O que aconteceu com Rigoni? Ele vai de craque a negociável em um ano

O que aconteceu com Emiliano Rigoni, em negociação avançada para trocar o São Paulo pelo Austin FC, dos Estados Unidos? Essa talvez seja a pergunta que o torcedor do Tricolor mais tenha feito nos últimos meses. A resposta, porém, não é fácil de ser encontrada.

Contratado no fim de maio de 2021, Rigoni surgiu no futebol brasileiro como uma grata surpresa. Um pedido de Hernán Crespo, que o acompanhava no Elche, da Espanha, o argentino encantou pelo seu jogo ofensivo, pela habilidade e por ter facilidade em finalizar com as duas pernas.

Os gols começaram a sair e, mesmo em um São Paulo que patinava na temporada, o atacante se destacou e ganhou o carinho e admiração do torcedor. Em 29 jogos sob o comando de Crespo foram 11 gols marcados.

No dia 13 de outubro, Crespo foi demitido, Rogério Ceni contratado, e a vida de Emiliano Rigoni mudou completamente.

Sob o comando do atual treinador, o atacante argentino não perdeu espaço logo de cara e seguiu com chances no time titular em muitas ocasiões. No entanto, nunca mais foi aquele jogador habilidoso e decisivo que havia sido com Crespo.

Para fazer o primeiro gol com Ceni, por exemplo, Rigoni precisou de 17 partidas – nove em 2021 e outras oito em 2022. Depois disso, ele esteve em campo em outras 23 oportunidades e só marcou mais um gol, no dia 19 de março, pelo Paulistão.

O ge conversou com pessoas próximas ao jogador e com quem convive no dia a dia no clube, e o que mais ouviu foi que Emiliano Rigoni perdeu a confiança.

Quando chegou ao São Paulo, o atacante encontrou um ambiente totalmente favorável e familiar. Além da comissão técnica argentina, ele tinha outros companheiros estrangeiros, em especial Martín Benítez, com quem havia jogado no Independiente, da Argentina, e criado um forte laço.

– Falei com Martín antes de vir. Conversei também com o professor Ale Kohan (preparador físico), com quem também trabalhei lá. Me deram ótimas referências do clube, do elenco. Foi muito fácil tomar a decisão, porque aqui tem pessoas que eu conheço e sei como trabalham – disse Rigoni, em seu vídeo de anúncio pelo Tricolor.

O fator “momento” também é um ponto destacado na avaliação sobre a queda de rendimento. Desde que saiu do Independiente, em 2017, Rigoni nunca havia apresentado números surpreendentes por onde passou.

Sua melhor temporada em gols tinha sido em 2017/18, quando marcou seis em 28 partidas pelo Zenit, da Rússia. De lá para cá, nunca mais passou dos três gols em uma temporada.

Pelo São Paulo, o primeiro gol e primeira assistência saíram logo no segundo jogo, em duelo contra o 4 de Julho, pela Copa do Brasil. Nos dez jogos seguintes foram quatro gols e outras três assistências.

O moral elevado colocou Rigoni em um patamar que ele jamais esteve na carreira.

Sempre foi o mesmo
Durante o período em baixa, muitos torcedores questionaram nas redes sociais se Rigoni tinha algum problema interno no São Paulo ou se estava infeliz. Os relatos não vão para esse lado.

Nesses nove meses de Rogério Ceni no comando, o atacante continuou sendo o mesmo durante os treinos e na convivência com companheiros e funcionários, segundo essas pessoas. Praticamente não ouvia reclamações dele e nem sobre ele.

Um exemplo disso foi dado na entrevista coletiva de Rogério Ceni da semana passada, após a classificação para as quartas de final da Copa Sul-Americana.

– Ele é um cara muito bom de lidar no dia a dia, que está sempre feliz e dá zero trabalho. Rigoni é ambidestro, tem boa finalização e todos os fundamentos – disse o treinador.

Tentativa frustrada e o iminente adeus
Mesmo em uma fase pouco animadora, a diretoria e a comissão técnica acreditavam que a qualquer momento aconteceria a reviravolta de Emiliano Rigoni. Durante a temporada, várias vezes se ouviu o termo “é a apenas uma fase” para citar o momento dele.

No entanto, a apatia demonstrada jogo após jogo e longe de decidir qualquer partida, o caminho mais interessante para o clube era buscar uma negociação. E ela veio de forma inesperada e por valores que foram comemorados pela cúpula são-paulina.

Nas última semanas, o Austin, dos EUA, procurou o São Paulo para saber a situação de Rigoni. O Tricolor se mostrou disposto a vendê-lo, com a ressalva de que queria recuperar o valor do investimento. Em 2021, o clube pagou R$ 22,6 milhões pelo jogador.

O Austin, então, apresentou uma proposta de 4 milhões de dólares (cerca de R$ 21,4 milhões na cotação atual) e rapidamente o São Paulo encaminhou o negócio. Ele deve dar adeus nos próximos dias.

2 comentários em “O que aconteceu com Rigoni? Ele vai de craque a negociável em um ano

  1. Pelo que se vê no texto, foi um erro acreditar que aquele Rigoni que fez sucesso inicialmente no São Paulo era um excelente jogador. Pela carreira dele em outros clubes, e pelo atual momento, fica claro que é apenas um jogador mediano para fraco.

  2. É dificil acreditar que aquele Rigoni da era Crespo é o mesmo jogador que atua sob o comando do Rogério. Enfim, são “coisas” do futebol. Ele perdeu o encanto… e creio acomodou-se.

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