Guardiões do Apoquindo lembram da decisão da Libertadores de 1993

Rivais nesta quinta-feira pela semifinal da Copa Sul-Americana, Universidad Catolica e São Paulo se enfrentaram pela última vez no dia 22 de setembro de 1999, quando o Tricolor venceu por 2 a 0, pela primeira fase da Copa Mercosul. França marcou os dois gols. No entanto, o encontro mais importante ocorreu em 1993, quando as equipes decidiram a Taça Libertadores da América. Com uma vitória por 5 a 1 no estádio do Morumbi e uma derrota por 2 a 0 em Santiago, a equipe de Raí, Muller e Zetti, entre outros, e que tinha Telê Santana no banco de reservas, acabou conquistando seu segundo caneco sul-americano.

O tempo passou, os times seguiram escrevendo sua história, mas o duelo desta semana é especial para dois funcionários do time chileno que hoje são responsáveis pela manutenção do estádio San Carlos de Apoquindo. Carlos Moia, de 55 anos, e Demófilo Gonzalez, de 61, lembram com detalhes da final de 1993 e esperam que sua equipe tenha melhor sorte desta vez no objetivo final.

– Comecei a trabalhar no clube em 1993 e me recordo que, mesmo após a derrota na primeira decisão por 5 a 1, tinha esperança, afinal tínhamos um belo time, tanto que o Universidad venceu aqui por 2 a 0, mas o resultado não foi suficiente. Agora, a situação é a mesma. É difícil vencer o São Paulo, mas não é impossível – afirmou Carlos, esbanjando otimismo.

Seu companheiro de trabalho no dia a dia reforça o sentimento de esperança. Mas pede muito cuidado com um jogador em especial do São Paulo.

– Em 1993, sonhamos com o título, mas não conseguimos. Estava no estádio Nacional e, como funcionário e torcedor, acreditei até o fim. Ninguém aqui está mais confiante para a partida do que eu. Só acho que precisamos tomar cuidado com esse menino, o Lucas. É um belíssimo jogador, como Neymar, como Messi, daqueles que aparecem de anos e anos. E, pelo que leio, é um moleque que tem a cabeça muito boa, não cria problemas. Tenho certeza de que vai longe – afirmou Demófilo.

Carlos e Demófilo trabalhavam na área administrativa do clube. Quando o San Carlos de Apoquindo foi fundado, em 1998, foram transferidos para o departamento de patrimônio. Nada é feito no estádio sem que estejam por perto. Qualquer reforma, seja uma simples pintura ou a mudança de uma parede do vestiário, é decidida com o aval deles. A dupla divide uma sala embaixo das arquibancadas e o local impressiona pela organização. Há um armário com todas as chaves do local, divididas por setor e pelo grau de importância.

– Tudo aqui está sempre no seu devido lugar. Com tanto tempo fazendo a mesma coisa, acaba virando a extensão da sua casa – brinca Carlos.

No local, chama atenção a presença de dezenas de flâmulas de vários times do futebol chileno e sul-americano. Toda vez que um adversário vem ao San Carlos de Apoquindo, os dois conseguem uma recordação do adversário e a prendem na parede. Rival nesta quinta-feira, o São Paulo marca presença.

– Gostamos desse presente. Além do mais deixa a sala mais alegre – afirmou Carlos, sem arriscar um placar para a partida.

 

Fonte: Globo Esporte

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