Falastrões, Luis Fabiano e Emerson colecionam histórias de provocação

Emerson Sheik e Luis Fabiano podem ser considerados jogadores raros na atualidade. Não apenas pela qualidade técnica e poder de decisão, mas principalmente por serem dos poucos remanescentes do “falo o que penso” no futebol. Em uma época em que impera o discurso pronto, ensaiado, os dois quase sempre fogem à regra e dão declarações cheias de personalidade (e polêmica).

Neste domingo, os dois atacantes duelam na semifinal do Campeonato Paulista. São Paulo e Corinthians se enfrentam às 16h (de Brasília), no estádio do Morumbi, com transmissão ao vivo da TV Globo. Até agora, nenhuma polêmica. Mas depois que a bola rolar e o sangue “subir à cabeça”, ambos têm potencial para colocar fogo na partida.

– Acho que sinceridade é sempre bom, porque jogamos de maneira limpa. Não se trata de um estilo, mas sim da minha maneira de ser. Acho que tudo que for feito para sairmos do mecanismo que o futebol hoje possui é muito válido – declarou Emerson Sheik, via assessoria de imprensa. Luis Fabiano, que vive momento mais conturbado, preferiu não se pronunciar antes do clássico.

Estilo, sinceridade, irreverência, personalidade… Não importa o nome que cada um dê ao jeito de Sheik e Fabuloso, o fato é que os dois experientes atacantes não se destacam apenas dentro das quatro linhas, mas também fora delas. Em especial quando estão com um microfone à frente. Sem fugir de polêmicas ou perguntas espinhosas, eles costumam dar as melhores coletivas de Corinthians e São Paulo.

Arrancam risadas, fogem do senso comum, provocam adversários e desafetos. Ou seja, fazem muita coisa que antigamente era corriqueiro, inerente ao futebol brasileiro, mas que atualmente soa como algo fora da curva. Normalmente, os jogadores atuais, moldados para evitar polêmica ou criar algum tipo de constrangimento, evitam falar o que realmente pensam.

Fabuloso e as provocações

Um dos destaques da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Luis Fabiano voltou para o São Paulo como principal estrela. Fez por merecer tamanha expectativa pelo que fez na Europa. Mas assim como na outra passagem pelo Tricolor, o atacante deixou seu forte temperamento prejudicá-lo em campo.

Lá atrás, em 2003, o Fabuloso ficou marcado por ter brigado com os argentinos do River Plate, na semifinal da Copa do Sul-Americana. Ano passado, na mesma competição, ele ficou fora da decisão contra o também argentino Tigre por ter sido expulso de forma infantil na primeira partida – o São Paulo foi campeão sem ele.

Em 2013, o camisa 9 tricolor afirmou estar mais tranquilo, ter aprendido com os próprios erros. Mas em partida contra outro argentino, o Arsenal de Sarandí, ainda pela fase de grupos da Libertadores, ele levou o cartão vermelho depois do apito final, por reclamação, e pegou quatro jogos de gancho na Conmebol.

Preparando-se para voltar na competição continental na próxima quarta-feira, contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte, pelas oitavas de final, Luis Fabiano tem pela frente o Corinthians, neste domingo. Um rival que ele alegou ter recusado para voltar ao Tricolor. Um adversário que ele gosta de provocar.

Recentemente, num dia que o São Paulo desembarcou no mesmo aeroporto do Corinthians após uma partida, o atacante brincou com o fato de o Tricolor ter pousado primeiro: “Sempre estamos na frente”. O mesmo tipo de provocação sobrou para o Palmeiras em outra ocasião.

Autor de quatro gols contra o Independente, pela Copa do Brasil de 2012, ele brincou com os palmeirenses, que tinham feito três no Coruripe: “Sozinho, eu fiz mais gols do que o Palmeiras no Coruripe”. Luis Fabiano tenta agora voltar a ser destaque pelas provocações e brincadeiras do que pela falta de disciplina.

Sheik e as ironias

O atacante do Corinthians é um personagem, no mínimo, interessante. Culpado num caso de “gato” (trocou de identidade para parecer mais novo no futebol), Emerson, que nasceu Márcio, tem uma macaca de estimação, chamada Cuta, já foi denunciado por contrabando, mordeu a mão de um jogador na final da Libertadores e alugou um helicóptero porque estava atrasado para um treinamento no Timão.

Só por essas linhas já dá para perceber que Sheik tem muita história para contar. E ele não tem pudor algum de entrar em polêmica. Seja para provocar um clube rival ou para responder os jogadores de outros times. Assim como Luís Fabiano, ele não gosta de levar desaforo para casa. Responde sempre às perguntas que lhe fazem. E da maneira que acha melhor. Sem ensaiar.

Em 2011, ano de sua chegada ao Corinthians, Emerson teve seguidas polêmicas envolvendo o Flamengo, seu antigo clube. Primeiro ele disse que a torcida do Timão era mais comprometida ao incentivar a equipe. Depois, teve uma troca de farpas com Renato Abreu, do Rubro-Negro, a quem disse: “Ele gosta de aparecer para o torcedor, mas para o time dele não faz p… nenhuma”.

A temporada seguinte, na qual foi o herói da inédita conquista do Timão na Libertadores, começou com Sheik chegando de helicóptero a um treino. Foi multado por atraso. Mais adiante, ironizou reclamação do Tricolor contra arbitragem (“Não sabia que em São Paulo também tinha chororô”). Depois, ele, suspenso, postou no Twitter enquanto o Timão vencia o Palmeiras: “Que dó, que dó da formiguinha”.

Houve também um momento de mais tensão, envolvendo o lateral-esquerdo Léo, do Santos, que depois de confusão no embarque do Corinthians para o Mundial no Japão disse que os corintianos só estavam acostumados com rodoviária. “Só é lembrado quando abre a boca suja para falar besteira”, respondeu Sheik, que depois do título falou de novo: “Fala alguma coisa aí, palhaço”.

Nesta temporada, como o atacante alvinegro esteve em baixa no começo, as polêmicas demoraram. Mas recentemente ele provocou o São Paulo, adversário deste domingo, ao comemorar a classificação antecipada na Libertadores e ver o sofrimento do rival para passar. E nas quartas de final do estadual, contra a Ponte, disparou contra Chiquinho: “Às vezes é melhor calar a boca”.

 

Fonte: Globo Esporte

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