Falha de planejamento expõe Douglas; Wallyson não agrada

Por que Douglas joga no ataque do São Paulo? No Morumbi, as vaias se tornaram constantes nos últimos tempos quando ele é chamado por Ney Franco para entrar no decorrer dos jogos. Mas Douglas não é o culpado pelas eliminações no Paulistão e na Libertadores. Ele é apenas uma das ilustrações – talvez a mais clara – das falhas de planejamento da diretoria do clube em 2013.

Douglas é lateral-direito. Na quarta-feira, em Belo Horizonte, jogou como ponta esquerda contra o Atlético-MG. Foi muito mal. Mas só jogou porque as outras poucas opções do elenco são-paulino não têm condições de fazê-lo. Wallyson, que deveria ter jogado, perdeu espaço nos treinos. É criticado pela comissão técnica porque não tem se empenhado da maneira que se espera no dia a dia no CT da Barra Funda. Ao contrário de Douglas. O argentino Cañete, alternativa, está acima do peso e não vem sendo nem relacionado para as partidas. Ademilson, para Ney Franco, é um atacante que deve atuar perto da área.

Para o clube que perdeu Lucas, hoje titular do Paris Saint-Germain (FRA) e postulante à vaga entre os 11 na Seleção Brasileira, Wallyson também não representaria a salvação. Na derrota por 4 a 1 para o Galo o que se viu foi a exemplificação da falta de opções no elenco. Osvaldo, destaque da equipe em 2013, não tem reserva. Ainda em janeiro, na estreia do São Paulo na Libertadores, o capitão Rogério Ceni alertou nos microfones que Osvaldo se machucaria e desfalcaria o time em algum momento do ano. Pediu contratações, que não vieram.

Ney Franco fez o mesmo. Falou publicamente da necessidade de reposição para Lucas e de mais jogadores que atuam nas laterais do ataque. Ney arma o São Paulo no 4-2-3-1 desde o ano passado, com dois pontas, e tem de usar um lateral na vaga ofensiva mesmo com os R$ 87 milhões que restaram ao clube após o negócio em dezembro.

Com os pedidos, a diretoria tentou Montillo e Eduardo Vargas. Sem sucesso, não quis alternativas mais baratas. O resultado do planejamento foi a estreia de Silvinho, na quarta, na derrota por 4 a 1.

Douglas tem moral com Ceni e elenco

Douglas não tem o respaldo apenas da comissão técnica do São Paulo. O capitão Rogério Ceni é o mais influente aliado do jogador no elenco tricolor. Os motivos são a dedicação e a entrega do atleta, tanto nos treinos como nos jogos.

Ceni e o time não têm poder de decisão frente às definições da comissão técnica, mas contribuem para que Douglas permaneça como favorito às vagas no ataque diante da falta de opções tanto na ponta direita quanto na ponta esquerda, com os eventuais desfalques no setor ofensivo.

Segundo quem convive no dia a dia com Douglas, ele não se incomoda de ter de jogar no ataque, e não se sente queimado pela comissão técnica por não conseguir desempenhar seu melhor rendimento fora de sua posição de origem. Douglas chegou ao São Paulo no início do ano passado, superou uma pubalgia e passou a ter chances. Na lateral, perdeu espaço para Paulo Miranda.

Lucas rendeu R$ 87 milhões ao São Paulo. Verba não supriu carência

O que precisava fazer:

Defesa carente
A diretoria terminou o ano decidida a contratar um novo parceiro para Rafael Toloi. A lateral esquerda também era alvo de críticas, com consultas a possíveis reforços.

Reposição a Lucas
Para que o time se mantivesse no 4-2-3-1, era preciso trazer um novo ponta direita. Além disso, outros dois reservas se faziam necessários para encorpar o elenco.

Banco de Luis Fabiano
Com a saída de Willian José para o Grêmio, o São Paulo precisava de um novo reserva para Luis Fabiano, que até então era desfalque frequente por lesões ou suspensões.

O que fez:

Lúcio
A aposta defensiva foi o veterano Lúcio, que rescindiu com a Juventus (ITA) e não custou nada ao São Paulo além do valioso contrato. Na lateral esquerda, Carleto voltou.

Ataque
Negueba veio por empréstimo. Wallyson, dispensado pelo Cruzeiro, também chegou sem custos ao Morumbi. Aloísio foi repassado pela Tombense, também sem multa.

Dívida
Dos R$ 87 milhões que ficaram para o São Paulo, cerca de R$ 60 milhões foram utilizados pela diretoria para reduzir a dívida total, fruto de empréstimos bancários.

Quanto vale o montante no futebol:

Rivais
Alexandre Pato, ex-Milan (ITA), foi contratado pelo Corinthians por R$ 40 milhões. Montillo, alvo do São Paulo, foi para o Santos por pouco mais de R$ 16 milhões.

Sensação na Europa
Como comparação, a última grande transferência da Alemanha rendeu ao Borussia Dortmund quase o mesmo valor. Mario Götze foi para o Bayern de Munique por R$ 97 mi.

No Brasil
Outras grandes transferências internas em 2013: Dedé custou R$ 14 milhões ao Cruzeiro. Hernán Barcos foi ao Grêmio por R$ 4 milhões, com quatro atletas envolvidos.
Fonte: Lance

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