A atual administração do São Paulo Futebol Clube, em seus quatro anos de mandato até aqui, foi responsável pela geração de R$ 419 milhões de déficit acumulado. Apenas no ano de 2024 o déficit da Instituição foi de R$ 288 milhões, valor equivalente a 40% da receita total do SPFC no ano.
Em comparação com o exercício 2020, último ano da administração anterior, os gestores do Tricolor vêm fazendo um bom trabalho no crescimento das receitas do Clube. A receita total do ano 2024 foi de R$ 722 milhões, um incremento de 102% em comparação com os R$ 358 milhões arrecadados em 2020. Quando analisamos as despesas, entretanto, vemos que essas cresceram em ritmo ainda mais elevado. A despesa total do SPFC em 2024 atingiu R$ 1,010 bilhão (um bilhão e dez milhões de reais), um incremento de 107% em relação ao gasto em 2020.
Os déficits frequentes, entre 2021 e 2024, se traduziram em um decréscimo de nosso Patrimônio Líquido em R$ 422 milhões, que atingiu em 31/12/2024 o valor negativo em R$ 596 milhões (Passivo a Descoberto).
Para compensar esses déficits, e manter a operação funcionando, o São Paulo recorreu a um aumento de dívidas em diversas frentes, como empréstimos bancários, parcelamentos tributários, antecipação de contratos, postergação de quitação de encargos trabalhistas e direitos de imagem, entre outros. Entre 2021 e 2024 houve um aumento de R$ 393 milhões na dívida líquida, total de obrigações menos o total de direitos do Clube, que alcançou em 31/12/2024 o valor de R$ 968 milhões. A dívida líquida excede, portanto, em 34% a receita total do SPFC em 2024, e apresenta ainda uma elevada concentração (48%) no curto prazo.
O FIDC SPFC, Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios São Paulo Futebol Clube, criado com o objetivo principal de reduzir o endividamento bancário, conseguiu captar em dois meses, novembro e dezembro de 2024, um total de R$ 116 milhões, porém, o endividamento com entidades financeiras e terceiros não se reduziu, mas cresceu R$ 33 milhões no ano, atingindo R$ 259 milhões.
Neste artigo vamos analisar detalhadamente todos os componentes da dívida do São Paulo Futebol Clube, conforme reportado nos demonstrativos financeiros recentemente publicados.
- O Resultado do Exercício e a Variação de Patrimônio Líquido

Em quatro anos de mandato, entre 2021 e 2024, a atual gestão do SPFC gerou um déficit acumulado de R$ 419 milhões, apresentando resultados negativos em três dos quatro exercícios do período. Em 2022, lembremos, o superávit apresentado foi em função das transferências, a valores excepcionais, de Casemiro e Antony na Europa, que turbinaram as receitas do ano em R$ 101 milhões.
Observamos um crescimento importante nas receitas, resultado de novos contratos de patrocínio, valorização de propriedades de marketing e aumentos importantes nas arrecadações de jogos e direitos de transmissão. Esses dados serão analisados em detalhes em artigo que publicarei em breve.
As despesas, entretanto, cresceram em ritmo ainda mais elevado e atingiram o valor de R$ 1,010 bilhão (um bilhão e dez milhões de reais) em 2024. O déficit do exercício 2024, de R$ 288 milhões é o maior já apurado pelo SPFC, e nos deixa em situação financeira bastante frágil.
Com o déficit acumulado entre 2021 e 2024, o Patrimônio Líquido do São Paulo Futebol Clube decresceu R$ 422 milhões no período, e atingiu em 31/12/2024 a marca negativa de (R$ 596 milhões), situação financeira conhecida como “Passivo a Descoberto.

- Endividamento Líquido do SPFC
Por endividamento líquido entendemos o total de obrigações a pagar do Clube, subtraindo o total de direitos a receber. Em 31/12/2024 o endividamento líquido do SPFC chegou a R$ 968 milhões.

No gráfico acima vemos que, em comparação ao fechamento do ano 2020, o aumento da dívida líquida do São Paulo foi de R$ 393 milhões. A parcela de curto prazo (circulante) representa R$ 462 milhões, um incremento de R$ 123 milhões em relação à gestão anterior, e a parcela de longo prazo (não circulante) é de R$ 506 milhões, uma dívida R$ 270 milhões superior à recebida do antecessor.
No relatório de diretoria, que acompanha os demonstrativos financeiros, o próprio Clube destaca a elevada concentração de dívidas de curto prazo (48% do total devido), composta basicamente por dívidas com instituições financeiras, intermediários e entidades desportivas.
- Endividamento Efetivo do SPFC
Adotaremos aqui o mesmo critério que passou a ser utilizado no relatório Convocados 2024, patrocinado pela Galápagos e coordenado por Cesar Grafietti.

Compõem o endividamento efetivo os empréstimos e financiamentos, dívidas com fornecedores, valores a pagar a clubes e agentes, impostos correntes e parcelados, salários, encargos sociais, benefícios, direitos de imagem e os adiantamentos de contratos. Dessa soma são abatidos os valores das disponibilidades de caixa.
Os adiantamentos de contratos, passivos que não serão pagos com dinheiro, mas com exibição, são considerados na dívida efetiva pois eles significam menos dinheiro no futuro.
O que o gráfico acima nos mostra é que, na manhã do dia 01 de janeiro de 2025, o SPFC amanheceu com R$ 972 milhões de obrigações a pagar, sendo que, desses, R$ 484 milhões tinham vencimento ainda dentro do ano calendário 2025.
- A Dívida Estratificada
Apresentamos aqui todos os componentes da dívida do SPFC, agrupados da forma em que os números são apresentados nos demonstrativos oficiais do Clube. Consolidamos o Adiantamento de Contratos com as Disponibilidade de Caixa (redutor da dívida), pois são componentes relacionados.

Nos dois últimos anos observamos um salto considerável dos adiantamentos de contratos. Já abatido o valor disponível em caixa, o Tricolor tinha comprometidos R$ 114 milhões de receitas de exercícios futuros. Neste artigo vamos analisar a fundo cada um desses componentes. A tabela abaixo mostra todas as variações.

A dívida efetiva do São Paulo cresceu 55% em relação ao valor do endividamento recebido como herança da administração anterior, enquanto a variação do IPCA no período considerado foi de 29,4%. Com exceção das dívidas com intermediários, e do valor a pagar em acordos cíveis e trabalhistas, que diminuíram, todas as outras componentes aumentaram bastante. Vejamos cada uma delas.
- Dívidas com Instituições Financeiras e Terceiros

No ano de 2024 o SPFC liquidou seus débitos com terceiros, contratos de mútuo, que representavam R$ 8 milhões no passivo circulante ao final de 2023, sendo que o total da dívida de R$ 259 milhões em 31/12/2024 é referente a Instituições Bancárias (R$ 218 milhões em 2023).
Observamos em 2024 um crescimento de R$ 41 milhões na dívida bancária em relação a 2023, sendo que houve um acréscimo mais significativo nos vencimentos a longo prazo, R$ 59 milhões, enquanto os vencimentos de curto prazo (circulante) foram reduzidos em R$ 18 milhões. Essa mudança de perfil é reflexo da operação feita com o Bradesco quando da estruturação do FIDC.
Vejamos a dívida por instituição bancária, e com o ela evoluiu no ano passado:

Em outubro de 2024 o São Paulo Futebol Clube lançou o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, anunciando o Fundo como uma alternativa para reduzir o endividamento bancário e os custos financeiros que sufocam o Tricolor. O FIDC é uma forma de antecipar valores futuros a receber, provenientes de contratos diversos como patrocínios, direitos de transmissão, contribuições associativas dos associados, entre muitos outros créditos. Pelo instrumento, o Clube cede direitos de recebimento ao Fundo, que transfere ao São Paulo o montante captado com investidores (cotistas do Fundo). Aqui o que aconteceu no período até dezembro.

Da data da primeira captação de recursos, em 04 de novembro, até o dia 31 de dezembro de 2024, o FIDC SPFC teve captação de R$ 115.830 mil (cento e quinze milhões, oitocentos e trinta mil reais em suas cotas SENIOR. Pelo regulamento do Fundo, esse dinheiro deveria ter sido transferido para o São Paulo. Esses dados constam em relatórios mensais da BMF BOVESPA, entidade que fiscaliza a operação dos fundos com essas características, e nos relatórios diários emitidos pela VORTX, administradora do Fundo.
O quadro acima mostra que, apesar da captação de quase R$ 116 milhões do FIDC, não houve redução, mas sim aumento, da dívida com instituições bancárias. A diretoria do SPFC precisa esclarecer para que finalidades estão utilizando esses recursos.
- Obrigações Tributárias

Em 2024 o SPFC aderiu à TDM – Transação de Débitos Municipais, para refinanciar obrigações vencidas relativas ao ISS (Imposto Sobre Serviços). Mesmo com os benefícios obtidos o impacto foi de R$ 46 milhões, que serão pagos em 10 anos. Ainda no ano passado, o Clube parcelou um auto de infração relativo a tributos federais, com valor de R$ 20 milhões, também a serem pagos em 10 anos.
Essa é uma dívida predominantemente de longo prazo, mas que gera custos financeiros para o SPFC, sendo classificada pela diretoria financeira como uma das “dívidas onerosas”, junto com as instituições bancárias e o débito com cotistas sênior do FIDC.
- Intermediários e participação de terceiros em direitos econômicos

Houve uma considerável redução nesse endividamento, que vamos explorar no quadro abaixo. Apesar da grande diminuição no valor, de R$ 132 milhões para R$ 74 milhões, ainda é uma dívida com elevadíssima concentração no curto prazo.
O SPFC paga comissões na venda de seus atletas, mas também na aquisição de direitos e na renovação de contratos. Veja como se dividem os débitos:

O São Paulo deve mais para intermediários que atuaram na aquisição de direitos ou renovação de contratos de atletas (R$ 42 milhões), do que para aqueles que atuaram na venda de direitos (R$ 31 milhões).
Abaixo os detalhes.

No ano de 2024 vemos que alguns dos principais credores do Tricolor tiveram suas dívidas reduzidas de forma muito considerável.
A família de Lucas Beraldo recebeu os R$ 13,5 milhões a que tinha direito por sua transferência para o PSG, a FFP Agency, intermediário que atuou na transferência de Beraldo, teve amortizados R$ 9 milhões de seu saldo a receber (de R$ 10,2 milhões para R$ 1,2 milhões), enquanto o XV de Piracicaba recebeu R$ 4,5 milhões de seus direitos de R$ 16,1 milhões nessa negociação.
A empresa Bertolucci Assessoria teve uma redução de saldo a receber de R$ 29,7 milhões para R$ 10,0 milhões, uma amortização de R$ 19,7 milhões, e a Link Assessoria teve amortização de R$ 8,0 milhões, com saldo caindo de R$ 14,1 milhões para R$ 6,1 milhões no exercício 2024. A B&C, agência que pertence a Carlos Leite, teve saldo amortizado em R$ 5,1 milhões e agora só tem a receber R$ 1,2 milhão do SPFC.
A soma das operações de amortização acima citadas praticamente explica a variação total do saldo dessa conta no exercício 2024.
- Acordos Trabalhistas e Cíveis
Houve redução de R$ 16 milhões no saldo de acordos trabalhistas e cíveis, que fechou 2024 em R$ 56 milhões, mostrando que o Tricolor vem cumprindo com os acordos, e sentenças, aqui classificados. O maior credor nesta conta ainda é a CET-SP, com R$ 25,4 milhões a receber, mas há outras dívidas significativas. O São Paulo ainda deve R$ 9,7 milhões referentes à rescisão de Daniel Alves, R$ 1,5 milhões para Rogério Ceni, R$ 4,7 milhões para Dorival Junior e R$ 2,5 milhões para Richarlyson Felisbino, entre outros débitos.
- Obrigações Trabalhistas e Direitos de Imagem
Esta conta inclui todas as obrigações trabalhistas, de todos os funcionários do SPFC, incluindo atletas e comissão técnica do futebol profissional.
O aumento de R$ 4 milhões nas obrigações trabalhistas, em relação a 2023, é explicado em grande parte por um aumento dos “encargos trabalhistas a recolher” (vide dados abaixo). Esse é um indicador de que o SPFC pode estar atrasando esses recolhimentos obrigatórios. É preciso atenção da gestão para não perder os prazos.
No detalhamento dos Direitos de Imagem a Pagar vemos que o SPFC deve R$ 22 milhões em “luvas e metas atingidas”, mesmo em um ano em que o desempenho esportivo esteve abaixo das metas nas Copas e no Estadual.
O valor em separado, de aproximadamente R$ 20,4 milhões, descrito como dívida com contratos rescindidos/finalizados”, embora não esteja especificado, muito provavelmente se refere, ao menos em grande parte, ao custo da rescisão de James Rodriguez. James passou um ano no Tricolor, teve desempenho esportivo fraquíssimo, recebeu altos salários e deixa o clube ainda com um bom valor a receber. Essas más contratações são a principal fonte de déficits para o São Paulo.
- Entidades Esportivas
Aqui observamos um aumento de R$ 33 milhões no saldo a pagar no ano 2024. O aumento de R$ 38 milhões nas obrigações de curto prazo (circulante), somando R$ 81 milhões a serem pagos em 2025, é bastante preocupante. Em 2021, no primeiro ano da atual gestão, essa dívida era de R$ 66 milhões, e o SPFC recebeu várias ameaças de “transfer ban” e ações na FIFA. Os principais credores aqui são:
ENTIDADE VALOR ATLETA
Montevideo City Torque R$ 20,8 milhões Ferraresi
Major League Soccer R$ 8,7 milhões Alan Franco
Fluminense R$ 8,4 milhões Michel Araujo
Grêmio R$ 8,0 milhões Ferreirinha
Aldemir Ferreira R$ 6,5 milhões Ferreirinha
Deportivo Maldonado R$ 7,5 milhões Calleri
Gabriel Neves Perdomo R$ 7,5 milhões Gabriel Neves
Jhegson Sebastian Mendez R$ 7,2 milhões Jhegson Mendez
Cerro Porteño R$ 5,8 milhões Bobadilla
Atlético Mineiro R$ 2,1 milhões Rafael
C. A. Belgrano R$ 1,8 milhões Santiago Longo
Elche FC R$ 1,3 milhões Rigoni
New Castle R$ 1,0 milhão Jamal Lewis
Existem ainda R$ 4,6 milhões em obrigações com outros credores, em valores menos significativos. É importante deixar claro que os valores acima representam o montante que o Tricolor ainda devia aos clubes de origem no final do ano 2024, e não o valor total de contratação de determinado atleta.
Observamos que, somados, o São Paulo deve ainda R$ 10 milhões pelas contratações de Jamal Lewis, Santiago Longo e Jhegson Mendez, jogadores que pouco fizeram em campo com a camisa Tricolor.
- Fornecedores
Este grupo é composto tipicamente por despesas de consumo e pagamento a curto prazo. Houve uma elevação muito significativa nessa conta já no fechamento de 2023, saldo que permaneceu elevado no encerramento do exercício 2024.
A diretoria não publicou notas explicativas detalhando a composição e variações observadas nesta conta.
- Adiantamento de Contratos e Caixa Disponível
Em 31/12/2024 o São Paulo registrava em seus livros um total de R$ 138 milhões em adiantamento de contratos. Esse valor representa um salto de R$ 64 milhões em relação aos adiantamentos contabilizados ao final de 2023.
Os adiantamentos de contratos eram compostos por R$ 89 milhões referentes a contratos de transmissão, R$ 35 milhões provenientes de contratos de publicidade e patrocínio e R$ 14 milhões de contratos de locação e cessão de espaço. Dos R$ 138 milhões, uma parcela de R$ 49 milhões foi antecipada do ano 2025, enquanto R$ 89 milhões impactarão os exercícios de 2026 e futuros.
O valor em caixa na virada do ano, R$ 24 milhões, representava uma melhora em relação ao fechamento anterior, R$ 3 milhões em 2023, mas ainda se mostrava muito baixo frente à média de despesas do SPFC no ano.
- Despesas Financeiras
Neste texto estamos abordando as componentes do endividamento, porém, a nossa preocupação com a dívida está relacionada com o impacto dessa dívida na associação, que se reflete por meio das despesas financeiras do período. Abaixo a variação desse custo ao longo dos anos.
O elevado endividamento da Instituição, em um ambiente de altas taxas de juros e intensa variação cambial, resultou em um alto valor de despesas financeiras do período. As despesas financeiras do ano 2024, de R$ 97 milhões, podem ser comparadas com os R$ 110 milhões gastos em direitos de imagem dos atletas do time de futebol, e com os R$ 111 milhões investidos na contratação de atletas no ano passado.
Teríamos quase R$ 50 milhões a mais para investir na contratação de atletas, ou na manutenção de uma equipe competitiva, se conseguíssemos reduzir à metade as nossas despesas financeiras.
- O custo do FIDC
O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios São Paulo Futebol Clube, FIDC SPFC, foi criado em outubro de 2024 com o objetivo principal de reduzir o custo financeiro de captação de recursos do Tricolor. Trata-se de uma operação complexa, que tem custos de captação, administração, remuneração atrativa para cotistas, auditoria, entre outras despesas associadas. No relatório da administração, no demonstrativo de resultados e nas notas explicativas o São Paulo Futebol Clube apresenta o resultado em participação no FIDC como um valor negativo de (R$ 8.909) mil, isto é, em dois meses de operação o custo “financeiro” para o SPFC foi de quase R$ 9 milhões. No quadro abaixo detalho esse valor.
Se somarmos esse valor às despesas financeiras “tradicionais”, juros bancários, variação cambial e outros, o custo total financeiro para o SPFC em 2024 foi de R$ 102 milhões.
- Conclusão
A atual administração do São Paulo Futebol Clube foca todos os seus esforços na geração e aumento de receitas para o Clube, tema que será abordado em artigo específico, mas subestima os impactos negativos de um endividamento excessivo.
Os R$ 102 milhões dispendidos em despesas financeiras em 2024, somando-se as tradicionais e as do FIDC, e a pressão dos vencimentos de curto prazo sobre o fluxo de caixa da Instituição, impactam negativamente a administração e reduzem muito a capacidade de investimento no time de futebol.
A redução do endividamento, por meio de geração de superávits na operação, é uma condição necessária para que o São Paulo Futebol Clube possa voltar a investir de maneira sustentável em seu time de futebol, e se manter vencedor pelas próximas gerações, como vem sendo desde a fundação. Para isso, é necessário mudar as práticas de gestão que estão sendo aplicadas por esta administração.
A continuarem as práticas de aumentos excessivos nas despesas, geração de déficit e aumento do endividamento, não teremos nada a comemorar quando chegarmos ao centenário.