamento dos diretores, alvos de auditorias interna e externa, bem como o processo de impeachment que culminou na renúncia Casares à cadeira de presidente. Carlomagno acabou tendo demissão encaminhada dois dias depois de Harry Massis Júnior assumir a presidência do clube.
Fonte: Uol