Waldir Albieri

FIM DE LINHA PARA O CUEVA…

No futebol, algumas situações são recorrentes e, desde os tempos de antanho, acabam se repetindo. São muitos os exemplos a comprovar essa tese. A cada ano, vemos brotar em nossos clubes, jogadores dotados de boa técnica, verdadeiros candidatos a ídolos. Contudo, muitos deles acabam se perdendo no rumo do sucesso. Chutam para longe a oportunidade que o destino poderia lhes proporcionar. A razão, muitas vezes, é a falta de profissionalismo. São pessoas despreparadas e que, efetivamente, não foram moldadas para assumir essa condição.

É nesse patamar que, creio, podemos enquadrar o Cueva. Um armador inteligente e dotado de um toque de bola refinado. Daqueles poucos meias que, no futebol atual, consegue numa fração de segundo, vislumbrar um companheiro bem situado, e faz com que seu passe se transforme em assistência para o gol. Recentemente, um desses passes do Cueva, proporcionou o gol marcado pelo Diego Souza, no final do jogo contra o Atlético Mineiro. O problema é a sua permanente indolência em campo. É a patente carência de dedicação e de empenho, que remetem à falta de profissionalismo. Um complicador que compromete suas atuações.

Quando da contratação do Cueva, eu me lembro que, pesquisando a respeito dele em periódicos peruanos, li uma matéria que citava sua falta de comprometimento com a profissão. Essa carência, segundo o jornalista, fazia com que ele não permanecesse mais que duas temporadas num mesmo clube. Pois bem, vejo que o teor da matéria era verdadeira profecia. Semana passada, li aqui numa das manchetes: “Rai afirma que Cueva não joga mais pelo Tricolor”. Lastimei, até porque vejo nele um jogador diferenciado, com enorme potencial técnico.

Esse fato acabou me remetendo ao início dos anos 60. Naqueles tempos difíceis, em que os recursos financeiros eram canalizados para a construção do estádio, surgiu no SPFC um meia armador desconhecido, contratado junto à Portuguesa Santista, de nome Gonçalo. Assim como o Cueva, ele era brilhante nas assistências, além de um exímio driblador. Porém, também lhe faltava a ambição indispensável para transformá-lo em ídolo. Vida desregrada e falta de empenho em campo. Da mesma forma que o Cueva, ele não seguiu os padrões de exigência para o bom desempenho da profissão de futebolista.

Apesar da sua inegável condição de craque, o Gonçalo acabou passando pelos estádios sem brilho, sem pompa e sem circunstância. Do São Paulo foi para o Fluminense, passando depois por equipes de pouca expressão. Acabou não deixando rastro e nem saudade. Não fosse pela foto do time que jogou uma das partidas de inauguração do Estádio do Morumbi, onde aparece entre os consagrados Gino Orlando e Canhoteiro, e ninguém mais se lembraria dele com a camisa do Tricolor.

Tudo indica, e eu lamento, que esse também seja o destino do Cueva. Um jogador que tinha tudo para brilhar, para marcar época no Tricolor, deixando seu nome impresso na história do Clube. Porém, é patente, sua comprovada falta de profissionalismo o lançará no entulho da nossa história. Será mais um daqueles que um dia vestiu a camisa do São Paulo Futebol Clube e que não deixou saudade.

 

***Waldir Albieri é leitor assíduo do Tricolornaweb, o primeiro a ser convidado para escrever uma coluna neste sábado.

9 comentários em “Waldir Albieri

  1. Puxa, muito legal a coluna.
    Parabéns pelo texto e a história.
    Peço desculpas por não ter me atentando antes a esse espaço. Talvez porque não tenha por hábito acessar muito a internet aos sábados, quando a coluna é publicada. E depois, nos outros dias, acabo me atentando mais às notícias do dia a dia do São Paulo.
    E que bom que Cueva já se foi. Mais um indolente na história do São Paulo que se vai e não deixará saudades nesse ‘grupo dos gonçalos’ da vida.

  2. Belo texto, só verdades… agora veja, o Nutella tem comprometimento, não cai na noite, não dá “migué”, mas como jogador é uma lástima, parece uma moçoila no campo…

    Poucas vezes se alia o talento, compromisso e identificação de um jogador com um clube, uma pena!!!!

  3. Paulo Pontes parabéns pela escolha e a você Waldir Albieri parabéns pelo texto, objetivo, claro e com conhecimento, assim como seus comentários neste espaço.
    Abraço a ambos.

  4. E’ uma pena que um jogador tao talentoso tenha se perdido pela falta de comprometimento, talvez pelo ego, se achar um Messi peruano,
    falta e muito, principalmente a busca.
    Goncalo, me vem do passado,
    e gostaria que o Carneiro, fosse chamado por Goncalo.
    Nao sabia dessa outra faceta dele, pois o tenho como um bom jogador
    daquelas epocas de vacas magras e nao de pernetas.
    O futebol caiu muito como tudo no paiz governado pelo crime organizado por todos os lados.

  5. Amigo Waldir, agradeço muito sua participação expressiva no Tricolornaweb. Parabéns pelo texto e pela visão sobre Cueva, principalmente nos levando a tempos antigos, quando curtíamos um verdadeiro amor que os jogadores tinham pelo clube.

  6. Excelente texto Waldir Albieri.
    Concordo com a sua opinião e acho triste que ele desperdice seu ralento dessa forma.
    Infelizmente com o histórico de Cueva é pouco provável que o SPFC receba propostas de times de ponta na Europa.
    Temos que torcer para que ele faça uma excelente Copa do Mundo e que possamos vendê-lo o melhor possível.
    Com certeza nossa Diretoria já está buscando um substituto à altura.

  7. A falta de craques na atualidade, causam a supervalorização de alguns jogadores, a falta de reposição no elenco, causa a dependência, e isto também faz subir o ego de muitos. Trabalhei alguns anos na base, com times do sub 09 ao sub 15. Você já percebe claramente quem pode se destacar, ou não, uns pelo futebol, outros pelo comprometimento, mas quando há o casamento das duas coisas, nascem jogadores como o Pedro Geromel, por exemplo, que jogava nesta agremiação em que eu trabalhava, e não havia dúvidas sobre seu sucesso. Cueva é um bom jogador, mas pela falta de comprometimento não vai deixar saudades. Quem já teve Gerson, Pedro Rocha, Pita, Ailton Lira, dentre outros, não pode dizer que Cueva seja um craque.

  8. Parabéns, Waldir. Belo texto, bem escrito.

    Cueva é a quintessencia do jogador mercenário. Quando foi contratado, a diretoria não contava com as vendas do Neres e do L.Araújo, então, fez um contrato de valores mais baixos. Foi nítida a queda de rendimento dele após a contratação definitiva de Jucilei e as chegadas de D.Souza e Jean, já por quantias mais generosas. Ciumeira pura.

    É talentoso, nasceu para o futebol. Mas infelizmente sempre enxergou o Tricolor como pedágio para Europa. Torcerei muito para que se destaque na Copa e nos renda uns bons milhões.

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