Hernán Crespo completou 14 jogos em sua segunda passagem como treinador
do São Paulo Futebol Clube, ainda em clima de lua de mel com a torcida. Do
primeiro jogo sob seu comando, em 12 de julho passado, até a partida mais
recente, no sábado 30 de agosto, o Tricolor disputou 14 partidas em 49 dias,
média de um jogo a cada 3,5 dias, uma verdadeira maratona.
Com Crespo à frente, o SPFC apresentou uma expressiva recuperação no
Campeonato Brasileiro, conquistando 20 pontos em 30 disputados (6V, 2E,
2D), com 66% de aproveitamento. Nas Copas, se por um lado foi eliminado da
Copa do Brasil, pelo Athlético Paranaense na disputa de pênaltis, por outro
lado garantiu a vaga nas quartas de final da Libertadores, também nos pênaltis,
batendo o Atlético Nacional da Colômbia. No total parcial até esta data, foram 7
vitórias, 4 empates e 3 derrotas, um aproveitamento de 60% dos pontos
disputados. A sensação da torcida é que o time vem jogando bem, de forma
mais organizada, com futebol mais vistoso.
Mas, como foi o início dos outros treinadores efetivos contratados na gestão
Casares e Belmonte? Qual o impacto da troca de treinador nos resultados
obtidos? Como o grupo de jogadores reagiu aos novos técnicos que chegaram
ao Morumbi? Vejamos o quadro abaixo:

Comparamos acima o aproveitamento percentual de cada um dos treinadores
contratados pelo SPFC desde 2021, considerando na barra vermelha o
acumulado dos 14 primeiros jogos, e na barra preta a campanha total de cada
técnico.
Crespo em sua segunda passagem (Crespo II), com 60% de aproveitamento,
teve uma arrancada melhor do que as de Rogério Ceni (43%) e Carpini (57%).
Ficou abaixo, entretanto, de Dorival e do substituído Zubeldía, ambos com
67%, e bem distante do que havia obtido em sua primeira passagem (Crespo
I), 79%.
Quando vemos a campanha total de cada técnico observamos que, com
exceção de Carpini (50%), todos estiveram na faixa de aproveitamento de 54%
a 55%. Nos 347 jogos do São Paulo sob a atual direção, o time conquistou 563
pontos, com aproveitamento geral de 54%. Vamos entender como o
desempenho acumulado de cada treinador variou ao longo dos jogos em que
esteve no comando:

Crespo I, Dorival, Carpini e Zubeldía estrearam com vitória, Rogério com um
empate, e Crespo II foi o único que perdeu em seu primeiro jogo. Com exceção
de Rogério, todos atingiram o seu pico de desempenho até o décimo jogo, e
passaram a ter aproveitamento declinante, se aproximando do limite de suas
campanhas a partir da trigésima partida. Rogério começou de forma mais
modesta, foi melhorando ao longo do tempo, e chegou ao seu máximo
aproveitamento (62%) em seu jogo de número 45, iniciando então o declínio de
desempenho. Rogério teve a seu favor a idolatria de grande parte da torcida.
Se fosse outro treinador qualquer talvez não tivesse chegado aos 30 jogos no
comando do SPFC.
O terceiro gráfico mostra, de forma didática, que os picos obtidos nas semanas
iniciais de trabalho dos “novos técnicos” têm pouca influência no desempenho
geral de longo prazo do time.

A zona cinza mostra o desempenho acumulado do SPFC em todas as partidas
acumuladas entre 01/01/2021 e 30/08/2025, e a linha laranja o desempenho
acumulado de cada período de comando de diferentes treinadores. Milton Cruz
não aparece pois comandou a equipe em um único jogo, entre Carpini e
Zubeldía.
Para ser Campeão Brasileiro um time precisa manter ao longo de oito meses
um desempenho percentual na casa de 66% dos pontos disputados. Entre os
nossos técnicos analisados, Zubeldía foi o que manteve durante mais tempo
um alto nível de desempenho, tendo acumulado 67% dos pontos em seus 31
primeiros jogos disputados, no período de 4 meses. Todos os demais iniciaram
a decadência antes.
Conclusão
O time pode se beneficiar de efeitos de curto prazo, relacionados à motivação
de ter um novo treinador, mudança que impacta entre dez e vinte jogos a partir
da estreia do “novo técnico”.
No longo prazo, entretanto, se pensarmos em campanhas acima de cinquenta
jogos, o que prevalece são as questões estruturais do Clube, como elenco,
folha salarial, condições de trabalho, em resumo a gestão dos recursos
disponíveis.
Toda troca de treinador tem um custo, seja de multa rescisória, encargos
trabalhistas, luvas contratuais do substituto. O que vemos no gráfico acima é
que, no longo prazo, esse custo extra não traz nenhum benefício esportivo
significativo.
O São Paulo na atual administração tem um desempenho acumulado de 54,1%
dos pontos disputados (conquistou 563 pontos em 347 jogos), e em nenhum
dos anos da gestão alcançou desempenho superior a 56%, independente de
quem estivesse à frente da comissão técnica. Para efeito de comparação, o
SPFC de Leco apresentou em 2020 um aproveitamento de 59% dos pontos
disputados no ano.
Sacrificar o treinador é, portanto, uma forma de isentar os verdadeiros
responsáveis pelas seguidas más campanhas que observamos no São Paulo
de Casares e Belmonte, os dirigentes.
Ótima análise.
Essa média entre 54% e 55% mostra que há um teto, provavelmente em razão da qualidade do elenco.
Mas a qualidade não explica essa queda depois de 14 jogos. Se podem performar na casa de 60% mas se acomodam ou ficam cansados com o tempo , então há problema no banco de reservas, que não consegue manter o ritmo.
Fui contra a saída do Crespo e do Zubeldia.
Acho que a diretoria precisaria ter um número como esse 54% em mente quando avalia um técnico. Precisariam avaliar a quantidade de atletas no D.M. também.