SP decide sem Lugano: para campeões em 2005, uruguaio seria fundamental

O técnico Edgardo Bauza tomou difícil decisão para a partida desta quarta-feira, às 21h45, no Morumbi, contra o River Plate: deixará o zagueiro uruguaio Diego Lugano no banco de reservas. Único deste elenco do São Paulo com um título de Copa Libertadores no currículo, o veterano ficará fora da partida decisiva para a continuidade do clube na competição.

Quem foi campeão da Copa Libertadores em 2005 pelo São Paulo, com Lugano, fala sobre as virtudes que o uruguaio oferecia ao time e sobre o que poderia agregar neste momento. Os ex-companheiros do zagueiro definem como fundamental a participação no jogo – se o São Paulo perder, estará obrigado a vencer o The Strongest na altitude de La Paz, na Bolívia, em um dos cenários mais difíceis dos últimos anos na Libertadores.

“É importante pela experiência que ele pode passar e transmitir para os mais novos. São jogos que muitas vezes podem ser decididos nos detalhes. O Lugano é um jogador que sabe se impor em jogos decisivos, e acredito que pode transmitir essa gana para os demais jogadores”, disse o ex-volante Mineiro, que atualmente vive na Alemanha, ao UOL Esporte.

Há 11 anos o São Paulo encontrou o River Plate na semifinal da campanha campeã. O primeiro jogo contra os argentinos acabou com vitória do clube paulista por 2 a 0, mas só depois de longa batalha. Ainda no primeiro tempo Lugano deu forte entrada no atacante chileno Marcelo Salas. “O Lugano já está nervoso quando acorda. Do pescoço para baixo é tudo canela. E o Salas é chileno, tem a rivalidade dos sul-americanos…”, brinca o meia Souza, campeão mundial pelo São Paulo.

Personagem da última semana ao ter sido flagrado como torcedor na arquibancada do Morumbi, o volante Renan, agora não mais jogador da Portuguesa, foi titular naquele jogo contra o River Plate, aos 20 anos. Conta que recebeu de Lugano o “carinho” motivacional necessário para entrar em campo: “Lembro que ele passava no vestiário e batia na nossa cara gritando ‘Dale! Dale! Vamo! Vamo!’ Ele é o líder nato”.

Souza: “É num jogo como esse que o líder aparece”

Rubens Cavallari/Folha Imagem

Para Souza, o jogo decisivo contra o River era o cenário ideal para Lugano exercer a liderança, e não só pela técnica. “Acho que ele tem que abraçar essa oportunidade que ele teve, porque ele tem os adjetivos para suprir a falta de líder. E é num jogo como esse que o líder aparece, jogando, falando e orientando”.

Lembrado também pelas frases polêmicas e pela disputa de provocações com Vampeta, Souza ficou no banco naquele primeiro jogo de semifinal de Libertadores. Foi ele, no entanto, quem mudou o jogo ao sair do banco de reservas.

“A minha lembrança é muito forte ainda, porque foi um dos melhores jogos que fiz na minha carreira. Para mim tudo deu certo, consegui mudar o cenário do jogo. É o primeiro jogo que me vem a cabeça quando lembro do São Paulo”, falou – o São Paulo dominou a partida a partir do momento que ele substituiu Renan e, no fim, Danilo e Rogério Ceni marcaram.

“Eu vou deixar a humildade um pouco de lado… Nosso time era tão bom que a confiança era tão grande entre a gente que as coisas começaram a acontecer naturalmente. A gente já entrava pensando na vitória”, conta o meia, que rescindiu contrato com o Passo Fundo em março.

Fabão: “Pro Lugano, jogo assim é como Copa do Mundo”

Almeida Rocha/Folha Imagem

Companheiro de zaga de Lugano ao lado de Alex Bruno naquela partida vencida por 2 a 0, Fabão falou sobre as características do uruguaio.

“A experiência dele, a vontade, a garra, a vontade, tudo. Isso nele não falta. Treinamento é como jogo pro Lugano. E jogo assim é como se fosse Copa do Mundo pro Lugano”, falou o ex-zagueiro, aposentado.

Renan: “Ele tinha uma mística, e passava isso para a gente”

Guilherme Palenzuela/Internauta UOL Esporte

Naquele jogo de 2005 o técnico Paulo Autuori surpreendeu na escalação. Com Cicinho suspenso, colocou Mineiro na ala direita do 3-5-2 e escalou Renan como titular, e com função específica.

“Me foi dada a incumbência de marcar o [Marcelo] Gallardo, camisa 10 e melhor do time do River, que hoje é o treinador. Autuori me mostrou antes do jogo na concentração alguns vídeos dele, e isso ficou muito marcado para mim. Como o primeiro tempo acabou 0 a 0 e eu entrei no jogo especificamente para essa função de eliminar o Gallardo, no intervalo ele voltou com o Souza e me tirou. Colocou o Mineiro no meio, Souza de ala, e aumentamos o volume de jogo”, conta Renan.

Torcedor do São Paulo, Renan se diz fã de Lugano. Hoje em dia destaca a concentração do uruguaio e diz que algumas das características eram transmitidas pelo zagueiro a outros jogadores do time.

“Ele é um cara muito concentrado. Muito concentrado. Você pega uma imagem dele no jogo, é, como a gente fala, o olho do tigre. Treino era jogo, jogo era guerra. Ele era assim. E isso, inevitavelmente, passava pra gente, essa concentração, vontade, que ele tinha de vencer os jogos, de tentar fazer história. Era um cara novo com ambições grandes, ambições também de seleção uruguaia. Ele tinha uma mística, e passava isso para a gente”, conta o volante, dispensado da Portuguesa depois de ter sido visto no Morumbi como torcedor.

Quem entrará no lugar de Lugano?

Edgardo Bauza decidiu escalar o São Paulo da mesma forma como fez no 6 a 0 sobre o Trujillanos, na semana passada. Lugano, na ocasião, foi vetado da partida devido a uma lesão lombar. Agora, mesmo apto para atuar, ficará no banco.

Na terça-feira, véspera do jogo desta quarta, Bauza levou o elenco para treinar no estádio do Morumbi, palco da partida. A equipe que treinou e entrará em campo esteve composta por Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; Hudson e João Schmidt; Kelvin, Ganso e Michel Bastos; Calleri.

Lugano, recuperado, ficará como opção no banco de reservas. Destaca-se ainda a opção de manter o volante Thiago Mendes e o ponta Centurión fora do time titular.

O que o São Paulo precisa para não se complicar na Libertadores?

A vitória do Trujillanos por 2 a 1 sobre o The Strongest na noite de terça-feira deu mais chances ao São Paulo. É possível até perder do River Plate nesta quarta-feira, no Morumbi, que o São Paulo estará classificado se vencer o Strongest, em La Paz.

A dificuldade do jogo na altitude boliviana, porém, faz o São Paulo pensar na vitória sobre o River como objetivo mais fácil. Se vencer, o Tricolor poderá jogar pelo empate na Bolívia que estará classificado às oitavas de final.

Existe ainda a chance de o São Paulo terminar a quinta rodada como líder do Grupo 1 ao final da noite de quarta-feira. Se ganhar por 3 a 0, ultrapassará até o River pelo saldo de gols.

 

Fonte: Uol

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