Jadson quer superar desconfiança na seleção

Jadson é um dos principais jogadores do futebol brasileiro na atualidade. Após se destacar pelo São Paulo, o meia está bem cotado para estar entre os titulares de Luiz Felipe Scolari na seleção brasileira que disputa em a Copa das Confederações. Se, hoje, o atleta vive seu melhor momento da carreira, há seis anos ele se via em uma das situações mais difíceis de sua vida.

Sem conseguir se adaptar com a cultura da Ucrânia após três anos no país, o jogador pediu para voltar ao Brasil. Ele ouviu um “não” do Shakhtar Donetsk e colocou na cabeça que precisaria terminar seu contrato. Resolveu dar o máximo para poder ser destaque. E deu certo.

Na Ucrânia, ele tem direito a espaço na calçada da fama e um currículo com sete títulos e 64 gols em 262 partidas disputadas. Nesta terça-feira, ele se apresenta à seleção brasileira para conseguir ocupar ainda mais espaço na sua prateleira de troféus.

O jogador reconhece que está ansioso para chegar logo o primeiro jogo. Ele diz saber que a torcida brasileira será exigente por estar com um pé atrás com o histórico recente da seleção.

Veja a entrevista completa com Jadson no UOL Esporte:

UOL Esporte: Como está trabalhar a ansiedade da Copa das Confederações?
Jadson:
 Eu fico um pouco ansioso, para chegar o dia, chegar logo a Copa e os treinamentos da seleção. Mas eu sei dividir bem. No São Paulo, eu trabalhei esses dias 15 dias em Cotia e vou pensar na seleção, agora, depois da Ponte Preta. Estou ansioso!

UOL Esporte: Na seleção, você espera jogar na mesma função ou vai ter de se adaptar um pouco em relação ao que você faz no São Paulo?
Jadson:
 Nos dois jogos que eu joguei na seleção, eu atuei no meio, com total liberdade para chegar à frente. Ele (Felipão) pediu mais marcação, para eu voltar um pouco mais. Mas não sei o que vai ser na Copa das Confederações.

UOL Esporte: Você participou do amistoso contra o Chile, onde a seleção foi vaiada. Você acha que vai ser assim a competição inteira?
Jadson:
 No Mineirão, teve rivalidade entre Cruzeiro e Atlético-MG. Quando um [jogador de um time] pegava na bola, a torcida do outro [time] vaiava. Mas eu acho que, tirando essa rivalidade de torcida, os brasileiros podem estar desconfiados. Mas todos os jogadores estão indo para ganhar a a Copa das Confederações.

UOL Esporte: Você acha que está faltando identificação da torcida com a seleção?
Jadson
: Com os resultados que a seleção tem mostrado recentemente, o povo fica desconfiado. Mas eu acho que, no futebol, com resultados e vitórias, a gente muda o pensamento da torcida. A gente tem uma grande oportunidade na Copa das Confederações para conseguir a vitória e ganhar a credibilidade de volta.

UOL Esporte: Até que ponto a sua atuação na Copa das Confederações vai influenciar para uma convocação na Copa do Mundo?
Jadson:
 Ah, falta muito tempo. Em um ano, acontece muita coisa. É uma grande oportunidade para quem foi convocado. Todos vão querer aproveitar da melhor forma, tanto nos treinamentos quanto nos jogos. Acho que o Felipão vai analisar muito o grupo. Vai depender muito do comportamento de cada um.

UOL Esporte: Para falar da Ucrânia agora, você se sentia esquecido lá mesmo apresentando um bom futebol?
Jadson:
 Quando eu saí daqui do Brasil, em 2005, saí bem para caramba. Eu era vice do Brasil pelo Atlético-PR, fui revelação do campeonato, mas jogando lá a visibilidade não era tão boa quanto aqui, em São Paulo, ou no Rio de Janeiro. Resolvi ir para a Ucrânia, ajudar a família e consegui dar a casa pra minha mãe. Não foi fácil ficar lá. Passei por muitas dificuldades e pensei em voltar no meu terceiro ano (2007), mas o time não liberava. Aí, eu coloquei na cabeça que precisava cumprir o contrato e tentar o meu melhor futebol. Depois disso, fui bem sucedido. Depois de sete anos na Ucrânia, quando fui convocado, os torcedores e a crônica não lembravam de mim. E meu pensamento foi isso: voltar para mostrar meu futebol e atuar em uma equipe como o São Paulo, que é uma excelente vitrine, um clube de primeira.

UOL Esporte: Que tipo de dificuldade que você passou na Ucrânia?
Jadson:
 Ah, tinha a cultura, o frio… Tudo era novo. E também na época quando eu cheguei tem a questão de rodízio, de trocar jogadores, de tira e põe. Eu ficava mais chateado, ainda mais que eu era novo e queria jogar sempre. Isso daí foi um dos motivos. Graças a Deus, fui com minha mulher, que sempre me ajudou muito.

UOL Esporte: E, depois disso, você pensa em voltar à Europa?
Jadson
: Não sei o que vai acontecer no dia de amanhã. Estou feliz aqui e não penso em voltar. Mas, futuramente, eu não sei.

UOL Esporte: E você recomenda a Ucrânia para um jogador que está indo bem aqui?
Jadson:
 Com certeza, recomendaria. É um lugar que cresceu muito. Antes, não era muito conhecido. Se antes não era tanto e já deu certo, imagina agora? O clube cresceu, ganhou título, participa de Champions direto, da Copa Uefa (hoje Liga Europa) também, então a  visibilidade do Shakhtar melhorou muito.

UOL Esporte: Para falar de São Paulo, queria saber o que passou pela sua cabeça depois da eliminação na Libertadores?
Jadson: 
Nossa equipe, aqui no Morumbi, jogou bem. Nós tivemos várias chances de fazer gols e liquidar a partida. Infelizmente, futebol é caixa de surpresa, e a gente acabou perdendo dentro de casa. E isso dificultou bastante. A equipe ficou na parte defensiva, ninguém esperava perder de 4 a 1. Depois do jogo, todo mundo ficou muito triste, pensando no que ia acontecer. Queríamos saber o que a torcida e a diretoria estavam pensando. Mas depois erguemos a cabeça, fomos pra Cotia. Agora, vamos pensar no Brasileiro.

UOL Esporte: Como o grupo reagiu com jogadores sendo afastados e presidente colocando até Luis Fabiano à venda?
Jadson:
 São amigos que foram afastados, que vão seguir o caminho deles, mas ficamos tristes pela amizade que temos. São todos meninos bons. Mas é decisão da diretoria com a comissão, não temos muito o que fazer. Ficamos triste por isso daí. O Luis Fabiano é um grande jogador, a torcida e o grupo gostam dele. Sempre gostei de jogar ao lado dele e pretendo que ele jogue comigo até o fim. Não sei do futuro dele, mas torço para que ele fique.

 

Fonte: Uol

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