Zé Rafael e Rodrigo Nestor moram no mesmo condomínio

O Choque-Rei do último domingo foi quente. Provocações, troca de agressões, empurrões, seguranças em campo… Tudo o que ocorreu depois da vitória do Palmeiras por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro, poderia ter sido uma briga de condomínio entre vizinhos, como ocorre em Os Outros, série do Globoplay lançada em 2023.

Diversos jogadores dos dois clubes, que já treinam separados por apenas um muro, residem em um condomínio de alto padrão localizado próximo ao CT da Barra Funda e à Academia de Futebol, centros de treinamento de São Paulo e Palmeiras, respectivamente.

Zé Rafael e Nestor, por exemplo, que trocaram agressões após o Choque-Rei do último domingo e foram expulsos por Raphael Claus, são vizinhos de torres.

A privacidade e o alto padrão do condomínio dificulta que são-paulinos e palmeirenses se encontrem com frequência no dia a dia. As torres onde já moraram Dorival Júnior e Endrick, por exemplo, possuem elevadores que levam seus moradores direto aos apartamentos, sem contato com vizinhos.

Mas Wellington Rato, um dos moradores, alertou depois do último clássico:

– Todo mundo mora aqui perto, todo mundo se vê no dia a dia, aí tem uns que querem fazer graça para a torcida deles porque estão jogando em casa… Aí no outro dia se encontra no prédio, e aí? Aí pode gerar uma confusão maior. É manter o respeito. Tem que saber ganhar e saber perder, mas nunca faltar com respeito ao adversário – disse o atacante tricolor.

Em 2023, “Os Outros” ganhou destaque ao falar sobre as dificuldades de relacionamentos em um condomínio de classe média do Rio de Janeiro. No drama, filhos de dois casais brigam, e os pais tentam intervir, mas encontram dificuldade para chegar a um acordo.

Veja momentos da confusão entre jogadores de Palmeiras e São Paulo após clássico no Allianz

A briga, em “Os Outros”, ganhou maiores proporções e passou a envolver, também, outros moradores. Nas torres onde moram diversos jogadores de Palmeiras e São Paulo, a presença das estrelas já é rotina e também afeta os vizinhos, mas sem brigas.

– O Wellington Rato eu encontrei hoje, inclusive. Ele estava no mercadinho com a família. Nem quis falar nada. Mora no prédio de lá (outro lado). Nestor mora aí. O Zubeldía também, mas não o encontrei – disse um morador que não quis se identificar.

– O Deyverson morava aqui, o Scarpa também. Eu já vi o Piquerez, o Endrick. Tenho um pouco de vergonha, mas falo com eles. Só dei oi e pedi uma foto. Só não deu tempo de pedir uma camisa – disse a filha de outro morador.

Em um condomínio, se alguém tem dor de cabeça é o síndico. Nas torres onde moram os rivais, a responsabilidade por tudo o que acontece lá é do gestor Edevaldo. Ele admite que a rotina não é fácil, mas que não tem problema com os jogadores.

– Festas até que não tem problema, fazem a reserva. Mas é complexa a vida no condomínio. Mas aqui não ocorre nada. Futebol é alegria, não precisa de briga nenhuma – falou o gestor.

Por causa da proximidade com os centros de treinamentos dos dois clubes, o condomínio virou uma das principais opções para os jogadores e técnicos de Palmeiras e São Paulo.

Luís Zubeldía, Abel Ferreira, Raphael Veiga, Rodrigo Nestor, Wellington Rato, Estêvão, Piquerez, Zé Rafael e Gustavo Gomez são alguns dos moradores do condomínio.

De acordo com o Google Maps, ele fica a apenas cinco minutos a pé do CT da Barra Funda e da Academia de Futebol.

Espionagem?
A proximidade entre centro de treinamentos já foi motivo de polêmica no Choque-Rei no passado. Em 2017, depois de perder por 2 a 0 para o São Paulo, o então técnico palmeirense Cuca estranhou o fato de o são-paulino Rogério Ceni ter utilizado um esquema tático parecido com o que ele tinha escolhido.

A suspeita, à época, era de que o treinador do Tricolor havia “espionado” um treino do Palmeiras em prédios ao redor da Academia de Futebol.

– Aqueles prédios lá na frente do Palmeiras, não sei, não… (risos) Porque quem espelhou meu esquema foi o São Paulo. Faz parte. Se botou (espião) ou não, faz parte do jogo. Ele disse que teve uma intuição, mas que intuição forte – disse Cuca, à época, em entrevista ao sportv.

Rogério Ceni, porém, havia explicado dias antes como pensou em escalar o São Paulo e alegou não ter informações sobre o Palmeiras:

– Não tinha uma ideia exata de como o Palmeiras jogaria, porque não consegui informações suficientes. Tinha minhas convicções, como o Michel (Bastos) na esquerda. O Mayke na direita, eu já não tinha tanta certeza. Não achava que ele (Cuca) iria tirar um jogador de frente, manter dois atacantes e jogar com mais um homem no meio-campo. Mas acho que ele imaginava um São Paulo com três volantes – disse Ceni.

Separados por um muro e elevadores, jogadores de São Paulo e Palmeiras ainda podem se encontrar mais vezes nesta temporada.

Se passarem de Nacional e Botafogo, os rivais vão se enfrentar nas quartas de final da Conmebol Libertadores. O Palmeiras enfrenta os cariocas na quarta-feira precisando de uma vitória por dois ou mais gols de diferença para avançar. O São Paulo encara os uruguaios no Morumbis, na quinta, por uma vitória simples para garantir a classificação.

Ruan revela que pegou referências com Ferreira para escolher o São Paulo

O zagueiro Ruan Tressoldi, de 25 anos, foi apresentado nesta terça-feira no São Paulo e contou que buscou referências sobre o clube com Ferreira, atacante que foi seu colega no Grêmio.

A conversa com o amigo o fez decidir pelo São Paulo:

– Tive várias conversas com o Ferreira, perguntei do clima, da estrutura, e ele só me falou coisas boas. Tive mais vontade de vir, mesmo com outras propostas da Europa e do Brasil. O São Paulo brilhou meus olhos – disse ele, na primeira entrevista como atleta do clube.

Formado no Grêmio, Ruan foi emprestado pelo Sassuolo, da Itália, até junho do ano que vem, mas, apesar de ter acabado de chegar, afirmou que pretende ficar por mais tempo.

– É até junho, mas seu eu for bem, o São Paulo pode exercer a compra. E minha ideia é essa.

Ao se apresentar, o zagueiro listou suas características:

– Eu me considero um zagueiro muito rápido, com bom duelo aéreo, procuro sair na caçada, com boa saída de bola – afirmou ele, que a princípio chega para disputar posição no elenco que tem Arboleda e Alan Franco como titulares, além de Ferraresi e Sabino.

Ruan passou as últimas três temporadas na Itália. No ano passado, quando mais jogou, fez 29 partidas pelo Sassuolo, 18 delas como titular.

– Todo mundo sabe que a escola italiana é muito tática, consegui aprender muito. Foi muito importante para eu evoluir mentalmente, é difícil ficar longe da família.

 

O jogador teve seu registro publicado no BID da CBF, mas não poderá enfrentar o Nacional-URU, quinta, pela Conmebol Libertadores, por não ter sido inscrito no torneio – poderá ser se o São Paulo avançar às quartas.

Confusão reacende racha entre São Paulo e Palmeiras após “panos quentes”

O clássico entre Palmeiras e São Paulo, no último domingo, estremeceu mais uma vez a relação entre os dois clubes. E não só pela confusão generalizada que ocorreu assim que a partida terminou. Problemas antes do jogo causaram revolta em dirigentes tricolores.

Desde março, quando um duelo entre as equipes no Morumbis acabou com brigas e trocas de ofensas, representantes dos dois clubes se reúnem dias antes dos clássicos para determinar protocolos para as partidas – uma medida determinada pela Federação Paulista de Futebol.

As definições incluem medidas de segurança para as delegações e de conforto para dirigentes rivais. As do último final de semana não agradaram aos são-paulinos.

Uma das reclamações foi de que o Palmeiras escolheu um camarote no setor Gol Sul para a direção adversária. Além de ter uma visão prejudicada, dirigentes dizem ter ficado muito expostos a provocações de torcedores rivais – e comparam com o tratamento dado à presidente alviverde, Leila Pereira, que teve acesso a um camarote centralizado no Morumbis no jogo do primeiro turno, em abril.

Segundo um são-paulino ouvido pelo ge, a justificativa dada por representantes do Palmeiras foi de que não havia outro espaço, que a administração do estádio era da construtora WTorre e que não seria possível mudar o local.

Dirigentes tricolores, porém, acionaram a empresa – que atualmente trabalha num projeto de modernização do Morumbis –, e ouviram que havia espaços disponíveis em áreas mais centrais e reservadas do Allianz Parque.

Fontes ligadas ao Palmeiras, por outro lado, argumentam que o clube não tem controle de todos os camarotes da arena, e destinou à diretoria do São Paulo um dos seus, em um lounge, e o jogo transcorreu de maneira segura, sem contatos dos visitantes com torcedores alviverdes. Eles alegam que o local tem visão melhor do que os camarotes do Morumbis.

Outra reclamação foi de que a delegação do São Paulo, na chegada ao estádio, precisou descer do ônibus distante do vestiário e transitar por áreas com torcedores rivais – desde 2016 todos os clássicos no Estado são disputados apenas com as torcidas dos times mandantes.

Já no Palmeiras entende-se que em nenhum momento houve encontro direto com torcedores, e o São Paulo fez o mesmo trajeto que a delegação alviverde e da equipe de arbitragem até os vestiários, como acontece em outros jogos na arena.

Durante a semana passada, representantes de São Paulo e Palmeiras participaram de uma reunião virtual intermediada pela FPF, e causou incômodo nos tricolores o fato de pessoas do rival não terem ligado a câmera de seus computadores durante as conversas. Pelo lado alviverde, a reclamação foi vista como infantil.

Depois que o clássico terminou, jogadores dos dois times, dirigentes e seguranças se envolveram numa briga que começou em campo e continuou nos vestiários. Os meias Zé Rafael, do Palmeiras, e Rodrigo Nestor, do São Paulo, trocaram agressões e foram expulsos.

Nesse episódio, tricolores identificaram o historiador do Palmeiras, Fernando Galuppo, como alguém que, no gramado, provocou jogadores do São Paulo.

Um deles foi o zagueiro Sabino, que relatou ter ouvido “sai pianinho, sai quietinho que vocês perderam”, e revidou. Galuppo faz parte da equipe de comunicação do Palmeiras e estava credenciado para estar no local, de acordo com o clube.

Ele teria ido ao campo para ajudar a apartar a briga, e no Verdão argumenta-se que tentar subverter a agressão é uma tentativa de macular a verdade.

O ápice recente dessa rivalidade entre São Paulo e Palmeiras aconteceu no clássico disputado no Paulista, no Morumbis.

São-paulinos, enfurecidos com a arbitragem, foram ao vestiário do árbitro Matheus Delgado Candançan para protestar. Durante a gritaria, o diretor de futebol tricolor, Carlos Belmonte, ofendeu o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras.

– Safado do caralho! O Abel apitou para vocês, este português de merda! – gritou.

O episódio causou um racha entre as diretorias, e multa a cartolas do São Paulo.

No duelo do primeiro turno do Brasileirão, porém, Belmonte aguardou Abel na entrada dos vestiários, o abraçou e lhe pediu desculpas. O jogo aconteceu sem grandes transtornos.

Nesta segunda, dia seguinte ao clássico vencido pelo Palmeiras por 2 a 1, o São Paulo enviou à CBF um vídeo com gritos homofóbicos entoados por palmeirenses durante a última partida. O clube alviverde repudiou o caso e disse que irá punir os envolvidos.

As duas equipes não têm mais jogos agendados entre elas para este ano, mas há a possibilidade de se reencontrarem num mata-mata da Conmebol Libertadores.

Se passarem pelas oitavas de final da competição, se enfrentarão nas quartas, em setembro. O São Paulo empatou com o Nacional-URU em 0 a 0, na ida, e joga a volta na quinta, em casa. O Palmeiras precisa virar o confronto com o Botafogo nesta quarta, já que perdeu a primeira partida por 2 a 1.

Luciano ultrapassa marca de 20 cartões recebidos na temporada

O atacante Luciano é o artilheiro do São Paulo no ano, com 14 gols marcados. Todavia, não são apenas as bolas na rede que andam ao lado do camisa dez do Tricolor Paulista. Expulso após receber segundo amarelo na derrota para o Palmeiras, por 2 a 1, ele chegou a 21 cartões recebidos na temporada.

Luciano recebeu o primeiro cartão amarelo na comemoração após marcar o gol de empate do São Paulo. Em seguida, na reta final do jogo, o atacante foi advertido depois de cometer falta em Felipe Anderson e foi expulso do clássico. Com um a menos, o Tricolor sofreu o segundo tento e saiu derrotado do Choque-Rei deste domingo, no Allianz Parque, pela 22ª rodada do Brasileirão.

Com as três advertências no clássico, Luciano chegou a 21 cartões recebidos no ano. Ao todo, foram 19 amarelos e dois vermelhos, números bem maiores em relação
à última temporada, quando recebeu 13 cartões – todos amarelos.

O atacante é disparado o jogador do elenco são-paulino com mais cartões na temporada. O lateral esquerdo Welington aparece na segunda posição da lista, com dez amarelos e nenhum vermelho.

Dos últimos dez jogos que disputou, Luciano recebeu nove cartões, quase um por partida. O atacante possui 43 aparições pelo São Paulo em 2024.

Luciano desfalca o São Paulo na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Vitória, no domingo. Em contrapartida, o atacante está disponível para encarar o Nacional-URU, nesta quinta-feira, pela volta das oitavas de final da Libertadores. Todavia, ele recebeu amarelo no jogo de ida e, caso seja advertido novamente, fica pendurado para o primeiro jogo das quartas de final.

Ruan Tressoldi aparece no BID e pode estrear no Brasileirão

O nome do zagueiro Ruan Tressoldi apareceu no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF nesta segunda-feira. O jogador está à disposição do São Paulo para estrear no Campeonato Brasileiro contra o Vitória, no domingo, no Morumbis, às 18h30.

Apesar de já estar regularizado no futebol brasileiro e treinando com o elenco, o reforço contratado por empréstimo até o meio do ano que vem do Sassuolo, da Itália, ainda não pode jogar a Conmebol Libertadores.

Ruan não estará à disposição da comissão técnica para o jogo contra o Nacional, nesta quinta-feira, às 19h, no Morumbis, pela partida de volta das oitavas de final da competição, porque ele ainda não foi inscrito.

Formado no Grêmio, Ruan foi vendido para o futebol italiano em 2021. Por lá, fez 63 partidas em três temporadas. O jogador, que é destro, será o sexto zagueiro do elenco, juntando-se a Arboleda, Alan Franco, Ferraresi e Sabino, além do jovem Matheus Belém.

Apesar de não atuar contra o Nacional, Ruan poderá jogar as quartas de final da Copa do Brasil, cujo sorteio seja realizado nesta terça, e ser inscrito na Libertadores se o São Paulo avançar – além, claro, do Brasileirão.

SP denuncia homofobia de torcedores do Palmeiras durante o clássico

O São Paulo enviou um ofício à CBF para denunciar cantos homofóbicos da torcida do Palmeiras durante o clássico entre as duas equipes, domingo, no Allianz Parque.

O ge teve acesso ao vídeo que embasa a reclamação.

Nele é possível ouvir palmeirenses gritarem “vai para cima delas” durante a partida. Em outro trecho, quando o lateral Patryck é atendido em campo por socorrista após sofrer um trauma na cabeça, no segundo tempo, pode-se ouvir um torcedor dizer “mais uma bicha morta”.

Comportamentos do tipo podem levar o clube a uma punição com base no artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que proíbe “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

No ano passado, em jogo também contra o São Paulo, o Corinthians foi punido com uma partida com portões fechados por causa de cantos homofóbicos – naquela ocasião, o árbitro Bruno Arleu de Araújo chegou a paralisar a partida por quatro minutos e relatou o episódio em súmula.

Na súmula da partida de domingo, feita pelo árbitro Raphael Claus, não há menção ao que o São Paulo reclama com base no vídeo enviado à CBF.

Em uma rede social, o Verdão divulgou nota repudiando o ocorrido e informando que “tomará providências para identificar e punir indivíduos e grupos que se manifestaram de forma homofóbica”.

– A Sociedade Esportiva Palmeiras repudia toda e qualquer forma de discriminação e tomará as providências cabíveis para identificar, responsabilizar e punir indivíduos e grupos que se manifestaram de forma homofóbica no clássico realizado ontem no Allianz Parque. Nascemos das diferenças, lutamos contra a intolerância para seguir existindo e não aceitamos condutas preconceituosas em nossa casa.

O clássico, válido pelo Brasileirão, terminou com vitória do Palmeiras por 2 a 1. Após a partida, houve confusão em campo que envolveu atletas, dirigentes e seguranças das duas equipes.

Rodrigo Nestor, do São Paulo, e Zé Rafael, do Palmeiras, se agrediram nos vestiários e foram expulsos.

SP avança por criação de fundo de investimento e prepara discussão no CD

O Conselho de Administração do São Paulo aprovou a criação de um fundo de investimentos para quitar as dívidas do clube em até cinco anos. O tema, agora, deve ser levado para o Conselho Deliberativo para que possa ser colocado em prática.

O São Paulo discute, desde o primeiro semestre, a criação deste fundo de investimentos, mas precisa passar por processos legais dentro do clube antes que ele passe a funcionar. Foi criado, então, um grupo para que o assunto chegasse ao Conselho de Administração e fosse votado.

Depois da aprovação, o Tricolor trabalha para formatar o fundo de investimentos e todas as suas bases para levar o assunto ao Conselho Deliberativo. O clube entende que esse passo pode ajudar a equacionar as dívidas nos próximos anos.

A ideia do São Paulo é criar um fundo de investimento com R$ 250 milhões para quitar as dívidas bancárias, que atrapalham o fluxo de caixa do clube, possuem altos juros e vencimento próximo. Assim, o Tricolor reduziria pela metade o que gasta por mês em média só para pagar bancos – o valor passaria a ser dedicado ao fundo.

A intenção é fazer um alongamento das dívidas bancárias, que, hoje, estão atreladas ao fim da gestão do presidente Julio Casares – em dezembro de 2026. Com o fundo, o São Paulo teria mais tempo (cinco anos) para chegar aos R$ 250 milhões que seriam injetados por investidores. Por isso, gastaria menos mensalmente.

O dinheiro do fundo será liberado periodicamente ao Tricolor, de acordo com as demandas do clube, com a apresentação de garantias financeiras, como direitos de transmissões e premiações por participações em campeonatos.

Se sair do papel, o fundo vai dar ao São Paulo algumas obrigações. O Tricolor terá de manter seus gastos num padrão que será estabelecido e terá o acompanhamento de uma consultoria externa, que deve ser a KPMG.

PCC lavou dinheiro com agentes de jogadores de grandes clubes

Promotores do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo têm em mãos mensagens, contratos e o depoimento do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos, que acusa dirigentes ligados a empresas que cuidam da carreira de jogadores de futebol de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os crimes investigados por enquanto não têm relação com atletas, cartolas e clubes, mas o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura se a origem dos recursos para a negociação de atletas foi o tráfico de drogas.

No acordo de delação, Gritzbach trata da atuação do empresário de futebol Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, da Lion Soccer Sports. Ele ainda teria participação na UJ Football Talent. Outro empresário apontado pelo delator como relacionado à lavagem de dinheiro do PCC é Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, que teria participado do cotidiano das decisões da FFP Agency Ltda, do empresário Felipe D’Emílio Paiva, até ser assassinado no ano passado. Procuradas, a FFP disse não ter conhecimento da delação e a Lion não foi localizada.

As três empresas investigadas são nomes de porte nesse segmento que agenciam ou já agenciaram jogadores como Emerson Royal (atualmente no Milan), Eder Militão, (Real Madrid), Du Queiroz (ex-Corinthians e agora no Grêmio) e Igor Formiga (também ex-Corinthians e agora defendendo o Novorizontino). São citados ainda na investigação do MPE Gustavo Scarpa (Atlético-MG), Felipe Negrucci e Caio Matheus (ambos da base do São Paulo), Marcio Bambu (aposentado), Guilherme Biro (Corinthians) e Murillo (ex-zagueiro do time do Parque São Jorge e hoje no Nottingham Forest, da Inglaterra). Todos eles aparecem nas páginas oficiais das duas empresas investigadas como sendo clientes ou ex-clientes.

Gritzbach, o empresário delator, está no centro de uma das maiores investigações feitas até hoje sobre a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em São Paulo, envolvendo os negócios da facção paulista na região do Tatuapé, bairro da zona leste paulistana. Acusado pelo PCC de ter dado um desfalque de R$ 100 milhões em bitcoins nas finanças da facção, Gritzbach resolveu apresentar sua versão sobre os negócios do crime organizado no futebol ao assinar um acordo de delação premiada com o Gaeco. Um de seus anexos é o chamado PCC Futebol Clube. A delação foi proposta pela defesa em setembro de 2023. O Gaeco concordou com a delação e o acordo homologado pela Justiça em abril de 2024.

Segundo a delação de Gritzbach, o empresário Danilo Lima de Oliveira, o Tripa, da Lion Soccer Sports, colocaria parte de seus jogadores na agência UJ Football Talent, que “não teria lastro financeiro, se enquadra no Simples e possui vários jogadores”. Segundo o delator, Tripa não é dono da empresa, mas tem participação. O sócio é o ex-atleta Ulisses Jorge.

A UJ Football se define como uma “assessoria esportiva com expertise internacional em promover sonhos de atletas desde 2010″. O principal cliente é Éder Militão, zagueiro revelado pelo São Paulo e que hoje defende o Real Madrid e a seleção brasileira.

O delator diz que Danilo agenciou outros jogadores, como Emerson Royal, Marcio Bambu, Guilherme Biro, Du Queiroz e Murillo. O empresário Ulisses Jorge não foi localizado pela reportagem.

Já a FFP Agency Ltda., a outra empresa apontada pelo delator como relacionada aos acusados de lavar de dinheiro do PCC, agencia, segundo os dados do acordo de delação com o Ministério Público, os jogadores Caio Matheus, Felipe Negrucci, Du Queiroz e Igor Formiga. Como prova da ligação da empresa com integrantes do PCC, o delator entregou cópias de conversas de WhatsApp do empresário Felipe D’Emílio Paiva com Rafael Maeda Pires, o Japa do PCC, um dos homens fortes da facção, encontrado morto na garagem de um prédio no Tatuapé em 2023. Gritzbach afirmou que conheceu Maeda como piloto de fórmula HB20 e vendedor de carros.

Ao Estadão, A FFP disse que “não tem conhecimento da alegada delação” e que “todas as transações realizadas são pautadas na transparência e na legalidade”.

Nas conversas, Maeda e Felipe tratam da contratação de jogadores e da assinatura de contratos, além de pagamentos em real e euro. Filipe Tancredi, outro sócio da FFP, menciona o desejo de ter como cliente o zagueiro Bremer, na época no Torino e hoje na Juventus. O atleta, porém, não assinou contrato com a agência. Ele é agenciado por outra empresa.

Há fotos de jogadores e de montes de dinheiro. Existem ainda menções sobre negociações de atletas com o ex-presidente do Corinthians Duílio Monteiro Alves e com o ex-técnico do sub-20 do time, o ex-jogador Danilo, a quem pediriam referência sobre atletas.

Ao Estadão, por meio de sua assessoria, Duílio afirmou que “nunca manteve relação pessoal nem comercial com Japa”. Também disse não ter trocado mensagens com Japa. O dirigente alegou que, por ter sido presidente do Corinthians, um dos maiores clubes do País, era normal que seu nome fosse citado muitas vezes em negociações de atletas.

O Corinthians disse que recebeu “com enorme surpresa a notícia da possibilidade de atletas supostamente agenciados por integrantes do crime organizado terem formalizado contratos com o clube” e ressaltou que tais contratos teriam sido celebrados anteriormente à gestão atual. O clube também afirmou que está “à disposição para fornecer quaisquer documentos que as autoridades reputem importantes e, também, prestar qualquer esclarecimento necessário à completa apuração dos fatos”.

O Estadão procurou São Paulo, Grêmio, Novorizontino e Atlético-MG. Os tricolores paulista e gaúcho afirmaram que não vão se posicionar, enquanto os outros dois clubes até as 21h15 não haviam dado retorno. Também entrou em contato com Real Madrid, Milan, Juventus e Nottingham Forest, mas devido ao fuso horário na Europa o expediente já tinha sido encerrado. Caso os clubes se manifestem sobre a delação envolvendo empresas que agenciam ou agenciaram seus atletas, as informações serão imediatamente acrescentadas à reportagem.

Por fim, Gritzbach entregou aos investigadores comprovantes de pagamentos feitos pela FFP para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para mostrar que Maeda tinha conhecimento do cotidiano da empresa. Para ter licença da Fifa e poder operar no Brasil, um agente de jogador ou dono de empresa que agencia atletas tem de pagar R$ 8 mil – uma única vez – e R$ 250 a cada atleta registrado.

Sequestro e mortes no Tatuapé
Maeda e Tripa são suspeitos de agir a mando de um dos maiores traficantes do PCC: Anselmo Bechelli Santa Fausta, o Cara Preta ou Magrelo, lavando recursos da venda de entorpecentes. Gritzbach afirma que Tripa é ligado à facção e participou ao lado de Maeda do sequestro do qual ele foi vítima, quando o PCC ameaçou matá-lo em razão justamente do assassinato de Anselmo, ocorrido em 27 de dezembro de 2021, no Tatuapé. Gritzbach é acusado de ser mandante do crime – ele alega inocência.

São Paulo vai à CBF contra gritos homofóbicos; Palmeiras se manifesta: ‘Contra a intolerância’
Gritzbach teria sido levado para um imóvel do tribunal do crime. Tripa, segundo ele, obrigou o empresário a telefonar para sua família para se despedir. E pôs luvas cirúrgicas dizendo que iria esquartejá-lo, exibindo à vítima o filme em que outro acusado do crime, Noé Alves Schaum, foi esquartejado por um integrante do PCC conhecido como Klaus Barbie, uma referência ao oficial nazista que atuou na França ocupada durante a 2ª Guerra, onde se tornou o Carniceiro de Lyon..

A cabeça de Schaum foi deixada na mesma praça onde Cara Preta e seu motorista, Antonio Corona Neto, o Sem Sangue, foram executados. Já o corpo foi deixado em Suzano, na Grande São Paulo.

Solto pelo tribunal do crime da facção com o compromisso de devolver o dinheiro das bitcoins, Gritzbach acabou preso pela polícia. Atualmente, ele está em prisão domiciliar e escapou de um atentado em que um tiro de fuzil foi disparado contra a janela de seu apartamento na véspera do Natal de 2023, quando já negociava a delação premiada. Tanto Tripa quanto Maeda negaram as acusações quando foram ouvidos pela polícia em 2022.

Agora, os promotores estão ouvindo o delator para recolher mais provas sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro e compreender como os recursos do tráfico internacional de drogas eram esquentados no negócio de compra e venda de atletas.

 

 

Fonte: O Estado de São Paulo

Patryck é diagnosticado com fratura na clavícula e segue internado

O jovem lateral esquerdo Patryck Lanza foi diagnosticado nesta segunda-feira com uma fratura na clavícula direita. O São Paulo confirmou a lesão do defensor, que segue internado no Hospital Albert Einstein.

Patryck, no entanto, deve receber alta ainda nesta segunda-feira. O lateral passou por uma série de exames neurológicos no hospital, para onde foi encaminhado após deixar o clássico contra o Palmeiras, neste domingo, de ambulância.

O lateral entrou em campo no lugar de Ferreirinha, que também sofreu lesão durante a derrota para o Palmeiras. No segundo tempo, após choque com Estevão, Patryck bateu a cabeça no gramado e caiu desacordado. O jogador foi rapidamente retirado de campo pela ambulância.

Patryck é considerado substituto direto de Welington na lateral esquerda do São Paulo, mas neste domingo o técnico Luis Zubeldía optou por improvisar Michel Araújo no setor, uma vez que estava atuando com três zagueiros e poderia utilizar um atleta mais ofensivo para exercer a função de ala.

O São Paulo não informou quando Patryck pode retornar aos gramados, mas ele deve ser desfalque certo para as próximas partidas do Tricolor na temporada.

 

São Paulo se reapresenta de olho em duelo contra o Nacional

O São Paulo se reapresentou ao CT da Barra Funda nesta segunda-feira, um dia após a derrota para o Palmeiras no Choque-Rei, por 2 a 1, e iniciou a preparação para o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, diante do Nacional-URU. Anunciado nesta manhã, o zagueiro Ruan Tressoldi treinou pela primeira vez como jogador do Tricolor Paulista.

Tressoldi chegou ao São Paulo por empréstimo junto ao Sassuolo, da Itália. O defensor assinou com o Tricolor até junho de 2025 e pode ser contratado em definitivo em caso de cumprimento de metas. Ruan reforçará a equipe no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores – em caso de classificação às quartas de final.

Como de costume, os atletas que atauram por mais tempo contra o Palmeiras realizaram atividades regenerativas, com exercícios de mobilidade, flexibilidade e atividades na piscina.

O técnico Luis Zubeldía e sua comissão passaram ao restante do elenco circuito de mobilidade com aceleração, além de exercício de posse de bola complementado com exercícios de potência aeróbica.

Após empate sem gols na ida, o São Paulo precisa vencer o Nacional para avançar às quartas de final da Libertadores. O duelo acontece nesta quinta-feira, no Morumbis, às 19h (de Brasília).

O elenco volta às atividades nesta terça-feira, novamente no CT da Barra Funda, para o penúltimo treino antes do confronto.

Problemas por lesão

O Choque-Rei rendeu problemas para o São Paulo. O clube atualizou nesta segunda-feira a situação de Patryck, Ferreirinha e Moreira. O lateral esquerdo teve diagnosticada uma fratura na clavícula direita, após se chocar com Estevão no segundo tempo do clássico. O defensor saiu de ambulância do campo, passou por uma bateria de exames neurológicos e segue internado no Hospital Albert Einstein. O jovem de 21 anos deve receber alta ainda nesta segunda.

Já Ferreirinha e Moreira também tiveram lesões diagnosticadas. Substituído no início do jogo, o atacante realizou exame e teve constatada uma lesão do tendão do quadríceps da perna esquerda. O lateral direito, por sua vez, sentiu dores após a partida e, depois de avaliação, foi confirmada contusão muscular na região posterior da coxa esquerda. O São Paulo não informou o prazo de retorno, mas os jogadores já iniciaram o processo de recuperação no CT.