De calado a cascudo: São Paulo inicia mata-mata com ‘vestiário quente’

Calados e com grande risco de serem eliminados ainda na primeira fase. Foi assim que, em 17 de fevereiro, os jogadores do São Paulo deixaram o campo após a derrota de 1 a 0 para o The Strongest (BOL), no Pacaembu, pela fase de grupos da Libertadores. O revés histórico somado à rebeldia do pacto de silêncio denunciou: 2016 nem bem começara e o Tricolor já se afundava na crise.

O tempo passou. O São Paulo superou a turbulência, conseguiu a vaga nas oitavas de final da Libertadores e nesta quinta-feira, às 21h45, diante do Toluca (MEX), no Morumbi, terá outra chance de provar que um grupo desunido, indolente, transformou-se em um time cascudo, capaz de ir longe na competição.

– Nos reconstruímos e conseguimos se classificar. Esta equipe já começa a mostrar o caráter que tem e que estamos tratando de implantar. Eles têm que entender que, no futebol, nem sempre se ganha jogando melhor. Se ganha com coração e cabeça. Entenderam a mensagem. Vamos lutar com a torcida. Cada grito fará o jogador se entregar mais – declarou o técnico Edgardo Bauza, após o treino de quarta, realizado no Morumbi.

A reconstrução não foi fácil. Todo o departamento de futebol se mobilizou para tirar os jogadores da zona de conforto. Algumas lideranças, consideradas maléficas, foram deixadas de lado e outras foram incentivadas. O grupo foi cobrado publicamente pelo diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira. Respaldada, a comissão passou a agir com o intuito de incendiar o vestiário. A resposta pôde ser vista em La Paz, com a confirmação da vaga.

– O vestiário está quente. Os jogadores estão muito mais próximos do corpo técnico e o processo está com muito mais gente envolvida. O Bauza, o Pintado (auxiliar), o Renê (Weber, auxiliar), todos participam – afirmou Gustavo Vieira.

Depois da força-tarefa, as constantes reclamações públicas cessaram, o time se mostrou forte nas duas partidas contra o River Plate (ARG) e contra a altitude boliviana, apesar de ter sido eliminado do Paulista com goleada para o Osasco Audax dias antes.

O discurso dos jogadores apontou mais união e foco no objetivo de ser campeão. Em La Paz, Michel Bastos gritava: “Agora tenho certeza de que vamos até o fim“. Lugano, que nem tinha condições de jogar, ajudou a inflamar o discurso.

Nesta quinta, o time não terá Calleri, principal goleador da competição, e possivelmente Kardec, o substituto. Não há cenário melhor para se mostrar cascudo. É com vocês.

A TRANSFORMAÇÃO DO SÃO PAULO

Sem mimimi
Depois do pacto de silêncio em protesto contra atraso de salário, a diretoria correu para quitar os débitos e conseguiu com adiantamento de contrato de TV. A partir daí, fez cobranças ao elenco, que julgava acomodado. Gustavo Vieira deu dura entrevista no CT. Presidente Leco passou a acompanhar os treinos. As reclamações acabaram.

União
As chegadas do diretor Luiz Cunha e do auxiliar Pintado aproximaram mais diretoria, comissão e jogadores. No último domingo, por exemplo, o departamento de futebol ficou horas no CT decidindo o planejamento para a viagem até o México. Após os jogos, viraram comuns as conversas vararem a madrugada. Bauza ganhou respaldo em meio à crise.

Jogar com garra
Em campo, houve respostas consideráveis. Jogadores com perfil mais duro como Maicon, Calleri e até Ganso, uma surpresa, passaram a guiar o time. Michel Bastos saiu da mira da torcida. Bruno, João Schmidt, Hudson e Kelvin cresceram de produção. O time teve comportamento duro em duas brigas, contra River Plate e The Strongest.

Fonte: Lance

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