Entenda próximos passos do processo de impeachment de Casares

O Conselho Deliberativo do São Paulo se reuniu na noite da última sexta-feira no Morumbis e decidiu aprovar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. Com isso, o dirigente foi afastado do cargo de maneira imediata.

Mas, quais são os próximos passos do proceso? A Gazeta Esportiva explica os detalhes abaixo:

Próximos passos
Com o afastamento de Casares, Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, terá que definir uma data para a Assembleia Geral dos Sócios, última instância do processo de destituição que conta com a participação dos associados do clube.

Casares permanecerá afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem que ele deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído. Por outro lado, se os associados forem contra o impeachment, ele retorna à cadeira presidencial normalmente.

Se Julio Casares for definitivamente destituído da presidência após a Assembleia Geral dos Sócios, perderá o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. No entanto, ele se manteria como associado do clube e estaria apto a concorrer a qualquer outro cargo em uma eleição futura.

Porém, existe a possibilidade do rito não acontecer. Aliados de Casares indicam que o presidente afastado pode renunciar ao cargo nas próximas horas.

Quem assume?
Quem assume a presidência do São Paulo de forma interina é o vice-presidente da atual gestão, segundo consta no Estatuto Social do clube. Neste caso, o sucessor imediato é o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021.

Conforme o Estatuto do São Paulo, Massis Jr. ficará no clube até o término do mandato do presidente afastado. Ou seja, ele comandará o Tricolor até o fim de 2026.

Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto adminstrativo entre 1992 e 1993.

Primeiras decisões
Harry Massis Jr. terá decisões importantes a serem tomadas logo nos primeiros dias de sua gestão interina. Além de negociações em andamento, como a possível ida do meio-campista Alisson ao Corinthians, o presidente terá que decidir como ficará a estrutura do departamento de futebol.

Atualmente, o setor é chefiado pelo executivo Rui Costa. Porém, Márcio Carlomagno, superintendente geral do clube e ‘braço direito’ de Julio Casares, também vinha frequentando o CT da Barra Funda. Resta saber qual será o futuro do profissional.

Massis é tido como uma figura “tranquila e conciliadora”. Em seu primeiro discurso como presidente interino do São Paulo, ele prometeu trabalhar para “proteger a instituição”.

Impeachment de Casares
Ao todo, 235 conselheiros compareceram à reunião que aprovou o impeachment de Julio Casares, que teve o nome envolvido em vários escândalos recentes. Foram 188 votos a favor da destituição e 45 contra, além de dois votos em branco. O clima do encontro foi cordial. Inicialmente, Casares e seus advogados se defenderam perante o Conselho. Em seguida, os signatários do pedido de impeachment também argumentaram.

Do lado de fora, entretanto, houve muita pressão. Torcedores do São Paulo protestaram com faixas e fogos de artifício nos arredores do Morumbis pedindo o impeachment de Julio Casares.

A pressão sobre Casares cresceu com o desenrolar dos últimos fatos. Diante das polêmicas divulgadas na imprensa e os casos investigados pela Polícia Civil, torcedores fizeram fortes manifestações contra o presidente. Principais organizadas do São Paulo, a Independente e a Dragões da Real exigiram a renúncia antes mesmo da votação de impeachment ser marcada.

Harry Massis assume presidência e diz: “O SP não merece o que aconteceu”

Harry Massis Júnior, novo presidente do São Paulo, fez um rápido pronunciamento aos jornalistas presentes no Morumbi na noite desta sexta-feira, minutos depois de Julio Casares ser afastado do cargo.

Em reunião do Conselho, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment do presidente, que deixa o cargo preventivamente. Foram 45 votos contra e dois em branco.

– Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim – disse o dirigente.

– Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente a torcida, que é o maior patrimônio que nós temos. Todos sabem que vivemos um momento difícil. Existem investigações em andamento e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida.

Após a votação, Massis se dirigiu aos torcedores presentes para uma rápida conversa. Ele trocou cumprimentos com membros das organizadas, que protestaram e aprovaram a saída de Julio Casares do comando do Tricolor.

– O que posso dizer com clareza é que o clube vai continuar competindo e honrando sua camisa e sua história. A presidência que começa hoje tem um compromisso simples e firme: cuidar do clube, proteger a instituição e agir com responsabilidade e transparência. Não é hora de julgamento precipitados nem de discurso vazio.

Derrotado no Conselho, Casares está fora da presidência até que o impeachment seja votado em Assembleia Geral entre os sócios do clube. A votação vai ocorrer em no máximo 30 dias.

Então vice-presidente, Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume o cargo imediatamente. Ele é empresário do ramo hoteleiro e possui uma rede de estacionamentos na capital paulista.

O São Paulo vive uma das maiores crises de sua história. Mergulhado em uma dívida de R$ 912 milhões, o Tricolor vive um caos político com as últimas denúncias de possíveis desvios de dinheiro de cerca de R$ 11 milhões durante a gestão de Casares.

Casares sofre impeachment e é afastado da presidência do São Paulo

Julio Casares está afastado preventivamente da presidência do São Paulo. Em reunião híbrida do Conselho Deliberativo nesta sexta-feira, no Morumbis, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment do presidente. Foram 45 votos contra e dois em branco.

O vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume o cargo imediatamente. Ele é empresário do ramo hoteleiro e possui uma rede de estacionamentos na capital paulista.

— Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente a torcida, que é o maior patrimônio que nós temos. Todos sabem que vivemos um momento difícil. Existem investigações em andamento e elas precisam ser tratadas com seriedade, calma, respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida.

 

— O que posso dizer com clareza é que o clube vai continuar competindo e honrando sua camisa e sua história. A presidência que começa hoje tem um compromisso simples e firme: cuidar do clube, proteger a instituição e agir com responsabilidade e transparência. Não é hora de julgamento precipitados nem de discurso vazio — afirmou Massis, em pronunciamento após o anúncio do resultado da votação.

— Estou triste. Não era isso que eu queria. O São Paulo não merece o que aconteceu. Nunca gostaria de ter assumido assim — reforçou o novo presidente.

 

Derrotado no Conselho, Casares está fora da presidência até que o impeachment seja votado em Assembleia Geral entre os sócios do clube. A votação vai ocorrer em no máximo 30 dias.

 

Para ser aprovado, o impeachment de Casares precisava de 170 votos a favor nesta sexta-feira, o que representa dois terços dos 254 conselheiros do São Paulo. Se a destituição tivesse menos votos do que isso, o dirigente seguiria no poder.

A reunião desta sexta-feira foi híbrida, com possibilidade de participação à distância e do Morumbis. Ao todo, 223 conselheiros participaram, sendo 168 de maneira presencial e 55 online. O voto era secreto.

Protestos de torcedores contra Casares
O encontro desta noite também foi marcado por protestos de torcedores. Planejado pelas principais torcidas organizadas do São Paulo, o movimento apoiou o impeachment de Casares.

Torcedores se reuniram nos arredores da sede social do Tricolor para protestar contra a atual diretoria e pedir a saída do dirigente.

Além do atual presidente, Mara Casares, ex-mulher do dirigente e ex-diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo, e Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto de futebol de base do Tricolor, também foram alvos dos torcedores.

Entenda o movimento de impeachment do presidente
O requerimento foi protocolado pelo grupo de conselheiros do São Paulo e se baseou, principalmente, na exploração clandestina de um camarote do Morumbis, revelada pelo ge em reportagem de dezembro.

Em um áudio obtido com exclusividade, os diretores Mara Casares e Douglas Schwartzmann admitem ter participado de um esquema para uso clandestino de um camarote no show da Shakira, em fevereiro deste ano. O agora diretor adjunto licenciado de futebol de base do São Paulo também admite ter ganhado dinheiro.

– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.
O Ministério Público tem dois inquéritos para apurar os acontecimentos, um civil e outro criminal. O segundo, inclusive, já estava aberto e neste momento é tocado pela Polícia Civil, que apura possíveis desvios de dinheiro do São Paulo.

O órgão apura a razão do recebimento de R$ 1,5 milhão por depósitos em dinheiro nas contas de Julio Casares. Outra investigação tenta explicar 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões.

Força tarefa de inquérito se reúne e recebe presidente do Coaf

A força tarefa que conduz as investigações criminais sobre potenciais desvios de dinheiro do São Paulo passou a manhã desta sexta-feira reunida. Participaram da conversa os dois promotores designados para o caso, José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, o delegado que preside o inquérito Tiago Correia e agentes da Policia Civil.

O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) Ricardo Saadi também esteve presente, prestou apoio e colocou o órgão à disposição para aprofundamento das investigações.

Na reunião, a equipe de investigação analisou as provas existentes até o momento e definiu próximos passos. O inquérito corre em sigilo de Justiça, e nem a Polícia Civil nem o Ministério Público fornecem informações sobre seu conteúdo e andamento.

O UOL revelou no último dia 6 que relatórios do Coaf apontaram o recebimento de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, em depósitos fracionados na conta do presidente do São Paulo Julio Casares. Esses depósitos compõem uma das frentes de investigação.

A polícia também apura o saque de R$ 11 milhões em dinheiro das contas do próprio São Paulo, além de aumentos de patrimônio de outros dirigentes incompatíveis com a renda e a denúncia de venda de camarote clandestino no Morumbis.

Além das investigações criminais, o São Paulo também é alvo de inquérito civil, que apura potenciais desvios de dinheiro e gestão temerária. Mais de 25 pessoas foram convocadas para depoimentos; a lista inclui nomes como o próprio Julio Casares, o CEO Marcio Carlomagno, o coordenador técnico Muricy Ramalho, além de nomes de fora do clube.

Em meio à grande pressão, o conselho deliberativo do São Paulo vota na noite desta sexta o impeachment do presidente Julio Casares. A reunião começa às 18h30, e permitirá voto presencial e online – a votação terminará Às 22h30.

Para o afastamento de Casares é necessário que pelo menos 75% do conselho – equivalente a 191 conselheiros – vote, e pelo menos 171 votem pelo afastamento.

 

Fonte: Uol

SP deixa Alisson fora do clássico em meio à negociação com Corinthians

O São Paulo não vai relacionar Alisson para o clássico contra o Corinthians, neste domingo, às 16h, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Paulista.

O jogador, que neste momento está envolvido exatamente numa negociação com o arquirrival, foi retirado dos jogos num consenso entre clube e atleta. Ele não participou da vitória contra o São Bernardo, no Morumbis, na noite da última quinta-feira.

O Corinthians quer o volante de 32 anos e ofereceu alguns jogadores para uma troca. O São Paulo, até aqui, não se interessou pela lista, já que ela conta com jogadores que hoje não estão nos planos do rival. Outros nomes foram sugeridos por parte do Tricolor.

Segundo apuração do ge, as negociações continuam e podem ser concluídas por vários caminhos: troca de atletas, empréstimo com compra fixada ou até mesmo venda. Vale lembrar que Alisson chegou sem custo de transferência ao São Paulo, em 2021, após saída do Grêmio.

A nova consulta do Corinthians aconteceu por meio de Marcelo Paz, novo executivo de futebol. O jogador, embora goste muito do São Paulo, sabe que seu espaço diminuiu com o técnico Hernán Crespo nos últimos tempos. O elenco hoje tem outros volantes à frente.

Pelo lado do Corinthians, a diretoria não pretende negociar jogadores que foram pilares da campanha vitoriosa na Copa do Brasil, como Raniele e José Martínez, que chegaram a ser sondados.

Muito querido pelo técnico Dorival Júnior, responsável pela transformação na carreira do jogador, que deixou de ser atacante para se tornar um meio-campista mais defensivo, Alisson tem 32 anos e um contrato válido até o fim de 2027.

Dorival comentou a possibilidade de trabalhar novamente com ele.

– É um grande jogador, mas está no nosso rival neste momento. Temos que respeitar toda e qualquer situação, as diretorias se conversam, jogadores que interessam ao São Paulo ou ao Corinthians, as conversas transitam dentro de uma normalidade e um respeito muito grande entre os diretores – disse o técnico após a derrota para o Bragantino, na última quarta-feira.

Namorada de Julio Casares, Mara Carvalho relata ameaças na internet

O caos político vivido pela gestão de Julio Casares está respingando para fora do São Paulo. A namorada do presidente, Mara Carvalho, relatou em seu Instagram que está sofrendo ameaças de pessoas infelizes com o mandatário tricolor, que pode ser afastado do cargo nesta sexta-feira caso seja aprovado o andamento do processo de impeachment contra ele.

Mara Carvalho ainda levantou a suspeita de estar sendo confundida com Mara Casares, ex-esposa do presidente que é Diretora Feminina, Cultura e de Eventos do São Paulo e que, recentemente, se envolveu em uma polêmica sobre um suposto esquema ilegal para a venda de camarotes no Morumbis.

“Eu sou atriz, roteirista, diretora e produtora. Sou esposa do Julio Casares, e acho tudo que está acontecendo muito lamentável. Por coincidência, tenho o mesmo nome da ex-esposa dele. Sou Mara CARVALHO, ela é Mara CASARES. Tenho recebido ameaças, pessoas querendo me linchar, querendo entrar no meu restaurante e pegar no meu celular. Lamentável a atitude doentia do ser humano. Quero deixar claro que não tenho nada a ver com isso. Precisarei tomar atitudes para me proteger e ter a minha vida de volta”, desabafou Mara Carvalho em seu Instagram.

Ameaças
O perfil oficial de Mara foi invadido por inúmeras ameaças e reclamações sobre a gestão de Casares no São Paulo. Como consequência disso, ela proibiu comentários em suas publicações.

Nesta sexta-feira, os conselheiros do São Paulo se reunirão para votar o impeachment de Casares nas dependências do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbis. A primeira chamada está prevista para às 18h30 (de Brasília), enquanto a segunda acontece às 19h.

Fonte: Gazeta Esportiva

Nota do PP: aprendeu a ser mentirosa com o namorado. Nenhuma ameaça foi feita contra ela. A torcida colocou faixas de Fora Casares na frente do restaurante dela. Ninguém ameaçou ninguém. Mentirosa!

Rádio São Paulo arma esquema gigantesco de cobertura

A Rádio São Paulo preparou um grande esquema de cobertura da votação do afastamento do presidente Júlio Casares. Incluída no pool de canais do Somos Todos São Paulinos, faremos o programa Super Somos Todos São-Paulinos, a partir das 17h30, sem hora para acabar.

Teremos três pontos de estúdio: eu estarei em um, Dario Campos em outro e Ramoni Artico em outro, ao lado do Estádio. Dentro do clube estará André Naves, entrevistando sócios; no corredor dos conselheiros ficará Rodrigo Sérvulo, ouvindo os responsáveis pelo voto.

Do lado externo teremos Amanda Nunes, que ficará no local destinado a PCDS, bastante privilegiado; no meio da torcida estarão Marcelo Portuga, Caio Lima, Alexandre Giesbret e Drex.

Será uma grande cobertura jornalística, como nos tempos em que eu estava na Jovem Pan e na Bandeirantes. Garanto que nenhum canal, seja de mídia alternativa, seja da mídia tradicional, terá o volume de profissionais e de informações que nós estamos disponibilizando.

No caso dos meus canais, vou transmitir pela Rádio São Paulo e Tricolornaweb (em áudio) YouTube e X (vídeo). Estarão na rede os canais de Youtube da São Paulo Digital, Frente Democrática e Tribuna Tricolor, , canais do X do Agonia Tricolor, Anotações Tricolores, Torcida Tricolor PCD.

Fiquem com essa equipe maravilhosa. Você será o torcedor mais bem informado do planeta.

Quem é o vice do São Paulo, Harri Massis, que pode virar presidente

O empresário Harry Massis Junior, de 80 anos, pode terminar a noite de sexta-feira na presidência do São Paulo caso o processo de impeachment do presidente Julio Casares seja aprovado na votação desta noite, marcada para as 18h30 (de Brasília), no Morumbis.

Membro do grupo político Vanguarda, que deixou a coalizão, Massis foi eleito com Casares para o triênio 2021/22/23 e reeleito para o período 2024/25/26.

Conselheiro vitalício, é sócio do clube desde 1964 e já ocupou diversas funções de diretoria. Empresário, é dono do Hotel Massis, no bairro da Consolação, em São Paulo, e de uma rede de estacionamentos que atua no setor desde 1963.

Em contato com o ge, ele confirmou que vai se posicionar a favor da saída de Casares nesta noite, em reunião que tem votos secretos. Segundo o estatuto, é ele quem assume o cargo em caso de afastamento do presidente, mantendo-se ali até o último dia de mandato, no fim de 2026.

Os conselheiros poderão votar presencialmente no Morumbis ou virtualmente para decidirem pela saída ou não do dirigente. Serão necessários 170 votos favoráveis para que Casares sofra impeachment. O colégio eleitoral conta com 254 conselheiros.

Projeção da votação para impeachment de Casares aponta para afastamento

Conselheiros do São Paulo estimam que o impeachment de Júlio Casares será aprovado em votação nesta sexta-feira. Projeções indicam que o mínimo necessário de 171 votos será superado com folga.

O levantamento ao qual o Estadão teve acesso indica 203 votos favoráveis ao impeachment. O cálculo leva em conta o contato individual com conselheiros, mesmo que os grupos políticos internos aos quais eles fazem parte não tenham se manifestado publicamente.

A oposição incentiva a participação presencial na reunião. Isso porque há o entendimento de que é necessário quórum de 75% (191) para que a reunião seja válida. Ao todo, são 254 conselheiros aptos a votar.

Casares enfrenta dissidências da coalizão que tinha quando foi eleito. Entre os desembarques mais recentes está o Movimento Sempre Tricolor (MST), liderado pelo diretor-geral do clube social, Antonio Donizete Gonçalves, mais conhecido como Dedé.

“Nós, do MST, somos veementemente contra qualquer tipo de ato ilícito. Votaremos a favor da suspensão do presidente”, comentou Dedé em uma publicação nas redes sociais. O MST conta com 40 conselheiros.

Até mesmo o Participação, de Casares, publicou comunicado sobre a saída da gestão. O grupo tem cerca de 55 conselheiros. Acompanharam o movimento, o Legião (de Carlos Belmonte, também com 40) e o Vanguarda (de Harry Massis Júnior, com cerca de 20 conselheiros).

Já os votos contrários ao impeachment estão projetados em cerca de 50. Seriam de conselheiros de movimentos que não manifestaram publicamente a saída da coalizão, como o Força São Paulo, do presidente do Conselho Deliberativo Olten Ayres de Abreu Júnior; e o Sempre Tricolor, do dirigente Fernando Bracalle, o Chapecó.

Como funciona o impeachment no São Paulo?
O procedimento foi aberto por um pedido com 57 assinaturas (o mínimo era de 50). Casares teve respaldo do Conselho Consultivo, que emitiu parecer contrário ao impeachment. Na prática, o documento não é determinante, mas serve para embasar a discussão dos votos.

Se houver, no mínimo, dois terços dos votos, Casares é afastado provisoriamente. Em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.

 

Entenda como será a votação do impeachment de Julio Casares

Nesta sexta-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo irá votar o impeachment do presidente Julio Casares. Neste sentido, a Gazeta Esportiva separou tudo que você precisa saber sobre o encontro que pode afastar temporariamente o mandatário tricolor.

Horário e local
Os conselheiros do São Paulo se reunirão para votar o impeachment de Casares nas dependências do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbis. A primeira chamada está prevista para às 18h30 (de Brasília), enquanto a segunda acontece às 19h.

A votação será realizada de maneira híbrida. Principal organizada do São Paulo, a torcida Independente convocou os torcedores para um protesto antes da reunião. A tendência, portanto, é que a segurança nas redondezas do estádio seja reforçada.

“A convocação é pela SOBREVIVÊNCIA do São Paulo FC antes mesmo da temporada começar. O cenário é de caos institucional e precisamos nos reagrupar enquanto torcida do SPFC, esquecer diferenças e ideologias, focarmos somente no que importa nesse momento: A moralidade!

Pra isso, temos que derrubar essa gestão que traiu tanto a nós quanto a vocês. Dia 16 de janeiro será a votação no Conselho Deliberativo, sobre o impeachment da gestão Casares, a partir das 18h30.

17h marcaremos o início da nossa mobilização. Vá ao Morumbi, vamos mostrar a força do nosso povo mais uma vez. Não nos tornamos o mais popular por acaso. Fizemos acontecer a torcida que conduz e chegou a hora de provar, outra vez, o que somos capazes de fazer JUNTOS, organizados e comuns.

Conselheiros, o recado é claro. Votem pelo impeachment e mais, está na hora de pensarem seriamente em derrubar os cargos vitalícios. Sejam são-paulinos!”, publicou a organizada.

Como vai funcionar
A votação no Conselho será totalmente secreta e já passou por mudanças desde o início do processo. Inicialmente, o pleito seria realizado de maneira 100% presencial e, para a aprovação do impeachment de Casares, com base no artigo 112 do Estatuto Social do clube, seriam necessários dois terços dos conselheiros — ou seja, 171 dos 254 membros aptos.

No último dia 8 de janeiro, por sua vez, a defesa de Julio Casares levou a Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, uma interpretação baseada no artigo 58, que indica que seriam necessários 75% dos votos dos conselheiros para que a destituição fosse acatada (191 dos 254 membros). O pedido de mudança foi aceito pelo mandatário do CD, que concedeu coletiva de imprensa e justificou as alterações.

Diante deste cenário, a Frente Democrática, com os grupos Salve o Tricolor Paulista e o Movimento 1930 foram à Justiça e entraram com uma ação visando promover mudanças no quórum necessário para a aprovação do impeachment e também no formato da reunião. Em decisão proferida pela 3º Vara Cível do Butantã, a liminar foi aceita e determinou que o pleito será realizado de forma híbrida, com votos presenciais ou virtuais.

Além disso, a juíza responsável pela decisão também entendeu que é preciso ter 75% dos conselheiros (191 conselheiros) para que a reunião aconteça, mas o impeachment pode ser aprovado mediante os votos favoráveis de dois terços dos conselheiros (171), como seria antes do CD aceitar o pedido da defesa de Casares. O São Paulo tentou recorrer, mas a liminar foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Caso o Conselho do São Paulo aprove o impeachment de Casares, o presidente será afastado imediatamente do cargo, que será assumido por Harry Massis Júnior, primeiro vice-presidente do clube. Em contrapartida, se a destituição não passar no CD, o caso será encerrado.

Possíveis próximos passos
Se o Conselho Deliberativo der parecer positivo quanto ao impeachment de Casares, Olten Ayres, presidente do órgão, terá de definir uma data para a Assembleia Geral dos Sócios, que é a última instância do processo de destituição e conta com a participação dos associados do clube.

Nesse cenário, Casares permaneceria afastado de suas funções até a divulgação do resultado final da Assembleia Geral. Se os sócios endossarem que ele deve deixar o cargo, o mandatário será definitivamente destituído. Por outro lado, se os associados forem contra a destituição, ele retorna à cadeira presidencial normalmente.

Consequências de uma possível destituição
Caso Casares seja definitivamente destituído da presidência após a Assembleia Geral dos Sócios, perderá o restante do mandato, que iria até o fim de 2026. No entanto, ele se manteria como associado do clube e estaria apto a concorrer a qualquer outro cargo em uma eleição futura.

Quem assumiria a presidência?
Com o possível impeachment de um presidente, quem assume de maneira imediata é o vice-presidente da atual gestão, segundo consta no Estatuto Social do clube. Neste caso, com a eventual destituição de Julio Casares, o sucessor imediato é o vice Harry Massis Júnior, que está no cargo desde 2021.

Conforme o Estatuto do São Paulo, Massis Jr. ficaria no clube até o término do mandato do presidente que foi destituído. Ou seja, o novo presidente comandaria o Tricolor até o fim de 2026.

Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto adminstrativo entre 1992 e 1993.

Os motivos
A gestão de Julio Casares no São Paulo vive seu período de maior turbulência. Diante dos recentes escândalos divulgados pela imprensa e das investigações abertas pela Polícia Civil, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou o pedido de impeachment do presidente com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.

O grupo político reuniu 57 assinaturas de conselheiros. Além disso, os opositores divulgaram que deste montante, 13 são atores políticos considerados da situação. Ou seja, antigos aliados de Julio Casares estão mudando de lado no tabuleiro político tricolor.

A cronologia
A pressão política sobre Casares começou a crescer no dia 16 de dezembro de 2025, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis, feita pelo ge. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, o UOL revelou que a Polícia Civil também investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, quando se iniciou a gestão Casares. Foi após este escândalo que o grupo de conselheiros da oposição decidiu protocolar o pedido de impeachment do mandatário tricolor.

Já no último dia 6 de janeiro deste ano, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.

Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube, segundo revelado pelo Fantástico. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.

Já na última quinta-feira, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.

Para coletar informações, o órgão listou uma série de nomes e entidades que podem ser convocados para prestar informações e esclarecimentos. Na lista, além de Julio Casares, presidente do São Paulo, e membros da diretoria do clube, estão Samir Xaud, presidente da CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

Perda de apoio das organizadas
Após os escândalos, as principais organizadas do São Paulo — Independente e Dragões da Real — se manifestaram pela primeira vez, de forma contundente, exigindo a renúncia de Julio Casares.

“NOTA OFICIAL: RENÚNCIA JÁ. RESPEITEM O SPFC!

A coisa é séria, é SPFC e por isso a Torcida Independente aguardou inquérito policial e judicialmente o andamento das denúncias sobre a gestão Júlio Casares e cia, porque não poderíamos errar o posicionamento por achismos ou falta de provas. Eis que o tempo mostrou uma verdade cretina, covarde e canalha daquele que dizia ser o ‘presidente da arquibancada’.

Nunca confunda torcedor, apoiar o São Paulo como sempre apoiamos com passar pano pra diretoria ou pior, fazer parte de esquemas. A prática institucional do São Paulo com as torcidas organizadas existe desde a fundação da primeira TO do clube, bem como esteve presente nas diretorias que conquistaram os 3 Mundiais, com dirigentes honestos que marcaram época.

Pra nós é justo. Afinal, são TODOS os jogos no Morumbi, pelo Brasil e pelo continente, representando a torcida do São Paulo FC. O apoio incondicional ao TIME em meio a gestões desastrosas, salvou o SPFC de cair e levou o nosso time aos títulos que voltaram. Quanto a derrubar cartolagem, precisávamos de provas. Agora elas existem. Mas não somos nós que derrubamos, que fique claro.

Hoje fazemos voz com todos que querem FORA CASARES mas ele só sai por RENÚNCIA espontânea ou por impeachment do Conselho. Lembramos, 1/3 de conselheiros são suficientes pra manter o cara no poder. Apontaremos Conselheiro por Conselheiro se for necessário.

Mara Casares, Douglas Schwarztmann, a Justiça, o Ministério Publico, a Polícia, estão no circuito. Exigimos que quaisquer outros conselheiros envolvidos em escândalo também sejam expostos.

BASTA de circo! O time já está treinando, sem dinheiro, sem reforços de peso. Nem diretoria de futebol está nomeada. O navio está à deriva. A RESPONSABILIZACAO DE TODOS e que a Justiça prevaleça! Não aceitaremos menos do que isso”, escreveu a Independente.

 

Blindagem ao futebol?
As questões políticas do São Paulo parecem estar afetando o elenco profissional dentro de campo. O Tricolor paulista perdeu para o Mirassol na estreia do Campeonato Paulista, por 3 a 0, e já se viu em maus lençóis após a mudança no formato do Estadual. O técnico Hernán Crespo comentou a necessidade de blindar os atletas dos problemas nos bastidores, mas reconheceu a situação complicada.

“É um momento delicado. Acredito na Justiça. A Polícia está trabalhando e ainda não tem um culpado, então eu acompanho com confiança, pensando que, até que se prove o contrário, todo mundo é inocente. Todo mundo está tentando ajudar, colocando a cara e trabalhando todo dia para melhorar a situação. O grupo de atletas tem que estar blindado, é um problema que tem que ficar fora. É difícil? Muito difícil”, disse.

Após a vitória sobre o São Bernardo, Crespo evitou comentar sobre a crise política, mas afirmou que torce por um desfecho rápido da situação.

“Temos que ficar fora das situações políticas, mas condiciona sim, claro que condiciona. O mercado, se ficam, se saem. Todo mundo precisa que o São Paulo seja claro para poder construir, com base sólida para poder construir um clube ainda maior. Como falei outro dia, o São Paulo é maior que todos nós juntos. A coisa mais importante é isso: estar unidos, trabalhar, e o que tem para acontecer, que aconteça. Estamos focados aqui, no que podemos controlar, estamos fazendo, que é o jogo, treinador. O que quer que aconteça, espero que se resolva rapidamente, para o bem do São Paulo”, comentou o treinador.