Não é só a organizada: Pato vai enfrentar resistência interna no SP

Contratado por empréstimo pelo São Paulo na troca com o Corinthians pelo meia Jadson, o atacante Alexandre Pato fará na manhã desta terça-feira os exames médicos para assinar a transferência. À tarde, irá ao CT da Barra Funda para conhecer o clube que defenderá pelos próximos dois anos. A caminhada que começa agora para Pato é sustentada pelo otimismo da diretoria em recuperá-lo, mas já esbarrou em protesto da organizada e também terá de convencer opiniões internas: há dirigentes do clube, aliados do presidente Juvenal Juvêncio, insatisfeitos com a contratação.

Os argumentos dos que criticam a contratação vão de uma suposta falta de ambição profissional à ferida pela comemoração feita pelo jogador após fazer gol em Rogério Ceni, pelo Corinthians, em março de 2013.

Incomoda a esse grupo o fato de Pato ter aceitado uma transferência na qual fica praticamente impedido de jogar no primeiro semestre às véspera da Copa do Mundo. Ainda mais porque a seleção brasileira sofre com carência de atacantes para vestir a camisa 9, que Pato tantas vezes usou e da qual hoje está distante. Sem poder jogar o Paulistão no Morumbi, pelos cinco jogos no torneio já feitos pelo Corinthians, Pato só irá estrear no dia 12 de março, pela Copa do Brasil, e fará apenas três partidas pelo Brasileirão antes da convocação de Luiz Felipe Scolari para a Copa do Mundo. Serão poucas oportunidades para mostrar serviço.

O descrédito da ala da diretoria que se sente contrariada passa pelo fato de o jogador não ter conseguido render nem perto do que se esperava no Corinthians, que pagou R$ 40 milhões para tirá-lo do Milan (ITA) há pouco mais de um ano e agora o cede para um arquirrival. Em nenhum momento os críticos da contratação utilizaram o argumento que o Corinthians sai beneficiado da troca. As reclamações são sobre o perfil e sobre o passado de Pato.

No ano passado, Pato comemorou pedindo silêncio ao Morumbi depois de converter pênalti que ele mesmo sofreu em Rogério Ceni. O Corinthians ganhou de virada, na primeira fase do Paulistão – ironicamente, Jadson fez o gol são-paulino na derrota por 2 a 1. Os dirigentes críticos dizem que a torcida não aceitará Pato. A principal organizada já se manifestou contra, na última quinta-feira, um dia depois de os presidentes Juvenal Juvêncio e Mário Gobbi assinarem a troca.

A falta de um consenso sobre a contratação não seria problema para Pato caso Juvenal Juvêncio governasse até o fim de seu empréstimo. No entanto, o longevo presidente deixará a cadeira principal do clube em abril, e tenta emplacar o ex-presidente Carlos Miguel Aidar como seu sucessor. Na transição, caso Aidar seja eleito, dirigentes que não concordam com a contratação de Pato devem ganhar novos cargos.

O efeito para Pato também não será diferente caso a oposição, do candidato Kalil Rocha Abdalla, seja eleita em abril – quando Pato passará a jogar, após o Paulistão. Líder da ala oposicionista e candidato a comandar o futebol são-paulino caso Abdalla seja eleito, o ex-superintendente Marco Aurélio Cunha elogiou Pato publicamente, mas contestou o modelo de contratação.

“Pato é tecnicamente muito bom. Jadson custou 4 milhões de euros mais salários. Pato vem por empréstimo. 14 milhões de reais se foram. Deixo claro que não discuto a “troca”. Pato continua tendo contrato com o Corinthians, após o SPFC. Mostro o negócio Jadson. Que Pato jogue! Esse negócio só será bom se Pato ficar dois anos no SPFC e jogar. Saindo na janela pós Copa, ou dezembro, só um vai ganhar! Não será o SPFC. Gostaria que compreendessem que estou apresentando dados e fatos e interpretando a futura contratação. Números não mentem. Que Pato jogue!”, disse Marco Aurélio Cunha após a contratação, em uma das redes sociais que utiliza.

Nesta terça-feira, Pato fará os exames médicos em uma clínica, fora do clube, enquanto o São Paulo estiver treinando sob os olhos da imprensa. O time volta a treinar no período da tarde, quando Pato terá os primeiros contatos com os novos companheiros, desta vez sem a presença da imprensa.

 

Fonte: Uol

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