Rival do SP é dirigido pela família do todo-poderoso do futebol argentino

O estádio nem de longe lembra os gigantes Bombonera, do Boca Juniors, ou Monumental de Nuñez, do River Plate. Nas arquibancadas, apesar de estarem próximas do gramado, a pressão também não é das maiores e se assemelha a um clube pequeno do Brasil. Mas o São Paulo precisará de cuidados contra o Arsenal, nesta quinta-feira, às 21h30m, se quiser continuar vivo na Libertadores. O clube é dirigido pela família Grondona, a mesma que comanda o futebol na Argentina por mais de três décadas e possui bastante prestígio na Conmebol.

Os irmãos Julio Humberto e Hector fundaram o Arsenal em 1957, mesclando as cores dos outros times de Avellaneda: o vermelho do Independiente e o azul claro do Racing. Julio ficou com a parte administrativa, enquanto Hector se arriscou como um dos jogadores do elenco, seguindo até hoje como o maior goleador da história da equipe, com 67 gols.

Apesar do pouco sucesso dentro de campo, a cúpula familiar cresceu na política esportiva do país e acumulou poder. Muito poder. Após ser presidente do Independiente por uma temporada, Julio Grondona chegou ao topo da entidade que controla o futebol no país, a AFA, em 1979. Hoje, aos 81 anos, ele permanece no cargo, além de acumular as funções de vice-presidente senior e presidente de finanças da Fifa.

Com a força cada vez maior no país e no continente, Grondona deixou o comando do “celeste y rojo” para o filho Julio Ricardo, atual presidente, e o sobrinho, Gustavo Héctor. Neste período, o “chefão” do futebol argentino esteve envolvido em denúncias de corrupção na AFA, mas, apoiado pelos clubes, permaneceu no cargo.

A partir do ano 2000, o Arsenal conseguiu um salto de qualidade nos resultados e em sua estrutura. Em 2002, o time chegou pela primeira vez à elite do futebol argentino e não mais caiu, fato repetido somente por Boca e Independiente. Cinco temporadas depois, ganhou expressão internacional ao vencer a Copa Sul-Americana, segundo torneio mais importante da América do Sul, derrotando adversários de expressão, como San Lorenzo, River Plate. O ápice veio no ano passado, quando se sagrou campeão nacional ao vencer o Torneio Clausura.

Arsenal de Sarandí (Foto: Gustavo Grimaldi/Site oficial do Arsenal)Arsenal de Sarandí é comandado pela família Grondona (Foto: Gustavo Grimaldi/Site oficial do Arsenal)

O período serviu também para o clube se transformar. O antigo estádio foi todo reformado e ganhou novas arquibancadas para que a capacidade chegasse aos 16.300 mil lugares e permitisse partidas com maior presença de público. O local também recebeu um novo nome. Claro, Julio Humberto Grondona.

A baixa popularidade do Arsenal nas ruas de Buenos Aires contrasta com as dúvidas levantadas por torcedores e jornalistas sobre possíveis favorecimentos ao clube da família Grondona, principalmente em duelos em casa. O time chegou a ficar 46 partidas sem ter nenhum jogador expulso. Um levantamento feito pelo diário argentino Perfil mostra que, nos últimos cinco anos, os jogadores da equipe de Sarandí receberam apenas 12 cartões vermelhos contra uma média de 21 dos principais adversários.

Com a necessidade de vencer a partida para não se complicar na Libertadores, a diretoria do São Paulo iniciou o jogo político. Os tricolores esbravejaram contra a atuação do árbitro colombiano Wilmar Roldán, no Pacaembu – eles reclamam do pênalti que resultou no empate do Arsenal (toque de mão de Cortez) e de uma outra penalidade não marcada em Luis Fabiano. O temor de mais problemas viajaram com a delegação.

– Estamos preocupados com a arbitragem. Acho que por causa dessa diferença financeira que as equipes brasileiras têm em relação aos outros times da América Latina, estão tentando equilibrar de outra forma. É gritante – disse o diretor de futebol Adalberto Baptista.

 

Fonte: Globo Esporte

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