Calleri será desfalque, e São Paulo encerra preparação para estreia

Hernán Crespo finalizou neste sábado à tarde, no CT da Barra Funda, a preparação do São Paulo para a estreia no Campeonato Paulista, domingo, contra o Mirassol, às 20h30, no Maião.

Desde a reapresentação, foram nove dias de preparação, entre atividades no CFA de Cotia e treinos na Barra Funda.

Do elenco, seis atletas estão fora da estreia: Luan, Ryan Francisco e André Silva, todos lesionados, o lateral-esquerdo Enzo Díaz, que ainda faz alguns treinos com certa limitação em razão de uma cirurgia de hérnia inguinal, o meia Rodriguinho, que tem acerto com o Red Bull Bragantino, e o atacante Calleri, ainda não relacionado.

Lucas Moura, relacionado para a partida. Ele conviveu com problemas no joelho direito em 2025, mas já não reclama de dores.

Um possível São Paulo para a estreia pode ter Rafael, Ferraresi, Arboleda e Alan Franco; Cédric Soares (Maik), Pablo Maia, Danielzinho, Marcos Antônio e Wendell; Ferreira (Tapia) e Luciano.

Os atletas assistiram um vídeo exibido pela comissão técnica, fizeram o aquecimento e um trabalho físico no gramado. Houve ainda uma atividade com cobranças de bolas paradas e um enfrentamento entre duas equipes em campo reduzido.

Após o treino, a delegação jantou no CT e seguiu viagem para São José do Rio Preto, onde ficará concentrada até a partida com o Mirassol.

São Paulo atropela o Real Soccer pela Copinha com golaço de Paulinho

O São Paulo encerrou a fase de grupos da Copinha 2026 com 100% de aproveitamento. Neste sábado, o Tricolor – mesmo poupando peças importantes – conquistou sua terceira vitória ao derrotar o Real Soccer por 6 a 1, no estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba (SP). Destaque para o golaço de bicicleta de Paulinho, que fechou o placar do confronto.

Situação na tabela
Com o resultado, o São Paulo chegou aos nove pontos no Grupo 19 da Copinha. Além da goleada sobre o Real Soccer, a equipe venceu o Maruinense na estreia por 2 a 0 e repetiu o placar diante do Independente-AP. Já o Real Soccer se despede da competição com apenas um ponto.

Agenda são-paulina
Na próxima fase da Copinha, o São Paulo enfrentará a Portuguesa. A data do confronto será definida pela FPF (Federação Paulista de Futebol).

Resumo do jogo
SÃO PAULO 6 x 1 REAL SOCCER 🟣

Competição: Copinha 2026
Local: Estádio Walter Ribeiro, em Sorocaba (SP)
Data: 10 de janeiro de 2026 (sábado)
Horário: 18h30 (de Brasília)

Gols:

Matheus Menezes, aos 9′ do 1ºT (São Paulo)
Pedro Henrique, aos 25′ do 1ºT (Real Soccer)
Matheus Menezes, aos 31′ do 1ºT (São Paulo)
Renan, aos 26′ do 2ºT (São Paulo)
Felipe, aos 30′ do 2ºT (São Paulo)
Paulinho, aos 38′ do 2ºT (São Paulo)
Paulinho, aos 47′ do 2ºT (São Paulo)

O Jogo

Primeira etapa
O São Paulo começou a partida em alta intensidade e abriu o placar aos 9 minutos do primeiro tempo. Matheus Menezes aproveitou a indecisão da defesa adversária dentro da área, girou com precisão e finalizou firme para marcar. Após a parada técnica, o Real Soccer surpreendeu e empatou com um belo chute de longa distância de Pedro Henrique, colocado no canto.

O empate não abalou o Tricolor, que retomou a vantagem aos 31 minutos. Em jogada pela direita, Matheus Menezes apareceu bem na área e completou de perna direita, sem chances para o goleiro.

Segunda etapa
O São Paulo seguiu com o domínio da partida, mas marcou o terceiro apenas aos 26 minutos da etapa complementar. Renan aproveitou a sobra dentro da área e balançou as redes do adversário. Quatro minutos, o quarto gol são-paulino, com um golaço de falta de Felipe. O quinto veio aos 38 minutos, após um cruzamento da esquerda: Paulinho fechou no segundo pai e completou com a perna direita.

Mas o melhor estava por vir no final, Paulinho – nos acréscimos – marcou um gol de bicicleta e levou os torcedores do São Paulo ao delírio: 6 a 1.

São Paulo tenta a contratação de Kevin Zenón, do Boca Juniors

O São Paulo tenta a contratação do meia Kevin Zenón, de 24 anos, que atuou as duas últimas temporadas pelo Boca Juniors, da Argentina. O nome tem o aval do técnico Hernán Crespo e do departamento de scout do Tricolor.

Nos últimos dias, o clube buscou contato com a diretoria do Boca Juniors e abriu negociações com o representante do atleta, que tem contrato com o clube argentino até o fim de 2028.

A ideia do São Paulo é conseguir a liberação do jogador por empréstimo, com um valor como compensação financeira. O jogador, porém, tem propostas também por empréstimo de alguns clubes europeus, o que torna o negócio mais difícil de acontecer.

Revelado pelo Union Santa Fé, ele chegou ao Boca em 2024. Na primeira temporada, fez seis gols e deu sete assistências em 46 jogos. No ano passado, fez quatro gols em 33 partidas.

Também em 2024, o jogador disputou os Jogos Olímpicos de Paris com a seleção da argentina, participando de quatro partidas.

A contratação de um meia serviria para ocupar a lacuna deixada pela aposentadoria de Oscar e pela venda de Rodriguinho, negociado com o Red Bull Bragantino. O jovem de 21 anos assinará contrato por cinco temporadas com o Braga, por cerca de R$ 18,7 milhões. O clube manterá 30%.

Torcedores protestam contra Casares no clube social e nas arquibancadas

Torcedores do São Paulo realizaram, neste sábado, protestos contra o presidente Julio Casares em dois pontos distintos: em frente ao clube social do Tricolor e nas arquibancadas do Morumbis.

A manifestação ocorre às vésperas da reunião do Conselho Deliberativo que votará o impeachment de Julio Casares, marcada para a próxima sexta-feira, dia 16 de janeiro.

Além do presidente, Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, também foi alvo das críticas da torcida. Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, e Douglas Schwartzmann, ambos ex-diretores do clube afastados de suas funções, também foram citados nos protestos.

Em dezembro, áudios gravados pelo ge revelaram um esquema ilegal de comercialização de ingressos para shows realizados no Morumbi, envolvendo Mara Casares e Douglas Schwartzmann. Após a divulgação do caso, ambos pediram licença de seus cargos.

Durante o protesto, os torcedores estenderam faixas com frases como “Aprovem o impeachment”, “Fora Olten Ayres” e “Olten e Casares juntos contra o São Paulo”, evidenciando o descontentamento da torcida com a atual gestão do clube.

Casares perde apoios às vésperas de votação de impeachment

Em poucos meses, o Conselho Deliberativo do São Paulo foi redesenhado. Antes formado em grande maioria por apoiadores do presidente Julio Casares, hoje o colegiado de 254 conselheiros com direito a voto tem uma nova divisão às vésperas da reunião que vai decidir se o dirigente sofrerá ou não um impeachment, na próxima sexta-feira.

As investigações policiais e do Ministério Público, somadas à revelação de um esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis, foram suficientes para que Casares perdesse boa parte de seu apoio.

Hoje, o Conselho Deliberativo do São Paulo é dividido em sete grupos e alguns conselheiros independentes. Apenas dois deles, que somam cerca de 67 conselheiros, mantêm apoio a Julio Casares. O restante, ou seja, cerca de 187 conselheiros, se manifestou contra o presidente nas últimas semanas.

Até o início de dezembro, a base de apoio a Julio Casares, a coalizão, formava ampla maioria no Conselho Deliberativo do São Paulo com seis grupos. O ge apurou, à época, que 200 dos 255 conselheiros (Mara Casares pediu licença do Conselho depois disso e diminuiu o total para 254) eram apoiadores do presidente: dos grupos Participação, Movimenta São Paulo, Legião, Força São Paulo, Vanguarda e Sempre Tricolor.

A oposição era formada apenas pelo grupo Salve o Tricolor Paulista, que tinha 55 conselheiros.

Pouco mais de um mês depois, o cenário é completamente diferente. Quatro dos seis grupos que formavam a coalizão de apoio a Julio Casares protocolaram, na última quinta-feira, um documento endereçado à presidência do São Paulo comunicando que estavam deixando a base da gestão.

Legião, Vanguarda, Sempre Tricolor e Participação, que era, inclusive, o grupo do próprio presidente, não fazem mais parte, portanto, da coalizão. A estimativa é que eles carreguem cerca de 128 conselheiros. Somados à oposição, formam, hoje, um grupo de 182 conselheiros.

Continuam apoiando Julio Casares dois grupos: o Força São Paulo, que tem cerca de 27 conselheiros, e o Movimenta São Paulo, de cerca de 40 conselheiros. Os dois não deixaram a base de apoio do dirigente e, na próxima sexta-feira, devem votar contra seu impeachment. Eles, em tese, são o suficiente para evitar que o presidente seja tirado do cargo.

Ficou definido nesta semana que serão necessários 191 votos para que Julio Casares sofra impeachment, de acordo com o Artigo 58 do Estatuto Social do São Paulo.

A decisão de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, desagradou a opositores, que haviam protocolado o pedido de destituição baseado num outro artigo que trata do tema, o 112, e que fala em dois terços dos votos para tirar o presidente. Neste caso, seriam necessários “apenas” 170 conselheiros a favor do impeachment.

Num cenário hipotético e praticamente impossível em que todos os 254 conselheiros aptos a votar comparecessem à reunião presencial da próxima sexta-feira no Morumbis e votassem de acordo com a vontade de seu grupo, Julio Casares não sofreria o impeachment.

A destituição do presidente do São Paulo teria, neste cenário, cerca de 182 votos favoráveis, enquanto outros 72 votos seriam contra a saída.

A previsão de opositores e situacionistas, porém, é que diversos conselheiros, por motivos variados, como férias ou condições de saúde, não possam comparecer à reunião. Também por isso, a oposição protocolou um pedido para que o encontro fosse realizado de maneira híbrida, permitindo, assim, voto online. Olten Ayres recusou.

– As votações para afastamento do presidente obviamente versam sobre um tema superdelicado. Que mexe com toda a estrutura do clube, toda a credibilidade do clube, contratos, questões de natureza de publicidade, natureza financeira. Todo o tipo de natureza. Quando se estabelece que o voto deve ser secreto, nós, numa interpretação mais extensiva, acreditamos que o voto deve ser presencial, porque, neste tipo de votação, ela pode gerar um pedido de recontagem, um tipo de contestação de quem está votando, quem não está votando – justificou.

A reunião para discutir o impeachment de Casares, portanto, será realizada na próxima sexta-feira, às 18h30, no Morumbis, com voto secreto e apenas presencialmente.

Rodriguinho fica fora da lista do SP no Paulistão; veja os nomes

O São Paulo inscreveu 25 jogadores na primeira versão da Lista A do Campeonato Paulista, divulgada pela Federação Paulista de Futebol para a primeira rodada do Estadual, que o Tricolor vai estrear contra o Mirassol, domingo, às 20h30, no Maião.

Com são 35 nomes possíveis para a primeira fase do Paulistão, o Tricolor poderá seguir preenchendo a lista até 13 de fevereiro. O próximo a entrar, por exemplo, deverá ser o zagueiro Matheus Doria. Depois desta fase, para as quartas, a lista de 35 pode ter quatro substituições.

Em relação ao elenco, todos os jogadores foram inscritos, exceto Rodriguinho. O meia, que tem venda encaminhada para o Red Bull Bragantino, nem está disponível para o jogo do final de semana.

Além dos nomes da Lista A, o regulamento prevê uma listagem ilimitada na Lista B. Para entrar nela, o jogador tem que ser da base a no mínimo seis meses e ter entre 16 e 21 anos (nascido em 2005). Seis jogadores foram colocados nesta relação, entre eles o lateral Maik e o atacante Lucca.

O atacante Ryan Francisco, ainda em processo de recuperação de lesão, ainda não foi inscrito.

Abaixo, veja a lista do São Paulo:
Goleiros: Rafael, Carlos Coronel e Young
Laterais: Cédric Enzo Díaz e Wendell
Zagueiros: Arboleda, Alan Franco, Sabino, Ferraresi e Rafael Toloi,
Meio-campistas: Alisson, Luan, Bobadilla, Danielzinho, Negrucci, Hugo Leonardo, Marcos Antônio e Pablo Maia
Atacantes: Lucas Moura, Luciano, Calleri, Ferreira, Tapia e André Silva
Lista B (base)
Goleiro: Felipe Preis
Laterais: Maik e Nicolas
Meia: Pedro Ferreira
Atacantes: Lucca e Paulinho

Danielzinho nega influência de Reinaldo em transferência ao São Paulo

Apresentado oficialmente como novo reforço do São Paulo na última quinta-feira, o meio-campista Danielzinho, concedeu sua primeira entrevista coletiva como jogador do clube. Contratado após destaque na campanha histórica do Mirassol no Campeonato Brasileiro de 2025, ele negou influência do ex-companheiro Reinaldo em sua escolha pelo São Paulo.

“Na minha decisão em vir pra cá (São Paulo), não busquei nenhum tipo de informação com o Reinaldo. Foi uma condição muito natural. E o futebol exige essa naturalidade para fazer a transferência de um atleta. Mas é claro que depois que cheguei aqui, algumas informações a gente acaba perguntando. Mas como eu falei, a forma como o clube me recebeu acabou facilitando a busca de informações aqui mesmo. Então não tive tanta busca de informação com o Reinaldo”, afirmou.

 

Apesar de sua trajetória ter início no Mirassol já em 2023, Danielzinho jogou apenas uma temporada ao lado de Reinaldo, já que o lateral esquerdo chegou ao time do interior paulista no início de 2025. Juntos, levaram o Mirassol a uma excelente campanha, que no final foi consagrada com a classificação inédita à fase de grupos da Copa Libertadores.

Uma possível conversa com Reinaldo se daria pela longa passagem dele como jogador do São Paulo. Com a camisa tricolor, ele teve disparadamente seu maior número de jogos por um clube (365), com 31 gols e 44 assistências, além da conquista do Campeonato Paulista em 2021.

São Paulo pode ter Lucas e Calleri juntos novamente após quase um ano

O São Paulo pode ter o retorno de uma dupla importante neste domingo, quando estreia na temporada 2026. Lucas e Calleri, recuperados de suas respectivas lesões, se apresentaram para a pré-temporada tricolor e seguem treinando sem restrições com o restante do grupo, podendo reforçar o time diante do Mirassol.

Neste domingo, o São Paulo visita o Mirassol, em confronto válido pela primeira rodada do Campeonato Paulista. A bola rola pela primeira vez para as equipes em 2026 às 20h30 (de Brasília), no Estádio Campos Maia, em Mirassol.

A última vez que Calleri e Lucas atuaram juntos pelo Tricolor Paulista foi no dia 10 de março de 2025, na derrota para o Palmeiras por 1 a 0 no clássico paulista. Na partida, válida pela semifinal do Estadual, que terminou com a eliminação do São Paulo, a dupla começou entre os 11 iniciais. No entanto, somente o camisa 9 atuou os 90 minutos, enquanto Lucas foi substituído nos minutos finais do jogo.

Lucas em 2025
O atacante esteve à disposição em menos do que a metade dos jogos do São Paulo na última temporada. Ao todo, as lesões tiraram Lucas de 35 dos 66 compromissos do Tricolor.

Pelo clube, ele acumulou 26 partidas no ano, sendo 14 como titular. O camisa sete terminou a temporada com cinco gols e uma assistência.

Calleri em 2025
No dia 16 de abril, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro, Calleri sofreu uma grave lesão diante do Botafogo, no Estádio Nilton Santos. O argentino sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e passou por cirurgia.

Assim, a temporada de Calleri terminou de maneira precoce, com apenas 18 jogos disputados e três gols marcados. Todos estes tentos foram feitos no Paulistão, contra Mirassol, Ponte Preta e Grêmio Novorizontino, este último nas quartas de final da competição.

Crespo enfrenta tabu fora de casa contra o Mirassol

No comando do São Paulo, Hernán Crespo nunca venceu o Mirassol, quando os confrontos aconteceram fora de casa. Neste domingo, às 20h30 (de Brasília), o treinador terá a oportunidade de mudar essa estatística, já que o Tricolor encara o Leão no estádio Campos Maia, pela primeira rodada do Campeonato Paulista.

Até então, Crespo soma uma vitória, um empate e uma derrota diante do Mirassol. O confronto mais recente terminou com revés por 3 a 0, no Maião, em outubro de 2025, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, Alesson, Carlos Eduardo e Reinaldo, ex-São Paulo, anotaram os gols do jogo.

 

Os outros dois confrontos foram em 2021, ambos válidos pelo Campeonato Paulista. O primeiro, na 12ª rodada, terminou com empate por 1 a 1, também no Maião, com Vitor Bueno marcando para os visitantes e Samuel Santos para os donos da casa.

A única vitória de Crespo como treinador do São Paulo contra o Mirassol aconteceu no estádio do Morumbi, e foi uma goleada por 4 a 0, na semifinal. O triunfo levou à decisão contra o Palmeiras, na qual o Tricolor venceu por 2 a 0 e se sagrou campeão paulista pela 22ª vez na história.

São Paulo paga valor milionário a empresa de aliado de Reinaldo Carneiro Bastos

Documento prevê 96 funcionários, mas apenas 43 atuariam na prática —
contrato milionário foi assinado, reajustado e executado pela presidência do
SPFC com empresa controlada por empresário com vínculo societário anterior
com o dirigente mais poderoso do futebol paulista.
Um contrato que ultrapassa R$ 21,5 milhões, firmado para serviços de limpeza
exclusivamente do clube social, expõe um conjunto de indícios graves que
colocam no centro das atenções Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da
Federação Paulista de Futebol (FPF), e a atual presidência do São Paulo Futebol
Clube, responsável direta pela assinatura, execução, reajustes e fiscalização do
ajuste.
O contrato foi celebrado com a Milclean Comércio e Serviços Ltda. e formalizado
pela presidência do SPFC, prevendo pagamentos iniciais de R$ 569.856,20
mensais. Com a aplicação dos reajustes anuais previstos contratualmente, o
custo total supera R$ 21,5 milhões, valor que cresce sobre uma base já
questionada por forte discrepância operacional.
No terceiro ano, o custo mensal atinge cerca de R$ 628 mil, ampliando
exponencialmente o impacto financeiro de um contrato cuja execução real não
guarda proporção com o que foi contratado e pago.
Contrato prevê 96 funcionários. Realidade indica menos da metade
Embora o instrumento contratual imponha a manutenção de até 96 funcionários
fixos, distribuídos em três turnos, documentos internos e informações colhidas
pela reportagem indicam que apenas cerca de 43 colaboradores atuariam
efetivamente na limpeza do clube social.
Na prática, paga-se por 96, trabalha-se com 43.
Especialistas em contratos de facilities classificam o cenário como sinal clássico
de superfaturamento por inflação artificial de mão de obra, mecanismo
recorrente em contratos contínuos para majorar valores sem correspondente
prestação de serviço.
Clube social, sem estádio — e um custo incompatível aprovado pela
presidência
Outro dado agrava o quadro:
O contrato não abrange o estádio, que possui outro prestador de serviços,
limitando a execução exclusivamente ao clube social. Ainda assim, os valores
mensais — que partem de R$ 569 mil e alcançam R$ 628 mil após os reajustes
— permaneceram inalterados, sem qualquer adequação à realidade operacional
observada.
Superfaturamento em prejuízo do clube e quem se beneficia
Os números revelados pela reportagem indicam de forma consistente que o
contrato foi estruturado para inflar artificialmente o custo da limpeza, em prejuízo
direto ao São Paulo Futebol Clube.
Embora o instrumento contratual preveja 96 funcionários, a execução real do
serviço indica que apenas cerca de 43 colaboradores atuariam efetivamente. A
diferença — mais da metade do contingente contratado — não se trata de
variação operacional, mas de excedente permanente, utilizado como base para
majorar o valor mensal do contrato.
Na prática, o clube paga por postos de trabalho que não se materializam na
execução real do serviço, enquanto os valores continuam sendo reajustados ano
após ano, ampliando progressivamente o impacto financeiro. O resultado é um
contrato continuamente superfaturado, sustentado por pagamentos mensais que
não correspondem à realidade da prestação do serviço.
O prejuízo é claro: o São Paulo FC arca com o custo integral, desembolsando
recursos calculados sobre postos de trabalho não materializados. Já o benefício
econômico do superfaturamento se concentra na empresa contratada, a
Milclean, que recebe os valores cheios, independentemente da entrega integral
da mão de obra prevista.
Considerando a diferença entre o quadro contratado e o efetivamente utilizado,
especialistas estimam que milhões de reais podem ter sido pagos sem a
correspondente prestação do serviço ao longo da vigência contratual.
A Milclean esteve por anos sob o controle de Reinaldo Carneiro Bastos. Após
sua saída formal do quadro societário, o controle da empresa passou a
empresário com quem Reinaldo manteve vínculo societário anterior,
preservando a continuidade do negócio dentro do mesmo círculo relacional e
econômico.
Embora não haja parentesco formal entre as partes, o histórico de sociedade
empresarial entre Reinaldo Carneiro Bastos e o atual controlador da Milclean
reforça a existência de relação de proximidade e confiança prévias,
especialmente relevante quando associada a um contrato milionário marcado
por indícios de superfaturamento e execução incompatível com os valores
pagos.
Ainda que Reinaldo não figure formalmente no quadro societário atual, o fluxo
financeiro gerado pelo contrato permanece orbitando o mesmo círculo
econômico, o que reforça a suspeita de benefício indireto e influência continuada,
especialmente diante da ausência de correção do contrato e da manutenção dos
pagamentos inflados.
Em resumo, o clube suporta o prejuízo, a empresa recebe valores majorados e
o benefício econômico permanece concentrado no mesmo círculo relacional e
empresarial ligado ao presidente da FPF.
Empresa de ex-sócio, histórico empresarial comum e risco de captura
contratual
A Milclean não surge neste episódio como um fornecedor comum.
Registros empresariais indicam que Reinaldo Carneiro Bastos e Otávio Alves
Corrêa Filho foram sócios-administradores de outra empresa, a Aerolimp
Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo Ltda., constituída em 2004 e hoje
formalmente baixada.
Esse dado demonstra que a relação entre ambos não é episódica nem distante,
mas remonta a sociedade empresarial anterior, inclusive à consolidação da
Milclean como prestadora de serviços de grande porte.
Após a saída formal de Reinaldo do quadro societário da Milclean, o controle da
empresa permaneceu com ex-sócio histórico, o que afasta a tese de ruptura
efetiva de vínculos e reforça a suspeita de benefício indireto, influência
continuada ou manutenção de controle de fato, sobretudo diante da existência
de contrato milionário com o São Paulo Futebol Clube.
Além disso, segundo registros públicos, documentos imobiliários indicam que
Otávio manteve copropriedade em imóveis em Taubaté (SP) com Cláudia
Bastos, esposa de Reinaldo, e com os filhos do casal, André e Laura,
evidenciando a existência de núcleo patrimonial compartilhado entre ex-sócios e
familiares do presidente da FPF, ainda que sem vínculo de parentesco direto
entre todos os envolvidos.
Para especialistas em compliance e governança, a conjugação de histórico
societário comum, contrato de alto valor, indícios de superfaturamento e
ausência de correção administrativa constitui alerta máximo para risco de
captura da relação contratual, exigindo fiscalização rigorosa e investigação
independente.
Um padrão que se repete
O caso não surge no vácuo. Repete um roteiro já conhecido:
Empresa ligada a ex-sócio histórico de Reinaldo Carneiro Bastos, por meio de
relação societária anterior, contrato vultoso, crescimento patrimonial acelerado e
opacidade incompatível com o volume de recursos envolvidos.
Entre 2009 e 2021, Reinaldo declarou ter elevado sua participação na Milclean
de R$ 330 mil para R$ 15,5 milhões, antes de formalizar sua saída — números
que contrastam frontalmente com a realidade econômica do setor.
Conflito ético grave, quebra de isonomia e captura institucional no futebol
paulista
O caso expõe um conflito ético grave que ultrapassa a esfera contratual e atinge
o coração da governança do futebol paulista: a manutenção de negócios
milionários entre um clube filiado e empresários do círculo relacional e
empresarial do presidente da FPF.
Não se trata de detalhe periférico. Trata-se de incompatibilidade moral e
institucional evidente.
É eticamente aceitável que empresas controladas por empresários do círculo
relacional e empresarial do presidente da FPF mantenham contratos vultosos —
e sob suspeita de superfaturamento — com um clube que ele regula, fiscaliza e
influencia politicamente?
Ainda que se evite, por ora, a afirmação de favorecimento formal, a situação
configura, no mínimo, conflito de interesses estrutural, capaz de comprometer a
isonomia entre os clubes, macular a credibilidade da federação e lançar suspeita
permanente sobre as decisões institucionais.
A FPF não é uma entidade neutra ou simbólica. Ela define regulamentos, escolhe
e pune arbitragem, administra campeonatos, julga infrações disciplinares e
organiza a distribuição de poder político entre os clubes. Nesse contexto, a
neutralidade de seu presidente não é uma virtude — é uma obrigação.
Quando empresários ligados ao círculo relacional e patrimonial do presidente da
FPF auferem receitas milionárias de um clube filiado; por meio de contratos sob
indícios de superfaturamento; sustentados por pagamentos continuados e
fiscalização questionável; o sistema entra em colapso ético.
A pergunta deixa de ser se houve favorecimento comprovado. Passa a ser: como
pode haver isonomia quando o árbitro institucional do campeonato mantém
interesses econômicos cruzados com um dos competidores?
Nos bastidores do futebol paulista, o desconforto é inevitável:
Como os demais clubes aceitam competir em igualdade quando um deles
mantém relações econômicas com o círculo relacional e patrimonial de quem
preside a federação?
Haveria a mesma tolerância administrativa, contratual e institucional se o clube
fosse outro?
A percepção de tratamento diferenciado é compatível com a legitimidade das
decisões da FPF?
Especialistas em governança esportiva são categóricos: em ambientes
regulados, a aparência de conflito é tão destrutiva quanto o conflito em si. Ela
corrói a confiança, deslegitima decisões e naturaliza privilégios, ainda que não
formalizados.
Nesse cenário, a continuidade desses negócios não é apenas questionável — é
institucionalmente inaceitável.
A ausência de afastamento, transparência reforçada ou revisão independente
transforma a federação de ente regulador em parte interessada, ainda que por
benefício indireto, influência política ou captura informal do ambiente decisório.
A questão, portanto, é central para a credibilidade do futebol paulista:
Pode uma federação exigir isonomia se o seu presidente permite que seu círculo
relacional lucre com contratos milionários junto a um clube filiado — ainda mais
sob suspeita de superfaturamento?
Enquanto essa pergunta permanecer sem resposta objetiva, a sombra do conflito
ético continuará contaminando o São Paulo FC, a Federação Paulista de Futebol
e a atuação de Reinaldo Carneiro Bastos, com efeitos que extrapolam um
contrato e atingem a legitimidade de todo o sistema.
Para dirigentes de outros clubes ouvidos reservadamente, a situação cria um
ambiente de desconfiança estrutural, no qual decisões federativas passam a ser
vistas sob a lente do conflito de interesses.
Responsabilização dos dirigentes do SPFC e implicação direta de Reinaldo
Carneiro Bastos
A análise dos fatos também alcança diretamente Reinaldo Carneiro Bastos,
presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), cujo nome não pode ser
dissociado do contrato investigado.
Embora Reinaldo não figure formalmente como signatário do ajuste celebrado
pelo São Paulo Futebol Clube, sua ligação histórica e societária anterior com a
empresa contratada o coloca no centro do fluxo econômico gerado pelo contrato
milionário.
Reinaldo foi sócio e administrador da Milclean por anos, período em que a
empresa apresentou crescimento patrimonial expressivo e atípico. Após sua
saída formal, o controle societário passou para empresário com quem Reinaldo
manteve sociedade anterior, preservando a continuidade do fluxo econômico
associado à empresa.
Esse contexto afasta a tese de mero afastamento formal e reforça a suspeita de
benefício indireto, influência ou manutenção de controle de fato, especialmente
quando se observa que o contrato com o SPFC apresenta superfaturamento em
tese, gera fluxo financeiro contínuo e elevado e é sustentado por atestes
administrativos incompatíveis com a execução real.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, quando um dirigente da entidade
máxima do futebol paulista mantém vínculos patrimoniais com empresa
beneficiária de contrato milionário, a situação exige escrutínio máximo,
sobretudo diante de indícios de pagamento por serviços não integralmente
prestados.
Sob o ponto de vista jurídico, caso se comprove que Reinaldo tinha ciência da
dinâmica contratual, do quadro inflado de funcionários ou do benefício
econômico decorrente, sua conduta pode caracterizar, em tese, participação ou
benefício indireto em eventual esquema de apropriação indevida de recursos do
SPFC, a ser apurado nas esferas civil, administrativa e penal.
Assim, a responsabilização não se limita aos dirigentes que assinaram e
executaram o contrato. Alcança também quem, mesmo fora da formalidade
societária, possa ter se beneficiado ou influenciado a estrutura contratual,
especialmente quando se trata de autoridade máxima do futebol paulista.
Silêncio que aprofunda a crise
A reportagem procurou o São Paulo Futebol Clube, sua presidência, a Milclean
e a Federação Paulista de Futebol. Nenhuma das partes respondeu.
Diante dos valores já corrigidos, da estimativa técnica de sobrepreço, da
discrepância operacional persistente e da cadeia de decisões administrativas
que sustentaram o contrato, o episódio ultrapassa o conceito de mau negócio.
Os fatos narrados indicam que o caso ultrapassa a esfera administrativa e exige
apuração independente pelo Ministério Público, única instância capaz de
esclarecer responsabilidades, fluxos financeiros e eventuais ilícitos.