São-paulino desde criança, Denilson chega a 100 jogos: ‘Quero um título’

A noite desta quinta-feira será especial paraDenilson. Quando pisar o gramado do estádio San Carlos de Apoquindo, em Santiago, no Chile, o volante entrará no seleto grupo que, atualmente, conta apenas com Rogério Ceni, Rhodolfo, Lucas e Luis Fabiano: pela centésima vez, vestirá a camisa do São Paulo.

Nascido em família são-paulina e criado na base do clube, Denilson não esconde a torcida e o carinho pelo time do Morumbi. Na Sul-Americana, contra o Universidad Católica, na semifinal, além de tentar encerrar o jejum de títulos do Tricolor, o camisa 15 busca também sua primeira conquista na carreira como titular.

Então jovem promessa do São Paulo, Denilson foi campeão mundial em 2005 na reserva. Vendido ao Arsenal no ano seguinte, aos 18 anos, aprendeu a se virar sozinho na Inglaterra. Dinheiro e fama, no entanto, nunca o fizeram esquecer as origens. Repatriado pelo Tricolor em 2011, ele mora por opção na mesma casa da infância, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo. Lá, em meio aos quadros e fotos guardadas com carinho pelo pai orgulhoso, o volante recebeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM. E deixou transparecer a ansiedade pelo jogo 100.

– Comecei no São Paulo com dez anos de idade. A identificação que tenho com o clube, com os torcedores, representa muito na minha carreira. Completar cem jogos é uma marca muito especial. Minha família toda é são-paulina. Eu, desde pequeno, também. Meu único título foi no São Paulo, com 17 anos. De lá para cá, não ganhei mais. Voltei para o Brasil em busca de realizações, títulos. Temos condições de conquistar a Sul-Americana e terminar a temporada com chave de ouro. Curtir as férias bem, sair tranquilo com a família – declarou.

Na parede da sala de estar, as principais conquistas de Denilson no futebol estão representadas. A camisa do título do Mundial de Clubes pelo São Paulo tem lugar de destaque, assim como a medalha de ouro, principal relíquia do “memorial” particular. Um quadro com dedicatória, feito no primeiro ano do volante no Arsenal, mostra o orgulho do pai pelo filho famoso.

A comparação com Rogério Ceni, ídolo com mais de mil jogos pelo São Paulo, é inevitável e serve de inspiração para Denilson. Emprestado pelo Arsenal até junho do ano que vem, ele entende ainda ser cedo para discutir a renovação do vínculo, e por isso encara a Sul-Americana como uma das últimas chances de voltar ao exterior com um título. Apesar do amor pelo São Paulo, ele não garante que nunca jogará por outro time no Brasil.

– Nem sei mais o que falar do profissionalismo do Rogério, da pessoa que ele é. A liderança que impõe dentro e fora dos gramados. Para 2013, foi a primeira grande contratação do São Paulo. Ele está há 22 anos, nunca saiu para jogar em nenhum outro clube. Já fui para o Arsenal, voltei e tenho um carinho enorme, mas não vou dizer que, se for uma oportunidade boa para as duas partes, não possa ir para outra equipe – declarou.

– Jogar no São Paulo é um sonho. Eu me sinto feliz quando coloco o “manto”, entro no Morumbi e vejo aquela torcida cantando para mim. Tem o Paulista do ano que vem e não sei se vou ficar até o fim da Libertadores. Estou focado na Sul-Americana. Se vou renovar ou não, vai da diretoria, meu advogado. Eu foco no dia a dia, jogo a jogo. Para que eu possa fazer valer a pena tudo isso que venho fazendo na temporada – completou Denilson.

Por muito pouco, o sonhado título como titular pelo São Paulo não veio no primeiro semestre. Semifinalista da Copa do Brasil, o São Paulo venceu o primeiro jogo contra o Coritiba por 1 a 0, no Morumbi. Na volta, entretanto, acabou derrotado por 2 a 0 no Couto Pereira e deu adeus à competição – mesmo destino do Paulistão, quando caiu contra o Santos pouco antes da decisão. Denilson espera agora, na Sul-Americana, exorcizar o fantasma dos fracassos na semifinal.

– Chega de semifinal! Coritiba, Santos… A Copa do Brasil foi a que mais me tocou, a maior frustração. Pelo momento, saíram lágrimas dos olhos. Queria muito, estava próximo do fim do contrato e a emoção falou mais alto. Falei que meu desejo era ser campeão antes de sair. Infelizmente não aconteceu. Houve interesse do São Paulo em renovar, eu prometi para mim que iria ficar. Quero voltar para o Arsenal um dia como campeão – revelou o volante.

Até aqui foram 99 jogos disputados pelo São Paulo. Gols marcados, somente um – que para ele vale por outros cem. No clássico contra o Palmeiras pelo Brasileirão, no Morumbi, Denilson arriscou do meio-campo e marcou o segundo da goleada por 3 a 0. Emocionado, chorou e dedicou o feito à mãe, falecida enquanto ainda era adolescente. Se a escrita do Arsenal se repetir nesta quinta, o jogo contra o Universidad Católica pode ser ainda mais especial para o jogador.

Contra o Standard de Liege, em partida válida pela Liga dos Campeões, o volante comemorou com estilo a marca de cem jogos pelo clube inglês, em 2009. Na ocasião, marcou um de seus 11 gols – “e foi bonito!”, lembra. No fim do primeiro tempo, Denilson acertou um belo chute de fora da área, surpreendeu o goleiro do time belga e comandou a vitória por 2 a 0. Na chuteira do jogo cem, além de uma imagem da comemoração do gol contra o rival, Denilson leva o nome dos pais e dos irmãos, e se emociona ao falar da relação com a família.

– Posso demorar para fazer gol, mas quando faço é bem feito. Espero que possa fazer outro, mesmo que não tão bonito como contra o Palmeiras. Mas que seja um gol de vitória, de classificação. Um resultado que possa deixar o São Paulo mais tranquilo. Família para mim é tudo, sempre vão estar comigo. São os únicos. É uma marca especial para mim, para recordar no futuro, mostrar aos filhos – afirmou.

– O gol contra o Standard de Liege foi bonito. A bola veio e estava muito longe. Ajeitei no chão e chutei. Ela foi no meio, mas a bola da Liga é leve, dependendo da altura que sobe ela esquiva. O goleiro achou que iria no meio, mas ela passou e entrou. Tenho boas recordações do meu centésimo jogo pelo Arsenal. Pode acontecer igual pelo São Paulo, mas pode não acontecer. Procuro não me apegar a essas coisas. Se vier um gol no jogo, será uma emoção muito grande, ainda mais completando cem jogos na equipe que sempre torci – completou.

 

Fonte: Globo Esporte – Foto: Vipcomm

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