Rival do São Paulo tem folha menor que a de Tolima

A Liga Deportiva Universitaria de Loja é grande apenas no nome. Xará da LDU mais famosa do Equador, o time tem 33 anos e pouca tradição no país, uma torcida pequena, além de uma folha salarial de apenas U$ 200 mil (cerca de R$ 400 mil). Mesmo assim, depois de eliminar o Nacional (URU) no estádio Centenário, a equipe do sul do Equador sonha em tirar o São Paulo da Copa Sul-Americana.

O tricampeão mundial e da Libertadores viajou na segunda-feira até a cidade de Loja, 180 mil habitantes (população equivalente à de Santa Bárbara do Oeste, no interior paulista), para enfrentar o atual vice-campeão equatoriano. O jogo da quarta-feira, às 22h, vale pelas oitavas de final do segundo torneio mais importante do continente.

Para o torcedor brasileiro, o duelo entre um gigante paulista e um time pequeno e completamente desconhecido lembra a última grande zebra do futebol nacional. Em 2011, o Corinthians foi até o interior da Colômbia e sucumbiu diante do Tolima, cuja folha salarial era até maior que a da LDU (U$ 300 mil), mesmo considerando-se a inflação de um ano e meio depois.

Após a zebra história, os colombianos se transformaram no segundo time afetivo dos torcedores de todos os outros clubes de São Paulo.

Destino semelhante estaria reservado à LDU? “Tudo é possível. Dentro do campo, são 11 contra 11. Teremos um estádio completamente cheio todo a nosso favor”, afirma, confiante, o presidente da LDU, o Engenheiro Jaime Villavicencio.

(No Equador, como na maior parte dos países da América Latina, os nomes das pessoas proeminentes são precedidos de suas profissões; na diretoria da LDU estão, por exemplo, o Advogado Robert Jaramillo e o Arquiteto Luis Armando Hidalgo)

Villavicencio relata a partir de Loja o clima de euforia que tomou a cidade desde que o time eliminou o Nacional com uma surpreendente vitória em Montevideo por 2 a 1. “Estamos fazendo história. É a nossa primeira participação internacional e já vivemos o nosso melhor momento, sem dúvida alguma”, diz o presidente.

Depois do triunfo no Uruguai, os jogadores saíram em carreata pelas ruas e foram recebidos com uma festa que parou o munícipio durante dois dias ininterruptos. A informação é do principal responsável pela boa fase, o atacante brasileiro Fabio Renato, artilheiro da Copa Sul-Americana com cinco gols.

Há cinco anos no Equador, o amazonense já quase desaprendeu a falar português. Com sotaque carregado no castelhano, Fabio explica que a LDU tem boa estrutura para treinar, um estádio em ótimas condições e uma tendência ao crescimento. Ele promete que o time não se intimidará diante do São Paulo.

“É uma grande equipe, de tradição, mas sabemos como vai ser o nosso jogo. Não dá pra dizer se vamos surpreender ou não, mas a confiança é grande”, diz o atacante.

O presidente vai além. “O São Paulo é enorme, tem muita tradição, história e títulos, um exemplo a ser seguido por nós que estamos começando. Mas isso motiva o time ainda mais para fazer um bom jogo”, afirma o engenheiro.

A LDU de loja foi fundada no final da década de 1970 e passou muito tempo na segunda divisão do Equatoriano. Em 2011, subiu para a elite e fez uma campanha incrível no ano seguinte. O vice-campeonato garantiu o privilégio de disputar a Sul-Americana.

No torneio, eliminou o Monagas da Venezuela antes de se deparar com o Nacional, obstáculo considerado quase intransponível ao pequeno do Equador. Mas eles conseguiram passar por cima.

Para o herói da campanha há uma motivação maior do que matar um gigante. O jogo contra o São Paulo pode se tornar uma vitrine para Fabio Renato conseguir voltar para seu país. Com poucas oportunidades no Amazonas, o atacante rodou por times de Rondônia e do Pará antes de ser convidado a ir pro Equador.

Ele já quer voltar. “É um sonho. Quem sabe uma boa atuação me faça tornar isso realidade.”

Fonte: Uol

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