Presidente do São Paulo se empolga com time e quer título Brasileiro

Faz um mês hoje que a sala da presidência do São Paulo voltou a ser ocupada pelo “moleque pretensioso” que dirigiu o clube entre 1984 e 1988.

O termo foi dado a Carlos Miguel Aidar durante sua primeira gestão no Tricolor, por ter ousado lançar o que na época ficou conhecido como “Projeto Tóquio” – leia conquistar o título do Mundial, na época disputado só no Japão.

Passaram-se 30 anos, o “moleque” pretensioso abandonou o bigode, mas ganhou experiência e mais personalidade para conduzir o clube de volta às conquistas.

– Hoje, não falam nada. Porque sabem que vou atrás – avisa.

Trinta dias depois de ganhar a eleição presidencial como candidato único (Kalil Rocha Abdalla desistiu), Aidar recebeu o LANCE!Net no seu novo local de trabalho e esboçou a cara que pretende dar ao clube nos próximos três anos ou, quem sabe, seis, com reeleição.

O título brasileiro ele quer para ontem e já sonha com o dia em que uma de suas netas colocará a faixa de campeão em Rogério Ceni.

Para isso, aposta no “timaço” montado com a contratação de Alan Kardec, após chapéu polêmica no rival Palmeiras.

Na entrevista, Aidar admitiu que errou ao dizer que o presidente Paulo Nobre apequenava seu clube, mostrou o tripé que quer para a gestão e contou como tem feito economias em pouco tempo. Confira!

Depois de um mês, essa sala já está diferente, não é?
Coloquei uma maquininha de café e um computador, que o Juvenal não usava. Só! Ah, tem o quadro que ganhei do Ceni (vira-se e o aponta na parede), com a cor amarela da campanha. Tem a foto dele com a minha neta no meu primeiro jogo. Ela é pé-quente (São Paulo ganhou do Botafogo por 3 a 0).

Qual balanço faz desse primeiro mês de gestão?
Ainda estou montando a equipe de trabalho. Não tem muita coisa para falar. Estou começando a nomear adjuntos, assessores, distribuindo tarefas. Fazendo reuniões com empresas para ter diagnósticos de modelo de gestão.

Sua vida mudou muito?
Muito. Ficava o dia inteiro no meu escritório, agora é duas ou três vezes por semana só. O São Paulo de hoje é diferente do de 30 anos atrás. Trabalho muito mais hoje para o clube do que na primeira. Temos cinco unidades de negócio. Antes, era só Morumbi e social. Eu que criei o CT.

O que percebe de mudança em relação ao governo do ex-presidente Juvenal Juvêncio?
Quando você tem um clube que ficou oito anos com uma pessoa como o Juvenal, as pessoas trazem costumes. Quando muda, muda o jeito de ser, critérios. Ele era centralizador e eu adoro delegar as coisas e cobrar. Mudou o perfil, sistema. O bolo é o mesmo, as moscas são outras.

O senhor disse que ainda não pôde fazer muito, mas já se envolveu em algumas polêmicas.
Eu errei. As pessoas não estão preparadas para brincadeiras de presidente de clube. Médico, torcedor, pode. Presidente, não. Sou alegre e gostava de brincar, mas não vou mais. Dentes na boca, passaporte para Itaquera, banana na mesa, nada. Estou me policiando. Existe um patrulhamento falso. Você é patrulhado, mas os que criticam brincam do mesmo jeito. Na apresentação do Kardec, tive vontade de fazer outra brincadeira, mas me segurei.

Qual era a brincadeira?
Não quero falar. Não vou mais brincar. Deixa para lá. Foi coisa do momento.

Seu pai (Henri Aidar, ex-presidente do São Paulo), Juvenal (criador por Aidar) e você ganharam cinco dos seis Brasileiros do clube. Mas a Libertadores, não. É a missão?
(Risos) Somos bom nisso, né? Não sei, preciso ganhar o Brasileiro de novo. Lembro que quando ganhei o primeiro (1986), falei no projeto Tóquio e me zombaram. Depois, a base que montei foi campeã do mundo. Hoje, não falam nada porque sabem que vou atrás, consigo. Quero ganhar o Brasileiro este ano. Estamos a quatro pontos do líder, mas perder dois pontos para o Coritiba em casa é que não pode. Podem fazer falta lá na frente. É anormal.

O time é de campeão?
Estava pensando ontem. Kardec, Ganso, Luis Fabiano, Pato e o Mito lá atrás. Que time, meu Deus! É time para ser campeão, não para participar. O Ganso caiu de produção, mas voltou a jogar agora.

Essa postura é uma cobrança ao técnico Muricy Ramalho?
Não é uma cobrança ao Muricy. Não estou cobrando nada. Temos um time capaz de ser campeão, mas não significa que vai. A Seleção Brasileira vai jogar 1000 vezes com meu escritório e vai perder uma, porque depende de muita coisa. O Muricy não foi tricampeão brasileiro (2006-2008) de graça, ele trabalhou muito para isso.

O que acha do trabalho do gerente Gustavo Oliveira?
Ótimo, ótima pessoa. Estamos adorando. O Ataíde e eu o adoramos. Ele tem um DNA de qualidade (é filho do ídolo corintiano Sócrates e sobrinho de Raí). Está desenvolvendo um ótimo trabalho e é discreto, habilidoso. Não é exibido. Tem um excelente perfil, aparece quando precisa.

Falando de Copa do Mundo, o que acha desses protestos?
Há protesto para tudo e ninguém sabem sobre o que estão protestando. Só daqui muitos anos vamos entender o que está acontecendo. Protestam contra a Copa e queimam ônibus, agridem funcionários. Mas o que isso tem a ver com a Copa?

Por tudo que aconteceu, sente-se aliviado de o São Paulo ter ficado fora do processo?
Não sei se é um alívio. O tanto de dinheiro que o governo colocou nos clubes e estádios, talvez fosse bom. Mas pelo menos teremos a abertura no amistoso entre Brasil e Sérvia, dia 6 de junho, no Morumbi. É uma conquista minha, do Juvenal, do Marín (José Maria, presidente da CBF), de todos. Estou cortando ingresso, mas como é a Seleção, dou dois para cada conselheiro. Espero que eles aprovem minhas contas, porque dá quase R$ 90 mil (risos).

 

Fonte: Lance

Um comentário em “Presidente do São Paulo se empolga com time e quer título Brasileiro

  1. “Aqui não é Cotia, só meus queridinhos é que podem estar desligados e jogar mal vários jogos que eu deixo, ai as Muricetes me idolatram”.

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