Renan Ribeiro volta ao passado de cobranças para se fixar no São Paulo

A demora para receber uma chance no São Paulo talhou em Renan Ribeiro uma figura impaciente no CT da Barra Funda. No clube, há quem diga que o goleiro é dos que querem ganhar o lugar na marra. Porém, por trás do rótulo também reside a inquietação de quem formou-se à base da cobrança. Da auto-cobrança.

O Renan que retorna nesta quarta-feira a Ribeirão Preto, sua cidade natal, onde o São Paulo encara o Botafogo-SP, às 21h45, pelo Campeonato Paulista, é o mesmo que ficava “p…” da vida quando a tenra idade o impedia de repetir os movimentos dos goleiros mais velhos, na base do próprio Botafogo, no qual ele iniciou a carreira.

– Às vezes, a gente colocava ele para treinar com os maiores, e claro que nem sempre um menino mais novo vai conseguir fazer 100% igual aos maiores. Mas ele não se conformava, ficava muito irritado. Porque ele queria conseguir fazer. E eu tinha de pedir calma. Ora, é normal, afinal os caras já treinavam há mais tempo. Mas ele ficava doido – relembra Leandro Franco, primeiro preparador de goleiros de Renan na base do Botafogo, atualmente no Tombense-MG.

O mesmo Renan agia igual quando perdia na bolinha de gude. Ou na pipa. Ou jogando bola, seja de zagueiro, como deu os primeiros passos no futebol, ou de goleiro.

– Ele sempre teve uma competição muito grande. Até no campeonato interclasses da escola. Ficava bem bravo, chutava a bola longe. Saía falando um monte, porque sempre levou as coisas muito a sério. Hoje as pessoas estão o conhecendo, mas sempre foi de uma dedicação e vontade de vencer impressionantes – conta Danilo, o o Tio Fio, melhor amigo do goleiro dos tempos de Ribeirão Preto.

O mesmo Renan não precisava sofrer tanto para conquistar o coração das meninas do Cemei Virgílio Salata, colégio de Ribeirão onde ele e o amigo Leandro cursaram o ensino fundamental. A aparência bastava.

– Ele tinha moralzona com as meninas. Fazia sucesso, as meninas gostavam dele. Iam com a cara dele. Mas ele era tranquilo (risos) – recorda o amigo.

Ironicamente, a boa aparência foi causa de críticas ao goleiro no São Paulo. No ano passado, Renan decidiu usar sua imagem para fins comerciais na divulgação de produtos e também acabou fazendo um ensaio sensual com a esposa. Dirigentes e profissionais do clube não gostaram, com o argumento de que era uma exposição excessiva para um atleta. Na época, o goleiro tinha até contratado um profissional para cuidar dessa parte. Entretanto, mais tarde ele dispensou os serviços e hoje limita-se a publicar fotos de treinos em suas redes sociais.

Mas o mesmo Renan que flertou com a fama é família, parceiro e solidário, pelo menos nos relatos de quem é próximo. É o Renan que toca berrante quando vai passar férias no sítio em Ribeirão, e sente-se pronto para assumir o posto de titular absoluto do São Paulo, vazio desde a aposentadoria de Rogério Ceni, em 2015. É o Renan que pesca e curte moda de viola, hábitos típicos do interiorano. Mas também o que, na demora do Uber, sai no pique de sua casa pelas ruas de Perdizes até a Barra Funda para não se atrasar ao treino.

Bom, se ele for o mesmo do sábado passado, que salvou o time contra o Ituano e saiu aplaudido, o torcedor do São Paulo nem vai se importar com mais nada.

Entrevista com Leandro Franco, primeiro preparador de Renan Ribeiro

Como era o Renan quando o conheceu?
O Renan sempre foi um menino muito dedicado. Muito esforçado mesmo. Ele sempre teve muita personalidade. Desde que era menino, perguntava muito as coisas, queria saber tudo. Se você desse um exercício, alguma coisa, ele perguntava. E sempre interessado. Querendo aprender mais.

No aspecto humano, da personalidade, como ele agia?
Para resumir, o Renan era muito alegre. Ele gostava muito de treinar, mas gostava muito de treinar. Ele ria muito com os goleiros. Aquelas coisas de preparador, de reunir os goleiros, contar as histórias. E ele era o que rachava de dar risada. E perguntava o que aconteceu. Sempre alegre

Por que ele pode ser o goleiro titular de um time grande?
Justamente por ser um goleiro de ótima técnica, muito profissional. Que tem personalidade, tem coragem. É um goleiro muito técnico. E ele já vem de um time grande como o Atlético-MG, ele tem uma condição psicológica para suportar.

Que conselho daria e ele?
Eu falaria para ele acreditar nele, para ele a todo momento jogar com a cabeça. Se concentrar bem. Para ele se concentrar muito e jogar com a cabeça.

Entrevista com Danilo César Pereira, 28 anos, amigo de infância de Renan

Por que ele vai se firmar?
O Renan está despontando agora, por falta de oportunidades, só que todo mundo que conhece sabe do comprometimento dele, e a responsabilidade. Ele faz um churrasco aqui, e no outro dia, já fala em dar um trote: “Vamos dar uma suada, para espairecer a cabeça”. Ele treina até nas férias, se aperfeiçoa. Ele vai dar muito certo. É um profissional fora de série

E fora de campo?
Bom, um dia gente estava fazendo um trote na rodovia, e uma área mal cuidada pela prefeitura, havia um lixão, a gente passou correndo. E ele saiu dali pensando. Pegamos o carro, compramos comida para todo mundo, e voltamos lá. Ele deu comida para todo mundo. Foi nas últimas férias.

E esse comprometimento que ele tem de marca não pode causar mal estar?
Acho que não. O Renan sempre quer o bem de todo mundo. E ele sempre é muito transparente, sempre fala o que ele acha. Ele não manda recado. É muito transparente. Correto.

Ele ficou muito chateado por não ter chances?
Chateado ele fica. todos somos seres humanos, temos esse lado. Mas ele sempre trabalhou muito sério, muito correto. Sempre buscou isso. Sempre causou um incômodo, mas tem amigos maravilhosos.

Um conselho.
É um desejo mais de boa sorte, que ele continue sendo esse irmão que eu tenho. E que ele continue nessa caminhada, que ele só tem a vencer. Vai ter muito sucesso na vida.

 

Fonte: Lance

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