Douglas Jack nega participação em caso de venda irregular de ingressos

Citado nas reportagens que revelaram um suposto esquema irregular de comercialização de ingressos e camarotes no Estádio do Morumbis, Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do São Paulo, divulgou nesta segunda-feira uma nota pessoal de esclarecimento para se manifestar sobre o caso.

Ele afirmou não ter tido qualquer participação em venda, negociação ou comercialização de ingressos ou camarotes relacionados a eventos realizados no estádio.

“Nunca exerci função ligada à gestão ou locação desses espaços e jamais recebi qualquer valor, benefício ou vantagem relacionada ao SPFC”, afirmou o dirigente.

“Fui procurado apenas após uma situação já existente, com o único objetivo de tentar ajudar a evitar que um problema entre particulares gerasse desgaste indevido ao São Paulo Futebol Clube. Minha atuação foi pontual, pessoal e sem qualquer caráter comercial, sempre com a intenção de preservar a instituição”, acrescentou.

Em meio à repercussão do caso, Douglas Schwartzmann informou que optou por se afastar temporariamente das funções que exercia no clube, com o objetivo de permitir que as apurações transcorram com tranquilidade.

“Tenho a consciência absolutamente tranquila e, se chamado, prestarei todos os esclarecimentos necessários, com total transparência, aguardando a luz da verdade”, completou.

Quem é Mara Casares, ex-esposa de presidente e diretora do São Paulo

O noticiário do São Paulo amanheceu quente nesta segunda-feira. Veio a público a revelação de um esquema ilegal para venda de ingressos em shows no Morumbis, esquema este com participação de Mara Casares, ex-esposa do presidente do São Paulo, Julio Casares.

Além de Mara, que é diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo, estava envolvido no esquema Douglas Schwartzmann, diretor da base, que ainda afirmou em gravação obtida pelo GE, que o superintendente Marcio Carlomagno estava ciente de toda a operação ilegal.

Mas afinal, quem é Mara Casares e qual a importância dela dentro da gestão de seu ex-marido. A Gazeta Esportiva separou alguns fatos sobre a dirigente.

Postulante à presidência e mais
Mara Casares é uma possível futura candidata à presidência do São Paulo. A própria diretora já admitiu que tem aspirações maiores no clube. Porém, com o processo na Justiça e o esquema ilegal tendo se tornado público, esta meta pode ser afetada.

Ela é conselheira e diretora feminina, cultural e eventos do São Paulo. Mara ainda teve 936 votos a favor para o Conselho Deliberativo do Tricolor em 2023, um recorde no clube.

Além disso, ela já foi diretora do futebol feminino e, como é de conhecimento público, é ex-esposa do presidente Julio Casares, com quem tem dois filhos.

Por fim, Mara Casares é advogada e pós-graduada em Recursos Humanos. Foi professora III de Direito e Legislação da rede pública durante muitos anos.

 

Nota do PP: aguarde que depois desta, outras virão. Em breve.

Conselheiros da oposição do São Paulo pedem afastamento de Julio Casares

A crise política no São Paulo segue a todo vapor nesta segunda-feira. Conselheiros deliberativos ligados ao Movimento Salve o Tricolor Paulista, grupo de oposição à atual gestão, divulgaram uma nota oficial pedindo o afastamento cautelar do presidente Julio Casares, além de outros dirigentes, após a revelação de um esquema ilegal de comercialização de ingressos e camarotes no Estádio do Morumbis.

O pedido ocorre após a divulgação de áudios, revelados pelo ge, que apontam a participação de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto do futebol de base, e de Mara Casares, diretora cultural e de eventos e ex-esposa do presidente do clube, em um esquema de exploração irregular de ingressos durante shows realizados no estádio, entre eles o da cantora Shakira, em fevereiro deste ano. Após o vazamento do material, ambos solicitaram licença de seus cargos.

 

Entenda o caso

Na gravação, Douglas Schwartzmann admite que ele, Mara Casares e outras pessoas teriam obtido ganhos financeiros com o esquema. Segundo o conteúdo divulgado, Mara recebeu do superintendente do clube, Marcio Carlomagno, um camarote e passou a comercializar ingressos para o evento. Carlomagno é apontado como um dos principais nomes da atual gestão e figura próxima ao presidente Julio Casares.

O camarote envolvido no caso é o 3A, localizado no setor leste do Morumbis. De acordo com documentos internos do São Paulo, o espaço é identificado como “sala presidência” e fica em frente ao escritório do presidente do clube, fato destacado pela oposição como elemento que dificulta afastar a hipótese de conhecimento prévio da cúpula tricolor sobre o esquema.

Ainda conforme a reportagem, o direito de uso do camarote 3A foi repassado a Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária citada na gravação. Ela ficou responsável pela exploração do espaço e pela venda de ingressos, que teriam gerado um faturamento estimado em R$ 132 mil. O acordo, no entanto, terminou em disputa judicial. Em junho, a empresa de Rita ingressou com ação na Justiça contra a Cassemiro Eventos Ltda., alegando a retirada indevida de um envelope com 60 ingressos do camarote no dia do show. Um boletim de ocorrência também foi registrado.

Nos áudios, Schwartzmann pressiona Rita a retirar a ação judicial e reconhece que o acordo foi feito “fora do padrão”, além de afirmar que o esquema era de conhecimento de Marcio Carlomagno. Em um dos trechos, ele diz que todos os envolvidos sabiam que a prática era indevida.

 

O que afirmam os conselheiros?

Diante desse cenário, os conselheiros do Movimento Salve o Tricolor Paulista afirmam, na nota, que é “praticamente impossível” afastar a hipótese de ciência do presidente Julio Casares sobre os fatos. Por isso, defendem o afastamento cautelar imediato do mandatário, do superintendente Marcio Carlomagno e dos demais envolvidos, incluindo Mara Casares e Douglas Schwartzmann, para garantir uma apuração “plena, independente e imparcial”.

O grupo também informou que atuará junto aos órgãos internos do clube para que todas as medidas formais sejam adotadas, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Foto: Divulgação / @juliocasares_sp

São Paulo se pronuncia 

Em nota oficial, o São Paulo  informou que tomou conhecimento do conteúdo dos áudios por meio da imprensa e que realizará a devida apuração dos fatos. O clube confirmou que Douglas Schwartzmann e Mara Casares solicitaram licença de seus cargos e afirmou que adotará as medidas necessárias após a análise do caso.

“O São Paulo Futebol Clube informa que tomou conhecimento do conteúdo do áudio por meio da imprensa e que realizará a devida apuração dos fatos. Com base nessa análise, o Clube adotará as medidas que se mostrarem necessárias”, disse o clube.

Confira a nota dos conselheiros na íntegra: 

São Paulo, 15 de dezembro de 2025

Na qualidade de conselheiros deliberativos do São Paulo Futebol Clube, tomamos conhecimento, com profunda consternação, da matéria publicada nesta data (15 de dezembro de 2025) pelo portal Globo Esporte, de autoria do jornalista Bruno Guedes.

Os dados divulgados na referida reportagem indicam o envolvimento da Sra. Mara Casares, conselheira deliberativa e diretora feminina, cultural e de eventos; e do Sr. Douglas Schwartzmann, conselheiro deliberativo e diretor adjunto do futebol de base; em esquema manifestamente vexatório de desvio de receitas oriundas da comercialização de ingressos e camarotes do Estádio do Morumbi, por ocasião de show da cantora Shakira. O atual superintendente do Clube, Marcio Carlomagno, também é citado por Douglas Schwartzmann que afirma: “ele será mandado embora, porque foi ele que concedeu camarote para a (Mara)”.

Cumpre destacar que os citados agentes ocupam cargos de elevada relevância na estrutura administrativa do Clube. A Sra. Mara Casares, inclusive, é esposa do atual Presidente da Diretoria, Sr. Julio Casares. É inegável assim que os envolvidos são pessoas próximas, pessoal e profissionalmente, do mandatário máximo do Clube.

Registra-se também que o camarote em questão a conversa gravada está localizado à frente da sala da Presidência do Clube, local físico em que o próprio Presidente Julio Casares e o Sr. Marcio Carlomagno trabalhavam diariamente.

Diante desse contexto, torna-se praticamente impossível afastar a hipótese de ciência por parte do mandatário máximo sobre tais noticiados, circunstância que impõe forma indissociável, o seu afastamento cautelar, em conjunto com seu Superintendente, dos respectivos cargos. É fundamental que a Sra. Mara Casares e o Sr. Douglas Schwartzmann sejam afastados de forma cautelar de suas posições no Conselho Deliberativo.

O objetivo do afastamento cautelar imediato dos envolvidos busca assegurar a plena, independente e imparcial apuração dos responsabilizados. Os membros do Movimento Salve o Tricolor Paulista atuarão com urgência junto aos órgãos oficiais do Clube, observando rigorosamente os trâmites formais, para que todas as medidas cabíveis sejam adotadas e os fatos sejam apurados com a seriedade, a transparência e o rigor que a Instituição e sua torcida exigem, observando o direito ao contraditório e a ampla defesa, em que pese constar do áudio a confissão, in verbis: “Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha.”

Atenciosamente,

Áudio revela esquema de diretores do São Paulo para venda ilegal de camarote: “Todo mundo ganhou”

Um áudio obtido pelo ge revelou esquema de comercialização clandestina de camarote do Morumbis em dias de shows, com envolvimento de Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e atual diretora feminina, cultural e de eventos. Na gravação, Schwartzmann admite que ele e outras pessoas ganharam dinheiro.

Na manhã desta segunda-feira, os dois pediram licença dos seus cargos, e o clube afirmou que “realizará a devida apuração dos fatos. E com base nessa análise, adotará as medidas que se mostrarem necessárias”.

Na conversa, o diretor da base afirma também que Mara Casares recebeu do superintendente Marcio Carlomagno o camarote e comercializou ingressos do show da Shakira, em fevereiro deste ano. Carlomagno é braço direito de Julio Casares e principal nome da situação para eleição de 2026.

O camarote que motivou a gravação e um processo judicial ao qual o ge teve acesso foi o 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório de Julio Casares e é utilizado para reuniões e até entrevistas.

 

Camarote “3A” do Morumbis — Foto: ge

O esquema
O direito ao uso do camarote, segundo o áudio, foi repassado pelos dirigentes a Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária no esquema e a terceira pessoa que aparece na conversa. Era ela a responsável pela exploração do espaço e vendeu ingressos, que chegaram a custar até R$ 2,1 mil cada na apresentação da cantora colombiana. Apenas com o camarote 3A, o faturamento seria de R$ 132 mil.

Adriana, porém, se transformou em um problema para Mara e Douglas nos meses seguintes. No dia 10 de junho, a empresa dela, The Guardians Entretenimento Ltda., entrou com uma ação na 3ª Vara Cível de São Paulo contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda.

No processo, Adriana diz que Carolina pegou de suas mãos sem autorização um envelope com os 60 ingressos do camarote 3A do Morumbis, no dia 13 de fevereiro, data da apresentação de Shakira. Carolina alega que foi enganada, é vítima e que teve prejuízos, além de estar sendo caluniada por Adriana.

De acordo com Adriana, os ingressos tinham sido comprados pela empresa de Carolina por R$ 132 mil, mas apenas R$ 100 mil foram pagos. Por isso, ela alega que não quis entregar o envelope no dia do show, nos corredores do estádio.

Adriana registrou um Boletim de Ocorrência na 34ª Delegacia de Polícia de São Paulo. Com a Justiça envolvida na história, Douglas e Mara passaram a pressioná-la para retirar a ação antes que o caso fosse descoberto.

– Você nunca soube que aquilo era feito de forma clandestina? A palavra é essa. Ou você não sabia? Você sabia ou não? – questionou Douglas Schwartzmann, durante a conversa por telefone com Adriana.

– Nós três sabemos como foi feito. Você não é boba, nem eu nem ninguém. Isso foi feito de forma indevida. De forma não normal. Não é normal. Foi feito um favor. E você está gastando um favor, queimando as pessoas que te ajudaram. O erro seu lá atrás deu um prejuízo, acabou. Não tem recuperação, querida. Não tem. Todo mundo perdeu ali. Agora, você quer prejudicar a Mara e o Marcio? É isso? – reforçou Douglas.
Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo — Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Em outros momentos da ligação, Douglas Schwartzmann admite que Marcio Carlomagno estava ciente de tudo o que acontecia e se preocupa com o que pode acontecer com o superintendente.

– Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.

– E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela (Mara). Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso.

 

Mais adiante, Douglas volta a citar Marcio Carlomagno:

– O Márcio Carlomagno, CEO, me perguntou: “já encerrou o processo? O que nós vamos fazer? Eu vou ter que envolver o nome de todo mundo aqui, vou ter que declarar a verdade”. Acabou de me mandar. Eu falei: “não, fica tranquilo que a Mara está conversando com a Adriana, e ela vai retirar o processo”. Acabei de escrever. Aí você faz o que você quiser, eu não posso fazer mais nada. Eu não tenho como me envolver nisso.

Douglas insiste para que Adriana entenda que o esquema será descoberto por causa do processo contra a empresa de Carolina.

– Eu vou explicar de novo: você comprou ingresso para vender para quem e de onde? Do camarote “X”. Como é que você tinha esse camarote para vender? Porque ela (Carolina) vai falar que comprou do camarote tal, vai mostrar o contrato. É tudo fictício, querida! Você acha que vai ganhar o quê? Aquilo tudo é uma ficção. Você vai foder com a vida da Mara, e o São Paulo vai ter que declarar que aquele camarote não era comercializado, que foi clandestino e que foi feito tudo de forma errada. Você vai perder e ainda vai foder com a vida dela.

Na ligação sobre o processo por causa do camarote do show da Shakira, o diretor adjunto de futebol de base do Tricolor sugere diversas vezes que Adriana ligue para o advogado dela para encerrar a briga judicial. No processo, ela é representada por Karoline Moraes.

– Seu advogado sabe que é tudo clandestino? Quer que eu explique para ele como você obteve esse negócio? Você quer que eu ligue para o seu advogado e explique que você não tinha direito de comercializar aquilo? Porque você sabe que não tinha. Eu, você e a Mara sabemos.

Adriana, então, responde:

– O que eu sei é que vocês me dão um camarote e eu posso passar para algumas empresas, alguns patrocinadores.

 

Em outro momento da ligação, Douglas assume que “ganhou” com o repasse de camarotes. No áudio, porém, apenas o espaço no show da Shakira é discutido entre o trio.

– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
A preocupação principal de Mara Casares é com sua reputação no São Paulo. Ela dá a entender que conhece Adriana há bastante tempo:

– Se você puder fazer esse favor, eu vou agradecer bastante, e a gente dá continuidade na nossa vida da forma que sempre foi, com uma relação de confiança, com respeito, porque foi o que eu fiz a vida toda com você. Não quero mudar esse percurso da nossa amizade que a gente construiu. Eu preciso da sua ajuda. Nunca pedi nada para você, e agora estou precisando muito mesmo da sua ajuda. Isso interfere em uma série de coisas, não é uma coisinha simples.

 

Postulante à presidência nos últimos anos, a diretora admite que tem aspirações maiores e que será prejudicada se o processo chegar a ela. Por enquanto, não houve nenhuma citação aos diretores do Tricolor na Justiça.

– Adriana, posso falar? Vou pedir e já pedi hoje encarecidamente. Retire esse processo, por favor. A única prejudicada serei eu. E mais, serei eu, esse processo dará tanta volta, tanta volta, serão anos e anos, eu estarei fodida e você não vai ter recebido. Essa vagabunda com quem você tratou foi vagabunda, só que o que adianta eu falar que ela foi vagabunda? Que isso e aquilo? Para a gente ter futuro, a gente precisa limpar o presente.

– Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes. E eu vou ser prejudicada. Só isso. Eu falei isso para vocês sempre. Não podemos ter problema. Não podemos ter problema. Eu sempre te falei isso – disse Mara.

A ligação foi gravada antes da sequência de shows no Morumbis de setembro a novembro. Douglas, inclusive, alerta para a possibilidade de a “parceria” deles acabar antes das exibições de Imagine Dragons, Dua Lipa, Linkin Park e Oasis.

– O que eu falei é que nós fizemos um negócio fora do padrão para te ajudar, ajudar a Mara e a mim. É a única verdade desta história. E agora o que você está fazendo? Prejudicando todo mundo. Eu não falei nada, ao contrário. A gente estava tentando resolver, porque tem cinco ou seis shows em novembro, se não me engano, agosto – alertou Douglas.

 

Em uma das tantas tentativas de encerrar o processo, o diretor adjunto de futebol de base do São Paulo alerta para a possibilidade de Mara ser prejudicada e pergunta se é isso que Adriana quer.

– É uma decisão sua, Adriana. É isso que a Mara quer saber. Se você vai foder ela ou se você vai ajudar. Só isso – disse Douglas.

– Não pretendo ferrar ninguém – rebateu Adriana.

– Ela não ouviu de você até agora: “Mara, vai ficar em casa sossegada, vai trabalhar, cuidar da sua vida, que eu vou encerrar o processo”. Se você não consegue responder isso, a gente já entende o que vai acontecer. Não tem meia conversa nisso, não temos que enrolar as pessoas, Adriana.

– Não dá para ficar enrolando, não é assim que a gente trata as coisas. A gente tem que ser direto. Mara, não vou retirar. Mara, vou retirar, sou sua amiga, você me ajudou e não vou te foder. É só isso que você tem que responder para ela ou ser honesta: “não vou retirar, foda-se você” – disse Douglas.

Preocupado com a possibilidade de Mara ser atingida pelos processos, Douglas aconselha a ex-esposa de Julio Casares:

– Mara, vou te dar um conselho, com todo respeito. Se não sair esse processo, você vai ter que testemunhar contra a Adriana. Você vai falar que não teve participação, que você nunca deu nada, que você foi lesada. Que nem sabia disso. Vai ter que ficar do lado da outra lá.

Durante a conversa, Adriana, Mara e Douglas não deixam claro há quanto tempo faziam negócio nem quantos camarotes foram negociados no período.

O que dizem os citados
O São Paulo, em nota enviada à reportagem, confirma que o camarote 3A é de responsabilidade do clube, mas afirma que no dia 13 de fevereiro, data da apresentação de Shakira no Morumbis, ele estava reservado à diretoria feminina, cultural e de eventos, de responsabilidade de Mara Casares.

Veja abaixo:

O camarote 3A é do São Paulo Futebol Clube.

O São Paulo Futebol Clube faz uso comercial e institucional deste espaço. Vale destacar que esse camarote tem visão comprometida a depender da montagem do palco, razão pela qual nem sempre ele é utilizado.

Neste show, o São Paulo Futebol Clube havia destinado o espaço para o uso da diretoria feminina cultural e de eventos, que iria realizar ações de hospitalidade de seus parceiros.

O São Paulo Futebol Clube desconhece o teor e as circunstâncias do áudio controverso. Não tem conhecimento sobre um eventual uso não adequado das dependências de seu camarote. Os ingressos destinados ao espaço foram comprados diretamente pelo usuário do camarote junto à produtora do evento, seguindo o procedimento formal e legítimo exigido para estas ocasiões.

Depois da publicação da reportagem, o São Paulo enviou uma nova nota:

O São Paulo Futebol Clube, como enviado antes da publicação da matéria, desconhecia qualquer áudio e refuta a existência de um esquema ilegal de uso de camarote e venda de ingressos.

Questionada sobre o caso pelo ge, Mara Casares enviou uma declaração na qual confirma que o camarote em questão foi cedido para a intermediária Adriana. A dirigente, porém, nega que tenha se beneficiado financeiramente disso:

A Sra. Adriana Prado se trata de pessoa que há algum tempo estabeleceu parceria comercial com a diretoria feminina cultural e de eventos do SPFC. A recorrência de ações realizadas estreitou a relação entre as partes e abriu possibilidade para a cessão de um camarote pontual para o show da cantora Shakira, em fevereiro.

Em razão da proximidade do evento e ausência do tempo hábil para completa implementação das burocracias internas, eu me fiei na relação de confiança previamente estabelecida e solicitei a permissão para que o camarote fosse utilizado, desde que houvesse a legítima aquisição dos ingressos diretamente com a produtora do evento, o que foi feito diretamente pela sra. Adriana.

Ocorreu que, sem autorização, quebrando a relação de confiança que havia possibilitado a cessão do camarote, a sra. Adriana repassou o uso do camarote para terceira pessoa que representava uma importante marca do mercado. Nesta relação, houve intercorrências que geraram conflitos entre a sra. Adriana e o terceiro.

O São Paulo só tomou conhecimento desse conflito no dia do show, momento em que interveio para mitigar os potenciais prejuízos de terceiros e do público que, potencialmente pudessem ficar sem acesso ao evento.

Algum tempo depois, tomei conhecimento que o conflito desencadeou em ações judiciais entre as duas partes – Adriana e terceiro. Por conta da relação com a sra. Adriana até então, tomei a frente para tentar uma resolução do caso. Minha intenção era evitar que tal conflito pudesse envolver o nome do São Paulo negativamente. Por minha iniciativa, chamei o sr. Douglas, com quem tenho relação pessoal próxima e não tinha envolvimento nenhum neste caso, para me apoiar nesse contato com a sra. Adriana.

Admito, no entanto, que tal conversa entre nós possa ter sido em tom elevado, mas quero deixar claro que nem eu, nem o sr Douglas recebemos quaisquer tipos de vantagens, sejam financeiras ou de favorecimentos de outras naturezas em nenhum momento antes, durante ou depois de todo o desdobramento deste caso.

Citado na gravação, o superintendente Marcio Carlomagno enviou um pronunciamento na manhã desta segunda-feira.

Tomei conhecimento do áudio por meio da reportagem, sendo surpreendido pelo uso do meu nome sem o meu conhecimento e de forma totalmente fora da realidade dos fatos. Refuto a afirmação de que o camarote tenha sido utilizado de forma clandestina. O espaço em questão foi cedido pontualmente ao departamento feminino cultural e de eventos.

Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, processada pela intermediária Adriana, da The Guardians Entretenimento Ltda, disse que sua empresa não tinha conhecimento que o camarote fazia parte de um esquema e não deveria ser comercializado. Ela alega ter sido enganada.

A empresária ainda garantiu ter provas de que cumpriu com o combinado com Adriana e efetuou o pagamento de acordo com o que estava previsto, além de garantir que Adriana não entregou tudo o que havia sido combinado entre elas.

Douglas Schwartzmann e Rita de Cassia Adriana Prado também foram procurados, mas não responderam aos contatos do ge até o fechamento da matéria. O texto será atualizado se eles enviarem alguma resposta.

O que diz o estatuto do São Paulo
O Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo prevê penalidades para sócios do clube que cometerem infrações. As punições possíveis são advertência, suspensão, indenização, perda de mandato, inelegibilidade temporária e eliminação. A gravidade da conduta é o que vai definir a punição.

O item Q do Artigo 10 do Regimento Interno do clube diz que “causar dano à imagem do SPFC, em qualquer condição ou no exercício de qualquer cargo pertencente aos poderes do SPFC” é passível de suspensão de 90 a 270 dias. A penalidade pode aumentar em um terço se o associado ocupar algum dos poderes do Tricolor.

O que diz o Código Penal brasileiro
Advogados consultados pelo ge entendem que o caso se enquadra em estelionato, no Artigo 171 do Código Penal, que fala em “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. A pena é reclusão de um a cinco anos e multa, mas pode ser mais branda em casos de réu primário.

Quem é quem na história
Mara Suely Soares de Melo Casares

Conselheira e Diretora Feminina, Cultural e Eventos;
Teve 936 votos para o Conselho Deliberativo em 2023, um recorde no clube;
Já foi diretora do futebol feminino;
É ex-esposa do presidente Julio Casares, com quem tem dois filhos.
Douglas Eleutério Schwartzmann

Conselheiro e diretor‑adjunto da base do São Paulo;
É sócio-gerente da DDS Consultoria, segundo perfil no Linkedin;
Foi diretor de comunicação do São Paulo em 2014. Ocupou também o cargo de vice-presidente de Marketing e Comunicação em 2015;
Depois, ocupou a função de secretário-geral até pedir afastamento em 2021 diante da investigação do Ministério Público por suposto crime de fraude e lavagem de dinheiro na gestão de Carlos Miguel Aidar, sendo absolvido pela Justiça junto dos outros envolvidos, em 2022.
Marcio Carlomagno

Superintendente geral do São Paulo;
Suplente no Conselho Deliberativo em 2014, na eleição que colocou Carlos Miguel Aidar na presidência, Carlomagno já foi administrador do estádio, diretor de planejamento e desenvolvimento e assessor da presidência nas gestões de Carlos Miguel Aidar, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e Julio Casares.
Nos últimos meses, ganhou mais espaço à mesa com o presidente. Passou a ter voz também no departamento de futebol e venceu uma queda de braço com o ex-diretor de futebol Carlos Belmonte, que entregou o cargo depois da goleada por 6 a 0 para o Fluminense, no Campeonato Brasileiro. Tem participado ativamente do planejamento para a próxima temporada.
Rita de Cassia Adriana Prado (a Adriana na gravação)

Era quem, segundo a gravação obtida pelo ge, recebia de Mara Casares e Douglas Schwartzmann a possibilidade de buscar empresas para explorar camarotes no Morumbis. No processo que ainda corre na Justiça, ela alega que foi furtada e perdeu 60 ingressos do show da Shakira nos corredores do estádio. Foi o que originou a ligação gravada.

Fonte – Globo Esporte

Nota do PP – o que falta ainda para o impeachment do chefe da quadrilha

São Paulo finaliza detalhes do contrato e fica perto de anunciar Danielzinho

O São Paulo está perto de anunciar a contratação do volante Danielzinho, um dos destaques da campanha que levou o Mirassol para a próxima edição da Conmebol Libertadores.

O meio-campista, de 31 anos, deve assinar contrato válido por duas temporadas, até o fim de 2027, com a possibilidade de extensão por mais um ano a partir do cumprimento de metas pré-estabelecidas no acordo. A assinatura deve acontecer nos próximos dias.

 

O Mirassol chegou a apresentar proposta pela renovação de Danielzinho, mas encontrou dificuldades para estender o vínculo com o meio-campista, que está há três temporadas no clube. Ele soma 145 jogos pelo Leão e é o quinto com mais partidas com a camisa amarela e verde.

 

Danielzinho fez 50 partidas na temporada, sem gols marcados. No Brasileirão, entrou em campo em 37 das 38 rodadas. Com Rafael Guanaes, atuava como volante com liberdade para atacar.

Antes do Mirassol, passou por Grêmio Novorizontino, Sampaio Correa, Oeste, Ferroviária, entre outros clubes. Paulista de Andradina, chegou ao profissional pelo Atlético-MG no ano de 2014.

Além de Danielzinho, o São Paulo fez sondagens pelo zagueiro Jemmes, de 25 anos, também do Mirassol. O jogador, porém, está valorizado e tem custo acima do possível para o Tricolor.

Arboleda fica? Zagueiro tem futuro incerto em meio a reformulação

O zagueiro Arboleda tem futuro incerto no São Paulo. Apesar de ter contrato com o Tricolor até o fim de 2027, o defensor equatoriano pode acabar numa lista de jogadores que não vão permanecer em 2026.

Arboleda é visto como uma das lideranças do elenco, mas também recebe um dos maiores salários do clube. A questão financeira pode pesar para que o zagueiro não continue no São Paulo em 2026, apesar de o assunto ainda ser embrionário.

O que aconteceu nos últimos dias foi uma movimentação do estafe do jogador para analisar o mercado e estudar possíveis caminhos para Arboleda em 2026, sem descartar a permanência no Morumbis. O fato de o zagueiro estar no São Paulo há nove anos e não ter intenção de respirar novos ares também pesa.

 

Até agora, o estafe de Arboleda conversou informalmente apenas com o Atlético-MG sobre a possibilidade de transferência do jogador. O papo não avançou.

O São Paulo, por outro lado, iniciou nos últimos dias uma reformulação em seu elenco. O atacante Juan Dinenno já se despediu do clube, enquanto o volante Luiz Gustavo, outro com salário alto, foi avisado que não terá seu contrato renovado para 2026.

m crise financeira, o São Paulo busca no mercado jogadores jovens, com salários mais baixos, e sondou a situação do zagueiro Jemmes, do Mirassol, de 25 anos.

Neste cenário de tentar diminuir os custos do elenco é que a possível saída de Arboleda ganha força para 2026. A reformulação do time ainda está em estágio inicial e terá novos capítulos nos próximos dias.

Allan Barcellos recebe sondagem de time profissional

Em alta no sub-20 do São Paulo, o técnico Allan Barcellos recebeu, na última semana, uma sondagem de um clube paulista para assumir a equipe profissional.

Aos 33 anos e com uma carreira toda construída na base, o gaúcho balançou, mas decidiu que seguirá neste momento o trabalho no Tricolor, que em janeiro lutará pelo bi da Copinha.

Além desta possibilidade, Allan foi procurado pelo diretor da base de outra equipe grande do futebol brasileiro, que chegou a apresentar, na última sexta-feira, uma proposta ao são-paulino. O nome dos dois clubes foi mantido em sigilo, mas a assessoria de imprensa do treinador confirmou as procuras.

Procurado pelo ge, o executivo de futebol de base do São Paulo disse achar natural a valorização:

– Ao final da Copa São Paulo de 2025, o Allan foi chamado para uma renovação de contrato. Dentro do mercado do futebol, sempre que um profissional com a capacidade do Allan vai bem, e ele tem feito isso há muito tempo dentro do clube, surgem sondagens – minimizou Marcos Biasotto, que em 2026 subirá ao departamento profissional.

Allan chegou ao clube em 2022 para comandar a categoria sub-13. No ano sequinte, subiu para a categoria sub-15. O treinador alcançou a categoria sub-17 pouco depois.

No sub-20 desde 2024, venceu uma Copa São Paulo (2025), duas Copas do Brasil (2024 e 2025) e foi duas vezes vice do Paulistão da categoria (2024 e 2025). No período, trabalhou com vários jogadores que passaram pelo profissional, como Lucas Ferreira, Lucca, Maik, entre outros.

O contrato de Allan com o São Paulo é válido até 31 de janeiro de 2027, o que significa que o clube planeja que ele esteja à frente do seu time sub-20 por, ao menos, mais dois ciclos de Copa São Paulo.

Destaque na última temporada, Alan Franco sofre com instabilidade

O zagueiro Alan Franco completou sua terceira temporada pelo São Paulo. Destaque na última temporada, substituindo o zagueiro Beraldo, o argentino fez ótimo primeiro semestre, mas sentiu os efeitos da instabilidade que marcou o ano tricolor.

Em votação realizada pela Gazeta Esportiva, os torcedores do São Paulo haviam classificado o primeiro semestre de Alan Franco como “excelente”. O argentino era uma das maiores referências do elenco, assumindo a titularidade no lado esquerdo da zaga e se tornando peça fundamental no sistema defensivo do Tricolor.

No entanto, após a volta da parada da Copa do Mundo de Clubes, Alan Franco oscilou, assim como todo o elenco do São Paulo. O jogador não conseguiu repetir as atuações dos tempos de Zubeldía, mas ainda manteve a titularidade na equipe de Hernán Crespo.

Números de Alan Franco
Titular em todos os momentos da temporada, Alan Franco foi um dos jogadores mais participativos do sistema defensivo do São Paulo. Em 50 jogos, o argentino venceu 79 duelos, 55 desarmes e 51 interceptações. Em média, o argentino teve 3,7 ações defensivas por jogo. Os números são do Sofascore.

Porém, esse foi o ano com a defesa mais vazada desde que Alan Franco chegou ao São Paulo. Nesta temporada, a equipe sofreu 73 gols em 66 jogos, superando as marcas de 2024 e 2023, quando o time tomou 62 tentos em 68 partidas e 58 bolas na rede em 71 duelos, respectivamente.

Botafogo oficializa propostas por Ferraresi e Pablo Maia

Além de Ferraresi, o Botafogo também tem interesse em Pablo Maia. O clube carioca formalizou duas ofertas ao São Paulo pelos jogadores neste fim de semana. O modelo de negócio que se desenrola entre as partes é uma troca, e o Tricolor respondeu afirmando que quer o lateral-direito Vitinho.

O Botafogo disponibilizou uma lista de jogadores disponíveis para troca, e o São Paulo retornou afirmando que o camisa 2 é um nome de interesse. As partes negociam e dirigentes vão se encontrar essa semana para tentar finalizar o negócio.

Não houve, vale ressaltar, nenhum sinal positivo por parte do clube carioca em liberar Vitinho. Esse é apenas um nome que o São Paulo gosta e pediu na negociação. Conversas seguem.

O interesse do Botafogo no zagueiro é mais antigo, vindo desde o começo da semana. Inicialmente, o clube carioca havia realizado apenas uma proposta de empréstimo com opção de compra, mas este modelo fora recusado. Então, o nome de Pablo Maia surgiu, e o modelo com jogadores fazendo a direção contrária foi colocado à mesa.

O Botafogo colocou uma lista de três a cinco jogadores à disposição para o São Paulo, que retornou com outros pedidos após avaliação do treinador Hernán Crespo. Ainda não há um entendimento total entre as partes.

Debates e conversas sobre quais jogadores do clube carioca podem ir ao Tricolor estão acontecendo há dias. Diversos atletas já foram cogitados tanto de um lado quanto do outro. Para melhor entendimento, a negociação será retomada com dirigentes conversando cara a cara.

Ferraresi tem uma situação mais adiantada se comparado ao volante, que foi colocado nas conversas porque é um atleta que a diretoria do Botafogo gosta. O venezuelano já deu sinal verde a uma possível mudança e se encaixa na realidade financeira do clube carioca.

O clube carioca busca um zagueiro destro e reforços para o meio-campo, enquanto o tricolor tem interesse em aumentar o poder de fogo na parte ofensiva.