Oposição do SP promete impedir mudança de estatuto e dá recado a Juvenal

Por falta de quórum, a oposição do São Paulo conseguiu impedir a votação do projeto de reforma do Morumbi na última terça-feira. Eram necessários 177 conselheiros – 75% do total – para o pleito, mas a ausência em massa de oposicionistas impediu que ele acontecesse. Como reação, o presidente Juvenal Juvêncio prometeu mudar o estatuto e reduzir a presença mínima para 50% do total. Seus adversários políticos, entretanto, prometem impedir a medida.

A iniciativa tomada pela chapa que tem como candidato à presidência Kalil Rocha Abdalla teve duas conotações: uma técnica, outra política. As divergências entre o Palmeiras e a WTorre no caso do Allianz Parque, e entre o Grêmio e a OAS no caso da Arena Grêmio foram levadas em conta na decisão de não aprovar um projeto que envolve R$ 450 milhões e 20 anos em apenas uma reunião.

Diversos membros da oposição, entretanto, afirmaram ao UOL Esporte que o ato teve como principal objetivo dar um recado ao presidente Juvenal Juvêncio de que sua influência já não é suficiente para aprovar projetos sem atender a toda e qualquer solicitação de conselheiros que não o apoiam. A mensagem é a de que o clube está dividido, e não há governabilidade sem diálogo nem decisões unilaterais.

Os oposicionistas também disseram que não permitirão uma nova mudança estatutária, para diminuir a presença mínima de conselheiros para aprovar a reforma do estádio. Veem a mudança promovida pelo atual mandatário em 2011, que possibilitou um terceiro mandato, como um golpe, e afirmam que não deixarão que o episódio se repita.

Impedir essa alteração, entretanto, será uma tarefa bem mais difícil. De acordo com o próprio Juvenal Juvêncio e corroborado pelo presidente do Conselho Deliberativo, o desembargador José Carlos Ferreira Alves, ao contrário do que ocorreu na votação da cobertura do Morumbi, uma mudança no estatuto não exige presença dos 177 conselheiros: o mínimo é de apenas 40, e a decisão tomada por maioria.

A regra significa que uma ausência coletiva como a de terça-feira permitiria à situação são paulina promover a modificação sem qualquer resistência. Para barrá-la, seria necessária a presença maciça dos oposicionistas e uma vitória nas urnas. Hoje, o conselho está dividido: há equilíbrio entre os 155 vitalícios, mas a diretoria atual conta com apoio da maioria dos 80 conselheiros eleitos, e teria chances de aprovar a alteração estatutária.

A situação pode mudar na primeira quinzena de abril, quando haverá nova eleição de conselheiros eleitos. As chapas vêm investindo na aproximação com os sócios, e há no clube o sentimento de que um bom desempenho no pleito para o conselho pode decidir a disputa presidencial, que acontece semanas depois, também em abril.

 

Fonte: Uol

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