Auro abre mão de salário milionário e vive com mesada de R$ 500

Há três semanas, o lateral direito Auro, de 18 anos, assinou seu segundo contrato como jogador profissional com o São Paulo, o primeiro já integrado ao time titular. Passou a ganhar aproximadamente 10 vezes mais, quase 900% de aumento. Uma grande mudança financeira. Para a família, sim. Para ele, ainda não.

“Minha mãe fica com todo o dinheiro e me dá um cartão com R$ 500 por mês. O resto, fica tudo com ela, vai para uma poupança e para a família”, diz o jogador. Esse dinheiro será gasto primordialmente com a compra da casa onde a sua família vive, de aluguel, em Jaú, no interior paulista.

Mas, como viver com R$ 500, sendo jovem e ganhando visibilidade no mundo do futebol? “Roupa, eu só compro uma camisa de vez em quando, pois ganho roupa esportiva de uma marca com quem tenho contrato. Vou ao shopping de vez em quando e como um sanduíche. Sou um cara básico”, afirma o atleta, que entre seus luxos está apenas um carro Hyundai.

“Minha mãe e minha irmã se revezam lá em casa. Elas vêm de Jaú e ficam uma semana. Compram comida e cozinham para mim. Quando eu tenho uma folga pego o carro e vou para Jaú, encontrar a família e a namorada. Assim gasto bem pouco”.

E quando a conta estoura? “Aí, eu ligo para ela e pegou um pouco mais, mas nunca passa de R$ 300”.

Auro é família. No braço, tem duas tatuagens com os nomes da mãe – Tercília – e do pai – também Auro. “Eu sou muito ligado a eles. Tenho duas irmãs mais velhas e sou o único filho, o mais novo. Adoro comer bife com arroz e feijão que a minha mãe faz, não sou de luxo não”.

As ligações telefônicas são diárias. Além da mãe, fala com os amigos de infância – Murilo, Gustavinho, Leandrinho, Mozinho, Romão… “Adoro Jaú. Quando terminar minha carreira, vou voltar para lá com os meus amigos. Todo dia que a gente se encontra, tem churrasco e pagode. Gosto de música romântica do Thiaguinho e Rodriguinho, além do Belo”.

O primeiro contato com o futebol foi aos sete anos. Pediu para entrar em uma escolinha e gostou tanto que logo se matriculou em outras duas.

“Cada escolinha era duas vezes por semana, então eu preenchi todos os horários. E, de noite, ia jogar na quadra de futsal lá do bairro. Jogava até dez da noite, aí tinha de ir dormir para não apanhar da minha mãe. De manhã, escola”.

Ele fez até o segundo colegial, mas a subida para o time profissional o impediu de terminar o ensino médio. Estudou em Cotia, na escola que tem convênio com o São Paulo. Chegou ao CT da base da equipe tricolor em 2010, com 14 anos. É a idade mínima que permite ao jogador ficar longe da família. Lá, aprendeu a fazer a cama toda manhã, hábito que mantém até hoje.

Já o primeiro contato com o São Paulo foi mais cedo, em 2008. “Fui aprovado e fiquei uma semana treinando. A cada três meses eu vinha e ficava uma semana. Até que foi marcado meu último teste”.

Uma semana antes, porém, havia sido levado por um empresário chamado Gilmar à Portuguesa. “Treinei, agradei e tinha um contrato para assinar. Mas preferi ariscar tudo no São Paulo. Saí um pouco fugido de lá, me arrependo, mas tinha de correr atrás do meu sonho”.

A partir de 2011, no sub-15, sempre foi titular. Em 2013, o São Paulo contratou Foguete, lateral da seleção brasileira. E a seleção veio treinar em Cotia, contra o time do São Paulo. Foguete estava no time nacional e se machucou. Auro foi convocado para o seu lugar e virou titular. Nunca mais saiu.

Pelas seleções de base, já conheceu Emirados Árabes, Argentina, Chile, França e Espanha.

No primeiro semestre, Muricy o chamou para uma semana de treinamentos. “Cara, me esforcei demais, dei duro, fiz tudo o que mandaram e consegui ficar alojado com o time profissional. Foi o primeiro passo”.

O segundo foi ganhar uma vaga como titular, quando Paulo Miranda se machucou. Foi muito bem contra o Sport, mas chegou a hora de um passo atrás. Voltou à reserva.

“Eu era meia e tenho alguns problemas de marcação. Para mim, seria ótimo se o time jogasse com três zagueiros ou com duas linhas de quatro e eu ficasse na segunda linha, pronto para atacar. Mas, pelo amor de Deus, isso é só uma ideia, não estou sugerindo nada não, o professor é quem decide”.

Com três zagueiros e dois alas, ele monta o Manchester City e o Bayern de Munique para jogar videogame. “Sou bom, mas não sou ótimo não. É apenas para brincar”.

Seus ídolos no futebol mostram o estilo que lhe agrada. Se pudesse escolher três craques para pedir um autógrafo, esticaria papel e caneta para Ronaldinho Gaúcho, Cristiano Ronaldo e Philipp Lahm, é lógico.

“Ele é baixinho, ofensivo e técnico. Joga na minha posição. Quem sabe um dia eu chego lá….”
Antes, é preciso diminuir os problemas com marcação e voltar a ser titular. “Todo dia eu treino para melhorar. Todo dia”. Há alguma meta? Seis meses, por exemplo? “Não, seis meses é muito. Preciso melhorar antes para ser titular logo”.

E, depois, a Europa, certo? Como todos? Para alegria da torcida são-paulina, a resposta é um seguro e sincero não. “Não ganhei nada na vida e não vou ficar pensando em Europa. Só quero sair do São Paulo depois que vencer um Brasileiro, uma Libertadores e disputar um Mundial, antes eu fico por aqui, ainda tenho muito a fazer”.

Talvez, quando ganhar em euros, a mesada aumente.

 

Fonte: Uol

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