Paz no campo e pressão no bastidor: São Paulo vive bipolaridade em 2015

– Não acredito em reconciliação. As coisas andaram a um ponto tal que dificilmente há retorno.

A frase é do presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, sobre a relação entre o presidente Carlos Miguel Aidar e o antecessor Juvenal Juvêncio. As palavras do experiente dirigente dão a dimensão da guerra política que conturba os bastidores do clube desde o ano passado. O problema é que esse conflito extrapolou os limites dos gabinetes e atingiu a comissão técnica.

Dentro de campo os gols de Alexandre Pato, os passes de Paulo Henrique Ganso e a parceria entre Luis Fabiano e Michel Bastos rendem frutos. Mas são o contraste para o clima pesado, inflamado desde as declarações de Aidar cobrando um título de Muricy no ano.

O treinador respondeu na última quarta-feira dizendo que essas palavras fazem o próprio clube se pressionar, sem citar o nome do presidente. O comandante ainda disse que o comportamento da torcida, com vaias direcionadas a Maicon, foi influenciado por essa situação. Em 2014, o técnico cobrou publicamente os diretores por reforços e agora ouve que seu maior desafio será lidar com o melhor elenco do Brasil, segundo o vice Ataíde Gil Guerreiro.

Apesar disso tudo, o ambiente no CT da Barra Funda é bom entre jogadores e comissão técnica. Também pela atuação do gerente de futebol Gustavo Vieira de Oliveira e do próprio Ataíde. Eles não permitem a interferência do momento político conturbado no local de treinos, diferentemente do que ocorria há alguns anos.

treino São Paulo treino Muricy (Foto: site oficial / saopaulofc.net)Clima de paz do elenco contrasta com guerra nos bastidores (Foto: site oficial / saopaulofc.net)

Durante a gestão de Juvenal, o ex-presidente era figura constante nas atividades do CT. Atualmente, o grupo pouco recebe visitas de Aidar. Nesta semana a exceção ocorreu na apresentação do reforço Ricardo Centurión, contratado com o dinheiro do torcedor e empresário Vinicius Pinotti. No dia a dia, o dirigente toma as decisões sobre o clube de sua sala no Morumbi.

– Fazemos a nossa parte dentro de campo e deixamos para quem comanda cuidar dessa pressão. O elenco tem de jogar futebol e deixar isso fora de campo. Pressionados, não. Sabemos da responsabilidade e da grandeza do clube. Quando eles (torcida) gritaram (que Libertadores é obrigação) saiu o gol do Capivariano nas duas vezes. Acho que na terceira desistiram – disse Ganso.

Nesse ambiente bipolar, o São Paulo ainda terá um novo momento de tensão antes de iniciar a disputa da Taça Libertadores no próximo dia 18, provavelmente contra o rival Corinthians. Será na reunião do conselho marcada para a próxima terça-feira (dia 10), quando a oposição promete novo embate com Aidar.

– São reuniões fortes, intensas e tensas, porque se discutem as maiores questões do São Paulo. Estamos vivendo um momento da vida do clube em que as reuniões não estão exatamente tranquilas, mas farei de tudo para que ocorram em paz. Há uma insatisfação (com Aidar) que não se limita à figura do ex-presidente Juvenal, por conta de alguns acontecimentos. E é assim mesmo em um processo democrático. Há posições (contrárias) de conselheiros e nós precisamos administrar. Espero que isso seja superado – disse Leco.

 

Fonte: Globo Esporte

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