Menos atletas, mais oportunidades: base aumenta influência no São Paulo

Falta de dinheiro, justificativa para os investimentos em Cotia e filosofia de jogo de Rogério Ceni. Esses são alguns dos fatores que fizeram o São Paulo intensificar o uso dos produtos de suas categorias de base nesta temporada. Nos últimos dois anos, as crias do CFA Laudo Natel cavaram cada vez mais espaço e agora se consolidam como armas do Tricolor.

No atual elenco, são 12 atletas com passagem pela base do clube: o goleiro Lucas Perri, os zagueiros Breno, Rodrigo Caio e Lucão, o lateral-esquerdo Júnior Tavares, os volantes Wellington, João Schmidt, Araruna e Militão, os meias Lucas Fernandes e Shaylon e o atacante Luiz Araújo. Perri e Militão são os únicos que ainda não jogaram, enquanto Foguete e Lyanco atuaram uma vez cada, mas foram transferidos – Vila Nova, por empréstimo, e Torino (ITA), respectivamente.

Como em outros anos, a comissão técnica profissional também observou jovens talentos durante os treinamentos. Em 2017, as oportunidades foram dadas a nomes como Caique, Léo Natel, Oliveira, Roni e Tom. Tudo cumprindo uma promessa de Ceni e seguindo o histórico do auxiliar inglês Michael Beale, oriundo das bases de Liverpool e Chelsea.

Mas para provar que Cotia e Barra Funda estão integrados de vez é preciso comparar os dois últimos anos, quando o São Paulo mergulhou em problemas políticos e financeiros e passou a apontar a base como salvação. Neste ano, que começou a ter jogos em 19 de janeiro e soma 25 partidas disputadas, já foram registradas 129 participações de atletas formados em Cotia, com seis gols marcados e dez assistências.

Na temporada passada, 15 atletas da base foram utilizados ao longo de 11 meses de competições e o número de participações de pratas da casa foi de 192, com 13 gols e nove assistências. Já em 2015, foram 159 participações, com seis gols e seis assistências durante todo o ano.

A melhora dos números pode ser explicada pelo aumento da experiência dos garotos, calejados pelos maus momentos do clube. Há ainda o respaldo da torcida, sempre favorável a mais espaço para Cotia. E, claro, o de Ceni. Basta ver que Araruna e Júnior, promovidos em janeiro, já somam 17 e 23 partidas, respectivamente. Confiança do chefe e sequência para desenvolver o talento.

O Mito chegou a promover outros nomes, como os zagueiros Tormena e Kal, mas optou por emprestá-los para ganhar experiência em outras equipes. Além deles, foram cedidos o zagueiro Maidana, os volantes Banguelê e Artur, o lateral-esquerdo Matheus Reis e o centroavante Pedro. E todos sabem: quem se destacar certamente estará no radar da equipe principal do Tricolor.

Ainda assim, há cautela de Ceni. Preocupado com a falta de ritmo de Lucas Fernandes, recém-recuperado de duas lesões, pediu que o meia fosse aproveitado pelo sub-20 no Campeonato Paulista da categoria. Shaylon, com dificuldades para enfrentar a concorrência no setor ofensivo, pode ser emprestado a um clube da Série A. Preocupação com o futuro.

 

Fonte: Lance

Um comentário em “Menos atletas, mais oportunidades: base aumenta influência no São Paulo

  1. Sou conservador e tenho orgulho quando surge um garoto bom de bola na base do meu time de coração. É assim que, sempre que me é dado a oportunidade, acompanho a todos os jogos das categorias inferiores para poder analisar qual garoto, em minha opinião, tem futuro no clube. Foi assim que me encantei com o David Neres; gostei muito do Joanderson (que parece não ter vingado); coloquei muitas fichas nos pés do Banguelê, a quem julgo terem queimado indevidamente dentro co clube, no Inácio, lateral esquerdo transferido ao Porto, e num volante baixinho mas com muita classe de apelido “Pira”, a quem, parece, o SPaulo não quis renovar seu contrato. Nunca apostei ficha alguma no Shailon nem no Lucas Fernandes, pois os achava sem a “garra” necessária – ou a tal intensidade – para se dar bem como profissionais. Entretanto, principalmente o Fernandes, vieram para os profissionais, tiveram seus contratos prorrogados e agora, parece que voltaram às categorias inferiores, caso não sejam emprestados. Nada contra, temos um técnico para analisar seus desempenhos. O que me continua a preocupar é a política de aproveitamento da base. O Luiz Araujo, que era o 12 jogador daquele time que foi campeão da Libertadores sub20, esteve muito bem no final da temporada passada e no início desta. Foi só o time perder a força que vinha tendo no ataque e logo ele foi o escolhido como o principal fator da desordem e sacado do time: ou ele era bom e deveriam ter deixado ele continuar (como fazem com o Cueva pra quem arrumam desculpas por seus últimos péssimos jogos) até que ele voltasse a brilhar, ou tentaram empurrar “gato por lebre” aos torcedores e imprensa, que viviam engrandecendo o garoto.
    É só essa minha preocupação: que o SPaulo, que tem tudo para preparar um time jovem e bom – e que, para isto, até contratou um “especialista inglês” – fique marcando passo, contratando jogadores com mais idade e mais caros, e perdendo a oportunidade de revelar talentos que, inclusive, poderiam resolver a situação financeira do clube.
    Quem sabe a nova equipe de administradores do clube pense nisto!!!

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