Vizinhos, ‘chef’ Jadson e piadista Osvaldo destacam entrosamento

Seis dias após Jadson receber a camisa 10 do São Paulo das mãos de Raí, em cerimônia com toda a pompa para aquele que era o principal reforço da temporada 2012,Osvaldo foi apresentado de forma mais tímida, pelo diretor de futebol Adalberto Baptista. Hoje, um ano e três meses depois, a dupla ostenta não só grande entrosamento dentro de campo, mas também fora das quatro linhas. Vizinhos, eles se encontram quase que semanalmente para churrascos e disputas no videogame.

Foi Osvaldo quem convenceu Jadson, ainda sem casa fixa em São Paulo após sete anos morando na Ucrânia, a se mudar para Alphaville, bairro nobre da região metropolitana. Finalmente instalado, o meia ofereceu um churrasco para retribuir o companheiro, que não se arrisca na cozinha. A única especialidade do cearense Osvaldo é o cuscuz, prato típico do Nordeste brasileiro.

– Fazer cuscuz até eu faço, é muito fácil, só colocar na cuscuzeira. Quero ver ele pôr a barriga no fogão – brinca Jadson, para em seguida elogiar o atacante.

– Osvaldo é muito carismático e o grupo todo gosta dele. É um cara alegre, divertido, que tem um jeito carinhoso que conquista todo mundo.

Apesar de a recepção no São Paulo ter sido diferente, tanto Jadson e Osvaldo tiveram começo semelhante no clube do Morumbi, à época comandado por Émerson Leão. O meia apresentou problemas de adaptação após o longo período defendendo o ucraniano Shakhtar Donetsk, enquanto o atacante precisou driblar a desconfiança, mesmo após boa temporada pelo Ceará. A dupla, porém, deu a volta por cima e hoje é peça-chave na equipe de Ney Franco.

Dos 51 gols do São Paulo em 2013, 27 tiveram participação dos dois (cerca de 53%). Osvaldo deu oito assistências e marcou cinco gols (dois no Paulistão e três na Libertadores). Já Jadson balançou as redes oito vezes (cinco no estadual e três no torneio continental) e contribuiu com seis passes para gol.

Osvaldo Jadson São Paulo (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Dupla participou de 53% dos gols do São Paulo em 2013 (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)

– Depois de um tempo atuando juntos, já sei os movimentos dele. Osvaldo é muito rápido e eu já o conheço muito bem, então tento explorar ao máximo suas qualidades – elogia o meia, igualmente enaltecido pelo companheiro.

– Acompanhar o raciocínio do Jadson, do Ganso também, é complicado. Tem que ficar esperto sempre, porque eles colocam a bola aonde querem, num espaço vazio que ninguém imaginaria.

O visível entrosamento no São Paulo levou a dupla à seleção brasileira. Luiz Felipe Scolari convocou ambos para os amistosos com a Bolívia e o Chile. Jadson, que já havia sido lembrado anteriormente, por Mano Menezes, acompanhou de longe o companheiro passar pelo ritual de apresentação dos novatos. E se surpreendeu com a performance de Osvaldo, que acabou virando o piadista da delegação do Brasil.

– Eles falaram que era para eu cantar ou dançar. Como não sei fazer nada disso, decidi contar uma piada e todos gostaram. Aí, eu ia para o almoço, para o jantar, e ficavam pedindo para eu contar mais piadas. Foi muito legal, é uma emoção muito grande atuar ao lado de craques, mais que um sonho para mim. É a melhor fase da minha carreira e espero não parar por aqui.

Se as atuações pela Seleção podem ainda não terem sido capazes de convencer Felipão a levar a dupla são-paulina para as Copas das Confederações, Osvaldo e Jadson terão jogos decisivos pelo Tricolor para provarem que merecem fazer parte do grupo verde-amarelo que disputa, em junho, a última competição oficial antes da Copa do Mundo no Brasil. A começar por esta semana, quando o São Paulo encara, na quinta-feira, o Atlético-MG, pelas oitavas de final da Taça Libertadores, e depois faz o clássico com o Corinthians, no domingo, numa das semifinais do Campeonato Paulista.

– O Atlético-MG é o melhor time da competição, e tem o favoritismo para a partida, mas nossa equipe está trabalhando forte para se classificar. O clássico também é importante, tanto para o clube quanto para a torcida, tem a questão da rivalidade. O São Paulo não ganha o Paulistão desde 2005, então temos que acabar com esse jejum. Será uma semana difícil – aposta Jadson.

Enquanto as decisões não chegam, Osvaldo e Jadson se concentram em outra disputa: a do vídeo-game. Também adeptos dos jogos de futebol, os atletas agora têm preferido um de tiro. No São Paulo, além da dupla, Paulo Henrique Ganso, Douglas e Wellington também utilizam o tempo de folga para jogarem. Mas, se em campo o time está afinado, com o controle na mão a história é outra.

– Aí, perdemos – disse Osvaldo, depois de alguns minutos jogando ao lado de Jadson, contra oponentes onlines. Jadson tentou justificar.

– É que estamos desfalcados, sem o Ganso, Douglas e Wellington. Mas na quinta-feira vai ter todo mundo e aí não decepcionaremos.

É o que espera a torcida são-paulina.

Fonte: Globo Esporte

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