Jogadores buscam meios legais para paralisar Paulista no fim de semana

O Campeonato Paulista pode parar no próximo fim de semana. Depois de um grupo de torcedores ter invadido o centro de treinamentos do Corinthians, no último sábado, Bom Senso FC e Sapesp (Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo) decidiram protestar e interromper a competição até receberem garantias de que terão condições mínimas de segurança para jogadores, funcionários e torcedores. Para isso, eles dependem apenas de condições legais e respostas dos clubes do interior.

A greve já está articulada. Bom Senso FC e Sapesp alinharam procedimentos em reunião realizada nesta terça-feira, na sede do sindicato.

“Nós, junto com o Sindicato, estamos procurando legalidade para a paralisação do campeonato. Esse é o desejo de todos os jogadores. Não podemos continuar com uma situação do jeito que está. Um jogador não pode ser atacado no lugar em que ele trabalha”, disse Paulo César, ex-lateral de Fluminense e Santos, que representou o Bom Senso FC na reunião.

O Sapesp precisa de uma série de procedimentos para dar legitimidade à greve. Além disso, o sindicato e o Bom Senso FC dependem de apoio dos times do interior para que o movimento seja realmente generalizado.

O primeiro passo das partes é notificar as partes envolvidas. Todos os clubes do Paulista, assim como a própria FPF (Federação Paulista de Futebol), receberão um documento do sindicato alegando que não há segurança para os jogadores, e que providências devem ser tomadas.

Além disso, as notificações também chegarão à Delegacia Regional do Trabalho, ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público Criminal e à Secretaria de Segurança Pública. Em todos os casos, os jogadores pedem providências depois da invasão ao CT do Corinthians.

“Vamos aguardar uma resposta. Nós também vamos fazer um BO sobre as agressões, para que os jogadores sejam parte do inquérito e possam acompanhar o andamento do caso no futuro”, explica Rinaldo Martorelli, presidente do Sapesp, que está trabalhando em conjunto com o Bom Senso.

Inicialmente, a greve atual será focada apenas no assunto segurança. O restante da agenda do Bom Senso FC, como calendário e adoção de práticas de fair play financeiro, deve ser discutido posteriormente.

“Claro que nós brigamos por outras coisas, mas sabemos que mudanças no futebol podem demorar um pouco. Nada acontece da noite para o dia. O que estamos pedindo agora é algo mais pontual, que é a preservação da segurança. Isso vale para nós jogadores, que estamos no clube, no restaurante ou nas nossas casas, mas também vale para o funcionário que está ali em busca do ganha pão ou para a família que deseja ir ao estádio”, explicou Paulo César.

Cabe a Martorelli, no entanto, esse contato com os clubes do interior, cujos jogadores ainda não fazem parte do Bom Senso. O sindicato tem conversado com os capitães desde a última quarta, e ainda aguarda as respostas. A ideia é que, em um segundo passo, esses atletas entrem em contato com o Bom Senso e entendam a proposta do grupo. Caso alguém decida “furar” a greve, ela pode naufragar.

“Aí complica tudo, porque dá WO e fica muito mais difícil”, explica Martorelli.

Toda a movimentação é uma consequência do que aconteceu no último sábado, um grupo de torcedores invadiu o centro de treinamentos do Corinthians. Houve roubos, depredação e intimidação dos jogadores, que ficaram trancados em um vestiário por quase três horas. O centroavante peruano Paolo Guerrero chegou a ser “esganado”, segundo o presidente do clube, Mário Gobbi.

O episódio causou uma série de traumas no Corinthians. Guerrero chegou a dizer que não entraria em campo para enfrentar a Ponte Preta no domingo, em partida válida pelo Campeonato Paulista. Outros jogadores tiveram posicionamento similar.

O Corinthians consultou FPF e TV Globo sobre a chance de adiar o jogo contra a Ponte Preta. Recebeu resposta negativa das duas partes – a partida, realizada em Campinas, foi exibida ao vivo em rede aberta.

Nesta terça-feira, jogadores do Corinthians emitiram nota oficial com tom duro e cobranças severas aos torcedores. O tom praticamente repetiu o que tem sido dito por lideranças do Bom Senso FC.

“Uma coisa precisa ficar muito clara: eu não quero a greve. O Bom Senso FC não quer a greve. Isso é algo que pode acontecer porque as coisas estão caminhando para esse lado. A generalização é o mal da sociedade moderna, e nós não podemos dizer que são todos os torcedores. Mas eles também não podem dizer que todos os jogadores têm problemas, e nenhum atleta pode ser ameaçado em seu ambiente de trabalho”, disse Roberto, goleiro e capitão da Ponte Preta, que faz parte do coletivo de atletas.

2 comentários em “Jogadores buscam meios legais para paralisar Paulista no fim de semana

  1. Os jogadores do São Paulo nem precisam aderir à greve, pois já estão parados desde do ano passado…

  2. Problema maior é o rebaixamento da Portuguesa.
    Primeiro, a Portuguesa deve esclarecer o que realmente aconteceu.
    Até agora está quietinha, é claro que também tem culpa.
    Se não tivesse já teria se manifestado depois de quase dois meses.
    Agora, isso que aconteceu no vizinho reflete a força desses bandidos organizados,
    que se dizem organizadas, e ainda tem o respaldo das proprias diretorias.
    Este é realmente um caso de sociedade com esses bandidos, tanto do time
    em questão, como o nosso e todos os demais.
    Uma unica soluçao, extinçao, mas ninguem fala nada, nem cbf, nem
    federações, nem clubes e muito menos o governo.
    O caso da salvaçao do flu da B, pelas forças visiveis e ocultas do nosso
    futebol é uma demonstraçao junto com esses acontecimentos tristes
    dessas gangs organizadas, é simplesmente uma demonstração que de
    um lado temos bandidos legalizados, os cartolas, e de outros os bandidos
    ilegais que se escondem atras das organizadas.
    Concluindo, estamos mesmo nas mãos de bandidos e por isso nosso
    futebol hoje é um lixo, mesmo ganhando esse lixo de copa fifa.

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