São Paulo contraria fama de “pão-duro” com ataque milionário

Nome pode até não vencer jogos ou conquistar títulos, mas Muricy Ramalho não tem do que reclamar sobre as peças que tem à disposição para montar o ataque do São Paulo. De Luis Fabiano, contratado em 2011, a Alan Kardec, apresentado na última terça-feira, o Tricolor possui um setor ofensivo de respeito para brigar por títulos. Somadas, as últimas transferências dos homens de frente do Tricolor movimentaram R$ 125,1 milhões nos últimos anos.

O clube investiu R$ 63,9 milhões em quatro jogadores: foram R$ 17,5 milhões para comprar o Fabuloso do Sevilla, em 2011, outros R$ 23,9 para tirar Ganso do Santos e mais R$ 8 milhões para buscar Osvaldo no Al Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, ambos em 2012. Na semana passada, o clube pagou ao Benfica R$ 14,5 milhões por Alan Kardec.

Os números ficam ainda maiores graças ao investimento feito por outros dois clubes, um deles rival. No ano passado, o Corinthians desembolsou R$ 40,2 milhões para contratar Alexandre Pato do Milan e transformá-lo em sua grande estrela. A estratégia não funcionou, e o clube alvinegro o emprestou ao Tricolor com metade dos salários pagos até o fim da temporada 2015.

O Valencia foi outro que gastou uma fortuna em 2013 por um jogador que tenta se reerguer no São Paulo. Os espanhóis pagaram R$ 21 milhões para levar o colombiano Dorlán Pabón, destaque do Monterrey, do México. O jogador, porém, praticamente não foi utilizado e acabou liberado gratuitamente para o Tricolor, onde ainda também não se firmou.

Com tanta “grife”, os custos são altos para ter um ataque tão badalado assim. O São Paulo gasta mensalmente cerca de R$ 2,5 milhões somente com os salários dos seis jogadores, cerca de 35% de toda a folha do clube. No total, o Tricolor paga aproximadamente R$ 7 milhões ao grupo de 29 atletas – o capitão Rogério Ceni ainda lidera.

Pato Luis Fabiano (Foto: site oficial / saopaulofc.net)Luis Fabiano e Alexandre Pato são duas das diversas estrelas do Tricolor (Foto: site oficial / saopaulofc.net)

A fama, porém, ainda não foi capaz de fazer o Tricolor deslanchar. Luis Fabiano, artilheiro do clube na temporada, com 13 gols, vive boa fase e desponta como o único intocável com Muricy. Ganso alterna boas e más atuações e já até sentou no banco de reservas. O mesmo acontece com Osvaldo e Pabón. Pato teve um bom início, mas também carrega um histórico de instabilidade.

A diretoria justifica o alto investimento em Alan Kardec como uma oportunidade de mercado. Além de o jogador estar se destacando, ele pode atuar em várias posições na frente, se adaptando com facilidade. Mais que isso, chega para ser o substituto de Luis Fabiano no futuro. Aos 33 anos, o centroavante não deve atuar por mais um longo período.

Gastar tanto assim contradiz com o discurso do grupo político que comanda o Tricolor. O São Paulo carrega entre os jogadores a fama de ser “pão-duro”, fortalecida na gestão Juvenal Juvêncio. A ideia de dar espaço para os jovens formados no requintado CT de Cotia também não deve ser levada à risca. Com Kardec no grupo, vão diminuir ainda mais as chances dos garotos Ademilson, Boschilia e Ewandro.

A pressão agora está em Muricy Ramalho para fazer o time, enfim, jogar bem. Apesar de ainda querer um zagueiro e um volante, o treinador recebeu da diretoria todas as peças que pediu. O recado dado pelo presidente Carlos Miguel Aidar durante a apresentação de Alan Kardec é um exemplo de como será a cobrança sobre o treinador.

– O time está montado e na mão do Muricy para ser campeão. Não está nas mãos da diretoria. Fizemos o que podíamos – disse o mandatário.

Fonte: Globo Esporte

2 comentários em “São Paulo contraria fama de “pão-duro” com ataque milionário

  1. A diretoria deveria insistir com o Murici para experimentar o volante que veio do Botafogo de RP. O cara não entrou para a seleção do campeonato paulista por acaso e muito menos por proteção. Se nenhum volante do SP foi relacionado entre os melhores, ficar pedindo volantes sem, antes, experimenta-lo em alguns jogos seguidos, faz a diretoria do SP parecer um bando de energúmenos que vivem inchando a folha salarial com porcarias pior do que as já existentes lá!

    • Concordo com você quanto a testar este jogador, porém, sem querer defender o Muricy, é no treino que o jogador se escala, que convence o técnico. Claro, nosso técnico é muito teimoso, mas, com certeza, não é idiota.

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