Flávio Marques: A Estrutura Organizacional do Futebol do SPFC

Damos sequência aos artigos mensais publicados aqui no Tricolornaweb, sempre na primeira
quarta-feira, este mês apresentando a estrutura organizacional do futebol do SPFC. Elaborei o
estudo abaixo pois vários amigos me perguntavam como funciona efetivamente a estrutura do
futebol do São Paulo. Este texto apresenta a estrutura da melhor forma como pude pesquisar
em fontes da imprensa e no próprio site do São Paulo. Entre os profissionais talvez algumas
relações de subordinação hierárquica não sejam exatamente como apresentadas, mas o quadro
geral é esse. O foco está no futebol profissional, sem aprofundar a estrutura que é oferecida nas
categorias de base.

Presidência: Julio Casares. Quando eleito Casares se comprometeu a dedicar seu tempo
integralmente ao futebol e à administração financeira do clube, as prioridades inquestionáveis
do São Paulo.

CAF – Comitê Avançado do Futebol: com sete componentes anunciados, sendo os ex-atletas
Edmilson, Kaká e Zetti, e os Conselheiros Dorival Decoussau, Eduardo Alfano, Gabriel Abouchar
e Marcelo Pupo Barboza, o CAF será um órgão consultivo, sem poder de decisão, cujo objetivo
será o de auxiliar a diretoria nas decisões relacionadas ao futebol. Além da experiência de três
ídolos do SPFC, os demais componentes do CAF, Conselheiros convocados para o comitê, trazem
conhecimentos sobre medicina, administração e direito entre outros. O CAF é composto por
membros não remunerados.

Diretor Institucional de Futebol: Carlos Belmonte. Conselheiro do Clube, foi Diretor Geral do
Clube Social durante a gestão Leco. Este é um cargo não remunerado, reportando-se
diretamente à Presidência. O próprio Belmonte define o seu papel principal na estrutura como
o de gestor de pessoas, sem um envolvimento direto nas questões técnicas. Belmonte defende
a existência do seu cargo como uma necessidade do clube manter uma visão de longo prazo no
departamento, enquanto os diretores executivos tendem a focar no tempo de duração de seus
contratos, nas palavras do dirigente. Apesar de dizer que não interfere nas questões técnicas,
Belmonte tem, junto com Casares, a palavra final em todas as contratações e dispensas do
Tricolor.

Diretores Institucionais Adjuntos: Aqui temos mais quatro Conselheiros do Clube exercendo
atividades sem remuneração. Davi Lisboa e Francesco Moretto Junior dedicam-se às categorias
de base em Cotia, enquanto Nelson Ferreira e Fernando Bracalle (Chapecó) colaboram na Barra
Funda. A função dos adjuntos é a de ajudar Belmonte nas duas frentes, base e profissional,
mantendo o fluxo de informações, representando a diretoria e auxiliando na solução dos
problemas típicos do dia a dia da Instituição.

Até aqui tivemos o envolvimento de treze pessoas em cargos institucionais, todos não
remunerados com exceção da Presidência.

Na sequência apresentamos os profissionais remunerados que trabalham no departamento. A
primeira linha é dos diretores executivos e do coordenador técnico, todos se reportando
diretamente ao Belmonte.

Diretor Executivo da Base: Marcos Biasotto. Biasotto estava no Athlético-PR, e antes trabalhou
como gestor de futebol de base no Internacional, Grêmio, Flamengo e Palmeiras. Após sua
primeira visita ao CFA (Centro de Formação de Atletas) Laudo Natel, em Cotia, o executivo
declarou: “o São Paulo tem uma estrutura física maravilhosa, uma das maiores do mundo todo,
e temos que usufruir disso para continuar lançando grandes jogadores para o time profissional.
Formar o atleta de forma integral é o que queremos aqui.”

Coordenador Técnico: Muricy Ramalho. Muricy “Aqui é Trabalho” Ramalho é um ídolo formado
nas categorias de base do SPFC desde o “dente de leite”, no final da década de 1960. Campeão
como jogador, iniciou a carreira de técnico como auxiliar de Telê Santana e Carlos Alberto
Parreira no SPFC. Saiu para dirigir equipes menores e ganhar experiência, e após vencer 5
estaduais com diferentes times entre 2001 e 2005, voltou ao Tricolor para liderar a fantástica
campanha do Tricampeonato 2006/2007/2008. Em suas próprias palavras, a função de Muricy
será a de uma ponte entre os jogadores, comissão técnica e diretoria. Muricy exigiu uma cláusula
em seu contrato que o proíbe de assumir a função de técnico. Em entrevista recente Carlos
Belmonte ressaltou ainda a importância de Muricy como responsável pela ligação da base com
o futebol profissional, com o objetivo de melhorar o processo de transição dos atletas
promissores de Cotia para o time principal. Muricy, sem sombra de dúvida, pode executar bem
essas funções e, além disso, avaliar se o trabalho da comissão técnica está sendo bem
executado, independentemente dos resultados. Muricy terá ainda voz na decisão sobre
contratações, avaliando aspectos técnicos dos jogadores, em conjunto com as necessidades e
opções disponíveis no elenco.

Diretor Executivo de Futebol: Rui Costa. Costa iniciou a trajetória como executivo de futebol no
Grêmio, em 2013, e depois passou por Chapecoense, Athlético-PR e Atlético-MG. Ele formou no
mercado uma imagem de executivo hábil em negociações, competente para trabalhar
administrando orçamentos limitados e com histórico de sucesso na promoção de jovens
jogadores como Everton Cebolinha e Pedro Rocha no Grêmio. Rui Costa participou diretamente
junto com Muricy, Belmonte e Casares do processo de seleção que culminou com a contratação
do técnico Hernán Crespo. No processo de contratação de novos jogadores, Rui Costa
participará na avaliação objetiva das indicações, através dos dados levantados pelo
departamento de análise de desempenho, e realizará as negociações com os agentes e outras
entidades esportivas. Recentemente, graças ao bom relacionamento de Rui Costa com
dirigentes do Cerro Porteño do Paraguai, o São Paulo conseguiu emprestar o goleiro Jean, que
não seria aproveitado pelo SPFC nesta temporada, recebendo ainda o valor de R$ 1 milhão pelo
empréstimo.

Assim completamos acima o triunvirato que comandará o futebol do São Paulo, base e
profissional, junto com o Diretor de Futebol Institucional. Na sequência temos os cargos
técnicos, de suporte administrativo e do departamento médico-científico. Focaremos apenas no
futebol profissional.

Quando falamos em futebol de base existem três etapas bem distintas no processo. A captação
é o trabalho de encontrar e trazer para Cotia jovens com potencial para serem jogadores de alto
nível. O desenvolvimento é realizado no CFA Laudo Natel, por meio dos treinamentos e
preparação física e mental para o esporte de alto rendimento. A transição é o momento da
passagem da base para o profissional. Uma transição feita antes do amadurecimento do jogador
pode queimar um atleta que teria futuro promissor, por outro lado, demorar demais para lançar
um jogador também pode ter efeitos negativos. Visando melhorar o processo de transição o
SPFC criou um novo cargo na estrutura, que foi denominado como Assessor Técnico.
Assessor Técnico: Milton Cruz. Outro ex-funcionário com longo tempo de trabalho no São Paulo
que volta para fazer parte da comissão técnica permanente do Tricolor. Cruz vem para auxiliar
Muricy na Coordenação Técnica. A princípio deve estar mais próximo ao diretor da base, Marcos
Biasotto, dedicando boa parte de seu trabalho à observação e seleção de jogadores de Cotia
para participarem de treinamentos com a equipe principal. Poderá também vir a participar da
comissão técnica de Crespo como auxiliar no dia a dia. Na função de observar e selecionar os
jovens de Cotia que treinarão com o time profissional, Milton Cruz assume um papel essencial
na estratégia do Clube de valorizar a base como sua principal fonte de atletas.
A seguir apresentamos a comissão técnica propriamente dita, com o Técnico e seus auxiliares
diretos. Incluindo Crespo, este grupo tem nove pessoas.

Técnico: Hernán Crespo. Crespo, Argentino nascido em 1975 em Florida, subúrbio da província
de Buenos Aires, foi um atacante de excelente qualidade tendo defendido times de expressão
como River Plate, Internazionale, Chelsea e Milan entre outros, além de uma longa história
defendendo a Seleção Argentina. Como treinador, apesar de já ter no currículo uma conquista
internacional – a Copa Sul Americana de 2020 dirigindo o Defensa Y Justícia – Crespo ainda está
em início de carreira. Antes de assumir o comando do Tricolor, Crespo tinha um registro de 85
partidas dirigindo times profissionais de menor investimento como Modena, Banfield e o
próprio Defensa y Justicia, com um aproveitamento global de 41% dos pontos disputados. Junto
com Crespo o São Paulo contratou mais cinco componentes da comissão técnica campeã da Sul
Americana 2020. Identificaremos cada um dos profissionais nos parágrafos à frente.
Auxiliares Técnicos: Equipe composta por três profissionais. Marcos Vizolli, membro da
comissão permanente do SPFC e técnico interino na reta final do último campeonato Brasileiro,
tem a companhia de Juan Branda e Tobias Kohan, que chegaram junto com Crespo.
Preparação Física: Aqui temos mais três profissionais. Alejandro Kohan e Gustavo Satto, da
“comissão Crespo”, juntam-se a Pedro Campos, que já atuava no SPFC.
Preparador de Goleiros: Dois profissionais. Gustavo Nepote (comissão Crespo) e Octávio Ohl
(SPFC) são os responsáveis pela função.

Num time de futebol são essenciais os serviços de medicina do esporte, fisiologia, fisioterapia,
massagistas, nutrição e psicologia. No total temos quinze profissionais nesses setores.
Medicina do Esporte e Fisiologia: Equipe com quatro componentes. O veterano Dr. José Sanchez
tem a companhia do Dr. Tadeu Moreno (médico) e dos fisiologistas Luiz Fernando de Barros e
Renan Dias.

Fisioterapeutas: Cinco profissionais trabalham nesta área. Ricardo Sasaki, Alessandro Pereira,
Carlos Alberto Presinoti, Cilmara Moretti e Bruno Nestlehner compões o time da fisioterapia.
Massagistas: Equipe de quatro profissionais. Ailton Rodrigues, Almir Lima, Marcelo Silva e
Ricardo Correa são os funcionário do setor.
Nutricionista: Larissa Aguiar
Psicóloga: Anahy Couto

Em entrevista recente o Diretor Carlos Belmonte elegeu como sua “obra de cabeceira” o filme
Moneyball (O Homem Que Mudou o Jogo, título nacional). A obra de 2011, estrelada por Brad
Pitt, conta a história de uma equipe de baixo investimento do baseball dos Estados Unidos, que
passou a competir em nível mais alto a partir do momento em que as decisões sobre contratação
e formação de elenco passaram todas a ser tomadas com base em critérios quantitativos de
desempenho (scout) dos atletas avaliados. A partir de critérios objetivos e análises “custo x
benefício”, houve grande evolução no desempenho da equipe sem necessidade de altos
investimentos. Um exemplo muito interessante para o atual momento do São Paulo. Nosso
departamento de Análise de Desempenho tem quatro profissionais em seus quadros.
Analistas de Desempenho: Equipe formada por quatro profissionais – Luis Felipe Batista, Raony
Thadeu, Carlos Vargas e Nicolau Trevisani.

As funções de apoio, como suporte logístico, de materiais, estrutura para jogos e até a assessoria
de imprensa completam esta lista com mais sete pessoas.

Gerente de Futebol: José Carlos dos Santos. Funcionário com bastante tempo de carreira no
SPFC, principal responsável pelas funções de apoio.

Supervisor de Futebol: Michel Gazola. Contratado em Março, Gazola é um gestor de futebol
com passagens por Chapecoense e Cuiabá, e cuidará da área de logística. Michel Gazola foi
indicado por Rui Costa. Os dois trabalharam juntos na Chapecoense entre 2017 e 2019 e
participaram da reconstrução do clube após o acidente com o avião da delegação, em 2016.
Roupeiros: Aqui mais quatro profissionais dividem as atividades do setor – Valdeci Nascimento,
Cícero Feitosa, Cristiano Alkimim e Edson Santos.

Assessor de Imprensa: Felipe Espíndola é o atual titular da posição.

Resumindo, temos no São Paulo Futebol Clube uma estrutura “institucional” formada por treze
pessoas, composta pelo Presidente, três ex-atletas do SPFC e nove Conselheiros atuando como
colaboradores na condução do futebol profissional e de base. Com exceção do Presidente, todos
os demais membros deste grupo não são remunerados para exercer suas funções.
Os profissionais reportam-se ao Diretor Institucional Carlos Belmonte. Sem considerar a
estrutura de Cotia, mas apenas o Diretor da Base (Biasotto) e Milton Cruz, que farão a “ponte”
com a Barra Funda, temos trinta e nove profissionais trabalhando para o time principal do SPFC.
Portanto, entre “institucionais” e “profissionais” temos cinquenta e duas pessoas envolvidas
com o futebol profissional do São Paulo. O atual elenco profissional do Clube é composto por
trinta e nove atletas.

Grande parte de nossos problemas financeiros atuais são devidos às péssimas contratações da
última gestão. Em seus cinco anos no poder Leco investiu R$ 409 milhões em contratações,
sendo que a grande maioria foi de fracassos esportivos e financeiros. Que Rui Costa possa ser o
nosso Billy Beane (o personagem principal de Moneyball), que venha para montar um bom time
com pouco investimento, e começar a mudar o nosso jogo. Que o Muricy assuma o
protagonismo que a torcida espera dele, referente aos temas técnicos, dando ao Crespo o
suporte necessário para que ele possa decolar na carreira de treinador. Que a diretoria
institucional dê o respaldo para que os profissionais desempenhem bem suas funções, sem
interferências indesejadas.

Abaixo um organograma representando as diferentes funções desempenhadas por esses
colaboradores.

5 comentários em “Flávio Marques: A Estrutura Organizacional do Futebol do SPFC

  1. Flávio, em meio à crise grega, pipocou a estória de um hospital público que tinha em sua folha de pagamento nada menos que 45 jardineiros. Todos para tomar conta de meia dúzia de arbustos. Lembrei dela lendo você elencar o staff. É muito cacique pra pouco índio, como se diz.

    Coisa boa foi a contratação do Alex. O São Paulo precisa colocar mais craques para aperfeiçoar a formação dos jovens. Tem um custo, sim, mas que se paga facilmente quando se amplifica o potencial de venda dos atletas. Não sei como não veem isso.

    • Olá André Felipe,

      Quando comecei a pesquisar a estrutura não imaginava que seriam tantos envolvidos.

      Vamos aguardar os resultados. Se falharem não será por falta de recursos humanos.

      Um abraço!

  2. Fica o dia inteiro em Cotia. Fica o dia inteiro na Barra Funda.

    Passa no supermercado e paga a conta com a carteirinha do SPFC.

    É ISSO??????

  3. O futebol mudou muito. No meu entender, é gente demais na estrutura do futebol. Sindo saudade dos bons tempos de Manoel Raymundo Paes de Almeida, de Manoel Poço, de José Douglas Dallora, que então trabalhavam somente com 3 ou 4 diretores adjuntos e, como todos sabem, deixaram um legado positivo no clube.

    • Hoje os compromissos políticos exigem um maior número de colaboradores voluntários, para atender a todos que apoiaram.

      Que nossos dirigentes Institucionais não criem interferências indesejáveis sobre a equipe profissional.

      Um abraço Waldir!

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