Ceni chega a 500 jogos no Brasileiro em busca de nova superação

Rogério Ceni completou ontem 23 anos de São Paulo. Neste domingo, contra o Coritiba, no Couto Pereira, chega a marca de 500 jogos no Campeonato Brasileiro. Ninguém o supera. Mas, mesmo assim, não há motivos para comemorar e o capitão terá de buscar inspiração no passado para tirar ele mesmo e o São Paulo da pior fase na história da relação.

Rogério foi contratado pelo Tricolor no dia 7 de setembro de 1990. De lá para cá, construiu uma trajetória das mais vitoriosas no clube e no futebol mundial, história que também conta com grandes momentos de superação. Em 2006 e 2009, o capitão reagiu em momentos delicados. Virou o maior goleiro-artilheiro da história e prorrogou a carreira quando se cogitava aposentadoria (leia abaixo).

Agora, porém, o buraco é mais embaixo. Quem convive com Rogério diz que nunca o viu tão abalado. A imagem de decepção do goleiro após perder o pênalti contra o Criciúma, na última quinta-feira, é emblemática. Acostumado a vitórias, vê o seu São Paulo afundar no Brasileiro e não consegue fazer nada. Foi o terceiro pênalti consecutivo desperdiçado. A equipe não consegue sair da zona do rebaixamento.

Ceni sabe que seria uma tragédia encerrar a carreira com o time rebaixado. Ele já disse que vai parar no fim do ano e não pretende mudar de ideia para disputar a Série B. Só que o capitão não tem conseguido motivar seus companheiros, como sempre acontecia anteriormente.

Alguns jogadores ficaram impressionados com a maneira cabisbaixa que o capitão deixou o Morumbi na quinta-feira. Algo raro.

Curioso é que, fora de casa, o Tricolor tem ido melhor. Sofreu apenas duas das oito derrotas. Alento para o time. Alento para Rogério Ceni.

As reações de Ceni

Volta por cima após falha
Ceni viveu um de seus piores momentos no São Paulo na final da Libertadores 2006. Falhou feio no segundo jogo, dia 16 de agosto, quando o Internacional garantiu o título com empate por 2 a 2 – venceu o primeiro por 2 a 1. O capitão ficou abalado, mas reagiu quatro dias depois, diante do Cruzeiro, no Mineirão. Pelo Brasileiro, marcou dois gols e pegou um pênalti no empate por 2 a 2 e ultrapassou o paraguaio Chilavert como maior goleiro-artilheiro da história: 66 gols. O time arrancou para o título.

Fim de carreira? Que nada!
Em abril de 2009, o golpe foi físico. Em treino no CT da Barra Funda, o goleiro fraturou o tornozelo esquerdo e precisou passar por cirurgia. Foi sua maior contusão no futebol. Com 36 anos na época, poderia ter encerrado, mas não era hora do ponto final. Voltou quatro meses depois com vitória sobre o Fluminense, por 1 a 0, no Brasileirão. O São Paulo só perdeu o título na última rodada e, no ano seguinte, Ceni emplacou a maior sequência de jogos de um atleta pelo São Paulo: 132.

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