Saída de Carlomagno foi cartada de novo presidente por aliados

A saída de Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo, foi uma sinalização do novo presidente do clube, Harry Massis Júnior, à sua nova base política.

Reverberação política
Como o UOL revelou, Carlomagno deixará o São Paulo. Braço direito de Julio Casares, que renunciou ao cargo na tarde de ontem, Marcio teve, na tarde de terça-feira, uma conversa com Massis que selou sua saída do clube. A decisão será oficial em breve.

A medida foi muito festejada por opositores de Julio Casares, pivôs do avanço do processo de impeachment que afastou o ex-mandatário e colocou Massis na presidência do clube.

Horas antes da partida contra a Portuguesa, no Morumbis, Massis realizou uma reunião com coordenadores da antiga oposição, que reafirmaram apoio ao presidente. Ex-opositores foram, em seguidas, convidados a assistir à derrota por 3 a 2 no camarote da presidência.

No encontro, o novo presidente garantiu que realizará mais alterações no corpo diretivo do clube. Ressaltou, porém, que não ‘acelerará’ mudanças e que o foco seguirá em ‘abaixar a poeira’ política que tomou os bastidores do Morumbis nos últimos meses.

Pressão por ‘limpa’
O UOL revelou, conselheiros de oposição a Casares pedem a Massis a demissão de vários diretores e gerentes remunerados. Executivo de futebol, Rui Costa foi poupado neste primeiro momento.

Dentre os alvos dos oposicionistas estavam: Marcio Carlomagno (superintendente geral), Sérgio Pimenta (diretor financeiro), José Eduardo Martins (diretor de comunicação), Érica Duarte (gerente do jurídico), Erika Podadeira (diretora executiva administrativa), Eduardo Rebouças (diretor de infraestrutura), Antonio Donizete Gonçalves (diretor social) e Eduardo Toni (diretor de marketing).

A avaliação é que que Massis deveria realizar ‘uma limpa’ nos departamentos do clube, como uma forma de se descolar da gestão de Casares, afastado do clube.

Muricy pede demissão do São Paulo; Rafinha é cotado para a vaga

Muricy Ramalho não é mais o coordenador de futebol do São Paulo. Nesta sexta-feira, o ídolo do Tricolor pediu demissão do clube.

Ex-treinador, Muricy exercia função de coordenador do clube desde janeiro de 2021, quando iniciou a gestão de Julio Casares, presidente que renunciou ao cargo na última quarta-feira.

Muricy foi submetido a uma cirurgia no joelho recentemente e terá de passar por um novo procedimento em breve. Fora do dia a dia do clube, ele não quis se licenciar do cargo e optou pelo desligamento.

Ídolo do São Paulo, Muricy Ramalho foi jogador e técnico do clube. Como treinador, inclusive, ele marcou época ao ser o comandante da conquista do tricampeonato brasileiro em 2006, 2007 e 2008.

Quem assume a vaga?
O ex-lateral-direito Rafinha é cotado para assumir um cargo no departamento de futebol do São Paulo.

Aposentado dos gramados desde julho de 2025, Rafinha fez história no São Paulo ao conquistar a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa de 2024. Ele atuou pelo Tricolor de 2022 até 2024 e fez 117 partidas.

FPF define arbitragem de Palmeiras e São Paulo

A FPF (Federação Paulista de Futebol) definiu qual será a equipe de arbitragem para o clássico entre Palmeiras e São Paulo, neste sábado, às 18h30 (de Brasília), na Arena Barueri. O árbitro principal será Matheus Delgado Candançan, de 27 anos, responsável por apitar o jogo de volta da decisão do último Paulistão.

Com Candançan, Neuza Inês Back e Alex Ang Ribeiro serão os assistentes. Na cabina do VAR, Thiago Duarte Peixoto comandará, auxiliado por Herman Brumel Vani e Rafael Gomes Félix da SIlva.

Choque-Rei polêmico
O mesmo Matheus Delgado Candançan foi protagonista de um Choque-Rei polêmico em 2024. Em um clássico pelo Paulistão, o São Paulo reclamou de dois lances em que teria sido prejudicado: uma não expulsão de Richard Ríos e um pênalti não marcado em Luciano.

Dias depois, a própria FPF emitiu um comunicado e admitiu que Candançan teria errado nos dois lances reclamados pelo Tricolor. O árbitro não foi punido pela federação.

Só faltou a Daiane no VAR. Aí a equipe estaria completa. Que belo bastidor que nós temos. Só funciona para a Copinha. O resto, não muda nada.

Palmeiras defende longa invencibilidade contra o São Paulo

Palmeiras e São Paulo se enfrentam neste sábado, às 18h30 (de Brasília), na Arena Barueri, em confronto válido pela quinta rodada do Campeonato Paulista. O clássico Choque-Rei chega cercado de expectativa, sobretudo pelo retrospecto recente amplamente favorável ao Verdão.

O Palmeiras não perde para o São Paulo há nove jogos, sequência que reforça a confiança alviverde às vésperas do duelo. Nesse período, acumulou cinco vitórias e quatro empates, com a última derrota em julho de 2023, pela partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil, que garantiu ao Tricolor a vaga na semifinal.

Virada heroica e superioridade em 2025
No confronto mais recente entre as equipes, o Palmeiras venceu o São Paulo por 3 a 2, em um duelo decidido nos minutos finais. Na ocasião, o São Paulo abriu 2 a 0, com Luciano e Tapia, ainda no primeiro tempo. Na volta do intervalo, Vitor Roque iniciou a reação dos visitantes, Flaco López deixou tudo igual e Sosa anotou o gol que garantiu a vitória.

Além deste, o Verdão venceu outros dois clássicos diante do Tricolor Paulista em 2025. Um no primeiro turno do Campeonato Brasileiro e outro válido pelo Campeonato Paulista, ambos pelo placar de 1 a 0. Na primeira vez que se enfrentaram na última temporada, a partida terminou com empate sem gols. Esta, inclusive, foi a única em que o Palmeiras não venceu o São Paulo ano passado.

Em 2024, também terminou o ano sem perder, mas com retrospecto regular, com três empates e uma vitória sobre o Tricolor. Um desses empates, no entanto, pela Supercopa do Brasil, levou a decisão para os pênaltis e o Palmeiras saiu derrotado. Já em 2023, uma goleada por 5 a 0 marcou o início dessa longa sequência de invencibilidade do time alviverde no Choque-Rei.

Calleri deve ser relacionado para clássico; Lucas é dúvida

O São Paulo deve ter o atacante Calleri no clássico contra o Palmeiras, neste sábado, às 18h30 (de Brasília), na Arena Barueri. Por causa do gramado sintético do estádio, o centroavante, que se recuperou recentemente de uma cirurgia no joelho esquerdo por lesão sofrida também num campo artificial, era dúvida para o jogo, mas a tendência, até esta sexta-feira, é de que seja utilizado.

Lucas, em contrapartida, ainda não tem uma definição. O atacante também passou 2025 praticamente sem jogar por causa de uma lesão no joelho direito sofrida no gramado sintético do Allianz Parque, casa do Palmeiras. Em entrevista coletiva depois da derrota para a Portuguesa, o técnico Hernán Crespo disse que a decisão será do camisa 7.

– Depende dele (Lucas). Estamos falando dia a dia. Importante que não sinta dor e volte. Ele vai escolher se pode agregar minutagem ou talvez não. Vamos ver – disse o treinador.
Com Calleri praticamente garantido no clássico, o São Paulo definirá nesta sexta-feira se relaciona ou não Lucas.

O São Paulo trata com cautela as situações de Calleri e Lucas, principalmente no gramado sintético. O centroavante rompeu o ligamento cruzado anterior num jogo contra o Botafogo, no Nilton Santos, que tem campo desse tipo, em abril do ano passado. E perdeu todo o restante de 2025.

Calleri só voltou a jogar no início desta temporada e foi titular pela primeira vez contra a Portuguesa, na última quarta-feira, para ganhar ritmo antes do clássico contra o Palmeiras e dar descanso para Tapia, que deve ser titular na Arena Barueri.

Lucas também teve uma grave lesão no joelho direito num gramado sintético. O atacante se chocou com o campo do Allianz Parque no clássico contra o Palmeiras pela semifinal do Campeonato Paulista, em março do ano passado. Desde então, sofreu com dores fortes no local e só se recuperou no início de 2026.

Em novembro de 2025, por causa das dores, passou por uma artroscopia e decidiu ficar longe dos gramados até o início da atual temporada.

O São Paulo e os atletas avaliam os riscos até esta sexta-feira. A tendência, antes do último treino para o clássico, é de que Calleri esteja entre os relacionados. As chances de Lucas não ir para o jogo são maiores.

Corinthians aceita pagar R$ 1 milhão à vista ao São Paulo por Alisson

O Corinthians aceitou as condições apresentadas pelo São Paulo e encaminhou a contratação do meio-campista Alisson, de 32 anos.

Já há um acordo verbal pelo empréstimo até o fim do ano, com o Corinthians assumindo os salários de Alisson. Para que a transferência seja efetivada, o Timão precisará pagar R$ 1 milhão à vista. No segundo semestre, o São Paulo receberá mais R$ 500 mil pelo jogador.

No acordo costurado entre os clubes também ficou estabelecido que o Corinthians pagará mais R$ 1,5 milhão ao São Paulo caso Alisson atinja um determinado número de partidas (a quantidade exata é mantida em sigilo).

Ciente de que a negociação está em estágio avançado, o técnico Dorival Júnior fez elogios a Alisson após o empate em 1 a 1 com o Santos, na última quinta-feira:

— Alisson é um jogador que não vem sendo aproveitado na sua equipe, comigo foi muito bem no período em que lá estive. Quando o conheci no Vasco da Gama, (era) um jogador da base do Cruzeiro emprestado, foi interessante. Eu alterei um pouco da posição que ele jogava em função das características que ele apresenta — disse o treinador.

— Se ele conseguir reencontrar aqui as suas melhores condições, será importante numa posição que precisamos preencher. Temos poucos elementos ali pelo giro que os jogadores que atuam no meio exigem, precisam de alternância ao longo da temporada por conta do desgaste. Tendo número reduzido (de atletas), você fica limitado — completou.

Inicialmente, cogitou-se uma troca de jogadores, mas os nomes oferecidos não agradaram ao Tricolor.

Com isso, a negociação passou a ser por empréstimo, com o Corinthians querendo fazer o negócio sem custos, devido à grave situação financeira do clube. O São Paulo, por sua vez, exigiu uma compensação financeira pela liberação de Alisson.

Neste ano, o Corinthians já anunciou as contratações do zagueiro Gabriel Paulista, do meia Matheus Pereira e do lateral-direito Pedro Milans. O atacante Kaio César será outro reforço, depois de chegar ao Brasil na próxima segunda-feira, passar por exames médicos e assinar contrato. O goleiro João Ricardo, do Fortaleza, também é esperado daqui a cerca de um mês, após se recuperar de cirurgia no ombro.

 

Muricy Ramalho deixará o São Paulo após cinco anos

Muricy Ramalho deixará o São Paulo nos próximos dias.

Decisão tomada
O UOL apurou que a oficialização pende apenas por questões contratuais.

Muricy está de licença desde as festas de fim de ano, por motivos particulares.

O coordenador já havia revelado a pessoas próximas que o ambiente interno se deteriorou nos últimos meses.

A palavra é de que a situação nos bastidores ficou “insustentável”, o que pesou de forma decisiva em sua decisão de deixar o cargo.

Ídolo do clube, Muricy Ramalho voltou ao São Paulo em 2021, contratado pelo então presidente Julio Casares.

Seu contrato tem validade até o final de 2026, quando também terminaria a gestão do antigo presidente, que publicou uma carta de renúncia ao cargo na noite de ontem.

A palavra à reportagem é que Muricy já tinha inclinação a deixar o cargo antes da saída de Casares.

Fonte: Uol

Reuniões e definições: os primeiros passos de Harry Massis na presidência

O São Paulo Futebol Clube tem um novo presidente. Trata-se de Harry Massis Júnior, que assumiu o cargo de maneira definitiva após a renúncia de Julio Casares, entregue na última quarta-feira. Ele decidiu abrir mão da cadeira presidencial diante dos recentes escândalos envolvendo seu nome.

Harry Massis já vinha ocupando o cargo desde a última sexta-feira, quando o Conselho Deliberativo aprovou a destituição de Julio Casares. A decisão precisaria ser ratificada na Assembleia Geral dos Sócios, que não se fez necessária devido à renúncia. Deste modo, Massis será o presidente do São Paulo até o fim do ano.

Ao final de 2026, estão previstas eleições presidenciais para o triênio 2027-2029. As movimentações políticas no São Paulo já estão em curso.

Primeiros passos de Massis
Massis já deu os primeiros passos como presidente do São Paulo, seja de forma interina ou definitiva. No mesmo dia em que o impeachment de Casares foi aprovado pelo CD, ele fez um breve discurso à imprensa, saudou os torcedores presentes no local e foi cobrado por Baby, presidente da Independente, uma das principais torcidas organizadas do Tricolor.

Um dia depois, Massis se reuniu com jogadores e membros da comissão técnica para uma conversa no auditório do SuperCT. O empresário também marcou presença no clássico contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista, no que foi seu primeiro jogo oficial como presidente do São Paulo. Também esteve com a delegação no duelo contra a Portuguesa, no Morumbis.

Uma das prioridades de Massis nos primeiros dias de clube é mergulhar de cabeça nas questões financeiras do São Paulo e resolver pendências com o elenco, como direitos de imagem atrasados. Para isso, também participou de uma conversa com a diretoria executiva do Tricolor.

(Foto: Rubens Chiri/SPFC)

Já na segunda-feira, um dia após o Majestoso, Massis visitou a sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) e realizou uma reunião com o mandatário da entidade, Reinaldo Carneiro Bastos — que esteve, inclusive, no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, no último fim de semana.

Por fim, na última quarta-feira, o novo presidente tricolor começou a promover alguns cortes. Após a renúncia de Julio Casares, foi definido que Marcio Carlomagno, superintendente geral, deixará o clube após o dia 2 de fevereiro. Já Antônio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, deixou o cargo de diretor do clube social do São Paulo.

Outra novidade importante foi a renovação do técnico Allan Barcelos, do sub-20. Peça importante nas conquistas recentes do São Paulo, o treinador estendeu o contrato com o clube até o final de 2027. Ele vinha sendo alvo de sondagens no mercado.

Quem é Harry Massis?
Harry Massis Júnior, de 80 anos, é empresário e sócio do São Paulo desde 1964. Conselheiro vitalício do clube, o profissional já exerceu diferentes funções no Tricolor. Entre 2001 e 2002, por exemplo, atuou como diretor adjunto de futebol. Também já foi diretor adjunto adminstrativo entre 1992 e 1993.

Conforme o Estatuto do São Paulo, Massis Jr. ficará no clube até o término do mandato do presidente afastado. Ou seja, ele comandará o Tricolor até o final de 2026.

 

Decisivo, lateral do São Paulo projeta final da Copinha

O São Paulo está na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Depois de vencer o Ibrachina por 4 a 1 nesta quinta-feira, o Tricolor garantiu vaga na decisão contra o Cruzeiro, marcada para o dia 25, no Pacaembu. Entre os destaques da partida, o lateral Igor Felisberto brilhou com um golaço de falta e ainda foi eleito o craque do jogo.

Após a partida, o jovem demonstrou emoção ao comentar o momento vivido com a camisa tricolor. “Primeiramente, agradecer a Deus. É uma oportunidade e tanto com essa torcida dentro de um palco tão histórico. A gente vinha treinando aqui durante a preparação. É um privilégio estar aqui e dedicar esse gol pra minha família”, disse.

Homenagem a Rogério Ceni?
A pintura de Igor aconteceu justamente no aniversário de Rogério Ceni, ídolo máximo do clube e referência mundial quando o assunto é gol de falta. Questionado sobre a coincidência, o lateral sorriu e valorizou o simbolismo do lance.

“Com certeza. É um goleiro histórico, muito famoso pelos seus gols. Queria fortalecer a unidade da equipe, parabenizar a todos e agora focar para mais uma final”, afirmou.

Foco total no Cruzeiro
Atual campeão da Copinha, o São Paulo vai em busca do bicampeonato consecutivo e do sexto título de sua história. Igor Felisberto tratou de adotar o discurso de respeito ao adversário, mas garantiu confiança na preparação tricolor.

“É uma equipe muito qualificada também, né? Mas estamos preparados. Agora é fortalecer ainda mais a equipe, escutar o que o professor tem pra falar, estudar a equipe deles e, se Deus quiser, se consagrar bicampeão”, projetou.

São Paulo volta a ter renúncia de presidente após 11 anos

O São Paulo voltou a viver um cenário politicamente conturbado e, 11 anos depois, viu mais um presidente renunciar ao cargo. Na última quarta-feira, Julio Casares abriu mão da cadeira presidencial dias após a aprovação do processo de impeachment por parte do Conselho Deliberativo e deixou o comando do clube tricolor de maneira definitiva.

11 anos após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, foi a vez de Julio Casares deixar o cargo da mesma forma após a divulgação dos recentes escândalos na imprensa. A Polícia Civil investiga um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote do Morumbis, além de possíveis desvios de dinheiro na venda de atletas. O agora ex-presidente também está na mira das autoridades por ter supostamente recebido R$ 1,5 milhão, em dinheiro vivo, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Em 2015, Carlos Miguel Aidar passou por situação parecida no comando do São Paulo. O ex-presidente foi alvo de uma série de acusações de corrupção — entre elas, a de desvio de dinheiro nas negociações de jogadores. O estopim do caso foi um áudio gravado por Ataíde Gil Guerreiro, ex-diretor e vice-presidente da gestão, em que Aidar teria supostamente confessado práticas corruptas.

Carlos Miguel Aidar renunciou ao cargo de presidente do São Paulo no dia 13 de outubro. A gestão do mandatário ficou marcada por denúncias de corrupção e escândalos políticos. A saída do cargo foi concretizada após o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, dizer aos conselheiros que havia gravado Aidar admitindo a prática de atos ilícitos no clube. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Na ocasião, Ataíde Gil Guerreiro enviou um e-mail ao ex-dirigente e aos conselheiros tricolores dizendo possuir provas de que Aidar vinha desviando dinheiro oriundo de negociações de atletas. Também pesou contra o ex-presidente a denúncia de que o acordo com a fornecedora Under Armour rendeu uma comissão de R$ 6 milhões à empresa da namorada de Aidar, Cinira Maturana.

Diante dos escândalos, Aidar ficou praticamente sem aliados. A oposição, inclusive, já começava a se articular para protocolar um pedido de impeachment. Em meio ao cenário caótico, o presidente renunciou à presidência do São Paulo no dia 13 de outubro de 2015, dois anos antes do fim do mandato. Ele entregou o pedido de desligamento nas mãos do presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e disse: “Entreguei o papel ao Carlos Augusto. Ele é o novo presidente”.

Mais de dez anos depois, cenário se repete
Após 11 anos, o cenário voltou a se repetir no São Paulo. A pressão sobre Casares começou a crescer a partir do dia 16 de dezembro, com a revelação de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil também passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares. Diante de tal cenário, o grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista” protocolou um pedido de impeachment do mandatário, com base nos artigos 63, 79 e 112 do Estatuto Social do clube.

São Paulo
(Foto: Divulgação/SPFC)

Já no dia 6 de janeiro, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário alegaram que não há qualquer tipo de irregularidade.

Em 15 de janeiro, um dia antes da votação de impeachment, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar possível gestão temerária no São Paulo, com indícios de dilapidação patrimonial, desvio de finalidade, favorecimento de terceiros ou familiares de dirigentes e eventual uso irregular de recursos públicos ou benefícios fiscais.

Depois da aprovação do processo de impeachment por parte dos conselheiros do São Paulo, Casares se viu encurralado e com pouquíssimo apoio político. Neste sentido, ele foi aconselhado por pares próximos a renunciar ao cargo, o que aconteceu cinco dias após o afastamento temporário.

Ex-presidente nega irregularidades
Diferente de Aidar, Casares publicou a carta de renúncia nas suas redes sociais. O agora ex-presidente do São Paulo escreveu um extenso texto, no qual negou irregularidades e revelou que a família tem sofrido ameaças por conta da situação.

Casares ainda enfatizou que a renúncia não é, de forma alguma, uma confissão de culpa. O ex-presidente do São Paulo, que comandou o clube de 2021 a 2023 (primeira gestão) e de 2024 a 2025, ainda indicou possíveis traições institucionais e “articulações de bastidores” contra ele.

“Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube – fatos que o tempo e a história haverão de registrar”, diz trecho do texto.

Casares é 11º a renunciar
Julio Casares não é o primeiro a renunciar ao cargo de presidente do São Paulo. Antes dele, outros 10 dirigentes também abandonaram a posição antes do término de seus respectivos mandatos, sendo o segundo a deixar a função no século XXI.

As primeiras renúncias de presidentes do São Paulo vieram em 1935 e 1936, com João Baptista da Cunha Bueno e Manoel do Carmo Mecca. Depois, em 1938, Frederico Antônio Germano Menzes deixou a função, cenário que se repetiu no mesmo ano com Cid Mattos Viana. Já em 1940, foi a vez de Piragibe Nogueira abandonar a posição, seguido por Paulo Machado de Carvalho.

Em 1946, quem renunciou à presidência foram dois nomes: Décio Pacheco Pedroso e Roberto Gomes Pedrosa. Um ano depois, Paulo Machado de Carvalho deixou o comando do clube pela segunda vez. Por fim, em 2015, Aidar decidiu pela renúncia, assim como Julio Casares, 11 anos depois.